RESSONÂNCIA MAGNÉTICA: INCIDÊNCIA DE LESÕES MENISCAIS



Adriano de Oliveira Silva1, Camila Kelen1, Wadson Fernandes1 , Claudia Lana2

RESUMO: Neste trabalho são apresentados 60 casos de lesões meniscais do joelho submetidos a ressonância magnética, no período de Dezembro de 2008 a Fevereiro de 2009. Foram avaliados o aspecto e a incidência das principais alterações meniscais, correlacionando-as com os mecanismos de agressão e com os dados clínicos, e demonstrando as principais lesões associadas. As rupturas meniscais foram encontradas em 22 indivíduos (37%). As lesões meniscais ocorreram em 20 indivíduos (34%). Degenerações meniscais já acometem 10 indivíduos (16%),  já a fratura da  borda livre do corpo do menisco foram detectadas em 8 indivíduos (13%), sendo três deles associados a lesões osteocondrais. A condromalácia da patela mostrou-se presente em 14 indivíduos, representando (23%)  dos 60 casos associado a outras lesões . Metodologia: Neste estudo foi utilizado o método de imaginologia por ressonância magnética para o diagnóstico das lesões meniscais do joelho.

Unitermos: Ressonância magnética. Lesões meniscais.Ruptura.Degenerações. Joelho.

ABSTRACT: This work presents 60 cases of meniscal injuries of the knee undergoing magnetic resonance imaging in the period December 2008 to February 2009. We evaluated the appearance and incidence of major meniscal changes, correlating them with the mechanisms of aggression and the clinical data, showing the main and associated injuries. The meniscal ruptures were found in 22 subjects (37%). The meniscal injuries occurred in 20 individuals (34%). Meniscal degeneration now affect 10 individuals (16%), since the fracture of the free edge of the body of the meniscus were found in 8 subjects (13%), three of them associated with osteochondral lesions. Chondromalacia of the patella showed to be present in 14 individuals, representing (23%) of 60 cases associated with other injuries. Methodology: This study used the method of magnetic resonance imaging for diagnosis of meniscal injuries of the knee.

Key words: Magnetic resonance imaging. Injuries meniscal. Rupture. Degenerations. Knee.

1 Graduando em Biomedicina pela Unipac - Ipatinga/MG

2 Orientadora / Professora Fisiologia

Introdução

A imagem por Ressonância Magnética é o exame diagnóstico mais significativo realizado em pacientes de ortopedia e medicina desportiva. Sempre fornecendo informações subjacentes, e também para servir como tomada de decisão fundamental acerca da intervenção cirúrgica. A ressonância magnética é vantajosa por não utilizar radiação ionizante (utilizada nos Raios-X e Tomografia Computadorizada), e por ser toda de um método não invasivo não há necessidade prévia de preparo ou administração de contraste iodado ou paramagnético. O aspecto de uma imagem obtida por RM é uma função da composição química dos vários tipos de tecido. Por exemplo, os tecidos moles são compostos aproximadamente de 70% de água e 10% a 15% de tecido adiposo, que geram todo sinal de RM.

De acordo com STOLLER, o menisco normal demonstra sinal de baixa intensidade homogêneo em imagens ponderadas em T1, T2 (convencional e spin-eco rápido), gradientes-eco e STIR. O sinal de baixa intensidade do menisco intacto é atribuído â ausência de prótons móveis (as moléculas de água no menisco estão intimamente relacionadas a ou são absorvidas pelas maiores macromoléculas  de colágeno). A defasagem subseqüente dos núcleos do hidrogênio resulta em encurtamento dos tempos T2, contribuindo para o sinal de baixa intensidade do tecido do menisco em todas as seqüências de pulso. As degenerações e lesões do menisco demonstram sinal de intensidade aumentada do tecido do menisco  em todas as seqüencias de pulso. As degenerações e lesões do menisco demonstram sinal  de intensidade aumentada, atribuído ao liquido sinovial embebido. À medida que o líquido sinovial difunde-se através do menisco, áreas de degenerações e roturas aprisionam moléculas de água nas camadas de limite da superfície, aumentando a densidade do spin local.

Este fenômeno explica a sensibilidade das imagens ponderadas em T1 e intermediarias (isto é, ponderadas em densidade protônica) na revelação de degenerações e lesões do menisco(1).

