Mundo da Imaginação Infantil



 O  mundo da imaginação infantil - perguntas e respostas

Como os pais devem agir para não reprimir a imaginação dos filhos?

O mundo da imaginação infantil é uma caixinha de surpresas maravilhosa! De lá saem muitos pensamentos, ações e comentários, por muitas vezes, engraçados. O princípio do respeito ao que a criança diz, é a questão básica para não reprimir a imaginação dos pequenos. Nesse mundo agitado que vivemos fica difícil parar para dar atenção ao que dizem as crianças. Entretanto, esse momento é valioso e muito importante para o desenvolvimento da criança, pois a imaginação está ligada a criatividade e precisamos ser criativos para nos destacarmos na vida em sociedade, não é mesmo? Então, ouça o que seu filho diz, não julgue antecipadamente, nem desmereça a história que foi contada. Estimule lançando perguntas e até mesmo fazendo sugestões, se a criança permitir. Ao final, ajude a criança a distinguir sobre o que pertence a realidade e o que pertence a imaginação. Essa troca é um bom momento para introduzir o que é certo e o que é errado e também para apresentar à criança o que você pensa sobre a vida.

 

Os pais devem se preocupar com o “amigo imaginário” que algumas crianças têm?

O amigo imaginário é aquele personagem com o qual a criança conversa, brinca e às vezes até briga. Ninguém o vê, exceto a criança. Dos três aos seis anos mais ou menos, algumas crianças são “pegas” brincando com este amiguinho. Isso é normal e faz parte do desenvovimento infantil. Os pais podem perguntar o nome do amigo, a idade e permitir que a criança fale dele. Contudo, algumas crianças usam o amigo imaginário para obter soluções para os problemas que por si só não sabem resolver. Como por exemplo, uma criança que não come sua comida, porque vai dá-la ao amigo. Essa desculpa não vale!! Ou a criança quebra algo em casa e responsabiliza o amiguinho imaginário. Os pais devem conversar com a criança de uma forma calma para que ela possa se justificar adequedamente expressando seus motivos e até se desculpando. A criança fantasia que o amigo imaginário existe de verdade, mas, mesmo pequena, sabe que é somente uma brincadeira. É comum as crianças reservarem um lugar do sofá que só o amiguinho poderá sentar! E, pais, não usem o amigo imaginário para barganhar com seu filho.

Outra questão sobre esse assunto e que merece atenção dos pais é aquela criança que não tem amigos reais e só fica o tempo todo brincando com o amigo imaginário e por muitas semanas. Criança gosta de criança, e se seu filho não tem amigos ou fica isolado em várias festas infantis, atenção porque algo pode estar acontecendo com os relacionamentos interpessoais desta criança, e isso precisa ser investigado pela família, uma vez que esse isolamento pode gerar sofrimento.

 

Como é explicado a criança criar um amigo que não existe?

A partir dos três anos anos a criança já é capaz de simbolizar, isto é, fazer a imagem mental do objeto, mesmo ele não estando presente. E essa capacidade é maravilhosa, porque abre a possibilidade de se pensar em muitas coisas e unir o que viu e aprendeu com sensações e sentimentos. É como uma porta aberta para um mundo de cores. É prazeroso brincar, então a criança une a sua brincadeira com personagens que não estão ali na realidade, mas que precisam existir para a brincadeira ficar mais gostosa. Outras vezes, esse amigo precisa existir para trazer um conforto de uma companhia ou ocupar o lugar de alguém da família que não pode estar presente naquele momento. O amigo imaginário aparece também para a criança exercitar diálogos, numa imitação aos adultos. Fique alguns minutos ouvindo a criança brincar com seu amiguinho e perceberá que ela repete palavras, gestos e até frases de pessoas ou situações que vivenciou. . É comum a criança criar esse amigo numa situação de mudança de sua rotina, a qual pode ter gerado ansiedade. No diálogo com o amigo imaginário essa angústia pode aparecer. Esse é um modo da criança enfrentar os seus medos ou expressar seus sentimentos. Haja com naturalidade diante dessa brincadeira imaginativa do seu filho e, assim que puder, converse sobre os temas que a criança abordou na brincadeira para ajudá-la a resolver esse conflito.

