Planejamento e Gestão Escolar: Obstáculo ou Desafio?



Maria de Lourdes Soares Ribeiro ²

Sumário: 1- Introdução; 2- Didática do Planejamento: 2.1- Planejamento do ensino numa perspectiva crítica de educação, 2.2- Aluno x professor x escola: causas e efeitos, 2.3- Dilema da intelectualidade nos dias de hoje, 2.4- O planejamento escolar: trevas ou luz; 3- Sistema Escolar Brasileiro: 3.1- O que é educação? 3.2- Por uma genealogia do poder, 3.3- Da organização da educação nacional; 4- Dinâmica Do Comportamento Humano: 4.1- A aposta na aprendizagem do professor, 4.2- Ensino para a compreensão; 5- Economia e Política da Educação: 5.1- O estado brasileiro e a política educacional dos anos 90; 6- Planejamento Educacional: 6.1- Mudanças na sociedade contemporânea, 6.2- Planejamento em questão: o papel da reflexão, 6.3- A falta de sentido do planejamento, 6.4- A alienação do educador, 6.5- Educar para qual cultura? 7- Metodologia da Produção do Conhecimento: 7.1- A elaboração de seminário, 7.2- A documentação como método de estudo pessoal, 7.3- Observações metodológicas referentes aos trabalhos de pós-graduação, 7.4- Diretrizes para a leitura, análise e interpretação de textos. 8- Organização e Gestão Escolar: 8.1- Planejamento e avaliação na escola: articulação e necessária determinação ideológica. 9- Avaliação Institucional: 9.1- Avaliação desmistificada: avaliação uma leitura orientada.

1.Introdução:

Hoje vivemos uma eterna maratona, correndo de um lado para outro com a finalidade única de melhorar, ou pelo menos de tentar melhorar, diante de opiniões diversas, algumas complacentes com a nossa, outras totalmente adversas. O que é de grande proveito para o crescimento de todos.

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¹ - Durante todo o ano de 2003, através de estudos, seminários, pesquisas e depoimentos de colegas de classe, desenvolveu-se este artigo. Para uma melhor absorção e entendimento do curso de Pós-Graduação em Planejamento e Gestão Escolar.

² - Pós-graduanda em Gestão e Planejamento Escolar pela UPE, Universidade de Pernambuco, Pedagoga, e encarregada do Departamento Pessoal das Faculdades de Direito, Odontologia e da FAAPE, Faculdade do Agreste de Pernambuco.

Felizmente ou infelizmente não sei, participamos de um Sistema Educacional Brasileiro amplo e ao mesmo tempo restrito. Amplo em suas colocações em suas leis educacionais que visam um grande desenrolar da educação brasileira e restrita por limitar a autonomia dos órgãos educacionais que vez por outra estão baixando a cabeça para os desmandos de chefias hipócritas com suas colocações políticas.

Trabalha-se com uma nova LDB, recheada de novos propósitos, outros reformulados, mas, todos procurando engajar o processo ensino-aprendizagem no contexto social da população brasileira.

Que, pelo menos, teoricamente está buscando meios de aprimorar o ensino no Brasil. Temos na prática, outra realidade, uma escola defasada, sem comprometimento e responsabilidade. Que coloca um currículo aleatoriamente e que não responde as necessidades apresentadas.

Cobram-se cursos, especializações, projetos e participação na formação de cidadãos, mas não se vê condições de se fazer. O que gera um corpo docente fragilizado e deficiente em suas atribuições.

Mas, a Lei grita, "tem que se especializar" do contrário sua participação será irrisória. Então eu pergunto: Os educadores que temos vale quanto pesa? Sua participação como formadores de opiniões é válida, responde aos anseios de um currículo regional e nacional.

Ensinar faz parte da vida, estamos continuamente ensinando, ensinamos em casa, ensinamos na rua, ensinamos no trabalho, no médico, numa festa, numa reunião e até numa escola. Ensinamos, mas, e compreender será que compreendemos de fato. Será que somos conscientes de nosso aprendizado. O nosso ensinar proporciona participação, nos torna seres políticos, capazes de expressarmos opiniões. Se nossa visão de mundo nos condiciona a transformar, a buscar sempre mais para melhorarmos. Será que apenas estamos passando a bola adiante, sem determinar que gool queremos atingir. Se estamos fingindo ensinar e fingindo aprender?

