QUALIDADE DE VIDA DE PACIENTES RENAIS CRÔNICOS EM TRATAMENTO HEMODIALÍTICO NA 25ª REGIÃO DE SAÚDE ESTADO DA BAHIA



Mauricio Marcelino da Silva Filho

A insuficiência renal crônica (IRC) é considerada um grande problema de saúde pública devido às altas taxas de morbidade e mortalidade. Os insuficientes renais crônicos têm sua qualidade de vida prejudicada, devido seu tratamento contínuo, sessões de hemodiálise, constantes visitas ao médico, restrições alimentares, fatores este desestruturam seu cotidiano e comprometem a sua Qualidade de Vida (Q.V.). O estudo foi descritivo e qualitativo, tendo como objetivo analisar a percepção dos pacientes renais crônicos que fazem tratamento hemodialítico na 25ª região de saúde do Estado da Bahia 2008, junto ao serviço público Unisang, Centro de Hemodiálise e Hemoterapia sendo a unidade de alta complexidade em nefrologia localizada na cidade de Barreiras-Bahia. A população estudada foi de 51 pacientes que fazem sessões de hemodiálise, de ambos os sexos (30 homens, 21 mulheres), com idade variando entre 18 a 60 anos. Os dados foram coletados através de entrevistas, nas quais foram registradas com gravador de voz. Sendo estruturada para captação de dados, idade, sexo, escolaridades, renda média familiar, município em que residem. Os dados colhidos foram submetidos à análise de conteúdo de acordo com a proposta de Bardin. Nos resultados obtidos foram evidenciadas as dificuldades que estes pacientes apresentaram em relação ao conhecimento sobre conceito de qualidade de vida, tratamento hemodialítico e a insuficiência renal crônica. Ficou caracterizado que a maioria dos pacientes tem dificuldades financeiras e falta de conhecimento, fatores que levam o doente crônico a uma péssima visão de qualidade de vida.
PALAVRAS-CHAVE: Qualidade de vida, insuficiência renal crônica, tratamento hemodialítico.

INTRODUÇÃO

A Insuficiência Renal Crônica (IRC) é considerada um grande problema de saúde pública devido às altas taxas de morbidade e mortalidade. Os insuficientes renais crônicos têm sua qualidade de vida prejudicada, devido seu tratamento contínuo, sessões de hemodiálise, constantes visitas ao médico, restrições alimentares, fatores que desestruturam seu cotidiano e comprometem a sua Qualidade de Vida (QV).

O conceito “qualidade de vida” surgiu nos Estados Unidos após a 2ª Guerra Mundial, descrevendo o efeito gerado pela aquisição de bens matérias (tecnologia) na vida das pessoas, sendo posteriormente utilizado como parâmetro a ser valorizado com o intuito de resgatar avanços nas áreas da saúde e da educação (FERRAZ, 1998). Esse processo refletiu mudanças que vinham ocorrendo quanto às expectativas sociais diante dessa etapa da vida.

A partir daí, forma-se um conceito elaborado pela organização mundial da saúde (OMS), (1994 apud FERRAZ, 1998 p. 219), onde “Qualidade de vida é a percepção individual de um completo bem-estar, mental e social.”

O interesse em mensurar a qualidade de vida, especialmente na doença crônica, tem aumentado nos últimos anos, tendo esta enfermidade reduzida consideravelmente o desempenho físico e mental dos pacientes acometidos.

A Insuficiência Renal Crônica é uma síndrome clínica caracterizada pela persistência por mais de três meses de redução da filtração glomerular abaixo de 60/ml/minuto / 1,73 m². Esse ponto de corte já é caracterizado como disfunção renal em que a incapacidade dos rins excretarem os produtos finais do metabolismo nitrogenado (uréia, creatinina, ácido úrico), e de manter o equilíbrio hidroeletrolítico e ácido básico que começa a provocar sérias conseqüências como: hipertensão arterial, edema, congestão, anemia e desnutrição e complicações como insuficiências cardíacas, arritmias, hemorragias digestivas, disfunção imunológica e hiperlipotemias. (PEDROSO e OLIVEIRA, 2007).

A Insuficiência Renal Crônica pode aparecer e evoluir rapidamente, mas, em geral inicia de forma insidiosa, ao longo dos meses ou anos. Essa evolução pode ser contínua, além disso, tem impacto negativo sobre a qualidade de vida relacionada à saúde.

