Logística na Agroindústria Sucroalcooleira



LOGÍSTICA NA AGROINDÚSTRIA SUCROALCOOLEIRA

LOGISTICS ON-ALCOHOL AGRIBUSINESS

DOUGLAS MARTINS SANTOS

RESUMO: Depois de anos trabalhando no setor, comecei a perceber a necessidade de literatura instrutiva na área, pois sempre fui uma pessoa muito entusiasmada e curiosa e sempre gostei de me instruir na área do meu trabalho; trabalhei em várias funções e setores, fui Operador de Fiação (NEUMAG)no setor Têxtil e sempre busquei conhecimento na área específica em livros, na web, e pessoais em amigos e superiores que também trabalhavam no setor, lecionei Matemática para o ensino médio e fundamental, fui supervisor no IBGE e sempre que tinha dúvidas procurava e encontrava uma vasta quantidade de conhecimentos seja em bons livros, publicações do SENAI, ou mesmo na web, assim sempre estava em plena atualização e aperfeiçoamento.

Após algum tempo lecionando, percebi que não era isto que queria para mim e fui procurar outra profissão, conversei com alguns conhecidos e amigos “Pois a network e o conhecimento são imprescindíveis para se adquirir uma boa colocação no mercado de trabalho hoje” e um amigo disse que iria me colocar como Fiscal Agropecuário, pensava eu: está tudo certo! Porém não foi isto que ocorreu, ao chegar lá constatei que a vaga já fora preenchida e só havia vaga de Noteiro (um tipo de apontador registrado como trabalhador rural), porém isto não me desanimou, aceitei o emprego e comecei a trabalhar entusiasmado. Poderia ter pensado como pode eu sendo um professor de matemática agora trabalhando na roça como noteiro?! Poderia até ter desanimado, mas eu estava decidido a mudar de profissão e com muito entusiasmo. Iniciei o trabalho muito feliz, pois nunca havia estado em uma lavoura ou plantação antes e tudo era novo para mim, encarei com muita alegria o meu novo trabalho, apesar da função, o salário era excelente e a empresa não era outra se não o maior grupo sucroalcooleiro do continente o grupo COSAN que muito contribuiu para minha formação e conhecimento; falava para meus companheiros que estaria ali por pouco tempo e eles riam e diziam que estavam esperando a oportunidade ali há anos; mas eu conseguia fazer o meu trabalho com alegria e entusiasmo assim mesmo, e comecei a pesquisar a área e estudar, estudar muito adquirindo um conhecimento técnico avançado, e após três meses fui exercer a profissão de Fiscal concorrendo com técnicos e profissionais experientes da área durante toda a minha estadia exercendo a função de Fiscal na Mecanização Agrícola do Plantio de cana-de-açúcar, pois foi neste ano que se iniciou o Plantio Mecanizado na Unidade GASA, eu consultei uma infinidade de bibliografias ótimas sobre plantio, variedades, colheitas, e todos os assuntos relacionados à lavoura de cana, e não se esgota o conhecimento impresso e via web que temos hoje disponível; aprendi muito não só estudando e pesquisando como também com a equipe de profissionais que me cercava, Jamais esquecerei o Srs. Adeildo Cerqueira Cavalcante, José Roberto Nascimento, Mauro Nobuo meu Supervisor e melhor professor que já conheci, Tadeu Aparecido Alfinete um grande amigo, Davi Padilha e em um lugar especial no peito meu amigo Paulo Eduardo Nobre Crespo que Também Fora meu Supervisor; estes profissionais me auxiliaram em todos os momentos e agradeço a Deus por ter conhecido pessoas tão importantes e boas como estas; gostei muito de trabalhar no setor, então decidi estudar na UNIGRAN e me matriculei no curso Tecnológico em Agropecuária e fui muito bem pois quando a gente faz o que gosta tudo fica mais fácil não é verdade? Contudo fui transferido para trabalhar no Transporte como Controlador de Tráfego Chegando a exercer a função de Líder de turno e foi aí que comecei a perceber a falta de conteúdo para pesquisa, pois quando procurava bibliografias sobre Logística e Transporte encontrava uma ampla quantidade de materiais mais quase nenhum direcionado ao setor sucroalcooleiro especialmente destinado ao corte carregamento e transporte de matéria prima, menos ainda se mencionarmos planejamento estratégico de transporte, daí surgiu a idéia de acumular conhecimento, trocar experiências e ajuntar material para a criação desta obra, usando uma linguagem simples e bem popular para alcançar principalmente aqueles que sem muita formação buscam conhecimento, posso dizer àqueles profissionais que fazem a diferença os quais eu dedico toda esta obra e espero que seja muito proveitosa em vossa jornada profissional.

Douglas Martins Santos

ABSTRACT: After years of working in the industry, I began to realize the need for instructional literature in the area because I have always been a very enthusiastic and curious and always liked to get an education in the area of my work, I worked in various roles and sectors, I Operator Wiring (NEUMAG) in the textile and always sought knowledge in specific books, web, and personal friends and superiors who also worked in the industry, I taught mathematics for elementary and high school, I was supervisor in the IBGE and whenever I had questions sought and found a vast amount of knowledge is in good books, SENAI, or even the web, so was always in the middle of updating and improvement.

