ASSISTÊNCIA PRESTADA PELA ENFERMAGEM AOS PACIENTES COM DOENÇA MENTAL



Ianaria C. de Souza1

Juliana C. de C. Batista2

Karina Prado de Araújo3

Karlúcia Farias dos P. Costa4

Katrinna M. P. de Portela5

Luciana dos Santos Barreto6

Thiara Bruna da silva7

Vanessa Picão8


RESUMO:

Este artigo tem como, abordagem central a assistência prestada pela enfermagem aos pacientes com doença mental, visando esclarecer o real papel da enfermeira(o) na auxílio oferecida às pessoas com doença mental, sendo o CAP´s da cidade Barreiras – BA, a unidade de apoio utilizada para a realização desta intervenção. A enfermagem promove a saúde em qualquer área que esteja atuando e identifica fatores fisiológicos e principalmente psicológicos,que são fatores fundamentais na saúde mental. E tem como objetivo, conhecer as funções desempenhadas pela enfermagem na prática da saúde mental.

Palavras – chave: assistência, enfermagem e saúde mental.

ATTENDANCE RENDERED BY THE NURSING TO THE PATIENTS WITH MENTAL DISEASE

SUMMARY:

This article has as, central approach the attendance rendered by the nursing to the patients with mental disease, seeking to explain the Real paper of the nursing in the attendance offered to the people with mental disease, being CAP´s of the city Barriers–NANNY, the unit of support used for the accomplishment of the intervention. The nursing promotes the health in any area that is attuned. Identification factors physiologic and mainly psychological is his/her fundamental role in the mental health. And he/she has as objective, to know the functions carried out by the nursing in practice of the mental health.

Words–key: attendance, nursing and mental health.


INTRODUÇÃO


Para Dally / Harrington (2002), através de toda a história tem sido registrada a existência de distúrbios mentais. Os gregos e romanos tratavam os membros doentes da família (mais não seus escravos) com uma razoável tolerância e compreensão. Com o advento do cristianismo começou a mudar a atitude para com os doentes mentais. As doenças mentais teriam ligação com o diabo e suas atividades. Tal conceito chegou ao auge na Idade Média e durante três séculos os doentes mentais foram perseguidos, particularmente as mulheres, que chegaram a serem queimadas como bruxas.

De acordo com os autores acima citados, começaram a ser construídos hospitais para doentes mentais em todo o país. Em sua maior parte, eles eram enormes, com dois mil ou mais leitos, situados em locais bem distantes das grandes cidades, das quais recebiam seus pacientes. Eles eram empilhados em pavilhões trancados, freqüentemente muitos sedados e praticamente sem qualquer oportunidade para o desenvolvimento de respeito próprio e iniciativa. Em 1948, foi criado o Serviço Nacional de Saúde e de uma hora para outra todos os hospitais, gerais e psiquiátricos passaram ao controle do Estado, que os igualou em status e auxílio financeiro. Com essa criação aumentou o ânimo dos membros das equipes dos hospitais psiquiátricos repercutindo favoravelmente nos pacientes, os pacientes passaram a ser tratados como seres humanos dignos, proporcionam-se liberdade e independência. A lei da Saúde Mental em 1959 completou o processo de abolição das diferenças legais entre doença mental e orgânica.

Pensando sobre pontos de interesse vem à mente a questão da grupalidade. Isto porque o trabalho do enfermeiro é desenvolvido não apenas em duplas mas com várias pessoas ao mesmo tempo. Falar em grupalidade é parar para verificarmos que ela é

constituída por um grupo de pessoas que articulam um espaço transicional, que é necessário o reconhecimento do aparelho psíquico grupal, que existe um intercâmbio de diferenças entre a realidade psíquica de cada um e a realidade do grupo em seu conjunto naquele local e momento (MANZOLLI, 1996).

Para Gamba (2006), a enfermeira promove a saúde em qualquer área que esteja atuando. A identificação de fatores fisiológicos e principalmente psicológicos é o seu papel fundamental na saúde mental.