A saúde constitui-se um direito universal devendo estar à disposição de toda a população. No entanto, o que se vê é uma exclusão deste direito a uma parte significativa da população. No artigo nº 196 da Constituição Federativa do Brasil (2004) ressalta-se que a saúde é direito e dever do Estado, garantindo mediante políticas sociais, econômicas que visem à solução de risco de doenças e de outros agravos, ao acesso universal, igualitário as ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.

Nesta perspectiva, as políticas públicas, enquanto um conjunto de medidas governamentais dirigidas à qualidade de vida se mostra como uma estratégia viável e necessária para a promoção de saúde.

Para Smelter e Bare (2005), a hemodiálise consiste em extrair as substâncias nitrogenadas tóxicas do sangue e remover o excesso de água. O sangue carregado de toxinas e resíduos nitrogenados é desviado do paciente para um aparelho, um dialisador, em que é limpo e, em sua seguida, devolvido ao paciente.

O presente estudo é uma tentativa de discutir e analisar a concepção dos pacientes renais crônicos em hemodiálise na 25º região de saúde do Estado da Bahia, realizada com pacientes renais crônicos que fazem tratamento na Unissang-Centro de Hemodiálise e Hemoterapia LTDA, localizada na Avenida Clériston Andrade, 1063, Centro, Barreiras, Bahia. Esta oferece tratamento hemodialítico para 66 pacientes renais crônicos da região Oeste da Bahia.

O propósito de pergunta norteadora desta pesquisa é Qual a Percepção dos Pacientes Renais Crônicos em Hemodiálise sobre sua Qualidade de Vida, tendo como Hipótese, a idéia que, diante de todas as complicações e limitações, que a doença proporciona ao portador, os pacientes renais crônicos têm sua qualidade de vida prejudicada devido seu tratamento contínuo, o qual possui rotinas desconfortáveis, e por vez, até dolorosas.

Busca-se analisar a situação vivida por essas pessoas, objetivando compreender se os pacientes renais crônicos em hemodiálise possuem qualidade de vida e como a mesma é alcançada; compreender a abordagem clínica da patologia; elucidar o conceito qualidade de vida para os pacientes renais crônicos; identificar a relação entre as limitações provocadas pela doença e a qualidade de vida dos portadores; compreender o papel da hemodiálise em relação à qualidade da vida.

Do ponto de vista acadêmico, essa pesquisa visa a agregar conhecimento específico acerca da Insuficiência Renal Crônica, favorecendo novos dados que contribuirão diretamente na formação enquanto enfermeiro. A Enfermagem deve orientar os pacientes na organização e estruturação de rotinas que possam favorecer melhorias na sua qualidade de vida, encorajando os juntamente com seus familiares a superação e prevenção de complicações futura.

METODOLOGIA

A presente pesquisa é qualitativa e descritiva, versada de um estudo de caso. Segundo Rodrigues (2007), pesquisa qualitativa é a denominação dada à pesquisa que vale da razão discursiva. Manda a honestidade que se registre a existência de respectivas opiniões em sentido contrário, analisa, pondera e interpreta dados relativos à natureza dos fenômenos. Já a pesquisa descritiva estuda as relações entre duas ou mais variáveis de um dado fenômeno sem manipulá-las, criando e produzindo uma situação em condições específicas, neste caso, a qualidade de vida dos IRC em hemodiálise.

Caracterização do local da pesquisa
O presente estudo foi realizado na cidade de Barreiras, importante município do Estado da Bahia, localizado a margem esquerda do Rio São Francisco no extremo Oeste Baiano. A cidade de Barreiras é o principal centro urbano, político, tecnológico e econômico da região, com uma área de 7.895,24 km² e 127.801 habitantes.
O campo de estudo foi o centro de hemodiálise e hemoterapia LTDA. (Unisang), localizada na Avenida Clériston Andrade 1063 – Centro, Barreiras – BA, sendo a unidade de assistência de alta complexidade em nefrologia, oferece atendimento a 66 pacientes insuficientes renais crônicos do oeste da Bahia, sendo que nossa análise foi realizada com 51 individuo em tratamento em hemodiálise.

Sujeitos participantes
Os participantes são portadores de insuficiência renal crônica em tratamento de hemodiálise que residem na 25° região, e que utilizam o centro de hemodiálise e hemoterapia. (Unisang). Todos com idade entre 18 a 60 anos, estando aptos a responder aos questionários.