After some time teaching, I realized that this was not what I wanted for myself and went looking for another profession, I talked to some acquaintances and friends "For the network and knowledge are essential to get good placement in the job market today and a friend said that would put me as Agricultural Tax, I thought: it's all right! But this is not what happened, when I got there I found that the vacancy had been filled and there was only pointing wave (a type of pointer registered as rural workers), but is not discouraged me, I accepted the job and began to work enthusiastically. Could have thought how can I be a math teacher now working in the fields as pointing?! It might have discouraged, but I was determined to change his profession and with much enthusiasm. I started working very happy because I had never been on a farm or plantation before and everything was new to me, faced with great joy my new job, although the function, the pay was excellent and the company was nothing if not the largest group the alcohol group Cosan continent that has contributed to my education and knowledge; spoke to my mates who would be there for awhile and they laughed and said they were waiting for the opportunity there for years, but I could do my work with joy and enthusiasm anyway, and I began to search the area for study, study hard, acquiring advanced technical knowledge, and after three months I was practicing the profession of tax competition with technical and experienced professionals in the area throughout my time exercising the function of Tax in the Mechanization Agricultural Planting of cane sugar, it was this year that began on Mechanized Planting Unit GASA, I consulted a host of excellent bibliographies on planting, varieties, crops, and all matters related to sugar cane farming, not exhausted the knowledge and printed via the web that we have available today, learned a lot not only studying and researching as well as the professionals around me, I will never forget Mr Cerqueira Adeildo Cavalcante, José Roberto Nascimento, Mauro Nobuo my supervisor and better teacher I've ever met, Tadeu Aparecido Alfinete a close friend, David Padilha and a special place in my breast friend Paulo Eduardo Nobre Crespo who was also my supervisor, these professionals helped me at all times and I thank God for having known such people important and good as these, I enjoyed working in the industry, so I decided to study in UNIGRAN and enrolled in the course in Agricultural Technology and went very well because when we do what they like everything is easier is not it? However I was transferred to work in the Transportation and Traffic Controller Coming to act as shift leader and that's when I began to realize the lack of content to search for when looking for bibliographies on Logistics and Transportation was a large amount of materials that are almost directed to any alcohol sector especially designed to cut loading and transportation of raw materials, even less if you mention the strategic planning of transport, hence the idea of accumulating knowledge, exchange experiences and gather material for the creation of this work, using simple language and well popular to achieve especially those without much training, seek knowledge, I can say to those professionals who make a difference which I dedicate all this work and hope it will be very useful in your professional journey.

Douglas Martins Santos

CAPÍTULO I

CONCEITOS PRIMORDIAIS

Logística

Uma coisa muito comum no meio operacional é a confusão da definição de Logística, O que é logística? Ela está relacionada a quê? A maioria das pessoas relaciona logística ao transporte, mas a definição de logística vai muito mais além, podemos dizer que logística é a área da Administração responsável por providenciar recursos, equipamentos, informações e tecnologias para a execução de todas as atividades de uma empresa.

A logística é composta pelo Transporte, Movimentação de Materiais, Armazenagem, Processamento de Pedidos e Gerenciamento de informações, ainda podemos ver a definição de logística do ponto de vista formal segundo Council of Supply Chain Management Professionals, "Logística é a parte do Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento que planeja, implementa e controla o fluxo e armazenamento eficiente e econômico de matérias-primas, materiais semi-acabados e produtos acabados, bem como as informações a eles relativas, desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o propósito de atender às exigências dos clientes" (Carvalho, 2002, p. 31).

Uma das principais ferramentas da logística é o WMS, Warehouse Management System, em português - literalmente: Sistema de Automação e Gerenciamento de depósitos, armazéns e linhas de produção. O WMS é uma parte importante da cadeia de suprimentos (ou supply chain) e fornece a rotação dirigida de estoques, diretivas inteligentes de picking (O picking, também conhecido por order picking (separação e preparação de pedidos), consiste na recolha em armazém de certos produtos (podendo ser diferentes em categoria e quantidades), face a pedido de um cliente, de forma a satisfazer o mesmo (Rodrigues, 2007).), consolidação automática e cross-docking (O cross docking é um processo de distribuição onde a mercadoria recebida é redirecionada sem uma armazenagem prévia. Tudo isto faz diminuir o tempo e o throughput time tem tendência a ser diminuído. ) para maximizar o uso do valioso espaço do armazéns. Iremos encontrar em logística, muitas palavras em inglês, porém não se preocupe, com o tempo você irá se acostumar com tais termos, e melhor ainda irá usá-los em uma linguagem bem mais fácil e acessível, mas isto não quer dizer que um bom profissional não deve conhecer os termos, muito menos não estudar inglês, pois hoje é imprescindível sabermos ao menos o básico de inglês e espanhol, pois num mercado competitivo e cheio de oportunidades como encontramos hoje estes conhecimentos são diferenciais na concorrência a uma ótima vaga no mercado de trabalho.

História

Desde os tempos bíblicos, os líderes militares já se utilizavam da logística. As guerras eram longas e geralmente distantes e eram necessários grandes e constantes deslocamentos de recursos. Para transportar as tropas, armamentos e carros de guerra pesados aos locais de combate eram necessários o planejamento, organização e execução de tarefas logísticas, que envolviam a definição de uma rota; nem sempre a mais curta, pois era necessário ter uma fonte de água potável próxima, transporte, armazenagem e distribuição de equipamentos e suprimentos. Na antiga Grécia, Roma e no Império Bizantino, os militares com o título de Logistikas eram os responsáveis por garantir recursos e suprimentos para a guerra. Carl Von Clausewitz dividia a Arte da Guerra em dois ramos: a tática e a estratégia. Não falava especificamente da logística, porém reconheceu que "em nossos dias, existe na guerra um grande número de atividades que a sustentam, que devem ser consideradas como uma preparação para esta".

É a Antoine-Henri Jomini, ou Jomini, contemporâneo de Clausewitz, que se deve, pela primeira vez, o uso da palavra "logística", definindo-a como "a ação que conduz à preparação e sustentação das campanhas", enquadrando-a como "a ciência dos detalhes dentro dos Estados-Maiores".

Em 1888, o Tenente Rogers introduziu a Logística, como matéria, na Escola de Guerra Naval dos Estados Unidos da América. Entretanto, demorou algum tempo para que estes conceitos se desenvolvessem na literatura militar. A realidade é que, até a 1ª Guerra Mundial, raramente aparecia a palavra Logística, empregando-se normalmente termos tais como Administração,Organização e Economia de Guerra. A verdadeira tomada de consciência da logística como ciência teve sua origem nas teorias criadas e desenvolvidas pelo Tenente-Coronel Thorpe, do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos da América que, no ano de 1917, publicou o livro "Logística Pura: a ciência da preparação para a guerra". Segundo Thorpe, a estratégia e a tática proporcionam o esquema da condução das operações militares, enquanto a logística proporciona os meios". Assim, pela primeira vez, a logística situa-se no mesmo nível da estratégia e da tática dentro da Arte da Guerra. O Almirante Henry Eccles, em 1945, ao encontrar a obra de Thorpe empoeirada nas estantes da biblioteca da Escola de Guerra Naval, em Newport, comentou que, se os EUA seguissem seus ensinamentos teriam economizado milhões de dólares na condução da 2ª Guerra Mundial. Eccles, Chefe da Divisão de Logística do Almirante Chester Nimitz, na Campanha do Pacífico, foi um dos primeiros estudiosos da Logística Militar, sendo considerado como o "pai da logística moderna" Até o fim da Segunda Guerra Mundial a Logística esteve associada apenas às atividades militares. Após este período, com o avanço tecnológico e a necessidade de suprir os locais destruídos pela guerra, a logística passou também a ser adotada pelas organizações e empresas civis.