 

A criança sempre sabe diferenciar o real do imaginário? Como os pais podem ajudar nesta questão.

A criança pequena não sabe separar o que é real do que é imaginário. Desde bebê é estimulada a criar e imaginar, então contamos histórias de contos de fada, ofertamos os desenhos da televisão e brincamos de faz-de-conta com a criança. Conforme ela vai crescendo, já vamos introduzindo “as realidades” para essa criança. Dizemos, por exemplo, que não existe de verdade a bruxa malvada que mora numa casinha de doces! Mas, chamo à atenção dos pais para essa importante missão: de ajudar a criança a distinguir o que é real do que é imaginário. É só introduzir frases que apontam para fatos reais e reforçar que aquilo só acontece em histórias inventadas. Quando a criança veste a fantasia do Super-Homem, pensa realmente que é ele, que tem a força dele e que pode voar pela janela. Conversar com os pequenos de forma clara e carinhosa, sem quebrar a emoção vivida pela criança, é a melhor forma de inserir dados da realidade e ao mesmo tempo participar desta alegria que a criança está vivenciando!

 

Em qual fase da vida a criança começa a usar a imaginação?

Quando bebê começa a sorrir do esconde-aparece que os pais fazem, é só uma brincadeira muito prazerosa para pais e filhos. Com um aninho já se nota o bebê ensaiando pequenos gestos que apontam para a imaginação: segurar a boneca ninando-a ou imitar o barulho do motor do carro.  Mais ou menos aos dois ou três anos, a criança começa a brincar de faz-de-conta. Então o controle remoto vira carrinho, a colher de sopa vira aviãozinho e tudo fica descontraído. A criança já consegue se expressar melhor por meio da linguagem oral e a família participa muito mais, porque há troca afetiva! Os pais percebem que a imaginação está a mil por hora quando a criança transforma objetos em brinquedos para diversão. A imaginação vai surgindo na medida em que a criança for capaz de pensar sobre um fato significativo para ela. Dizer ao bebê que “a cuca vai pegar” não faz sentido, porque ela não sabe o que significa. A idade varia, mas a criança mostra que já é capaz de imaginar quando ela vê  a cena como um filminho na sua cabeça, isto é tranformando em imagens o que foi ouvido. Essa fase é muito gostosa, porque podemos contar historinhas que ganham sentido, significado  e que divertem muito os pequenos e até nos mesmos, porque as crianças são capazes de inventar cada história!!!

 

Como a imaginação evolui em cada fase da criança?

Até os três anos: tudo que pertence à criança e que está a sua volta e ao seu alcance vira brinquedo. Os sapatos da mãe, as almofadas do sofá, as panelas da cozinha. Objetos que se transformam e ganham outras utilidades. A criança está tocando os objetos e experimentando sensações, o frio e o quente, o liso e o rugoso, o som produzido pelo objeto.  A criança necessita desses objetos que são concretos e portanto precisam estar presentes para que a brincadeira aconteça. Abuse de peças para empilhar ou para encaixar estimulando, assim, ações motoras, desafios e exploração do ambiente. Nesta fase, os familiares são os maiores incentivadores da imaginação infantil, porque eles entram na fantasia e se tornam um pouco criança também, mudam a voz e assumem um personagem . Os brinquedos e objetos ganham vida e a criança realmente acredita nisso. A panelinha tem comida de verdade e o cavalinho está mesmo cavalgando. Um pouco mais tarde, a criança começa a perceber que a boneca realmente não está com frio!

 

Dos três aos cinco anos: agora as histórias começam a ganhar e sentido. São introduzidos mais personagens, mais criatividade e ação. As crianças sentem necessidade de usar objetos da casa para compor suas fantasias, então viram cadeiras, arrastam vasos e compõem cenários. Nesta fase, muitas crianças fazem o convite aos pais para participarem da brincadeira. Aproveitem para  se deleitarem. Só não vale brigar com a criança, porque você queria ser o Batman!!