Estratégia
Foi realizada a pesquisa com 51 pacientes de ambos os sexos, com idade entre 18 a 60 anos, aos quais foram aplicados questionários utilizando um gravador de voz, sendo este elaborado pelo próprio pesquisador e seu orientador. Trata-se de um questionário com perguntas relativas à idade, sexo, escolaridade, renda individual, cidade onde reside, e perguntas clínicas sobre a patologia e hemodiálise e seus possíveis benefícios. Tal atividade possui o objetivo analisar a percepção do próprio paciente acerca da sua qualidade de vida.
Considerações éticas
O projeto foi apreciado e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da FASB, seguindo as regras das normas éticas em pesquisa com humanos. Foi solicitado o consentimento escrito dos sujeitos (anexo) sendo esclarecido que a participação seria voluntária e com possibilidade de desistir. Foram esclarecidos a respeito dos benefícios e riscos da mesma. A pesquisa que envolve seres humanos deve atender as exigências éticas e científicas fundamental, normas estas que são determinadas pela resolução 196/96 Conselho Nacional de Saúde do Ministério da Saúde, a qual apresenta as diretrizes regulamentadoras mais abrangentes acerca de pesquisa envolvendo seres humanos no Brasil, na perspectiva de garantir anonimato dos pacientes.

Análise de dados
Após o devido processamento, os resultados foram organizados e baseados nas respostas onde se buscou estabelecer relações entre os dados obtidos, as hipóteses formuladas e a bibliografia estudada, sinalizando as principais idéias contidas nos depoimentos. Já a apresentação de resultados deu-se em dois momentos. No primeiro, foram apresentadas tabelas com características dos participantes, e na segunda, quadros com unidades de significância, conforme a proposta de análise de conteúdo. (BARDIN, 2000).


RESULTADOS E DISCUSSÃO

Tabela 1. Distribuição dos participantes da pesquisa segundo município de procedência.
25ª região 
BARREIRAS ,FORMOSA DO RIO PRETO ,
RIACHÃO DAS NEVES, SÃO DESIDERIO, ANGICAL 
BAIANOPOLIS  ,COTEGIPE ,MANSIDÃO 
WANDERLEY. 

Observa-se que a maioria dos participantes reside em Barreiras representando 68,6%. Em seguida, o município de Formosa do Rio Preto apresenta uma média 13,7%, Riachão das Neves e São Desidério apresentam uma porcentagem de 3,9%, sendo 1,9% município de Angical, Baianopolis, Mansidão e Wanderley. Nota-se que os municípios com menor quantidade de pessoas, são os que têm tendência de apresentar menores porcentagens de doentes. Para um domínio de saúde geral, os municípios com maior quantidade de indivíduos indicam maiores porcentagens de portadores de doença renal crônica. 

Distribuição dos pacientes participantes de acordo com o sexo.

A Tabela 2 apresenta distribuição de 51 pacientes portadores de insuficiência renal crônica de acordo com o sexo. A maior parte da população estudada pertence ao sexo masculino 58,8% e 21 pacientes ao sexo feminino 41,1%.
Castro et al. (2003) também obteve em seus estudos com 184 pacientes sobre qualidade de vida dos pacientes renais crônicos uma maior predominância do sexo masculino neste tratamento. Ao comparar esse estudo, observa ainda uma incidência maior do sexo masculino, ao sexo feminino. 





Distribuição dos pacientes participantes segundo a faixa etária.

Para análise geral identifica-se que na população em estudo, 15,6% pertencia à faixa etária entre 18 a 25 anos. Sendo que nas faixas etária 26 a 35 anos, houve menor número de 13,7%. Na faixa etária 46 a 55 anos, numa porcentagem de 17,6%. A faixa etária de 56 anos inclui um maior número 37,2% de sujeitos no programa de hemodiálise.
Esse panorama vem se modificando no decorrer dos anos conforme dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia, que em 2001 registrou 48.806 pacientes em tratamento dialítico no Brasil. Desse total, aproximadamente um terço apresentava uma idade superior a 60 anos.




Distribuição do número de pacientes em hemodiálise de acordo com a escolaridade.