Desenvolvimento

As novas exigências para a atividade logística no mundo passam pelo maior controle e identificação de oportunidades de redução de custos, redução nos prazos de entrega e aumento da qualidade no cumprimento do prazo, disponibilidade constante dos produtos, programação das entregas, facilidade na gestão dos pedidos e flexibilização da fabricação, análises de longo prazo com incrementos em inovação tecnológica, novas metodologias de custeio, novas ferramentas para redefinição de processos e adequação dos negócios. Apesar dessa evolução, até a década de 40 havia poucos estudos e publicações sobre o tema. A partir dos anos 50 e 60, as empresas começaram a se preocupar com a satisfação do cliente. Foi então que surgiu o conceito de logística empresarial, motivado por uma nova atitude do consumidor. Os anos 70 assistem à consolidação dos conceitos como o MRP (Material Requirements Planning).

Após os anos 80, a logística passa a ter realmente um desenvolvimento revolucionário, empurrado pelas demandas ocasionadas pela globalização, pela alteração da economia mundial e pelo grande uso de computadores na administração. Nesse novo contexto da economia globalizada, as empresas passam a competir em nível mundial, mesmo dentro de seu território local, sendo obrigadas a passar de moldes multinacionais de operações para moldes mundiais de operação.

Atividades Envolvidas

A logística é dividida em dois tipos de atividades - as principais e as secundárias (Carvalho, 2002, p. 37):

Principais: Transportes, Manutenção de Estoques, Processamento de Pedidos.

Secundárias: Armazenagem, Manuseio de materiais, Embalagem, Suprimentos, Planejamento e Sistema de informação.

Nesta trataremos apenas de transportes de cargas, pois a definição transporte abrange uma área enorme, desde transporte de pessoas para a lavoura até o transporte de equipamentos menores como peças para reposição em manutenções mecânica.

CAPÍTULO II

CONCEITOS A SER ASSIMILADOS E REFLETIDOS

No setor sucroalcooleiro especificamente na parte agrícola, podemos exemplificar todo o transporte usando um fluxograma, porém quanto mais estudamos o transporte, mais podemos distinguir os seus tendões de Aquiles, e visualizar partes que até então não eram classificadas como integrante do transporte de matéria prima (Cana-de-açúcar).

Por meses tentei tratar de Corte Carregamento e Transporte (CCT) sem destacar a manutenção, mas é impossível excluir o setor manutenção da cadeia de transporte, pois todo o processo de transporte de Matéria Prima (MP) é diretamente dependente da perfeita organização, distribuição e especialização da Manutenção, e digo isto não apenas por especulação, mas por anos vivenciando experiências no setor. Observando o quadro acima podemos notar a seta da manutenção para a lavoura, isto é contínuo, pois todos os anos na entressafra há a manutenção de todos os equipamento que partem do local de manutenção para a lavoura em caminhões Prancha ou outro tipo de transporte, e esta manutenção preventiva e corretiva feita na entressafra vai determinar o bom, ou mal início, meio e fim da safra; Na lavoura encontramos na maioria das vezes em um transporte organizado uma comissão de manutenção e apoio que, “geralmente NÃO FUNCIONA”, mas porquê afirmo isto? Porquê não há como montarmos um almoxarifado em plena lavoura, uma vez que constantemente a as Frentes de trabalho (ou Blocos como é chamado em outros tipos de Lavouras tais como eucalipto etc.) trocam de locais, isto é todos os equipamentos e maquinário migram constantemente, e às vezes para locais de dificílimo acesso, encontrei casos de caminhões e equipamentos terem que atravessa córregos para se chegar a um novo local de colheita, e esta dificuldade de acesso reflete em atrasos e prejuízos para o setor, pois em se tratando de Transporte tempo é dinheiro, Imaginamos um exemplo: Uma máquina Colheitadeira estoura uma mangueira, para trocar esta mangueira gasta-se apenas 10 minutos, mas não há este tipo de mangueira no Caminhão Oficina e termos que contatar o Controle ou a Central de Manutenção para agilização e transporte desta mangueira até a frente de Colheita, neste Pequeno exemplo podemos destacar algumas qualidades fundamentais e imprescindíveis que deve existir em um Controlador ou em qualquer funcionário que esteja envolvido no Transporte. Observe:

Para contatar a necessidade da mangueira o Encarregado da frente de Colheita vai se utilizar da Comunicação. Esta por muitas vezes é ruim ou irregular pois, a mesma é feita geralmente através de Rádios e pode ser dificultada por Interferências, Logo a pessoa do outro lado do rádio deve ser atenciosa responsável e sempre procurar conhecer o setor como um todo, para poder intermediar possíveis problemas de comunicação, deve conhecer todos os padrões de conversação em rádio e procurar sempre solucionar o problema. O Controle geralmente acaba intermediando todas as atividades relacionadas ao transporte, manutenção, distribuição e verificação de informações. O funcionário vale o que ele consegue resolver, não são poucos os colaboradores que por não se tratar de algo de sua competência abandonam o problema “pois pensam não é problema meu” que por muitas vezes é mais difícil para o responsável do que para ele próprio resolver, e isso acarreta atrasos e prejuízos em toda a cadeia de transporte.

Todos os funcionários envolvidos no transporte devem conhecer bem o setor e a empresa para qual vende sua força de trabalho, pois em uma situação como esta citada, devemos saber com convicção quem é responsável por qual setor, e aquém devemos acionar logo é necessário Conhecimento. Conhecer bem a chefia e os responsáveis para saber a quem recorrer em um momento de urgência, pois toda a vez que um equipamento para na lavoura há aí uma emergência, pois uma colheitadeira hoje custa mais de um milhão de reais, e toda vez que ela para, ela deixa de produzir trazendo conseqüentemente prejuízos para empresa, Certa vez estava estudando sobre peças e manutenções de colheitadeiras, e meu superior imediato disse o que fazia, pois conhecer as peças básicas e os funcionamento de colheitadeiras e tratores, não tinham nada a ver com a minha função de controlador de tráfego; Ele estava completamente enganado, pois aprendi com um supervisor meu o Sr. Mauro Nobuo e com Gerente amigo meu Helder Bassaglia que conhecimento na área de atuação é obrigatoriedade, mas nas áreas correlacionadas é riqueza de conhecimento, por isso que com poucos meses trabalhando de fiscal de mecanização agrícola eu já entendia de quase todas as manutenções da plantadeira que utilizávamos e sempre que quebrava algo eu já acionava a manutenção especificando o quê e aonde estava o problema, Pois não tínhamos um caminhão oficina disponível, Também na entressafra me dedicava a auxiliar na oficina caso não houvesse outro trabalho para se fazer.

