Controle do mecanismo álgico da dismenorréia através da fisioterapia



Introdução
No antigo testamento da bíblia a mulher menstruada era isolada por sete dias e qualquer um que a tocasse seria considerado imundo. Com a influência da crença e tradições sócio- econômicas levou a menstruação a ser um quadro negativo (CARDOSO e LEME,2003).
A palavra dismenorréia é derivada do grego e significa menstruação difícil ou desconfortável ; a dor uterina é o centro de vários sintomas como palidez, sudorese, cefaléia, náuseas , vômitos, aumento do número de evacuações, dor lombar e nos membros inferiores (BARACAT e cols, 1995).
De acordo com o Instituto Paulista de Pesquisa de Mercado,1981, 65% das brasileiras entre 18 a 40 anos sofrem de cólicas menstruais. Cerca de 600 milhões de horas/ano de trabalho serão perdidas no Estados Unidos se não for realizado um tratamento eficaz pois as mulheres constituem pelo menos 42% da força de trabalho. Com o cálculo de horas perdidas somam , alguns bilhões de dólares (CARDOSO e LEME,2003).
Apesar de ter sido estudada à mais de 100 anos , somente nos últimos 25 anos que aumentaram as pesquisas e estudos a respeito da cólica menstrual e de sua etiofisiopatologia (CARDOSO e LEME,2003).
Segundo Baracat e cols (1995), o controle da dismenorréia primária é muitas vezes difícil , e pode ser constituído como uma síndrome.
Fica difícil de se estabelecer a incidência desta síndrome pois os sintomas são muitas vezes confundidos pelas pacientes (BARACAT e cols, 1995).
As formas fisioterapêuticas que amenizem a dor da mulher dismenorréica é escassa. Portanto o objetivo deste trabalho é averiguar se a cinesioterapia pode ser uma alternativa terapêutica para a dismenorréia (CARDOSO e LEME,2003).

Etiopatogênia e Quadro Clínico

O crescimento da produção de prostaglandinas (principalmente a PGF2 alfa) , esta relacionada a causa da dismenorréia primária, que atinge um pico nos primeiros dois dias da menstruação. As mulheres com dismenorréia primária têm concentrações significativamente maiores destes ácidos graxos insaturados no endométrio , em lavagens endometriais e no fluido menstrual em relação às normais. O endométrio , sob ação da progesterona na segundo metade do ciclo , torna-se secretor e produz prostaglandinas que são liberadas das células endometriais degeneradas quando os níveis de progesterona caem ( início do sangramento menstrual). Está substância , que estimula a contracão dos músculos lisos, atua no miométrio ao promover a passagem de cálcio da membrana celular endomentrial para os elementos de contração da fibra muscular , provocando aumento da contratilidade uterina e da vascularização , isquemia e subsequente dor. No útero , a síntese de prostaglandina ocorre no endométrio ,mas seus receptores localizam-se predominantemente no miométrio ( CARDOSO e LEME,2003).
O aumento da amplitude e freqüência das contrações uterinas e estimulada tanto pela PGE1 quanto a PGF2. Além disso , elas agem como potencializadoras das sensação dolorosa através da sensibilização das terminações nervosas, intensificando a sintomatologia (CARDOSO e LEME,2003).
A dismenorréia primária quase sempre acontece nos primeiros dias e algumas vezes acompanha a menstruação , e quase nunca acontece no final da menstruação . A maioria das pacientes se queixam algumas horas antes da instalação do fluxo , aumentando de intensidade quando se aproxima e desaparecendo no seu transcurso ( BARACAT e cols,1995).
A dor apresentada pelas pacientes poderá ser tão intensa que são obrigadas a se afastarem de suas atividades físicas e intelectual, isto chamamos de dismenorréia incapacitante (BARACAT e cols,1995).
A dor acompanha o trajeto do nervo hipogástrico que nasce na região lombossacra e se irradia na fase interna das coxas. Sintomas extragenitais ou sistêmicos podem surgir em associação com a dor ou isoladamente (BARACAT e cols ,1995).
Para o diagnóstico da dismenorréia é necessária uma cuidadosa anamnese e um exame pélvico minuncioso. Quando os exames não forem satisfatório coloca-se em dúvida o caráter não orgânico da dor, por não melhora com a terapêutica específico é necessário exames subsidiários, e é o caso da ultra-sonografia pélvica (BARACAT e cols,1995).