A aprendizagem se dá com interação, participação e parceria. Educar é promover e estimular a curiosidade de saber mais, buscar e questionar sempre. Ser proativo diante do novo, não parar no primeiro obstáculo, conhecer a realidade onde se trabalha, onde pode melhorar, em que contribuir no crescimento mútuo. Ser consciente e conscientizar, instigar o "aprendente" a por em prática seu conhecimento empírico. Vivenciar e experimentar levando-o a uma construção sólida e interativa. Co-relacionar, ouvindo e sendo ouvido, participando e incentivando a participação conjunta. Trabalhar com tecnologia e recursos favoráveis ao desenvolvimento, enfrentar as dificuldades, discutir a coerência, eficiência e satisfação formativa e contínua.

Educação é a arte-cênica do conhecimento. Trazer para o mundo empírico a realidade. Com o propósito de torná-la ideal.

Educação é dinamismo, é descobrir, é investigar e principalmente participar. Não cabe mais a rotina, esta coloca em risco todo o desenvolvimento e aprendizado.

2. Didática do Planejamento:

2.1- Planejamento do Ensino Numa Visão Crítica:

Nos tempos atuais, o planejamento de ensino, numa proporção ampla, viabiliza o melhoramento do trabalho docente. Ou, esta deveria ser a proposta. Que não acontece; de forma que os objetivos educacionais se apresentam desvinculados da realidade social. Sem significativos referenciais na vida dos alunos. Os recursos disponíveis para o trabalho didático, não passam de instrumentos de observação. Sem a devida importância e aproveitamento. O professor se torna um transmissor de informações apenas. Na maioria das vezes não leva seu aluno ao questionamento, análise crítica. Criando verdadeiros fantoches manipuláveis, sem criatividade, sem ação. Em face da descrença do processo ensino-aprendizagem, o profissional de educação direciona seu trabalho, isolado do contexto histórico, da experiência de vida.

Numa óptica transformadora, o processo de planejamento mostra uma perspectiva crítica de uma educação inovadora.

Temos hoje uma educação defasada, sem credibilidade, sem força atuante. Logo o planejamento precisa ser repensado. Ter autonomia e participação efetiva na vida prática. De acordo com Saviani (1984, p.9), a escola existe "para propiciar a aquisição dos instrumentos que possibilitam o acesso ao saber elaborado (ciência), bem como o próprio acesso aos rendimentos desse saber". Sendo assim o saber sistemático leva a produção de novos conhecimentos. Enfatizando bem a não mecanização do saber, do planejamento ou ensino. Absorve-se a informação e transforma em conhecimento correlato, numa dialética renovadora e atuante.

Todas as atividades educativas devem ser globalizadas de maneira que respondam as necessidades sócio-cultural, política e econômica donde a escola situa-se. Para se ter um engajamento maior entre escola e comunidade. É o planejamento participativo, que favorecerá no crescimento mútuo e sistemático da comunidade e do conhecimento. Que se desenvolverá com sua dinâmica prática. Freire (1987) diz que "se professores e alunos exercem o poder de produzir novos conhecimentos a partir dos conteúdos impostos pelos currículos escolares, estariam de fato considerando seu poder de contribuir para a transformação da sociedade".

Assim sendo, o poder estar para o conhecimento, assim como o conhecimento estar para pressupostos que o torna sempre mais amplo e consistente. Criatividade, objetivos, determinação, perseverança; são pressupostos de grande proporção na construção de uma educação igualitária e transformadora. O trabalho pedagógico deverá ser constante, voltado para a unificação de todos, para o bem estar social, desenvolvimento cultural e participação efetiva na formação de uma sociedade justa.

2.2- Aluno x professor x escola: Causas e efeitos:

Aprendizado se dá com determinação e vontade de aprender. O aluno é ponto chave desse processo. Ele é causa desencadeador de uma linha educacional progressiva e autônoma. A escola e o professor são efeitos de ação contínua e sistemática. Existem em função do aluno.