Outra qualidade importante é a Pró Atividade . O que seria pró atividade? O profissional proativo é aquele que se antecipa às situações. Ele tem conhecimentos sobre sua área de atuação, sabe como seus colegas trabalham e aproveita para adquirir experiências com eles, mesmo não tendo muito tempo. Ou seja, o proativo tenta, em todas as situações, adquirir o máximo de conhecimentos (muitas vezes inconscientemente), o que lhe permite antecipar-se aos fatos. Mas o que seria Pró Atividade afinal? Sabemos que ela até já deixou de ser uma qualidade para elevar-se ao grau de virtude. Todos crêem que são pró ativos, mas na realidade muitos confundem o conceito. Há os que pensam que ser pró ativo é ter iniciativa; Outros, que é a orientação pela ação rápida. Vamos colocar os "pingos nos is". Um dos significados do prefixo "pró" significa antecipação, algo que acontece antes. A pessoa pró ativa está sempre se antecipando aos acontecimentos, fazendo até mesmo alguma espécie de previsão para poder atuar de uma determinada forma planejada. Logo, a pró atividade não é sair queimando pneu e agir de qualquer maneira. É necessária uma análise do contexto, identificação e seleção de alternativas e imaginação dos resultados de cada cenário. Isto leva algum tempo. Claro que nunca se tem certeza do que poderá acontecer, mas, com um bom planejamento, maximizamos as chances de sucesso. Então ser pró ativo significa tomar a iniciativa? Também, mas não apenas isso. A iniciativa por si só é uma reação, e não uma ação. Quando adicionamos a esta um questionamento positivo do processo, além do planejamento, então chegamos à pró atividade. Pensando um pouco além, este questionamento positivo é a base para toda mudança que pode ocorrer em referência a algum assunto. Iniciativa pode levar a mudanças, mas de maneira inconsistente. Questionamento positivo e planejamento sem a iniciativa da execução não passam de sonhos num pedaço de papel. A pró atividade é quase a própria mudança (quase porque, em alguns casos, a mudança, num contexto macro, normalmente ocorre sem planejamento, e muito rapidamente) uma vez que é a soma da iniciativa com o questionamento positivo e com o planejamento. Some-se a ela a criatividade, e vamos chegar à inovação. Criatividade sem pró atividade não passa de um monte de idéias que podem ser ou não ser úteis. Pró atividade sem criatividade resultará em mudança de pouco ou curto impacto. Mudanças que valem a pena começam com certa dose de criatividade. A estas mudanças dá-se o nome de inovação.

Como expressado pelo Célebre Alfredo Posse Lago

PRÓ ATIVIDADE = INICIATIVA + QUESTIONAMENTO POSITIVO + PLANEJAMENTO

INOVAÇÃO = PRÓ ATIVIDADE + CRIATIVIDADE

Logo pró atividade é uma virtude que deve estar presente no dia a dia de todo funcionário que almeja chegar à posição gerencial e administrativa de uma empresa, a pró atividade deve ser pré requisito na seleção e contratação de funcionários, depois de ler todo este parágrafo pense e pergunte para si mesmo: Eu sou Pró Ativo? Consigo melhorar? Posso chegar mais longe?

Podemos agora retomar o assunto da reposição da mangueira da colheitadeira, como vimos se o funcionário tiver uma excelente comunicação ele irá saber receber e passar informações com precisão, se ele tiver também conhecimento e for pró ativo ele irá contatar a pessoa certa e resolver o problema da manutenção agilizando o envio da mesma para a lavoura, mas e o trabalho dele neste meio tempo? Se for um controlador de tráfego como estará a frota nestes 10 minutos perdidos para resolver o problema? Ele saberá quantos caminhões chegaram? Quantos saíram? Para onde foram? Além de todas as qualidades o funcionário deverá ser RESPONSÁVEL e EFICIENTE pois de nada adianta resolvermos trabalho dos outros e não fazermos o nosso com a mesma dedicação e afinco, isto ocorre com uma freqüência enorme em uma gama de empresas e as vezes faz com que a chefia ao invés de enxergar qualidade, venha a perceber um defeito horrível de se encontrar em um colaborador, logo como conceituado pelo professor Msc Alexandre Portela Barbosa Eficiência significa fazer um trabalho correto, sem erros e de boa qualidade. Eficácia é fazer um trabalho que atinja totalmente um resultado esperado, Eficiência é fazer alguma coisa correta, Eficácia é fazer um trabalho que atinja plenamente um resultado que se espera. É fazer "a coisa certa", ou seja, a coisa que leve ao resultado almejado.

Retomando o que vimos até aqui: Todo o Processo de transporte depende diretamente do bom gerenciamento e administração da manutenção, também depende da capacidade dos colaboradores envolvidos que devem ter qualidade, ou melhor, virtudes como: Boa Comunicação, Conhecimento da Empresa, Pró Atividade, Eficiência e Responsabilidade, e isto deve ser expandido a todos os colaboradores envolvidos no transporte a exemplo de motoristas, auxiliares, controladores, encarregados, operadores, e não vou deixar passa em branco os Coordenadores, Gerentes e Administradores.

