DESGLOBALIZAÇÃO PARA UMA NOVA ECONOMIA MUNIDAL



A crise da economia mundial adiciona à pauta do G20 um termo anticapitalismo: a desglobalização. Com os indicadores de integração dos mercados em queda livre, a globalização perde fôlego e ameaça mostrar sua face mais desigual.

O termo desglobalização tornou-se conhecido como uma proposta do economista filipino Walden Bello. Veterano crítico do capitalismo, Bello prega um retrocesso no processo de integração mundial para reduzir a dependência exterior.

Muitos alegam que o avanço tecnológico e a interdependência econômica revolucionaram a tal ponto os meios de produção que tornaram o processo irreversível. Mas os números mostram recuo em três elementos que definem a globalização: o movimento de bens, de capitais e de pessoas.

A crise atual deve impor uma nova ordem econômica global. Para ele, a era da globalização chegou ao fim. Bello disse que a globalização fez com que vários países crescessem rapidamente e ao mesmo tempo durante os anos de boom econômico. Agora todos estão indo para baixo muito rápido também, pois a globalização deixou as economias sem proteção doméstica no caso de um colapso da economia mundial.
Daqui por diante, ele acredita que as economias devem se voltar mais para seus mercados domésticos para conseguir prosperar.

Essa nova situação pode se mostrar difícil para China, segundo ele. "A China tem o foco nas exportações e não será fácil se voltar para a economia doméstica. Já o Brasil tem boas chances de se sair bem se melhorar a qualidade da renda", acrescentou.

O economista disse que no período de globalização o mundo se tornou muito depende do consumo norte-americano. Agora, não somente os EUA não estão conseguindo se recuperar como não há outro país capaz de ocupar essa posição global. Segundo ele, diante dessa nova ordem, os países terão taxas de crescimento mais baixas. "Isso por um lado será bom para o meio ambiente, que foi muito afetado quando os países estavam com taxas altas de crescimento."

A partir de uma análise crítica do trabalho de Walden Bello sobre a desglobalização e uma nova economia mundial foi- se estudado os cenários estratégicos das Nações nos últimos anos.Concluiu-se que as formas sócio-culturais do mundo geraram um processo de transculturação. Diante do caráter complexo e abrangente da modernização na Era do Globalismo, a crise econômica iniciada nos Estados Unidos mostrou-nos a teoria da interdependência nas Nações.

A Interdependência Complexa foi categorizada por Viotti e Kauppi como pertencente à imagem pluralista das Relações Internacionais por possuir vários atores ligados ao mesmo circuito internacinal, ou seja, atores estatais e não estatais são importantes, o Estado não é um ator unitário e suas partes podem agir transnacionalmente, a agenda internacional é composta de diversos temas, como economia e bem estar social, que são tão ou até mais importantes que a Segurança. A Interdependência Complexa favorece a cooperação, tornando possível jogos de soma positiva e a estabilização do Sistema Internacional via instituições internacionais e padrões de conduta que se formam ao longo do tempo.
Ela é o resultado da multiplicação das interconexões globais e da aceleração fluxos financeiros, demográficos, de bens, serviços e de informações. Além disso, os atores que operam esses fluxos são extremamente variados. Organizações intergovernamentais, multinacionais, organizações não governamentais, sociedade civil, dentre outros. Assim, uma vez que os fluxos ocorrem numa intensidade muito grande, com diversos atores interagindo em variados níveis, forma-se uma teia de relações interdependentes. E, como um movimento brusco numa das pontas pode abalar pelo menos boa parte da teia, diz-se que os custos de rompimento são muito altos para os atores.

Obviamente, uma relação de interdependência é uma relação na qual existem atores mutuamente dependentes. Isso não quer dizer que os benefícios e constrangimentos dessa relação sejam simétricos. Na verdade, geralmente as relações são assimétricas e é nesse caso que é possível projetar poder. A diferença, porém, é que agora o poder não é exclusivamente pautado pelo poder bruto, mas sim pela habilidade dos atores em articular os diversos temas em questão para atingir seus objetivos. Trata-se de negociar e de barganhar trazendo à mesa a sua capacidade de abalar a teia internacional.

Por essas razões, num cenário de interdependência, onde há a possibilidade de jogos de soma positiva para a maioria os atores envolvidos, a redução da incerteza é necessária para que os negócios possam se desenvolver com o máximo de eficiência. É aí que está a importância das organizações internacionais. Essas organizações, como a ONU e a OMC, funcionam como um canal no qual os diversos atores (de acordo com o propósito da organização) podem dialogar e harmonizar suas ações para que os impactos advindos de determinadas ações sejam os menores possíveis. Desse modo, a normatização e a formação de padrões de conduta nessas organizações, e mesmo em relações bilaterais, podem constituir éticas internacionais redutoras de incertezas.

Concluindo, a Interdependência Complexa é caracterizada pelo aumento de interconexões e fluxos internacionais, operados por diversos atores, estatais ou não. A interação de diversos temas e atores leva a criação de uma teia interdependente, na qual um abalo numa de suas pontas pode por em risco toda a teia e, portanto, o interesse de outros atores. Nesse sentido, a maneira de se projetar poder é articulando os variados temas nos quais o seu interlocutor é sensível ou vulnerável, fazendo a teia balançar de acordo com seus interesses. Contudo, como ações bruscas (guerras ou embargos, por exemplo) podem por em risco todo o sistema, a Interdependência Complexa favorece a criação de padrões de conduta e de organizações internacionais para facilitar o diálogo e a cooperação, reduzindo incertezas para que os fluxos e interconexões possam se desenvolver com mais eficiência. È imprescindível que haja cooperação entre as Nações para que todo o sistema esteja interligado e buscando crescimento mútuo. Segundo Waklden Bello seria necessário que o sistema fosse desglobalizado e centralizado na supranacionalidade dos paises para que possa existir crescimento, mas nas Relações Internacionais acreditamos que é necessária a cooperação e interdependência entre os povos, sem abrir mão da supranacionalidade para que exista crescimento e um sistema mundial fortificado.


Autor: Claussia Neumann da Cunha