O aluno se faz, se constrói quando se quer, do contrário torna-se peso, iniqüidade, ilusão.

Saber fazer é dar sentido ao nulo, é fazer brilhar o fosco, é transcender diante de uma realidade gritante e agressiva.

2.3- Dilema da intelectualidade nos dias de hoje:

A prática política não fica bem representada entre os intelectuais. Estes devem se manter neutros diante das práticas políticas, que são consideradas irrelevantes diante de sua percepção e atuação no mundo. Os intelectuais, melhor dizendo os cientistas da filosofia, se mostram abruptos frente à realidade. Vivem um mundo particular. Onde mais do que todos devem estar nos problemas, percebendo-os, sentindo-os, provocando-os até. O que os levariam a uma produção histórico-filosófico ideal e real da vivência prática.

Segundo Weber (1918), política e ciência são coisas distintas. Ser intelectual é servir seu objeto, buscar sempre mais. Estar no intelectual o poder de transformar, de mudar, de melhorar. Isso de maneira consciente e irredutível. Conhecimento produz conhecimento e conseqüentemente melhor condição de vida.

2.4- O planejamento escolar: Trevas ou luz.

Planejar é atuar com responsabilidade, precisão e coerência. Falou-se anteriormente sobre a ação dos intelectuais na transformação da realidade. Sabe-se, porém, que toda mudança requer um planejamento, um estudo minucioso de causas e efeitos, um plano executável e direcionado. De modo tal, deve ser o planejamento escolar, direcionado e coerente com as mudanças iminentes. Freire, sabiamente diz que o espaço pedagógico é um texto para ser constantemente "lido", "interpretado", "escrito" e "reescrito".

Diante das situações, floresce a didática do planejamento que se dá no dinamismo, incentivo, na arte, técnica, investigação, capacidade e avaliação do docente numa visão-ampla e inovadora.

3. Sistema Escolar Brasileiro:

3.1- O que é educação?

Educação é todo processo de aprendizagem e desenvolvimento. São caminhos e métodos que levam ao crescimento progressivo. Educação se faz com o dia a dia. Tornar a escola mais prática e consciente da realidade vivida no grupo. O sistema favorece a educação de todos através dos agentes sociais. De acordo com José Augusto Dias o sistema escolar "é um sistema aberto, que tem por objetivo proporcionar educação".

O sistema escolar, geralmente, reproduz as desigualdades sócias.

3.2- Por uma genealogia do poder:

Fala-se aqui da origem do poder, de sua atuação sobre as pessoas, sobre a sociedade e sobre as demais esferas sociais. O resultado da manipulação do poder; sua influência, positiva ou negativa, sobre as pessoas e a ordem seqüencial das mesmas, é citada pelo autor como a problemática estudada.

Para Faucaunt o poder não se define, não é um padrão para se seguir, o poder pode mostrar-se positivo quando sua influência enriquece e promove o desenvolvimento sócio-cultural e político da humanidade; e negativo quando reprime, amputa e restringe a capacidade de desenvolver e crescer da mesma. Impondo e limitando o bom desempenho social.

3.3- Da organização da educação nacional:

Nossa história retrata uma colonização construída as voltas de interesses e objetivos duplos. Com propósitos ambíguos.

Segundo Demo, o título IV da LDB 9394/96 fala da organização da educação nacional, com um estilo flexível de organizar o sistema, não como uma proposta revolucionária, mas como um plano novo mantendo os conteúdos antigos.

A flexibilidade da lei reflete na organização dos sistemas educacionais, seguindo então uma carência necessária, onde – não se pode educar bem dentro de uma proposta organizativa em si já deseducativa – mas, ostentando o compromisso educativo.

Esse espírito flexibilizador se assemelha as propostas de Darcy Ribeiro, um educador que vive de aprender sem impor paradigmas aos outros.