Segundo os dados encontrados, aproximadamente 68,6% da amostra obteve apenas ensino fundamental incompleto. Encontramos nesta amostra significativa que estes pacientes apresentam grande dificuldade para compreender toda extensão do procedimento hemodialítico principalmente no que se refere sobre a IRC. Uma pequena população de 11,7% ensino médio completo, e 15,6% incompleto. Destaca-se que 3,9% ensino superior incompleto, observando que as menores porcentagens conseguem assimilar algum conhecimento acerca da doença.
Castro et al (2003), afirmam uma melhor resposta à hemodiálise os pacientes com algum nível cultural. Esse fato confirma a importância do profissional de saúde envolvido neste tratamento.
Observa-se que os portadores de insuficiência renal crônica da 25° região apresentam baixo nível de escolaridade, muitas vezes por fatores que a própria doença oferece, ou talvez por condições financeiras e até dependência ao tratamento que impossibilitar a freqüência escolar. 


Distribuição dos pacientes participantes sobre mudanças do estilo de vida ao longo do descobrimento da doença.


Mudanças relatadas Freqüência
Porcentagens
Limitação Social

“Muita coisa mudou, eu trabalhava, hoje não posso trabalhar’’”.

“Não posso mais fazer as coisas dentro de casa’’”.

“Só em deslocar da minha cidade três vezes por semana, sendo um meio de sobreviver’’”.

Conformismo

“Acabei de ter que eu acostumar com essa rotina’’”.

Limitação Física

“Não posso eu alimentar direito, nem beber água’’”.
Desgaste Emocional Extremo

“Não sobrevivo, e sinto morto’’”.

“Hoje sou liquidado, e sinto inoperante’’”.

“Mudou tudo, não posso sair, nem viajar, não tem alegria, vivo triste. ‘‘“.

“Vivia bem antes, hoje tenho problemas de doença”


A Insuficiência Renal Crônica (IRC) é uma enfermidade que, além de trazer conseqüências físicas ao indivíduo que a vivencia, traz prejuízos psicológicos e altera o seu cotidiano, sendo caracterizado também como um problema social, que interfere no papel que esse indivíduo desempenha na sociedade. Então, estabelece-se um longo processo de adaptação a essa nova condição, no qual o indivíduo precisa identificar meios para lidar com o problema renal e com todas as mudanças e limitações que acompanham. 

Acima, permite analisar a opinião dos entrevistados acerca da mudança no estilo de vida após descobrimento da doença. 39,2% da população mostraram-se existência da limitação social.

Para Souto (2003 p.37).

O trabalho envolvendo a limitação social é entendido como todo esforço que o homem, no exercício de sua capacidade física e mental executa para atingir seus objetivos em consonância com os aspectos éticos. Todo homem tem direito ao trabalho digno, a fim de realizar-se e garantir sua subsistência, assim como daqueles por quem é responsável, mas, em contrapartida, o trabalhador só consegue realizar suas atividades laborais se possuir condições físicas, mentais e sociais articuladas aos fatores intrínsecos do trabalho como realização completa da jornada de trabalho, o que muitas vezes para o paciente renal crônico estas condições não são possíveis.

Verifica-se que o trabalho também interfere na vida do indivíduo, já que é muito difícil manter vínculo empregatício formal, tanto pela rotina do tratamento, como pelas complicações limitações físicas advindas com o problema renal. Tal situação provoca uma diminuição da auto-estima dos indivíduos que passam a ser dependentes financeiramente e precisam, na maioria das vezes, do auxílio de um familiar ou pessoa próxima. A responsabilidade em manter a família é transferida para outra pessoa.

O indivíduo que atinge um nível de adaptação em uma jornada freqüente, uma rotina incessante resulta em uma monotonia, sendo difícil aceitar o fato de ter que retornar em breve para uma nova sessão e assim por diante, contribuindo para o sentimento de desesperança e invalidez.
A hemodiálise consiste na diálise promovida por uma máquina, que filtra o sangue fora do organismo. É realizada em média três vezes por semana, num período de três a cinco horas por sessão, dependendo das necessidades individuais (KUSUMOTA, RODRIGUES & MARQUES, 2004).

Os indivíduos são limitados após o início do tratamento hemodialítico, favorecendo o sedentarismo e a deficiência funcional, fatores que se refletem na vida diária do paciente (MARTINS & CESARINO, 2005).

Vê-se que, a limitação social desse paciente acaba vivenciando seu cotidiano desestruturando sua qualidade de vida. O indivíduo, portador de insuficiência renal crônica apresenta 9,8% de conformismo.