As ações da saúde mental devem obedecer o modelo de redes de cuidado e atuar com políticas específicas. O profissional de saúde deve estabelecer com os usuários um vínculo e oferecer o primordial que é o acolhimento (GAMBA, 2006).

Nas orientações das ações da Enfermagem de Saúde Mental, o pessoal de enfermagem representa a grande maioria da força de trabalho nos serviços de saúde mental. Seja no papel de gestor, de membro da equipe em contato direto com o portador de saúde mental e seus familiares, seja na supervisão dos auxiliares e técnicos de enfermagem, ou na determinação do projeto terapêutico para cada pessoa sob seus cuidados, o enfermeiro é elemento chave neste processo de mudança de paradigma.

Hoje, espera-se que o enfermeiro seja capaz de identificar e manejar, ou encaminhar adequadamente os casos de manifestações mentais em qualquer especialidade e situação de atenção à saúde, e que os enfermeiros psiquiátricos e de saúde mental estejam preparados para cuidar da pessoa afetada em todos os níveis de atenção.

Este artigo irá informar os usuários do CAPS da cidade de Barreiras – BA a importância da assistência prestada pela enfermagem aos pacientes com doença mental.

A proposta deste artigo, tem como alvo uma ação informativa e educativa, o tema exposto irá esclarecer e informar aos usuários do CAPS de que maneira a enfermeira pode ajudar na integração e tratamento dos pacientes com distúrbio mental.

Tem como objetivos,conhecer as funções desempenhadas pela enfermagem na prática da saúde mental; Explicar o papel da enfermeira nas atividades desenvolvidas pelo CAPS; Utilizar o referencial teórico como metodologia para exposição do trabalho; Descrever as ações aplicadas pela enfermagem na prática individual na promoção do cuidado; Demonstrar aos usuários, a função da enfermeira mediante liderança desenvolvida no CAPS.

Hoje, tem-se claro que a reforma psiquiátrica, ao ter como lema às desinstitucionalização, propõem, na realidade, a mudança do tratamento às pessoas com transtorno mental, até então hospitalocêntrico, para alternativas de atendimento à comunidade. Devem ser transformadas as formas de cuidar das pessoas com transtorno mental, e o objeto de atenção deve deixar de ser apenas a doença e passa a ser a existência – sofrimento do indivíduo e sua relação com o corpo social à ênfase não se centra mais no processo de cura, mas no projeto de intervenção de saúde. O olhar passa a ser direcionado à pessoa, à sua cultura e à sua vida cotidiana, tornando-se ela o objetivo do trabalho terapêutico e não mais a doença (GAMBA, 2006).

De acordo com Manzolli (1996), trabalhar com paciente psiquiátrico é trabalhar com a realidade onde ele passa sua vida, seja na família, com amigos, parentes, colegas e outros. Tudo vai além, levando essas pessoas de tal realidade a um encontro, a um trabalho em comum, ajudando a se perceber e se sentir impertinentes a um aparelho psíquico grupal, abrindo espaço para fortalecer o "nós" em suas vidas.

As doenças mentais se desenvolvem a partir das interações da personalidade da pessoa com uma ou mais tensões. A tensão pode ser "interna", como resultado de alterações orgânicas e psicológicas no organismo, ou "externa". É importante reconhecer que a tensão não é necessariamente ruim e tenha que ser evitada (DALLY & HARRINGTON, 2006).

De acordo com Dally e Harrington (2006), as principais tensões mais comuns hoje, que conseqüentemente, poderão desencadear algum distúrbio no futuro:

"1. Perda de coesão familiar ou social: a perda de um dos pais na primeira infância, em particular a mãe, predispõe à depressão futura;

2. Tensões financeiras e profissionais: as tensões podem ser reais, "imaginárias" ou mais freqüentemente uma mistura de ambas".