4. Dinâmica do Comportamento Humano:

4.1- A aposta na aprendizagem do professor:

Ensinar não significa apenas transmitir conhecimentos, corresponde a todo processo educativo, da sociabilização a produção científica. O passo a passo, orientando, questionando, avaliando, participando ativamente na construção dos saber. De modo tal, a aprendizagem não se dá apenas na escola. Mas, é a escola o ponto referencial para ensino e aprendizagem. O professor como enredo desse tema, precisa desenvolver potencialidades e melhor aproveitar todo o suporte que oportunamente lhe convém. Correr atrás de se especializar, de melhorar sua prática e desenvolvimento educacional. Cada professor tem a responsabilidade de melhorar as escolas. Ou, melhor dizendo, o ensino de um modo geral.

Ensinar requer envolvimento, comprometimento, certeza e firmeza no que se estar fazendo. O professor deve estar aberto ao novo, absorver o diferente e aperfeiçoar sua prática. Aprender sempre. O ensino é sistemático, desencadeia um processo contínuo.

O professor também é pesquisador, melhorar a condição de aprendizagem é um desafio diário e que deve estar presente na sua prática constate. Assim, estar na escola o "laboratório do conhecimento".

4.2- Ensino para compreensão:

O ensino é tido como transmissão de cultura, suas teorias explicativas retratam a realidade, o conhecimento experimental estar nas disciplinas científicas. Desenvolver credibilidades requer treinamento. Instigar o desenvolvimento natural é proporcionar crescimento e aprendizagem. Aprender é transformar, articular, defender e conscientizar. Conscientização que se dá com as relações interpessoais.

5. Economia e Política da Educação:

5.1- O estado brasileiro e a política educacional dos anos 90:

O capitalismo, foco de transformação e mudança da produção do mercado e do Estado, entra em crise, e na tentativa de superar a crise, estabelece estratégias como o neoliberalismo, onde defende o direito da iniciativa privada e onde limita ao máximo as atribuições do Estado; também a globalização integra todo o sistema e a reestruturação produtiva.

Após a guerra o Estado controla os ciclos econômicos e regula os acordos salariais e os direitos dos trabalhadores na produção. Mas, o capitalismo não deu certo, verificou-se que o neoliberalismo poderia ser a saída. No qual a lógica desse pensamento neoliberal está na tensão entre a liberdade individual e a democracia.

O pensamento de Hayek (1984) onde ele denuncia que a democracia faz um verdadeiro roubo à propriedade alheia, mas como não se pode cortá-la, pelo menos há um esforço em diminuir seu poder. De modo tal, estar a autonomia do sistema bancário e financeiro que tem seu princípio na política educacional e social do Estado.

A educação brasileira precisa ser redefinida, para acompanhar o processo de crescimento econômico, ocorrido mundialmente, e não só no Brasil, mas em muitos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento. Um país mal formado em suas constâncias intelectuais poderá se tornar mal informado e alienado.

A formação econômica no país tem se desfalcado porque sua globalização foi exploratória, decadente e miserável em referência aos países da Europa.

Na educação, fica também impossível seu crescimento, pois o processo de globalização já vem entrando nos moldes dos parâmetros curriculares.

"Vive-se em crise, o país à beira da falência, a moeda está escassa, a situação da população é precária...", estas são algumas das afirmações que costumeiramente escutamos e pior, nos habituamos a ouvi-las e até credenciá-las. Sabe-se realmente que a política e a economia nacional não vão bem. Mas, faz-se necessário ter consciência que isto não é apenas mérito nosso, pois a economia mundial passa por transformação, o que conseqüentemente reflete naqueles menos favoráveis político e economicamente.

A atual política educacional brasileira entende que quem está em crise é o estado e não o capitalismo, portanto procura diminuir suas despesas tirando de si a total responsabilidade com as políticas sociais.

Nessa política o papel do Estado está se materializando através da contradição Estado mínimo/Estado máximo que se revelam nos processos de centralização/descentralização dos projetos de política educacional.

6. Planejamento Educacional:

6.1- Mudanças na sociedade contemporânea:

Fala-se muito sobre educação, onde se gera uma preocupação notória em adequar as necessidades do indivíduo, ao ensino sistemático. Com uma educação para o desenvolvimento social. Coisa quase que impossível, pois sempre barramos na sincronia entre problemas e soluções: educação de qualidade; educação para todos; educação com consciência e responsabilidade. Na educação está a solução para os diversos problemas sociais, culturais e econômicos que se enfrenta hoje. Uma ação coletiva e crescente se dará com o bem estar de todos.