 

Dos seis aos oito anos: As histórias ganham sentido, coerência e até finalidade. As crianças já conseguem trazer temas como medo, raiva, amor e guerra para as histórias. Imitam personagens de novelas ou desenhos, distribuem papéis e entram em acordos ou entram em discórdia sobre tais papéis. Nesta fase, a crença nos heróis é muito grande. Querem ser como a Barbie ou ter os poderes do Homem-Aranha. Há sempre uma identificação com os personagens eleitos, pois há algo neles que é muito atrativo para a criança. E assim como amam desesperadamente, podem no dia seguinte eleger outro personagem para idolatrar. É assim mesmo!

 

A partir dos sete ou oito anos: as crianças passam a unir a imaginação com aventuras reais. Querem vivenciar emoções, por isso os parques temáticos são excelentes para a criança soltar a imaginação e brincar para valer. Os amigos imaginários já se foram e a criança assume amigos reais para compartilhar as aventuras.

 

A imaginação pode ser perigosa? Como notar se está prejudicando a criança?

Para as crianças as brincadeiras fantasiosas sempre vão contribuir para o seu desenvolvimento  de forma geral. Entretanto, a imaginação infantil pode ser perigosa em situações em que a criança não consegue perceber prejuízos, e acaba se envolvendo em perigos, até mesmo fatais. Brincar de comer plantinhas do vasinho da mamãe pode ser muito perigoso. Ou quando, na escola, a criança fica imaginando um monte de brincadeiras e se dispersa da aula. O lápis vira avião e metade da aula foi perdida. Os pais devem conhecer seus filhos o suficiente para saber se ele está bem ou não. É preciso ter atenção aos passos da criança, seja na brincadeira no fundo do quintal, seja fazendo o acompanhamento escolar. Talvez não seja uma bronca que a criança precise, mas sim a compreensão de seus gestos e um diálogo bem afetivo.

 

O que as crianças aprendem com o mundo irreal?

Quando pequenas, as crianças incorporam modelos de situações vivenciadas ou vistas no cinema, reproduzindo os gestos e reinventando situações. Se a família briga muito, repare que as brincadeiras do filho vão envolver agressividade e dependendo da idade da criança, essa reprodução aparece na escola, por vezes enlouquecendo a professora! Mas o faz-de-conta sadio, aquele que representa momentos prazerosos contribui para a formação intelectual da criança. É como se fosse um ensaio da vida real. Crianças pouco imaginativas são também pouco criativas. Então é preciso brincar e muito. Pode ter jogos de regra, computador ou DVD, mas não pode faltar a brincadeira lúdica, aquela que histórias são criadas e objetos são transformados para compor a brincadeira. Creio que algumas crianças de hoje estão tendo sérios prejuízos na escola, como na elaboração de textos, porque não brincaram usando a imaginação, exercitaram pouco a criatividade, pois passaram grande parte do tempo com jogos programados.

E o que podem aprender as crianças com o mundo irreal? Podem aprender a trabalhar a frustração, a ser mais criativa na resolução de problemas, a se desenvolver na linguagem

oral e corporal e principalmente a lidar com o outro, seja real ou imaginário.

 

Qual a dica para os pais que querem participar desse mundo de fantasia com os filhos?

Os pais perderam a noção do pouco tempo que passam com os filhos. Então minha sugestão é que aproveitem cada minuto com a criança para brincar de imaginar, respeitando a fase pertinente à evolução da imaginação infantil. Então, dentro do carro a caminho de casa, podem criar histórias, no banho podem inventar a personagem das bolas de sabão, pedir para entrar na brincadeira do grupinho de amigos assumindo um personagem, assistir um desenho juntos e depois reinventá-lo, pintar, recortar papéis e criar personagens reais e irreais. São muitas as maneiras de participar da imaginação dos filhos, mas para isso é preciso sair da posição de pais preocupados e cansados para assumir, por alguns minutos que seja, a posição de criança, nem que seja para sentar no chão, andar descalços ou rolar na grama. Basta se lembrar que um dia nós, pais, fomos crianças e deixar acontecer. Experimente. Irão descobrir que é relaxante, além de estreitar os laços afetivos familiares!!

 

 

Daniela Ruiz de Mendonça

Psicóloga e Psicopedagoga

2063 7912  e  2274 3395

www.aldeiadavida.com.br/daniela.htm


Autor: Daniela Ruiz de Mendonça