A família desempenha um papel central na vida do paciente e é uma parte importante do contexto da vida do paciente. É dentro das famílias que as pessoas crescem, se nutrem, obtêm uma sensação de si próprias, cultivam crenças e valores a respeito da vida e progridem através dos estágios de desenvolvimento da vida. A família é a primeira fonte para a socialização e ensino sobre saúde e doença. A família prepara a pessoa com estratégias para equilibrar a proximidade com o afastamento e a coletividade com a individualidade. Um importante papel da família consiste em fornecer os recursos físicos e emocionais para manter um sistema de apoio nos momentos de crise, como nos períodos de doença (SMELTZER e BARE, 2006 apud FRIEDMAN, [1998]).

DESENVOLVIMENTO

Para compreender o processo saúde-doença mental, consideramos necessário pensar o ser humano em seu processo existencial. O processo saúde-doença mental deverá ser entendido de uma perspectiva contextualizada, na qual qualidade e modo de vida são determinantes para a compreensão do sujeito. Para isso, é de importância fundamental vincular o conceito de saúde ao exercício da cidadania, respeitando-se as diferenças e diversidades (GAMBA 2006).

Moscovici (1985) apud Manzolli (1996, p. 73) explica sobre a função enfermeiro psiquiátrico e paciente:

O enfermeiro é um agente ativo que se une ao paciente com o objetivo de ajudá-lo a reconhecer e examinar situações que ambos estão experimentando, tentando levá-lo a observar perspectivas adequadas no encontro de soluções diante de problemas existentes. Embora enfermeiro e paciente desempenhem papéis diferentes (um procura ajuda e o outro a oferece), os objetivos são comuns, uma vez que buscam compreender e solucionar problemas através da comunicação, cooperação, respeito e amizade. À medida que as atividades e interações prosseguem, irão influenciar nas novas interações e nas próprias atividades. Logo, esta relação "atividades – interações – sentimentos" não estão relacionadas diretamente com a competência técnica de cada pessoa e, sim, com a influência do grupo e da situação de trabalho.

É um relacionamento humano de realce o que se estabelece entre um indivíduo que está doente ou necessitando do serviço de saúde e uma enfermeira preparada para reconhecer e responder a necessidade de ajuda. Quando a enfermeira e o paciente se encontram e se conhece formam um compromisso entre ambos, de trabalharem juntos e por parte da enfermeira de ajudar o paciente a se recuperar socialmente. Ao estabelecer esse compromisso, a enfermeira orienta e esclarece sobre a dinâmica do mesmo, é o que refere Manzolli (1996).

Toda enfermeira deve ficar vigilante em relação ao paciente que se preocupa excessivamente demonstra deterioração no desempenho emocional, social ou ocupacional. As estratégias de cuidado enfatizam as maneiras do paciente para verbalizar os sentimentos e medos e para identificar as fontes de ansiedade. A necessidade de ensinar e promover as capacidades de adaptação efetiva e o uso das técnicas de relaxamento constitui as prioridades do cuidado (SMELTZER & BARE, 2006).

A atenção em saúde mental que hoje procura substituir o modelo hospitalocentrico por um modelo de cuidado em casa, vem sendo amparada por uma rede diversificada e qualificada de serviços especializados na comunidade, por meio de unidades de saúde mental. As ações de saúde mental na atenção primária devem sempre obedecer ao modelo de rede de cuidado, com base territorial e atuação transversal com outras políticas especificas. No dia-a-dia, o profissional de saúde devera estabelecer com os usuários novos vínculos e oferecer, especialmente, acolhimento (GAMBA, 2006).

O mesmo autor menciona, temos que considerar a possibilidade de reinserção social do paciente e do fato de este necessitar do envolvimento e do comprometimento de todos, pois, independentemente da forma como a família se constitui, ela continua a representar a garantia de sobrevivência e proteção de seus membros. No entanto, para que haja funcionalidade efetiva nessa trajetória, muitos aspectos deveram ser considerados e inúmeros investimentos deveram ser realizados de forma sistemática para um real preparo da família; ao mesmo tempo em que os profissionais também descobriram este novo fazer, tarefa integrada e integradora do enfermeiro atuante na comunidade com o enfermeiro de saúde mental.