Campos (2002) afirmam que os vínculos informais acomodam melhores esses pacientes, pois podem escolher a atividade que melhor se adapta tendo que se conformar com suas limitações e estado geral e, principalmente, horários e períodos mais flexíveis para o seu desenvolvimento de seu tratamento.

A sensação de obrigatoriedade em aceitar o tratamento, como única forma de manutenção da vida, e a fé em Deus, como fator de auxílio para enfrentar essa situação, foram questões incisivas na fala dos informantes. Para o doente com insuficiência renal crônica, o tratamento hemodialítico é necessário, provocando uma realidade que não há como ser diferente, não existe opção, ele necessita do tratamento. Fica claro que existem situações na vida que independem da vontade e fogem ao controle do indivíduo. O conformismo não acontece em um passe de mágica, é um processo complexo que mobiliza estruturas individuais.

Sendo 16,6% apresentou em seus relatos a limitação física. Biologicamente definida como uma resposta a uma mudança no ambiente que permite ao organismo tornar-se mais adaptado àquela mudança. Esta definição tem uma dimensão adaptável, uma vez que considera que o ajustamento acontece com o passar do tempo, refere-se basicamente a um estado indesejável (BRENNAN, 2001, CITADO POR SHARPE & CURRAN, 2006).

Para organização das limitações físicas, ao absorverem e se adaptarem às novas informações, indicações e prescrições, os pacientes ficam em estado de alerta e tensão, o que desencadeia reações de ansiedade, devido à constante exposição a situações estressoras como a diálise, restrições nutricionais severas alterando, portanto, a qualidade de vida.

Os indivíduos relataram 31,6% desgaste emocional. A desesperança engloba a ausência de perspectivas quanto ao futuro e sentimentos de tristeza e solidão, que emergem pelo fato da cura estar distante da realidade daquele indivíduo. É difícil elaborar planos e ter expectativas quanto ao futuro, justamente por frustrações anteriores e por considerar que a ausência de planos torna a vida menos sofrida, caso estes não sejam alcançados.

Ao longo da trajetória vital, as pessoas passam por numerosos acontecimentos, alguns deles geradores de grandes impactos emocionais. O mais crítico, provavelmente, é a questão da própria morte. Aos pacientes renais crônicos em tratamento de hemodiálise, que podem ser considerados como um grupo à parte entre os doentes crônicos, essa proximidade suscita um amplo leque de atitudes emoções. 

Distribuição do conceito de qualidade de vida.

Qualidade de vida
1 Saúde
“Ter saúde, recurso para cuidar de mim”

“Ter uma vida digna, com saúde’’”.

2 Trabalho e Saúde

“Padrão de vida melhor, ter emprego, dinheiro”

“Puder trabalhar ter saúde sustentar minha família” 10

3 Família
“A minha família, meus filhos”

“A minha qualidade de vida, e ficar em casa, com minha família
4 Não Sei
“Não sei falar nada sobre isso”

“Não sei”

“Não sei e não tenho qualidade de vida” 8

5 Tranqüilidade

“Ter sossego, paz”.

“Ter uma vida tranqüila” 

Permite analisar relatos da própria qualidade de vida dos pacientes entrevistados, dessa forma, percebe-se que 39,2% relataram que qualidade de vida seria “saúde”. A saúde constitui-se um direito universal devendo estar à disposição de toda a população. No entanto, o que se vê é uma exclusão deste direito a uma parte significativa da população. No artigo nº 196 da Constituição Federativa do Brasil (2004, p.50) ressalta-se que a saúde é direito e dever e do Estado, garantindo mediante políticas sociais, econômicas que visem à solução de risco de doenças e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário as ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.

Nesta perspectiva, as políticas públicas saudáveis enquanto um conjunto de medidas governamentais dirigidas à qualidade de vida se mostra como uma estratégia viável e necessária para a promoção de saúde.

Referindo-se ao conceito de qualidade de vida, 19,6% indicaram trabalho e saúde. Segundo Brasil (2002, p. 7), o termo Saúde e Trabalho referem-se, a um campo do saber que visa a compreender as relações entre o trabalho e o processo saúde/doença. Nesta acepção, considera a saúde e a doença como um processo dinâmico, estreitamente articulado com os modos de desenvolvimento produtivo da humanidade em determinado momento histórico. Parte do princípio de que a forma de inserção dos homens, mulheres e crianças nos espaços de trabalho contribuem decisivamente para formas específicas de adoecer e morrer.

