A Segunda Guerra Mundial



A Segunda Guerra foi um conflito de proporções assustadoras. As estimativas falam entre 30 a 50 milhões de mortos, sendo 5 a 6 milhões de judeus exterminados pelo nazismo.[1] Foram 6 anos de conflito (1939-45) e cerca de 70 países envolvidos. No entanto, mais importante do que descrever a guerra em si, nos parece pertinente compreender como foi possível uma guerra com tamanhas proporçõies mesmo após a experiência da Primeira Guerra Mundial, 20 anos antes. Como isso ocorreu?

A explicação historiográfica mais aceita, seguindo a perspectiva econômica, aponta a Crise de 1929 como fator mais importante para o desencadeamento da guerra. No entanto, dentro desta linha encontramos duas vertentes: a liberal e a marxista.

A vertente liberal argumenta que a Crise de 1929 abriu espaço para o surgimento e o crescimento dos regimes totaçitários. Por sua vez, estes governos se caracterizavam pelo caráter militarista, expansionista e nacionalista. Juntando estes três fatores já teremos meio caminho andado em direção a guerra.

A vertente marxista argumenta diferente. Para eles, o colapso econômico decorrente da Crise de 1929 levou a burguesia às ruínas. Como saída da crise econômica, os burgueses estimularam a guerra através do incentivo à corrida armamentista, ajudando, desta forma, a indústria bélica. Na perspectiva marxista, a guerra é um evento burguês, na medida em que eles são os maiores beneficiados com este evento, já que as indústrias são estimuladas para dar suprimento ao conflito.

Entretanto, outras explicações são propostas para entender a Seguna Guerra Mundial. Para muitos, este episódio foi a continuação da primeira Guerra (1914-19). O raciocínio é o seguinte: o modo como terminou a Primeira Guerra, sobretudo com o famigerado Tratado de Versalhes, estimulou o sentimento de revanchismo de ambas as partes – vencedores e perdedores; somado ao revanchismo, cresceu o nacionalismo, típico destes momentos. Além disso, o crescimento de uma segunda via ao capitalismo liberal – erguido após a Revoluçãom de Outubro, em 1917, na Rússia – trouxe o medo às forças conservadoras.[2] Como estes setores já estavam fragilizados com as dificuldades econômicas do pós-guerra, acabaram apoiando uma terceira via – o totalitarismo de direita. A Crise de 1929 soemnte veio agravar este quadro. Um acontecimento de tal amplitude não poderia deixar de repercutir na política dos paísesafetados. O liberalismo clássico entrou em crise. Os países atingidos trataram de intervir na economia para tentar salvar o que restara. Argumenta-se que nos momentos de crise econômica, o surgimento de ideias totalitárias ganha força, ainda ,ais um colapso das proporções da ocorrida em 1929. Criou-se, então, um ambiente favorável ao crescimento do nazi-fascismo. E na medida em que estes regismes possuem o expansionismo como meta, cada um por seus motivos, estava iniciado os preparativos para uma Segunda Guerra.

Revanchismo, nacionalismo, expansão do socialismo, Crise de 1929 e o crescimento do totalitarismo se inter-relacionam, então, criando um cenáriop conturbado, em que a guerra seria "fatalmente" o seu desfecho.

Por fim, existem aqueles que dizem ser a Segunda Guerra a "Guerra de Hitler". Ou seja, a impetuosa investida do nazismo, no sentido de construir um Império e tornar a Alemanha a nação mais poderosa da Europa, teria sido o "motivo" do conflito mundial. Desta forma, Hitler é visto como o grande culpado pela guerra, seguindo a historiografia tradicional que divide os "personagens" da História entre heróis e vilões. O ditador alemão teria sido o grande vilão deste moemnto.

No entanto, esta visão começou a cair por terra por volta da década de 1960. O historiador inglês A.J.P. Taylor desenvolveu a ideia de que o governante representa o conjunto de interesses da nação que ele dirige. Desta forma, Hitler não teria feito nada mais do que externar os desejos mais remotos da sociedade alemã. O Terceiro Reich é a maior prova disto. Era a continuidade do projeto do Império Germânico. Além disso, caso quiséssemos encontrar um culpado teríamos de afirmar que todos os envolvidos o são. O que dizer da não interferência dos Aliados enquanto Japão, Itália e Alemanha se expandiam?[3] 30 a 50 milhões de mortos, 6 anos de guerra e 70 países envolvidos por culpa de uma única pessoa? Tudo indica que isso não é possível.

Antes de reduzir um conflito destas proporções a apenas um fator, é necessário dizer que esta guerra deve ser inseria num complexo momento histórico em que diversos fatores, concominantemente, concorreram para o seu desencadeamento. Desta forma, o que consideramos mais correto é a perspectiva de que as origens da Segunda Guerra devem ser buscadas nos problemas criados pela Primeira Guerra e agravados com a Crise de 1929.

Abordando a Segunda Guerra Mundial em si, podemos situar dosi grandes momentos: de 1939 a 1941/42 e de 1942 a 1945. O primeiro período é marcado pelo avanço do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), muito devido a o preparomilitar prévio. O ano de 1941 é decisivo, pois deste momento em diante o conflito torna-se definitivamente mundial. A invasão alemã na URSS e o ataque japonês em Pearl Harbor colocaram os soviéticos e os norte-americanos na guerra, com consequências enormes para o desfecho das batalhas.

Com a entrada destes dois países, deu-se o início do segundo período, quando os Aliados (Inglaterra, EUA, URSS[4]) começaram a derrotar o Eixo com sucessivas vitórias.

A importância que EUA e URSS obtiveram durante a Segunda Guerra concorreram para o início de um outro conflito, marcado pela ausência de investidas militares e pelo confronto entre duas ideologias: a capitalista e a socialista. O mundo conhee a Guerra Fria. Mas esta já é outra história!

Bibliografia

CROUZET, Maurice. História Geral das Civilizações: A Época Contemporânea.

DUROSELLE, J. B. A Europa de 1815 aos nossos dias. São Paulo: Ed. Pioneira, 1985.

GONÇALVES, Williams da Silva. A Segunda Guerra Mundial. In O Século XX.

HOBSBAWM, Eric. Era dos Extremos: o breve século XX: 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.




Autor: Luiz Eduardo Farias