No desempenho familiar Smeltzer & Bare (2006) afirma que a enfermeira deve avaliar o desempenho para determinar como a família ira lhe dar com o impacto da condição de saúde. Se a família for caótica ou desorganizada, a promoção das competências de adaptação se tornam uma prioridade no plano de cuidado. Ao realizar um histórico da família a enfermeira deve considerar a estrutura e o desempenho atuais. As intervenções com os membros da família baseiam-se no fortalecimento das capacidades de adaptação através dos cuidados diretos das competências de comunicação e educação. Quando as enfermeiras trabalham com as famílias, elas não devem subestimar o impacto que suas interações terapêuticas, informações educacionais, modelagem do papel positivo, fornecimento dos cuidados diretos e ensino corretivo possuem sobre a promoção de saúde.

Manzolli (1996) discorre o planejamento das ações de saúde anteriormente citadas deve abranger, entre outros aspectos, a orientação sobre auto-assistência familiar, que consiste na perseverança de os profissionais incorporarem a família no grupo assistencial que cuida de seu familiar em ambulatório ou hospitalizado. Como se pode notar, a família está tão necessitada de ajuda quanto o usuário em unidade de atendimento psiquiátrico.

Na relação de ajuda, o enfermeiro utiliza os conhecimentos gerais da enfermagem e os específicos da situação com a qual se defronta, alem dos procedimentos técnicos. Utiliza ainda sua própria pessoa como instrumento terapêutico, nesse contato pessoa a pessoa agindo de maneira sistematizada e empática diante de cada pessoa em crise. Toso esse conhecimento é obtido através da comunicação que ocorre entre o que pede e o que ajuda se dá de forma dinâmica, tendo como unidade básica a palavra, embora nem sempre seja possível exprimir por esse meio os sentimentos, pensamentos e ações por causa dos seus vínculos emocionais. Para tanto, espera-se que o enfermeiro estimule o paciente a se expressar verbalmente, que o ajude a esclarecer o sentido e a naturaza de suas mensagens, a concentrar-se e a perceber sua participação na experiência que está vivendo (RODRIGUES, 2005).

Rodrigues (2005) identifica o desenvolvimento do relacionamento enfermeiro-paciente ocorre numa seqüência de encontros, através dos quais o profissional identifica as necessidades da pessoa que precisa de ajuda e, a partir desse conhecimento, programa as ações de enfermagem adequadas. O processo terapêutico não acontece nem no paciente nem no enfermeiro, mas entre os dois, na comunicação interpessoal. Através da escuta terapêutica podemos ajudá-lo a encontrar seus próprios caminhos.

Rogers (1982) apud Rodrigues (2005, p37),

Na medida em que a pessoa vai aprendendo a ouvir a si própria começa a aceitar-se; conforme vai exprimindo seus afetos e verificando no terapeuta atitudes de interesse e aceitação, vai mostrando-se como realmente é e passa a agir de maneira construtiva em relação a si própria e aos demais.

Rodrigues (2005) explica, uma das ações de enfermagem consiste em procurar demonstrar, durante todo o tempo, interesse em ajudá-lo, ouvindo atentamente suas queixas, ajudando a analisar toda a situação, incentivando a fazer um juízo critico da posição e desempenho de cada pessoa na sociedade; auxiliando a explorar as diversas alternativas plausíveis, apoiando em suas tentativas examinando as conseqüências positivas ou negativas. Ajudar a pensar mais objetivamente sobre algumas questões de sua organização de suas responsabilidades assim como a posição que ocupa no meio social.

O profissional de saúde deverá propor um conjunto de dispositivos que partam de uma visão integrada das várias dimensões da vida do indivíduo, em múltiplos âmbitos de intervenção, ou seja, deve procurar criar formas de produção de saúde e de vida, nas quais seja resgatada a história, a autonomia e a cidadania dos indivíduos (GAMBA, 2006).