6.2- Planejamento em questão: o papel da reflexão:

Todo planejamento parte de uma reflexão prévia, onde se analisa as necessidades, pontos favoráveis e pontos negativos. A quem atenderá e quais as reais necessidades. A reflexão não se faz aleatoriamente, parte de um princípio intencional, com justificativa, sentido, consciência e ação. Faz parte do processo de transformação.

6.3- A falta de sentido do planejamento:

Planejar se faz necessário, mas sabemos que grandes são os obstáculos que se apresentam. De ante mão, a descrença no planejamento leva-o ao descaso e inconseqüência. Gerando uma escola sem diretriz e inadequada à realidade de nossos estudantes. Assim, o planejamento deve refletir o papel social de humanização e emancipação.

A falta de compromisso implica numa escola solta, com profissionais descompromissados, sem objetivos.

6.4- A alienação do educador:

O educador, como todo processo, faz parte da consciência coletiva. De participar, orientar e se fazer presente na ação global de desenvolvimento social. Mas, a realidade é outra, nossos educadores sofrem com o descaso do sistema, a desvalorização de seu trabalho, e até mesmo a descrença em seu conhecimento. Exige-se de nossos professores, especializações, qualificações, iniciativa, criatividade e desprendimento. Porém, exige-se, mas não os favorece, não os incentiva. Coisa que desencadeia em profissionais de educação alienados e descrentes.

6.5- Educar para qual cultura?

Ouvimos sempre, somos um povo de cultura riquíssima, com conteúdo histórico, erudito e popular diversificado. A educação a cada dia dispõe de instrumentos específicos e qualificados. Que na maioria das vezes, ficam muito além da realidade educacional. Massificam erroneamente o uso de currículos, que não se adequam àquelas ou estas realidades. Onde a educação deve manter-se ensinando e aprendendo simultaneamente. É uma contínua troca de informações que deverá acrescer ao conhecimento. Conhecimento este que deve ser transformador, crítico, fazer acontecer. Buscar e melhorar gradativamente.

7. Metodologia da Produção do Conhecimento:

7.1- A elaboração de seminários:

O seminário é uma técnica de aprendizagem que visa levar o aluno a buscar através de pesquisa, o conhecimento te temas abordados. Assim como levar a discussões com a finalidade de analisar os fatos através de um raciocínio claro e objetivo.

7.2- A documentação como método de estudo pessoal:

A evolução cultural se dá de maneira tão intensa e complexa, que todo conhecimento gerado dobrara de dois em dois anos. Proporcionando uma diversidade de conhecimento e material de estudo. Esta complexidade e diversidade de saberes colocam em cheque os métodos de estudo acanhados e ineficientes que hoje praticamos, já que se baseiam numa assimilação passiva e excessivamente didatizante. É consenso entre especialistas que a aprendizagem é uma tarefa pessoal e o ensino escolar é o começo do qual o indivíduo constitui todo o processo de ensino e pesquisa e, portanto daí o desenvolvimento cultural e criativo. A criatividade na prática de ensino se tem com o estudo e assimilação progressiva, qualitativa e seletiva. Que proporcione o entendimento amplo e domínio de informações.

7.3- Observações metodológicas referentes aos trabalhos de pós-graduação.

Nos últimos vinte anos intensificou-se o desenvolvimento dos cursos de pós-graduação no Brasil, instituições, observa-se que, a pós-graduação foi instituída com objetivo de criar condições para a pesquisa rigorosa nas várias áreas do saber, com isto se usa fundamentalmente a qualificação do corpo docente de 3º grau, assim como a preparação de pesquisadores e profissionais de alto nível. Ponto imprescindível é o desenvolvimento acadêmico e científico. Onde possa proporcionar mais proveito dos trabalhos científicos aplicando-se na sociedade. Além de qualificar todo corpo docente.