Agora podemos sair da manutenção e começar a entender a organização na lavoura. No campo encontramos uma variedade de colaboradores com funções específicas administrados por um Fiscal ou Encarregado que organiza, orienta e estabelece as metas a serem alcançadas em cada turno, além de responder diretamente pela frente de colheita e pelo seu bom andamento. Este fiscal deve ter por obrigação conhecimento ou experiência elevada em estatística, deve dominar as ferramentas operacionais e administrativas, tendo maior responsabilidade que o supervisor, não quero que confunda responsabilidade com hierarquia, pois o responsável pela frente responde a um supervisor acima dele; quando falo responsabilidade é que o responsável pela frente deve dominar todo o processo de operação e manutenção dos equipamentos sob sua responsabilidade, deve ter conhecimentos gerenciais e estratégicos de administração de empresas, deve ter um conhecimento avançado ou no mínimo básico de estatística , meteorologia e agronomia. Meu Deus o que é isso!? Você pode perguntar: Onde encontrarei um profissional com estas qualificações, quero dizer aqui que me refiro à CONHECIMENTOS e isto não quer dizer que todo responsável por uma frente de CCT deve ser especialista nestes assuntos, porém se for, sorte a de quem o contratar! Pois para minha satisfação eu fui testemunha de uma cena que nunca consegui esquecer. Certa vez visitando meus tios em uma fazenda, fui testemunha ocular de um acontecimento um tanto estranho, uma vaca prenha havia perdido a cria e fazia já dias e o feto havia inchado dentro dela, chamou-se o veterinário e o mesmo não realizou a cirurgia pelo fato de não constar com ambiente específico para realizar ali uma cesariana; Um funcionário pegou um estilete amarrou na mão entre os dedos, esterilizou o conjunto mãos luvas e estilete e introduziu dentro da vaca, o que ocorreu lá dentro eu não sei, só sei que ele cortou e retirou as paletas, depois os quartos, e depois o resto do corpo do feto, admirado perguntei como seria isto possível, ele disse era simples apenas o segredo estava na posição do estilete na mão que após cortar a parte do feto tocava-lhe o dedo inferior protegendo assim de cortar qualquer parte interna da vaca. Este funcionário não era veterinário, não era técnico, nem tinha o ensino médio, apenas nascera e fora criado cuidando de bois e vacas, não quero dizer com isto que não há a necessidade de estudar e buscar conhecimento, mas quero dizer que o que traz o conhecimento maior e específico é a prática. O responsável pela frente de Colheita deve antes de tudo conhecer o processo de corte, carregamento e transporte, conhecer os tendões de Aquiles do setor, deve entender as situações adversas encontradas no decorrer da safra, identificá-las, organizá-las e estudar os seus efeitos no decorrer da colheita, conheci um fiscal que trabalhava comigo que trazia estas anotações e tinha uma estimativa de quanto seria a redução da produção em caso de chuva destacado o efeito de mm/m², creio que em três anos ou mais de empresa ele teria informações que eram desconhecidas até pelo Centro meteorológico da mesma, não em informações mais em detalhes, este conhecimento é de suma importância, uma vez que um profissional com experiência em campo já passou por muito mais situações destas, que aqueles que começaram no setor recentemente “incluindo-me nesta categoria, pois estou começando”. A observação e a anotações de determinadas informações são preciosidades, e elas são únicas, pois cada operador de máquina tem uma experiência e praticidade diferentes, logo o encarregado da frente deve conhecer a sua CP ( capacidade de produção), não são poucos os encarregados ou fiscais que não sabem o tempo de carregamento da frente de sua responsabilidade, não sabem dar uma estimativa de entrega, de quantas toneladas ou mesmo caminhões a frente irá entregar por hora, a maioria não sabe se adiantar passando informações no início do turno das dificuldades que a frente irá enfrentar, preparando o controle de tráfego para uma possível redução na produção de uma frente, que obrigatoriamente deverá ser suprida por outra frente, a frente de transporte e controle de tráfego deve trabalhar em sincronia, a função mais importante do transporte é o encarregado de tráfego e os controladores, mas estes se não agirem em sincronia com as frentes de colheita, além de dar prejuízos significativos para a empresa, ainda irão atrapalhar o trabalho de profissionais competentíssimos como os encarregados e fiscais das frentes de colheita, estes conhecimentos básicos, pois considero básico até demais, serão tratados detalhadamente no capítulo de qualidade de matéria prima. Outro assunto que deve ser tratado também e a importância de os motoristas, os operadores e todos envolvidos em qualquer atividade, notificar o controle de imediato sobre qualquer parada, ou defeito em equipamentos, pois acontece com freqüência de motorista estar com caminhões quebrados, ou com defeito nas frentes de colheita e permanecerem na mesma sem notificar a controle, às vezes por um turno inteiro, lugar de equipamento com defeito ou quebrado é na oficina, e não na frente de colheita atrapalhando o corte e carregamento nem na beira da estrada atrapalhando o tráfego, uma maneira eficiente de se reduzir este tipo de deficiência (bem comum), é colocar os próprios motoristas para identificar e comunicar este tipo de irregularidade ao controle.

CAPÍTULO III

TRANSPORTE DA CANA-DE-AÇÚCAR

O sincronismo entre a lavoura (Setor Agrícola) e a Indústria, no momento da retirada da cana da lavoura até o recebimento na usina, é o fator de maior peso responsável pelo o aumento ou a redução do custo de produção. Motivo este que, faz necessária a utilização de meios de transportes eficientes. Os tipos e subtipos de transportes utilizados no Brasil são rodoviários (em sua maioria), ferroviário (em apenas algumas regiões), e hidroviário (bem pouco utilizado).

No transporte rodoviário são utilizados: Tração animal (em algumas regiões do Brasil com declividade do terreno elevada, principalmente em algumas regiões do nordeste; Tratores com carretas (geralmente em áreas próximas á indústria, ou mesmo dentro das propriedades industriais) e Caminhões usados com maior freqüência e eficiência. Dependendo do conjunto utilizado pode se transportar de 20t à 60 t de cana por viagem.“ valor este que pode ser variável devido a fatores como variedade, idade do corte, tipo de colheita etc.” Iremos tratar do transporte com caminhões uma vez que este é o mais utilizado.

Para o transporte de matéria prima utiliza-se caminhões com dois eixos que transportam em média 10t de cana e com 3 eixos que transportam em média 15t de cana, reboques tracionados por caminhão ou trator, segue abaixo figuras de conjuntos usados no transporte rodoviário da cana-de-açúcar.

Caminhão Trucado

Caminhão Trucado+Reboque ou Romeu & Julieta

Caminhão trator+Semi-reboque ou Cavalo+Semi-reboque

Treminhão

Rodotrem

Bitrem

CUSTOS DO TRANSPORTE

Estudos realizados sobre colheita de cana-de-açúcar na comparação de subsistemas de corte, que o corte mecanizado possui uma vantagem diferencial (custo/t) em relação ao corte manual para áreas com produtividade acima de 50t/ha. Saber os cálculos dos valores horários das máquinas é fundamental no planejamento das operações e no dimensionamento do transporte no sistema mecanizado. As despesas do conjunto por unidade de tempo é chamada de Custo-hora ou Custo Horário Total (Cht) e é composto pelos custos fixos (Chf) e custos variáveis (Chv) .