De acordo com mesmo autor, para atuar com as pessoas que têm transtorno mental ou sofrimento emocional, os profissionais de saúde precisam considerar que, diante da dor emocional, a pessoa articula intervenções para mudar a ordem estabelecida na rede das práticas sociais, e estabelece estratégias e táticas tentando reinventar um cotidiano que sustente e garanta sua existência, buscando, ao menos, sobreviver. No entanto , muitas vezes, nessa procura, a pessoa consegue viver apenas o avesso da vida garantindo a sobrevivência subjetiva ou um estado de existência também virtual e tão acelerado e nebuloso como o que se apresenta na vida social. Ao procurar saídas, a pessoa poderá recorrer a alternativas nem sempre saudáveis à própria existência, mas, se a estiver compartilhando, terá a possibilidade de encontrar saídas mais apropriadas.

O profissional de saúde deve manter a concentração centrada em espaços de sentido existencial, denominada lugares, que pretendem ser identitários, relacionais e históricos. Identitários por terem uma identidade individual, dando o sentido de algo relacionado à identidade, como o lugar no qual nasceu, a própria casa, o trabalho, a escola, a família; relacional por ser o local onde é possível compartilhar com os outros vivências semelhantes e sentidos; e histórico por conjugar identidade e relação (GAMBA, 2006).

O enfermeiro assume uma atitude de proteção, auxilio direção. Incentiva a pessoa a se expressar, porem põe limites ao comportamento destrutivo. Dá elogios, quando essencialmente merecidos. Dá aprovação quando a pessoa apresenta-se com melhor aspecto pessoal e quando faz tentativas de relacionamento com a equipe, com familiares e com outras pessoas. Nesta atitude o enfermeiro toma a iniciativa de dar apoio e guia, mesmo sem ser solicitado; isto não quer dizer que ele se imponha sobre o paciente, mas mostra-se à disposição, oferecendo ajuda espontaneamente. Esta atitude pode ser empregada frente ao comportamento hostil, ansioso, dependente, deprimido, destrutivo, desinteressado, apático, desanimo, sentimento de desvalorização, perda de esperança, sentimento de não sentir-se amado (IDEM).

Hudak / Gallo (1997), demonstram que para avaliar o estado atual do paciente, é preciso obter o máximo de informação possível sobre o desempenho recente. Conversar com pessoas que tiveram contato antes do acompanhamento no CAPs. Se o desempenho do paciente era adequado para auto cuidado, deve se supor que qualquer confusão ou mal funcionamento mental pode ser revertido. Os estresses ambientais da unidade associados ao impacto físico e psicossocial da doença podem precipitar o comprometimento mental que pode ser rotulado como confusão aguda. Uma alteração súbita na vida de uma pessoa, como a remoção do ambiente familiar, uma situação traumática, ou a administração de determinadas drogas sedativas ou tranqüilizantes, pode precipitar sintomas de confusão aguda.

Segundo os mesmos autores embora seja feita uma ampla avaliação para determinar possíveis fatores etiológicos que podem ser corrigidos, o enfermeiro deve usar todo conhecimento disponível para tornar o ambiente como um instrumento terapêutico e não um fator de estresse para o paciente. A monotonia do procedimento pode fazer com que os enfermeiros desejem abandonar o esquema quando não há resposta positiva após alguns dias. Entretanto, deve se continuar até que o paciente possa repetir a informação após solicitação. Alem disso o enfermeiro deve:

  • Responder perguntas em frases simples e curtas;
  • Demonstrar as coisas de forma concreta e não verbalmente;
  • Dizer ao paciente se o enfermeiro não compreendê-lo;
  • Evitar incentivar a desorientação;
  • Orientar utilizando apoios visuais como relógios e calendários.

Os enfermeiros podem proporcionar aos pacientes controle sobre seu espaço pessoal, praticando algumas atenções, como bater à porta antes de entrar, pedir permissão para realizar um procedimento ou inspecionar um curativo, e usar cobertas e cortinas para criar privacidade (HUDAK / GALLO, 1997).