Tratamento

Recomenda-se para alívio da dor , hidratação, calor no baixo ventre, analgésicos , antiespasmódicos até entorpecentes e medicamentos , para alivio dos sintomas extragenitais .O tratamento profilático é importante para evitar novas crises , que inclui medidas de ordem geral( BARACAT e cols, 1995).
A hormonioterapia (estrogênios, progestagênios, androgênios e gonadotrofina coriônica) , sào utilizados caso esses métodos sejam ineficazes. É raro, porém existem pacientes cuja a dismenorréia se exarceba pelos anteconceptivos hormonais. Em pacientes jovens que não necessitam de anticoncepção ou ainda essa última e contra –indicada é recomendado o uso de drogas inibidoras da síntese ou da ação da prostaglandina representados pelos antiinflamatórios não hormonais. A dismenorréia primária apresenta um bom prognóstico , por ela ser bem controlável pelos procedimentos terapêuticos (BARACAT e cols, 1995).



Fisioterapia

Os exercícios utilizados para o tratamento da dismenorréia na fisioterapia são todos aqueles que podem envolver a região pélvica , utilizando os movimentos de inclinação pélvica anterior e posterior , as rotações para frente e para trás e as inclinações laterais ( pelve elevada e deprimida). Podendo ser realizados de inúmeras formas, tais como : decúbito, agachada ,em ortostase; utilizando materiais de auxílio , como as bolas suíças . Há também uma atenção aos alongamentos e a respiração (CARDOSO e LEME,2003).
Alguns profissionais defendem a massoterapia ( em membros inferiores para melhorar o retorno venoso e lombar para aliviar a lombalgia) associado a cinesioterapia ativa para fortalecimento da musculatura abdominal e lombar . Um outro recurso para alívio da dor é a eletroterapia , os mais indicados são o TENS e a corrente interferencial(BASS, 2001).


Discussão

Conforme revisado na literatura , verifica-se que a cólica não interferirá somente no desempenho pessoal de cada mulher , mas também na sociedade como um todo , a respeito da influência sócio- econômica desta questão (CARDOSO e LEME,2003).
A maioria das mulheres fazem uso de medicação para melhorar o desconforto sentido . Talvez , este fato, possa mascarar os dados quanto à intensidade da cólica , sua provável diminuição e seu tempo de permanência. O fator emocional pode estar relacionado a resposta a menstruação , fazendo com que um processo normal possa assumir características patológicas ; já que é possível que fatores psicogênicos possam modular os sinais noreceptivos periféricos dolorosos, influenciando na resposta à dor (CARDOSO e Leme ,2003).
Muitas mulheres relataram uma redução na intensidade da cólica ,após a realização de atividades físicas que fortalecem a musculatura abdominal e pélvica ( exemplo a dança do ventre), mas há a necessidade de mais estudos sobre o assunto (CARDOSE e LEME,2003).



Conclusão

Na população estudada menos da metade procura o médico para tratar da dismenorréia ou faz uso de técnicas alternativas para trazer alívio para a cólica menstrual . A busca pela fisioterapia não é diferente , por ser recente na área ginecológica .
O caminho mais procurado para o desconforto ainda é o uso de medicações . A fisioterapia é uma alternativa de tratamento em que não se utiliza substâncias químicas ,e sim técnicas manuais , eletro e cinesioterapia .
O estudo considerou o valor real do movimento , sendo um fator importante na diminuição dos sintomas da dismenorréia. Os resultado verificados não se correlacionam à cinesioterapia .
São necessários disposicão e tempo para alcançar este objetivo , os resultados tentem a demonstrar ganhos que não limitam a momentâneos efeitos . 





1- CARDOSO, T.M.S ; LEME , A. N. – A equivalência da dança do ventre à cinesioterapia na terapêutica da dismenorréia primária. 2003

2- BASS, B.L. – Fisioterapia na dismenorréia primária – site www interfisio.com br. 2001.

3- BARACAT, E.C; LIMA , G.R. – Ginecologia Endócrina , Atheneu , 1995.



























Introdução

A úlcera de decúbito é uma lesão causada por forças de compressão na imobilidade do paciente. Podem estar comprometidas a epiderme, a derme e a hipoderme. Ela se forma em pacientes acamados onde a prevenção se torna mais importante do que a cura (CAMPEDELLI; GAIDZINSKI, 1996).
Pode comprometer, também, pacientes terminais devido a imobilidade. A contaminação das escaras podem piorar o estado nutricional e aumentam o risco de sepses (CUNHA e colaboradores, 2000).

Diagnóstico

A causa da úlcera de decúbito é uma compressão de uma área do corpo sobre a superfície do colchão, aparelho gessado ou cadeira , diminuindo o fluxo sangüíneo. Sem fluxo sangüíneo, morrem as células por faltar nutrição e oxigênio (CAMPEDELLI; GAIDZINSKI, 1996).
Ocorre devido a imobilidade, imunodepressão, incontinência urinária e fecal (CUNHA e colaboradores, 2000).