Custos fixos (Chf) são aqueles que não dependem do tempo de uso, nem do estado de conservação das máquinas, sendo assim as despesas geradas pela compra da máquina (depreciação da mesma, juros sobre o capital, seguro, impostos, taxas e alojamento).

Custos Variáveis(Chv) são aqueles dependentes do uso da máquina assim como reparos e manutenções, combustível, salário dos operadores; isto é variam de acordo com o uso da mesma.

Segundo Pereira (2003) o custo fixo pode ser calculado usando a equação abaixo,

Logo podemos ver que em um ano, o custo de propriedade é fixo, mas se considerarmos as horas de uso ele é variável porque depende do tempo de uso anual do equipamento. Assim, o planejamento das operações agrícolas e o dimensionamento do sistema mecanizado devem ser adequados não só em número, mas também na capacidade buscado maximizar o tempo de uso anual do equipamento. Uma máquina ou um conjunto subutilizado com poucas horas de uso anual, pode representar um pesado ônus financeiro para a empresa.

O valor final do equipamento (VF) varia por região, estado de conservação, entre outros tantos fatores, mas notamos valores padrões entre 10% a 20% do valor inicial; o valor de alojamentos, seguros e taxas (Alst) costumam ser 1% do valor inicial; o custo do combustível (Cc) é igual ao produto do fator de consumo específico para motores diesel (Fce) pela potência do motor do equipamento (Pm) pelo preço de custo do litro do óleo diesel (Pc), logo Cc=Fce.Pm.Pc , onde Fce=0,12L/cv.h, Pm é medido em cv e Pc é o valor do litro de diesel em R$, Segundo Pereira o custo de óleo lubrificantes fica estabelecido em 15% do consumo de combustível, logo o coeficiente 1,15 da equação II deve-se a soma do custo de combustível e de óleo lubrificante.

O cálculo do custo variável foi realizado de acordo com a equação abaixo.

EQUIPAMENTOFATOR DE REPARO E MANUTENÇÃO Frm

Trator Agrícola 2x4 TDA 1,00

Trator Agrícola 4x4 ou de Esteira 0,80

Semeadora0,75

Pulverizador, Grade e Arado0,60

Colhedora automotriz0,40

(Tabela I) Nesta tabela encontramos os fatores de manutenção e reparos. ASAE ( American Society of Agricultural Engineering) 1998.

EQUIPAMENTOTEMPO DE VIDA ÚTIL ESTIMADO HFATOR DE REPARO E MANUTENÇÃO Frm

Trator Agrícola 2x4 TDA 12.0001,00

Trator Agrícola 4x4 ou de Esteira 16.0000,80

Semeadora1.5000,75

Pulverizador, Grade e Arado2.0000,60

Colhedora automotriz3.0000,40

(Tabela II) Nesta tabela encontramos os fatores de tempo de vida útil estimado. ASAE (American Society of Agricultural Engineering) 1998.

Observe que na tabela o valor é constante para a manutenção e reparos, que pode ser utilizado para fins de Planejamento, contudo estes valores não correspondem à realidade na prática, quando observa-se as despesas no decorrer da vida útil do equipamento.

Para encontrarmos o Custo Horário Total efetuamos apenas a somatória da equação I com a II chegando à equação 3descrita abaixo.

Cht = Chf+Chv

Se o Planejamento e o desenvolvimento das operações de transporte e colheita mecanizada forem mal feito, ou algo de vital importância for desconsiderado, isto poderá acarretar um custo adicional de pontualidade, vivenciamos no dia a dia da colheita mecanizada que um excesso de máquinas em número ou Capacidade resultará num custo fixo adicional, que não será compensado pelo eventual ganho de pontualidade adquirido pela redução do tempo de operação evitando assim a redução das perdas de produtividade devido às incertezas climáticas. Com tudo uma falta de capacidade poderá resultar em perdas de produtividade devido ao atraso na conclusão no intervalo de tempo ótimo, logo o Planejamento deve buscar um dimensionamento equilibrado do Sistema.

CAPÍTULO III

QUALIDADE DA MATÉRIA PRIMA

Assim como nos outros segmentos a logística não é só responsável pelo eficiente transporte e armazenamento, ela abrange outros segmentos e responsabilidades, e por este motivo vamos conhecer neste capítulo as exigências de qualidade na matéria prima, e os fatores que colaboram para a redução e maximização da qualidade, além dos efeitos desta nos processos industriais, pois de nada adianta minimizar os custos com corte, carregamento e transporte eficiente, se a matéria prima transportada não possui qualidade suficiente, caso não posua ainda causa prejuízo nos processos industriais, logo deve haver equilíbrio na produtividade e qualidade, vemos um exemplo prático deste desequilíbrio na transição do corte da cana crua para a cana queimada no Brasil, em se tratando do corte manual, houve a percepção de um aumento significativo na produção, e devido a demanda crescente e as pesquisas do Proálcool aconteceram várias pesquisas nesta área, e foi constatado um aumento de 47% à 72% valores estes também que podem ser comparados no corte atualmente, pois há uma redução entre 45% à 70% na produtividade T/hd (tonelada por homem dia) no corte manual da cana crua. Contudo com este significativo aumento da produção houve também uma diminuição de qualidade na matéria prima.

Ao final da década de 1970 e início de 1980 o rendimento de corte manual era de um índice considerado baixo na tabela seguinte (entre 8 e 9 toneladas de cana/homem.dia) até esta época era exigido o desponte na mão a altura dos palmitos (ponto de quebra) e maior limpeza dos colmos e das leiras, logo após o impulso do Proálcool, verificou-se um sensível aumento de produção de cana-de-açúcar e álcool, exigindo maiores quantidades de produção, conseqüentemente maior rendimento na produtividade nos trabalhadores rurais na operação de corte e carregamento, mas como dito anteriormente com o aumento do rendimento entre os trabalhadores houve uma significativa baixa na qualidade de matéria prima entregue, isto é, um significativo aumento de impurezas minerais (terra, e pedras) e vegetais (palha e fibras estranhas à Cana).

Segundo Osvaldo Alonso, defini-se por qualidade em cana-de-açúcar ou MP, a maior riqueza e pureza em açúcares, bem como menor presença possível de impureza vegetal (folhas verdes, palha e palmito) e mineral (solo e pedras).