Material e Métodos

Participantes: Foram estudados 60 pacientes com histórico de trauma no joelho encaminhados a um hospital particular da região do Vale do Aço, no período de Dezembro de 2008 a Fevereiro de 2009,

Instrumentos: O aparelho de RM utilizado na avaliação destes pacientes foi SIGMA HORIZON LX GOLD SEAL, da GENERAL ELETRIC, de 1,0 Tesla (T).

Procedimentos: Foram realizados seqüências multiplanares nos planos axial, coronal e sagital com cortes 3,5 mm de espessura campo de interesse ("Field Of  View" FOV) de 20 a 22 cm, número de excitações (NEX) de 1 ou 3, "Flip Angle" de 900 graus e matrix em torno de 384 x 224.

As seqüências multiplanares utilizadas na execução de cada exame foram estabelecidas pelo serviço como rotina básica na avaliação do joelho. As sequências realizadas utilizaram a técnica Fast-Spin eco ponderada em DP FATSAT nos planos sagital, axial e coronal, a técnica Fast-Spin eco ponderada em T1 nos planos sagital e coronal. Em nenhum dos casos estudados administrou-se meio de contraste paramagnético por via endovenosa ou intra-articular.

Todos os pacientes estudados foram identificados os tipos de lesões meniscais, suas localizações e as maneiras de apresentação nas diferentes seqüências obtidas na RM. Nesta pesquisa, não foi feita correlação com achados da radiologia convencional, da tomografia computadorizada ou artroscopia.

Correlacionou a freqüência destas lesões com o mecanismo de injúria e os dados clínicos. Pesquisaram-se também as lesões de estrutura óssea do joelho. Todos os exames foram revistos retrospectivamente por pelo menos dois Radiologistas do serviço.

Resultados

Os 60 pacientes estudados com história de trauma no joelho, os quais foram submetidos ao exame de ressonância magnética, observou-se maior comprometimento dos indivíduos do sexo masculino (60 %) sobre o feminino (40 %). A faixa etária variou de 7 a 88 anos.

Os mecanismos de agressão das lesões meniscais nos pacientes foram basicamente de três tipos: entorse, trauma direto por forças externas e queda da própria altura.

Foram variáveis nos pacientes, os tempos de evolução dos sintomas e da solicitação da RM, havendo predominância no quadro álgico nos primeiros sete dias após o trauma. A perturbação dos sintomas mostra-se relacionada a processos degenerativos por instabilidade articular e/ou por subluxações da patela.

No tocante das lesões meniscais, ligamentares ou ósseas existentes, os sintomas dos pacientes estudados foram variáveis, sendo encontrado mais de um tipo no mesmo indivíduo. Já nos traumas ou entorses, houve predominância de (100 %), de pacientes cursando com dor, associada ou não a limitação dos movimentos, a edema articular, casos de condromalácias, foram referidas dor e creptação à movimentação (11%).

Os tipos principais de lesões meniscais encontradas foram: rupturas do corno anterior do menisco lateral/medial, ruptura do corno posterior, lesões obliqua e horizontal do menisco medial, lesão com perda substância do menisco medial associado a erosão, degenerações meniscais, fraturas da borda livre do corpo do menisco.

As fraturas da borda livre do corpo do menisco ocorreram em menor número (oito casos - 8%) associados ou não a lesões osteocondrais e derrame articular.

Observa-se também, um cisto de BAKER em paciente com ruptura do corno posterior e junto à raiz meniscal posterior do menisco medial, mais derrame articular de pequeno volume. Sete indivíduos apresentam condromalacia em graus vaiáveis. Outro paciente mostrou contromalacia avançada de (graus III e IV) mais alterações degenerativas articulares e lesão do menisco lateral.

Discussão

O estudo mostra a sensibilidade das ponderações utilizadas pela ressonância magnética, na revelação de lesões meniscais, mesmo a faixa etária  dos pacientes  sendo extremamente variável, de modo semelhante STOLLER descreve a sensibilidade das ponderações na revelação de lesões meniscais, associadas ou não a dor e limitações de movimento.

O nosso estudo utilizou de seqüências multiplanares, utilizadas na execução de cada exame e foram estabelecidas pelo serviço como rotina básica na avaliação do joelho.

Nos dias de hoje a ressonância tem um importante papel na avaliação das lesões meniscais, permitindo um diagnóstico de lesões indetectáveis  ou de difícil avaliação a outros  métodos radiológicos.

Referencias

1- Stoller, David W. - Segunda edição- Ressonância Magnética em Ortopedia & Medicina Desportiva-2000. 1-242

2-http://www.seram.es/formacion_continuada/libros/me/RMME.htm


Autor: Adriano Silva