Quando as enfermeiras trabalham com as famílias, elas não devem subestimar o impacto que suas interações terapêuticas, informações educacionais, modelagem do papel positivo, fornecimento dos cuidados diretos e ensino corretivo possuem sobre a promoção da saúde (SMELTZER e BARE, 2006).

Existem muitos graus de desempenho familiar.A enfermeira avalia o desempenho familiar para determinar como a família irá lidar com o impacto da condição de saúde. Se a família for caótica ou desorganizada, a promoção das competências de adaptação se torna uma prioridade no plano de cuidado. A família com problemas preexistentes pode exigir assistência adicional antes de participar totalmente na situação de saúde atual. Ao realizar um histórico da família, a enfermeira deve considerar a estrutura e o desempenho atuais da família. As áreas da apreciação incluem os dados demográficos, as informações de desenvolvimento (tendo em mente que os membros da família podem estar, simultaneamente, em diferentes estágios de desenvolvimento), a estrutura familiar, o desempenho familiar e as capacidades de adaptação. Também é avaliado o papel que o ambiente desempenha na saúde familiar (SMELTZER e BARE, 2006).

CONCLUSÃO

Ao ser aplicado à intervenção houve uma interação entre dos participantes da palestra, onde nós, acadêmicos de Enfermagem, explicamos aos usuários do CAPS o papel do enfermeiro no cuidar da saúde mental. Bem como atingir os objetivos propostos informando – lhes aos pacientes todo o trabalho desenvolvido pela equipe de enfermagem. A maneira pela qual o estudo foi apresentado, inclui um modo fácil e compreensivo onde todos os usuários interajiram na aplicação do projeto.

Segundo Gamba (2006), não se sabe a quem cabe a responsabilidade da assistência ao poder público, mesmo considerando ser esta uma questão relevante. Consideramos que a saúde mental implica distribuição de direitos e responsabilidades entre o Estado, a sociedade e o próprio indivíduo no campo da construção da vida com qualidade. Temos a intenção de refletir sobre a saúde mental, e essa reflexão se enquadra entre as que buscam compreender a existência humana com qualidade, como um processo de subjetivação da objetividade e objetivação da subjetividade, isto é, o homem fazendo sua própria história ao mesmo tempo em que se constrói através dela. Para dar sustentação a essa abordagem, foram tomados por base autores que ancoram o conhecimento no existencialismo, e faz-se necessário rever a questão teórica.

Para que ocorra um salto qualitativo na atenção básica de saúde mental, será preciso, efetivamente, considerar a pessoa um ser humano integral, multifacetado, histórico. Esse mesmo olhar deverá ser desenvolvido em relação aos familiares, pois a experiência de ter um membro da família com sofrimento ou transtorno mental a mobiliza como um todo. O convívio com pessoas com transtornos na saúde, físicos ou psiquiátricos, é muito difícil e desgastante para o grupo familiar. Tal desgaste agrava-se quando a doença é prolongada, quando apresenta recidivas de manifestações agudas e, principalmente, quando é incapacitante e estigmatizadora (GAMBA, 2006).

O mesmo autor acima,relata que há uma grande sobrecarga a que a família é submetida com alterações nas rotinas familiares e alterações das atividades de lazer e relações sociais. A sobrecarga financeira acontece pela dificuldade de o paciente manter vínculo empregatício ou ingressar no mercado de trabalho após manifestação do transtorno mental. Além disso, há despesas com medicamentos e, muitas vezes, comprometimento do trabalho de outro familiar se o paciente necessita de acompanhante. A sobrecarga nas rotinas familiares envolve alterações das atividades cotidianas do grupo.

Quando a enfermeira penetra na tarefa de formação de atitudes terapêuticas de relacionamento, convém manter-se receptivo à repercussão dos colegas e das pessoas atendidas, fazendo necessário estar alerta para abster-se do uso de comportamentos estereotipados e mecanizados. O trabalho guiado por raciocínio lógico, planejado e persistente, e além de tudo permeado por sentimentos de amor ao próximo onde poderá resultar num aprimoramento pessoal do profissional e numa qualidade mais elevada da assistência de enfermagem.

