“VISÕES DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO BRASIL”



Ao contrário do senso comum, os autores desse texto dizem que a Educação de Jovens e Adultos – EJA é um terreno fértil onde podem ser exploradas inúmeras reflexões.

A fim de provar esse pensamento, os autores fazem um panorama político da história da educação no Brasil que começa na década de 40. Nessa época os líderes políticos se deram conta de que a falta de estudo dos adultos poderia refletir de forma negativa na educação das crianças. Sendo assim, iniciou-se algumas campanhas para enfrentar o analfabetismo dos adultos. Infelizmente, essa reflexão não produziu nenhuma proposta metodológica concreta. Isso só viria a acontecer na década de 60 com Paulo Freire, teórico que baseou a educação de adultos no princípio do diálogo e no fato de que os discentes terem consciência da sua condição de sujeitos transformadores da sociedade.
Depois do desaparecimento dessa experiência devido à ditadura dos regimes militares seguintes, o governo federal organizou o Mobral, um programa nacional devidamente financiado que oferecia alfabetização aos adultos. Porém, os números idealizados pelo governo e pelos órgãos internacionais não foi atingido, isso fez com que esse programa também fosse extinto.

Surge, então, a Lei 5692 no ano de 1971 que sobre para oito anos o ensino obrigatório, antes de apenas quatro. Essa lei estabelece uma série de medidas referentes à seriação, à avaliação, presença, entre outros, mas só obriga esse ensino às crianças de sete a 14 anos, excluindo, mais uma vez a Educação de Jovens e Adultos. Logo, o direito da EJA se restringe à Constituição de 1988, com o ensino Supletivo, que já abrangia todo o território nacional.

Com o passar do tempo, notou-se, porém, que o público atendido pelo Supletivo vinha mudando drasticamente. Hoje, os alunos matriculados já não têm um vínculo tão grande com a cultura rural, na verdade, são cada vez mais urbanos e mais jovens e têm um grande vínculo de sobrevicência com o mercado de trabalho. Além disso, a educação supletiva se transformou em um mecanismo de aceleração de estudos para os alunos com baixo desempenho escolar no ensino regular.
Uma medida adotada no governo de Fernando Henrique Cardoso desobrigou a oferta gratuita da EJA. Isso gerou a desobrigação dos Estados de convocar e mobilizar esse público e, assim, reduziu a aplicação de verbas e desestimulou a ampliação de vagas. Na opinião dos autores, essa ação gerou uma desligitimação da Educação de Jovens e Adultos.

Entra aí um argumento que os autores usaram que, na minha opinião, tem muito valor. Eles dizem que “educar os adultos-pais e mães de família e os adultos-comunidade é indispensável para o alcance da própria Educação Básica”. Realmente, quem vai ajudar as crianças a fazerem as tarefas de casa e a estudar? Os pais analfabetos? Claro que não!

É necessário, então, considerar que, para um sujeito exercer uma cidadania pela, é necessário aumentar os níveis dos requisitos formativos, ou seja, é preciso educar cidadão com ferramentas teóricas mais complexas.

Para atender essa questão, é proposto, no presente artigo, algumas idéias. Uma delas é deixar de encarar a EJA como uma compensação da educação básica perdida e sim como uma oportunidade de responder às necessidades formativas que esses alunos têm e terão. Isso, segundo os autores, deve ser feito pelos e para os alunos, gerando a busca pela autonomia. Uma outra medida deve ser basear  a concepção da oferta do EJA em princípios próprios e não a partir dos princípios da educação infantojuvenil e perceber que esse ensino pode ser ofertado em espaços alternativos como empresas, meios de comunicação, organizações comunitárias, entre outros. O ensino também deve ter características próprias, um currículo que atenda às necessidades reais desse aluno. Para isso, são necessárias uma série de medidas referentes à descentralização do sistema de ensino, à flexibilização da organização curricular e ao aperfeiçoamento dos mecanismos de avaliação.

Na maior parte dos casos, esses alunos trabalham e estudam, por isso, o texto apresenta a necessidade de articular momentaneamente a formação escolar com a profissional, visto que no EJA essas necessidades andam juntas.

Para concluir, os autores alegam a importância de se conceber a aprendizagem e a educação como algo contínuo e, portant, deve ser compreendida em sentido amplo. O desinteresse por aprender é, segundo o artigo, um prenúncio da morte. Nesse sentido, é necessário que os governos convoquem a sociedade com o objetivo único de democratizar todo o conhecimento que a humanidade produz


Autor: Maria Anunciacao Souza