Para o paciente renal crônico desempenhar esta tarefa tão comum e cotidiana a maioria da população, às vezes se torna muito complicado, devido ao tempo que essas pessoas têm que passar conectada à máquina de hemodiálise e devido aos possíveis problemas que o tratamento ocasiona. Assim, o trabalho e a saúde são fatores visivelmente observados em relação a esses pacientes. Esta preocupação, segundo Wisner (2003, p.11) deve-se essencialmente à evolução da tecnologia, onde a relação com tipos antigos ou recentes de organização do trabalho cria situações não só caracterizada pelo esforço puramente físico ou mental, mas também com um componente cognitivo intenso e complexo bem estar físico e social.

Os entrevistados referiram 17,6% que “família” melhor se agrupar no conceito. Conjugar uma doença crônica com qualidade de vida tem sido desafio compartilhado entre alguns profissionais da saúde e pessoas que vivenciam a doença crônica e seus familiares.

Marcon et al (2005) diz que, em relação ao contexto em que as famílias vivem, é importante levar em consideração as mudanças no ciclo de vida familiar, porque dependendo do momento e do período de vida vivenciada pelas famílias, as necessidades de cuidados são diferentes. Portanto, os doentes crônicos precisam estar cônscios das fases naturais de desenvolvimento da família. Assim, possa compreendê-la na sua unicidade.

Destarte, a presença da doença crônica associada aos problemas próprios de cada fase do ciclo de desenvolvimento da família aumenta a problemática vivenciada por elas. Por isso, é preciso estar ciente da experiência vivenciada pelas famílias que enfrentam a situação crônica de doença de um de seus membros e da importância do apoio dos profissionais de saúde junto a elas.

Cerca de 15,6% da população entrevistada não souberam responder sobre qualidade de vida. Durante a pesquisa foi relatada falta do conhecimento desses pacientes acerca da própria patologia do tratamento e do conceito sobre qualidade de vida.

Silva (2005) afirma que o conhecimento da realidade não apenas remete ato livre do indivíduo, mas ao risco nele implicado. Esta é, mas uma razão pela qual a verdade não e contemplação de abstrações e sim um projeto comprometido da vida, isto é, uma ação, pois a liberdade do saber como fundamento de vida implica que possa abster-me do compromisso do conhecimento.

Pode-se ver que menor parte da população referiu-se 15, 6% que conceito de qualidade de vida seria tranqüilidade. Segundo o Mini Dicionário da Língua Portuguesa (2006), o termo “tranqüilidade ‘‘refere à paz; sossego. O conceito abrange seres humanos numa expectativa de vida, qualidade de vida torna-se uma noção humana sobre diferentes situações vividas”.
Para Mastropietro (2003), a noção de qualidade de vida de uma pessoa tem recebido diferentes definições e mudanças em suas concentrações. Porém, entende-se que sempre faz referências ao nível de satisfações que o sujeito elabora da vida durante seu longo percurso.
Segundo Domingos (1997), além de todas as abordagens e identificação dos indicadores que permitam medir e avaliar o conceito de qualidade de vida. Para ele, qualidade de vida engloba toda problemática que a circunscreve, é fato de vida e seu valor, de sua qualidade, dos aspectos concretos da existência e de seus aspectos mais profundos de uma humanidade que se encontra inseridos em um ambiente físico, social, político, econômico, espiritual e cultural de extrema complexidade em constante transformação e absolutamente distante das origens humanas.
Para Barbosa (1993), o doente renal crônico vivencia uma brusca mudança no seu viver, convive com limitações, com o tratamento doloroso que é a hemodiálise, com um pensar na morte, mas convive também com a possibilidade de submeter-se ao transplante renal e a expectativa de melhorar a sua qualidade de vida.
A extensão e a complexidade nos fazem entender que o problema inerente à vivência da cronicidade de uma doença estimula a análise de qualidade de vida do próprio doente crônico e entende o conceito poderia ser fácil, ao analisarmos a situação vivida por essas pessoas, em relatos da qualidade de vida, seria, mas fácil, deduzirmos que a existência de uma qualidade de vida passou longe dessas pessoas.


