Os principais fatores que interferem na qualidade de matéria (cana-de-açúcar) prima são: Ambiente de produção, variedades e sua fitossanidade e os resultados das operações do corte e carregamento da cana, para complemento deste trabalho iremos tratar apenas do item “resultados das operações de corte e carregamento” e iremos destacar ainda as intempéries climáticas que influenciam também na qualidade de matéria prima e na eficiência do CCT.

Como deficiência operacional e fatores para o aumento de impurezas, podemos citar a má regulem dos equipamentos, o incorreto preparo do solo e a má administração dos equipamentos, nesta obra não vamos nos prolongar em detalhes para não sairmos nosso foco que é o CCT, ou seja, devemos nos focar nas operações de colheita, isto é corte carregamento e transporte. Como dito antes o responsável pela frente, deve antes de tudo ter um conhecimento minucioso da previsão do tempo, deve-se antecipar às intempéries climáticas, a maior inimiga de uma boa colheita, o profissional deve semanalmente fazer o planejamento de colheita nas áreas, fazer uma análise minuciosa da previsão semanal do tempo, planejar as táticas e estratégias caso haja chuva, e fazer este planejamento semanal baseado na previsão com variação entre 10 mm e 15 mm, que pode ser considerada uma margem de segurança, uma vez que a previsão semanal é bem variável em relação à diária; “já vivenciei previsões de 29 mm se desencadearem em 75 mm de chuva” ; deve incluir na sua estratégia a identificação e localização dos locais de produção com alta infiltração do solo, altitudes, e caso haja pouca chuva e a impossibilidade de mudança de local de produção, deve-se dividir a área a ser colhida em pelo menos baixada, encosta e espigão, uma vez que nesta mesma seqüência encontramos diferenças de compactação, porosidade e infiltração do solo; este planejamento não pode ser feito somente semanalmente, mas também diariamente revisado, pois sempre devemos revisar as situações do local e as possíveis desconformidades que poderão atrasar o corte e carregamento do dia seguinte, mas podemos dizer isto é trabalho para um encarregado de frente, ou fiscal? Claro que sim! Mesmo sem ser gerente, o profissional deve ter conhecimentos gerenciais e trabalhar sabendo que ele gerencia toda a frente de colheita enquanto no seu turno; Isto inclui equipamentos, conhecimentos e pessoal, este planejamento semanal e diário é negligenciado pela maioria dos profissionais operacionais do setor, pois por muitas vezes já ouvi e creio que você já ouviu também algo do tipo “não ganho pra isto” não é? O descaso no processo de aperfeiçoamento e do aprendizado profissional está tão óbvio que hoje encontramos profissionais tão acomodados que podem achar que este livro é perca de tempo e de tinta, lembro-me quando comecei a trabalhar no setor de Transporte/Logística apelidaram-me de menino do tempo com ironia pelo fato de toda mudança climática prevista, eu passar antecipadamente para os meus encarregados pelo rádio e em uma reunião à tarde quando peguei o planejamento de corte disse para o encarregado de mão de obra (particularmente é claro, pois a respeito, consideração à hierarquia nunca deve ser deixado de lado mesmo quando encontramos pessoas com menor formação que a gente, pois como disse no início “NADA SUPERA A EXPERIÊNCIA” Logo não importa se você é um agrônomo ou engenheiro de produção, você sempre vai estar aprendendo com pessoas humildes e simples, e também vai estar sempre colaborando com pessoas de formação e experiência bem mais elevada que sua. ) o senhor deu uma olhada na previsão para depois de amanhã? Ele sorriu, e brincou comigo, mas ele foi tão sarcástico que fiquei chateado e pensei não deveria ter dito nada, pois achava que não estava ajudando muito, mas pra minha surpresa e sorte o amanhecer do segundo dia foi chuvoso seguido do terceiro e quarto dia, e este mesmo encarregado dirigiu-se a mim e disse que se ele estivesse me ouvido a cana não ficaria por tantos dias cortada no chão perdendo a qualidade, e no final nós ainda nos tornamos grandes amigos e companheiros profissionais; Outro acontecimento também muito interessante foi quando num período muito seco e de ventanias no ano de 2007, a impureza mineral começou a ter altas significativas, e o nosso encarregado queria uma resposta, ou seja, queria saber o motivo, e falei para ele que era por causa dos ventos fortes e da seca, ele riu de mim e disse que em mais de 20 anos de profissão nunca havia ouvido um absurdo destes, eu e um companheiro de trabalho pegamos uma lona, cortamos um quadrado de 1mx1m e partimos para o experimento deixando este pedaço de lona onde os caminhões se movimentavam perto do transporte, que possuía menor tráfego e menor movimentação de equipamentos que na lavoura, depois de 2 horas havia 113 gramas de terra, perdemos algum tempo calculando a área de contato dos caminhões e constatamos que em percentagem pode ser insignificante a quantidade de impureza mineral precipitada do ar, porém constamos que há sim uma influência no aumento de impureza mineral se levarmos em conta a alta concentração de poeira no ar no período seco e de fortes ventos no local da colheita mecanizada poderia haver uma aumento entre 0,18Kg e 0,21Kg de impureza mineral por tonelada de matéria prima, isto foi feito ao lado da guarita de transporte, podemos imaginar os efeitos na lavoura onde há uma maior movimentação de máquina e caminhões, estes dados são apenas simples análise de observação, sem o uso de nenhum critério científico, pois para afirmar a veracidade dos dados deve-se desenvolver outras pesquisas nesta área; Pegamos os resultados e mostramos ao nosso superior e ele nos parabenizou e nos elogiou e disse que gostaria que todos os seus funcionários fossem assim.

A chuva torna o transporte lento devido à influência nas estradas dentro dos locais de produção, aumenta a impureza mineral devido a aderência de solo à palha e conseqüentemente a cana (este efeito é ainda maior em variedades com alto índice de acamamento ou deitadas próximas ao solo) a palha molhada pesa mais dificultando a limpeza nos exaustores, elevando a porcentagem de impureza vegetal juto à matéria prima, o solo úmido fica maleável dificultando a circulação de equipamentos que começam a encalhar depois de alguns mms de chuva, podemos dizer que o maior inimigo do corte e carregamento no quesito qualidade e produtividade é a chuva, assim como ela é excelente para as plantações, para o solo e muitas outras coisas, ela atrapalha os processos de carregamento e causa aumento das impurezas na matéria prima, mas como a chuva é necessária devemos nos planejar e fazer com que estes impactos sejam minimizados ao máximo possível, e uma vez que é difícil termos controle nas intempéries climáticas as impurezas aumentam significativamente, e devemos buscar a redução máxima ou seja, a perfeição do corte/carregamento da cana nos períodos propícios, pois uma redução significativa nas impurezas neste período além de contribuir para um melhor aproveitamento pela indústria também equilibra os resultados finais da safra compensando os períodos chuvosos.