A ciência se faz através de trabalhos de pesquisa especializada, de conjunto de métodos e técnicas específicas às várias ciências, a escolaridade de pós-graduação é aplicada às várias áreas de preparação de tese. Direcionar e especificar o trabalho científico condiz com qualificação e resultados primoráveis e satisfatórios. De qualquer modo cabe aos pós-graduandos em geral um projeto que revela a sensibilidade do pós-graduando às condições que sua sociedade vive e às exigências de sua transformação, em vista de seu crescimento constante.

7.4- Diretrizes para a leitura, análise e interpretação de textos:

Numa pesquisa para a compreensão de um texto, é necessário que o leitor faça uso do raciocínio de onde codificará o texto em meio a sua organização de dados e fatos que o fará acompanhar todo processo de desenvolvimento do texto.

A análise temática facilitara a compreensão, identifica a problematização do tema, a idéia central e as idéias secundárias. E isso é o que o tornara compreensivo. Assim como a formação de hábitos implica na preparação contínua, prática e favorável. A leitura por obrigação torna-se negativa, bloqueadora, ao contrário da leitura proveniente, esta favorece o aprendizado. De uma leitura perceptível se produz um trabalho científico. Que poderá ou não ser de grande ênfase ao desenvolvimento sócio-cultural. De modo, toda obra é formada de três partes: introdução, corpo do trabalho e parte final. Seqüencial que mostrara todo embasamento científico do tema abordado. Para tal, uma rica bibliografia se faz necessária. Estar atualizado com a situação, com a cultura, com a economia, com a educação, certamente trará um trabalho pleno e com eqüidade.

8. Organização e Gestão Escolar:

8.1- Planejamento e avaliação na escola: articulação e necessária determinação ideológica:

Planejar, produzir e construir faz parte do cotidiano humano. O homem por natureza é resultado da ação contínua, atitude e participação.

Agir conscientemente significa estabelecer fins a ater-se a uma ação intencional. A inquietação humana leva a eterna procura e insatisfação. Cultivando e mesmo, cavando novos meios de atender suas necessidades.

A ação contínua do homem sobre o mundo, identifica a si mesmo com as características do mundo que constrói. Com a possibilidade de ser benéfica ou não, sua interferência.

Todo efeito, positivo ou negativo, decorrente da ação do homem sobre a natureza, implica numa resposta estrutural da sociedade. A ação intencional sobre a realidade deve direcionar para totalidade. Buscar o máximo de compreensão e determinação a fim de propor efeitos individuais e coletivos.

Planejar consiste em resultados concretos. Refletidos na natureza humana de forma positiva ou não. Mas, ideologicamente formada e aprovada consciente ou até mesmo inconscientemente. Logo com finalidades pré-estabelecidas.

Toda ação humana é tomada por decisões, às vezes amplas, que coordena uma série de atitudes e valores que subjugamos certos ou errados, favoráveis ou não, e outras vezes restritas e maleáveis. Mesmo assim, se estar sempre optando e escolhendo algo.

Como seres políticos, optamos por transformar, por adequar o meio aos nossos ideais e quando não as nossas necessidades. Embora, optamos em boa parte erroneamente. Individualizando as ações coletivas e favor de interesses particulares.

Vê-se muito hoje, falar em planejamento. Muitos projetos são apresentados e trabalhados na sociedade. Mas, boa parte deles não está respondendo as necessidades sócio-político e filosófico das estruturas sociais a que se destinam. Estão bem aquém dos resultados almejados. Por simplesmente sua estrutura ideológica não corresponder a tal realidade. Causando impacto negativo e irremediável.

Na escola, o planejamento não passa de preenchimento de formulários pré-determinados. Sendo apenas o transcrever de informações e conteúdos, que de modo geral, retrata uma realidade que não atende as necessidades a que estão direcionadas.

Tornar-se neutro na execução de um planejamento é ignorar as mudanças correntes, o conhecimento assistemático e o conhecimento de mundo para quem se estar planejando.

