A Leitura no Contexto Escolar



O contexto escolar é cenário para a discussão promovida por Ezequiel Theodoro da Silva[1], no texto em questão o autor faz um levantamento a respeito da leitura dentro da sala de aula. Inicialmente, Silva (1988) propõe-se a responder três questionamentos: Por que e para que ensinar leitura? O que ensinar na vertente curricular da leitura? Como ensinar leitura?

Esses questionamentos servem de base para expor as suas colocações sobre como metodologicamente a leitura pode ser ensinada, por exemplo, nas escolas brasileiras. Uma pedagogia atenta ao contexto sócio-histórico do aluno, uma pedagogia que percebe o aluno como sujeito ativo de sua interpretação. Além de vê-lo de maneira singular, mas com capacidade de produzir conhecimento.

Dessa forma, o aluno/leitor poderá fazer uso da leitura em todas as situações de interação. Contrariando assim, aquele pensamento de que a leitura é decodificação de códigos gráficos. Com isso, será possível entender os diferentes tipos de linguagem que circula na sociedade.

Ainda segundo Silva (1988) as práticas de leituras precisam fazer com que esse aluno/leitor transforme seu pensamento e aprimore sua criticidade como indivíduo. Ou seja, de nada adianta promover leituras pelas quais não permitirão que o leitor crie e recrie seu significado, as ações sociais e o seu posicionamento. Então, a metodologia utilizada pelo professor deve formar leitores questionadores, capazes de se situar conscientemente no contexto social e, ao mesmo tempo, capazes de acionar processos de leitura, praticados e aprendidos na escola, no sentido de participar do processo interativo de comunicação.

Para essa pedagogia o autor comenta que:

Se aceitarmos a educação de leitores críticos e criativos como a finalidade primordial dos trabalhos com leitura escolar (...) deveremos verificar as suas implicações na esfera dos conteúdos e das metodologias de leitura (...) a mudança da mentalidade dos professores é condição necessária, mas não suficiente à transformação do trabalho escolar (...).

Falando ainda sobre a produção de sentido e pela autonomia que o aluno pode atribuir na sua leitura através de suas leituras Coracini (2002) chama a atenção para leituras únicas, aquelas em que o aluno prolonga o objetivo do autor, aquela leitura que seu leitor não atribui seu ponto de vista. Por isso, autora reforça a importância dos professores estimularem o aluno para que ele faça uso da inferência e do seu conhecimento prévio. Com isso, o leitor acionaria seus conhecimentos prévios e o confrontaria com as marcas deixadas no texto.

Nessa concepção, para a autora, o bom leitor é aquele que é capaz de percorrer as marcas deixadas pelo autor para chegar à formulação de suas idéias e intenções.

Ainda segundo Silva (1988) o texto é de fundamental importância, pois através do texto o aluno/leitor terá contato com eventos comunicativos presentes na sociedade e, que, por sua vez, retrataram a sua realidade. Para isso, essa significação terá que ser múltipla e variável para que o leitor produza referencias em cima daquilo que faz parte da sua visão de mundo. Mais uma vez, cabe ao professor selecionar e indicar os textos. Contudo, não podemos esquecer que a escola, o professor mantém a idéia de verdade absoluta. Então, é importante filtrar textos que não definem a diferença entre a revelação objetiva da realidade e o que o aluno entende como próprio.

Enfim, para alcançarmos resultados satisfatórios através da aula de leitura todos os processos devem ser reavaliados e consultados. Ou seja, de nada adianta promovermos a inclusão de textos para a leitura, se os textos escolhidos, por exemplo, não fomentam a criticidade e primazia desse leitor como sujeito ativo de sua ação comunicativa. Assim, promoveríamos a supremacia proposta nas instituições para formar e conduzir o aluno/leitor a autonomia de sua leitura e ação.




Autor: Maurício Canuto