Favorecer a saúde mental com melhoria da qualidade de vida exige mudança na assistência e esta terá de ser política e social, mas terá que ser iniciada pelos profissionais de saúde favorecendo o cotidiano existencial compartilhado, ajudando o outro e a si mesmo a reencontrar o lugar existencial (GAMBA, 2006).

Acreditamos que o profissional de saúde deverá estar com a clientela e intervir para que haja saúde mental com qualidade de vida acolhendo, reconhecendo o sujeito como único, considerando identidade, participação social e relacional, e seus projetos de vida. Seu sofrimento não pode ser negado, porém deve ser acolhido e compreendido; não necessariamente explicado, mas compartilhado. Estabelecer um processo relacional com os sujeitos implica partilhar emoções e sentimentos, e, portanto, deve haver envolvimento nas relações, pois "são as emoções que dirigem a interlecção" (GAMBA, 2006).

Tanto as enfermeiras experientes quanto as que estão iniciando a enfermagem psiquiátrica possuem um pequeno número de certezas que não chegam a incluir as certezas básicas que deveriam ter no trabalho a que se propõem entre elas o próprio limite emocional, o amor a si mesmo, o início e a interrupção de um relacionamento terapêutico.

É importante lembrar que muita das vezes o enfermeiro quando se encontra acomodado ou mal estimulado ao trabalho, apresenta dificuldades para trabalhar que pode ser relacionada também à falta de liberdade na instituição deixando de exercer seu papel específico na área.

Ao se convencionar sobre a saúde mental espera-se ter conseguido pelo menos em parte, alcançar um esclarecimento em comum do valor que se atribui em colocar a ênfase nas potencialidades sadias da personalidade das pessoas sob a assistência de enfermagem. As generalizações expostas atingem o próprio profissional de enfermagem; pois, pelo fato de este estar desenvolvendo a capacidade em relacionar-se terapeuticamente e de beneficiar os outros com seu procedimento, estará possivelmente contribuindo para sua própria auto-realização.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DALLY, Peter e Heather Harrington. Psicologia e psiquiatria na enfermagem. São Paulo: EPU ltda, 2006. 4ªed.

GAMBA, Mônica Antar e Ana Cristina Passarela Bretas. Enfermagem e saúde do adulto. São Paulo: manole, 2006. 1ªed.

HUDAK Carolyn M., Barbara M. Galo e Juliel J. Benz.,Cuidados intensivos de enfermagem. Uma abordagem holística. Rio de Janeiro: Guanabara e koogan, 1997, 6ªed.

MANZOLLI, Maria Cecília. Enfermagem psiquiátrica – da enfermagem psiquiátrica à saúde mental. Rio de Janeiro: Guanabara e koogan, 1996. 1ªed.

RODRIGUÊS, Antônia Regina Fuguerato. Enfermagem psiquiátrica – saúde mental: prevenção e intervenção.São Paulo: EPU ltd, 1996. 1ªed.

SMELTZER, Suzanne C., e Brenda G. Bare. Brunner & Sudardarth tratado de enfermagem médico – cirúrgico. Rio de Janeiro: Guanabara e koogan, 2006.11ªed

1Acadêmica da FASB, enfemagem, naraenfermeira@hotmail.com; 2Acadêmica da FASB, enfermagem, Juliana_carolina@alunos.fasb.edu.br;

3Acadêmica da FASB, enfermagem,kari.araujo@hotmail.com;4Acadêmica da FASB, enfermagem, kauancosta@alunos.fasb.edu.br;

5Acadêmica da FASB, enfermagem; katrinna_porto@hotmail.com;

6Acadêmica da FASB, enfermagem luci_ba@alunos.fasb.edu.br; 7Acadêmica da FASB, enfermagem, thiarabruna19@hotmail.com; 8Orientadora, enfermeira e professora da disciplina Saúde Mental pela FASB;


Autor: Luciana Barreto