Os principais inimigos da qualidade em situações normais são a má regulagem e a má operação dos equipamentos e o incorreto preparo do solo, principalmente na região de São Paulo nos primeiros meses de colheita, onde encontramos a conjunção de alta umidade relativa do ar e queda brusca de temperatura nos períodos noturnos acentuando a dificuldade de limpeza pelas colhedoras, logo se deve ter um cuidado especial no período noturno, de preferência alocando os melhores profissionais para este turno. Outra coisa terrível é colher em área que não houve a quebra dos lombos, erro de preparo que considero grave quando a colheita for mecânica, só quem já passou por isso pessoalmente sabe a situação de impurezas na matéria prima e o desgaste que isto traz aos equipamentos, este tipo de inconformidade deve ser percebido bem antes de entrarmos em tal área.

Por estas poucas linhas podemos ver a importância da qualidade na matéria prima a ser transportada, e os impactos das impurezas resultantes das operações de colheita e transporte sobre a qualidade da matéria prima, até porque diz Osvaldo Alonso: “Transportar impurezas, quaisquer que sejam seus índices mostra-se antieconômico.

CAPÍTULO III

PERDAS NOS PROCESSOS DE COLHEITA E TRANSPORTE

As mudanças e inovações tecnológicas trouxeram uma maior produtividade, a demanda por MP aumentou significativamente nestes últimos anos, trazendo a necessidade do desenvolvimento de máquinas que fizessem o trabalho do trabalhador rural, e graças às muitas pesquisas chegamos aos modelos de colhedoras que temos atualmente, mas com as crescentes inovações tecnológicas, surge também no contexto a necessidade de profissionais altamente capacitados para operação e manutenção destes equipamentos.

A Case lançou em comemoração a produção lanço uma página com o histórico da evolução mecânico-tecnológica das colhedoras disponível em http://www.caseih.com.br/colhedora/Brasil/index.html. Onde você pode ter a oportunidade de visualizar o árduo trabalho para que se desenvolvessem colhedoras como as que existem hoje no mercado.

Juntamente com a colheita mecanizada que, além de aumentar a entrega de MP na indústria reduz significativamente os custos de colheita, vieram as conseqüências; Algumas podem e devem ser evitadas, outras porém fogem ao nosso controle. Podemos dizer que como conseqüência da colheita mecanizada, houve um aumento nas perdas no processo de colheita.

As percas que podem e devem ser evitadas são aquelas relacionadas à operação correta de equipamentos, e ao preparo do solo e planejamento da lavoura, hoje o maior responsável pelas perdas é o mau planejamento do preparo de solo da área a ser colhida mecanicamente.

Como é sabido, existe uma perda mínima no processo de colheita mecanizada, mínima pelo motivo de mesmo seguindo todos os procedimentos corretos a colhedora tem uma percentagem de perda aceitável. Acredita-se que entre 1 e 2% de perdas é o normal, se seguido todos os procedimentos operacionais e de preparo de solo, contudo é difícil (porém não impossível) a excelência na operação dos equipamentos, além do preparo de solo, que no caso de colheita mecanizada, deve ser minucioso, levando em conta todos os fatores do terreno. De acordo com medições feitas pelo CTC (Centro de Tecnologia Canavieira). 10% da matéria-prima colhida é perdida no campo quando o corte é mecanizado, representando prejuízo da ordem de US$ 450 milhões por ano (MAGALHÃES et al., 2006). Através destes números vemos a necessidade de desenvolver programas de aperfeiçoamento dos operadores, e questionar o preparo do solo, a declividade, as curvas de níveis, pois atualmente no mercado, há tendências de se deixar a colheita por parte de empresas terceirizadas que colhem e transportam a cana, e são remuneradas em cima de produtividade, impurezas minerais e vegetais e outros fatores pré estabelecidos em contrato, contudo antes de se arriscar em uma aventura, a empresa terceirizada deve antes de tudo conhecer a área a ser colhida e analisar se é viável a colheita mecânica na área, pois por experiência própria, já vivenciei ambientes onde Jamais! De maneira alguma iria colocar uma colhedora minha; isto faz com que as empresas tenham prejuízos anuais altos, ou não alcance o lucro planejado para a safra.

O CTC tem por padrão a tabela acima descrita, porém cada empresa adota metas pré estabelecidas no planejamento de safra.

A perdas da colheita que levaremos em conta neste trabalho são as perdas visíveis, pois estão associadas à:

•Variedade: influencia na produtividade, tombamento,teor de fibra entre outros fatores.

•Preparação da Área: padronização do espaçamento entre linhas, comprimento da área, sistematização do plantio, depressões e torrões, quebras de lombo, qualidade de cultivo e sulcos causados por erosão em locais em que não houve um eficaz planejamento e preparo do solo.

•Situação dos Equipamentos da Colhedora: Tipo de lâminas do corte de base, sincronização dos facões picadores, faquinhas cegas, dentre outros fatores.

Mas o que tem isto a ver com logística? Imagine que você saia de são Paulo e vá para o Amazonas para buscar um carregamento de processadores de computador Quad Core, chegando ao destino você é carregado e no carregamento os funcionários deixam cair 8 processadores; “vocês sabem o quanto a nova geração de processadores é pequena” no caminho cai mais uns 5 processadores, e assim por diante. Tenho certeza que você deve estar se questionando se eu sou louco! Jamais alguém deixaria isto acontecer! Pois é, e por que teria que ser diferente com a Cana-de-açúcar? A cana necessita ser colhida e deve ser levada ao local de produção, da mesma maneira que não se deve transportar impurezas para a indústria, não se deve deixar matéria prima na lavoura, jogada nos embarcadores ou mesmo nos carreadores, mas uma vez coloco em primeiro lugar, acima do planejamento de colheita está a manutenção, pois da mesma depende a redução de 1,5%± 0,3 nas perdas no processo de colheita, fazendo manutenções regulagens adequada nos equipamentos, em segundo o que particularmente considero essencial, o eficiente e eficaz preparo de solo pois, dele depende o bom desempenho da colheita mecanizada.
Autor: Douglas Martins Santos