Planejar é discutir, avaliar, ponderar, aproveitar e melhorar a atuação da educação na vida prática. A educação deve ter como princípio básico, a formação de cidadãos conscientes, conhecedores de suas ações, direitos e deveres. Cidadãos com objetividade e determinação. Que sejam ativos, críticos e participativos. Desta forma se tem no ato de planejar uma dimensão política-social. Logo o planejamento escolar deve ter a contribuição de todos os profissionais de educação, a fim de que seja um ato coletivo e espontâneo. Resultado de um trabalho conjunto. Como seqüência, se tem a avaliação, que de forma crítica do percurso de uma ação, se pode analisar os efeitos positivos e/ou negativos. Estão-se atendendo as expectativas, se deve redirecionar, onde pode melhorar e se precisa re-planejar.

9. Avaliação Institucional:

9.1- Avaliação desmistificada: avaliação uma leitura orientada:

Avaliar consiste em seguir uma leitura orientada, com pressupostos pré-definidos. E com uma relação específica do que se estar avaliando, para quê, para quem e por quê. Isso para se chegar ao alvo preciso e satisfatório de avaliação.

Toda avaliação gera expectativas, que conseqüentemente, leva ao conjunto de critérios que deve se seguir para tal. Critérios esses, que deve estar embasados em meios a leitura e conhecimento de mundo. Saber avaliar implica em saber quem se estar avaliando e o que se pretende. E também ter consciência que estar se auto-avaliando. Subjetivamente questiona-se seus critérios e legitimidade do conteúdo. Deve-se mostrar ao aluno a importância do produto como também sua participação diante do problema apresentado.

Para uma avaliação consistente, se considera um conjunto de expectativas, que por vez, são selecionadas as prioridades, e de modo tal, chega-se ao ponto comum. Aos objetivos desejados com a avaliação.

A avaliação nos dar, de maneira resumida, o esboço de tudo que se passa, isso objetivamente e seguindo a luz dos critérios. Com o resultado de um trabalho elaborado e construído de maneira direcionada. Logo avaliar é confrontar as expectativas com a realidade.

Considerações Finais

De certa forma, a educação é ponto fundamental para o desenvolvimento de qualquer nação. Priorizando suas condições sócio-políticas e econômicas embasadas no sistema educacional. Que deverá trabalhar a realidade do aluno assim como de toda a comunidade. Educação não se resume as salas de aulas ou aos limites da escola. Está em todo lugar. É direito de todos e dever do Estado... Assim estar em nossa constituição.

Cidadania, democracia, direitos, deveres são palavras que fazem parte de nosso dia a dia de uma maneira ou de outra são pronunciadas, resta saber se estão de fato fazendo jus aos seus significados.

Referências

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DEMO, Pedro. A Lei de Diretrizes e Bases(LDB) e os Profissionais da Educação. In: A Nova LDB – Uma lei de esperança.. 1 ed. Brasília: Universidade Católica, 1998.

___________. A Nova LDB – Ranços e Avanços In: As Políticas Educacionais no Contexto da Globalização. 1 ed Ilhéus: Editus (Editora da UESC), 1999.

FREIRE, Paulo e SHOR, Ira. Medo e Ousadia: O cotidiano do professor. Rio de Janeiro, Paz e Terra. 1987.

FOUCAUT, Michel. Microfísica do Poder. II. Ed. Tradução de Roberto Machado. RJ. Graal, 1995.

http://www.unicamp.br/cemarx/downlod/javier1.doc. O pensamento de Hayek (1984).

LUCKESI, Cipriano Carlos. Planejamento e Avaliação na Escola: Articulação e necessária determinação ideológica, in www.cmariocovas.sp.gov.br/int_a.php?t = 014.

RIBEIRO, Darcy.(1922), Mineiro, antropólogo, Criador da Universidade de Brasília (1955), foi Ministro da Educação e mais tarde foi Ministro-Chefe da Casa Civil.

SAVIANI. Demerval. O Ensino Básico e o Processo de Democratização da Sociedade Brasileira. Revista da ANDE, nº 7, 1984, pp 9-13.

WEBER, Ciência e Política: Duas Vocações; Weber, "A Política Como Vocação" e "A Ciência Como Vocação", em Ensaios de Sociologia, p. 97-183.


Autor: Lourdes Ribeiro