Sinais Clínicos

Eritema; Edema; Anóxia dos tecidos (CAMPEDELLI; GAIDZINSKI, 1996).
As úlceras de pressão podem progredir para :
Estágio I, onde se forma um eritema da pele intacta. Em pessoas de pele mais escura, o calor, a descoloração da pele, o edema, e o endurecimento podem ser também os indicadores.
Estágio II: Ocorre a perda parcial da pele, onde a derme, a epiderme, ou ambos estão envolvidos. A úlcera se apresenta como uma bolha, ou um abrasão.
Estágio III: Ocorre a perda total da espessura da pele, havendo necrose do tecido.
Estágio IV: Ocorre a perda total da espessura da pele, havendo uma destruição extensa, podendo danificar músculos, ossos, tendões (BERGSTROM.N, 1994).

Prevenção

A higiene pessoal tem como objetivos: limpeza, manter a integridade cutâneo mucosa, estimular a circulação e o movimento passivo dos membros e deixar o paciente confortável.

Manter a higiene do paciente, deixando-o livre das impurezas, excreções, secreções e odores contribui para a manutenção da integridade da pele, protegendo-o contra as infecções.
A mudança de decúbito, além de auxiliar na drenagem das secreções, previne escaras que são resultantes da pressão contínua nas proeminências ósseas que estão em contato com o colchão (CAMPEDELLI; GAIDZINSKI, 1996).
A úlcera de decúbito também pode ser evitada usando equipamentos e materiais adequados q aliviam a pressão como travesseiros almofadas de espuma q são usadas para manter as proeminências ósseas longe do contato direto com o colchão, e cuidados com os aspectos nutricionais.
Procurar diminuir os fatores ambientais q podem levar ao ressecamento da pele como: exposição ao frio, umidade baixa (BERGASTROM e colaboradores, 1992).

Tratamento Medicamentoso

Em processo de cicatrização , há necessidade da vitamina C. A vitamina K é outro elemento importante, mas pode causar sangramento interferindo no processo de cicatrização.
A água oxigenada é indicada para remover o tecido que está necrosado, porém, alguns trabalhos dizem que esta solução causa danos para o processo de cicatrização.
O álcool etílico a 70% destrói em cerca de 2 minutos a proteína bacteriana, mas pode causar irritação local.
Quando a infecção está presente, tem se usado apenas água destilada ou soro fisiológico para limpeza.
Algumas pesquisas tem demonstrado que alguns tipos de curativos oclusivos são eficientes:
- Tegarden, Opsite, Tegarden Pouch: produtos formados por filmes adesivos semipermeáveis;
- Granuflex, Dermiflex, Biofilm: ajudam o processo de desbridamento;
- Vigilon, Scherisorb, Geliperm: constituídos de hidrogel;
- Bard, Debrisan, Iodosorb: constituídos de polissacarídeos;
- Lyofoam, Synthaderm, Coraderm: são poliuretanos;
- Duoderm: sua constituição interage com o exsudato, formando um
gel sobre a ferida.
Os curativos mantém a umidade necessária para o crescimento celular (CAMPEDELLI; GAIDZINSKI, 1996).
Existem antibióticos como vasodilatadores, inibidores de serotonina e agentes fibrinolíticos, porém não foi estabelecida para permitir sua recomendação (BERGASTROM e colaboradores, 1992).

Tratamento Fisioterápico

Movimentação Passiva:

A movimentação melhora a circulação do sangue aumentando a oferta de oxigênio para os tecidos, ajudando a evitar contraturas e também prevenindo a formação de úlceras de decúbito.
Deambulação Precoce:

Antes do paciente começar a andar, colocá-lo sentado na beira da cama, com as pernas para baixo, observar se ele possui equilíbrio de tronco e se não sente tontura.
Se o paciente apresentar condições adequadas para deambular, calçá-lo com sapatos, pois dão mais firmeza aos pés (CAMPEDELLI; GAIDZINSKI, 1992).

Terapias Coadjuvantes

Eletroterapia, Infravermelho, Irradiação com Laser de energia baixa, Ultra-Som, ajudam a melhorar o processo de cicatrização (BERGASTROM e colaboradores, 1992).










































REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CAMPEDELLI, M.C & GAIDZINSKI, R.R. Escaras-problemas na hospitalização(1987).

BERGASTROM, N; ALLMAM, RM; CARLSON, CE, et al. Pressure Ulcers in Adults: Predicition an Prevention (May, 1992).

Autor: EDSON COSTA