CONSIDERAÇÕES FINAIS


Este trabalho foi proposto com base em conhecimentos acumulados durante à formação acadêmica. Por meio desta proposta, pode-se conhecer um pouco mais sobre a qualidade de vida do renal crônico em hemodiálise da 25ª região. A percepção dos pacientes renais crônicos em Hemodiálise sobre sua qualidade de vida percebe-se as necessidades diante de todas as complicações e limitações que a doença proporciona ao portador.
Os pacientes renais crônicos têm sua qualidade de vida prejudicada devido seu tratamento contínuo, o qual possui rotinas desconfortáveis, e por vez, até dolorosas. Percebe-se que as informações obtidas no início da pesquisa sobre as dificuldades enfrentadas como mudança no cotidiano, nas sessões de hemodiálise, restrições alimentares, constantes visitas ao médico, realmente desestruturam seu cotidiano e comprometem a qualidade de vida dos pacientes.
Ao analisar a situação socioeconômica, aspectos físicos, emocionais, nas limitações sociais, o baixo nível de escolaridade, o aumento da faixa etária e sua própria situação atual, chamam a atenção para os mais baixos níveis de qualidade de vida em mulheres e homens dependente da idade e diferenças sociais. De modo geral, os pacientes que fazem tratamento em regiões percebe-se que o nível de qualidade de vida para eles são bem menores pelo fato do desenvolvimento do próprio município.
Quanto às mudanças de rotina, podemos inserir objetivas e expectativas de futuro, construções de idéias, estímulo e motivação para essas pessoas, pelo fato de não conhecerem seu próprio tratamento, tampouco sua própria doença. Assim, é possível sugerir contribuições e alternativas para um melhor desempenho na sua qualidade de vida.
Como discutido, a qualidade de vida é compreendida como um algo que abrange fundamentalmente cada indivíduo, família, comunidade ou grupo populacional, em cada momento de sua existência, considerando suas necessidades e aspectos físicos que são suas características incluindo idade, sexo e outros atributos individuais,
É possível dizer que os pacientes renais crônicos em hemodiálise não possuem satisfatoriamente uma qualidade de vida. Neste ínterim, tal visão ratifica-se nas situações: falta assistência medica; falta mais atenção dos profissionais; falta conhecimento, educação continuada; faltam mais máquinas de hemodiálise, remédio, comida; melhor atenção do governo para renal crônico.

É difícil falar em qualidade de vida para essas pessoas, pois os problemas inerentes foram muitos observados e relatados. Mediante contato com esses pacientes, ficou clara a importância do profissional de saúde na busca de soluções das limitações provocadas pela IRC e pelo árduo tratamento.

Aos futuros enfermeiros e profissionais da área da saúde, são necessário que se investigue e aprofunde novos dados sobre qualidade de vidas dessas pessoas, dando o apoio individual e familiar, corroborando para melhor resultado ao tratamento e indução a uma qualidade vida.
Em suma, a análise desta pesquisa lava-nos a perceber e refletir que os portadores do IRC precisam de atenção, não olhando para eles como indivíduos que não tenham qualidade de vida, pois a mesma pode ser alcançada. Diante disso, conclui-se que o paciente renal crônico em tratamento hemodialítico da 25ª região de saúde do estado da Bahia encontra-se com sua qualidade de vida ameaçada.
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Chronic renal failure (CRF) is considered a huge public health problem due to high rates of morbidity and mortality. The quality of life of chronic renal patients is harmed, because its continuous treatment, sessions of hemodialysis, constant visits to doctors, food shortages, are factors that disorganize their daily lives and undertake their quality of life (QL). The study was descriptive and qualitative and it aimed to analyze the chronic renal patients’ perceptions that have done hemodialytic treatment in 25th region of health in the state of Bahia 2008, close to public service Unisang, Center of Hemodialysis and Hemotherapy being the unit of high complexity in nephrology located in the city. The studied population of 51 patients who have hemodialysis sessions of both sexes (30 men, 21 women), aged from 18 to 60 years. Data were collected through interviews, which were recorded with a voice recorder. The structure was: age, sex, educational level, average family income and the place where they live. Data collected were analyzed according to the proposal for Bardin. The results highlighted the difficult of these patients to understand the concept of quality of life, chronic renal failure and hemodialytic treatment. It was observed that most patients have financial difficulties and lack of knowledge. These factors provoke a terrible vision of quality of life to the patients.

Keywords: Quality of life, chronic renal failure, hemodialytic treatment

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Autor: mauricio filho