A Adolescência e o Estresse Emocional



FIGUEIREDO, Eliane de Oliveira; Acadêmica do 4° semestre de Psicologia da Faculdade de Quatro Marcos – FQM

Resumo:

Este artigo busca entender a adolescência e o seu desenvolvimento no indivíduo, como fator de mudanças e estresse emocional, relacionada com perdas significativas, que levam esses indivíduos a sofrerem a oscilação de humor que são constantes, e tem como principal explicação a busca da própria identidade. As dificuldades são constantes, pois o estado de humor é alterado. A sua convivência deve ser compreensível, ou seja, é preciso a compreensão dos familiares ou grupo de convivência, para não se tornar mais difícil do que é, este artigo tem a intenção de aumentar a visão das pessoas que convivem com adolescentes, para melhor convivência familiar e social.

Palavras-Chave: Adolescência. Busca da Identidade. Mudanças.

Introdução:

A adolescência é um período de mudanças avassaladoras na vida de um indivíduo, é a transição da infância, que é um período de acomodação e proteção, para a adolescência, que traz consigo várias perdas da estrutura infantil, a mudança de corpo, mudanças psicológicas e sociais. Marcada por ser o período da estruturação da identidade. O adolescente deve ter a ajuda familiar e do meio, pois é um dos fatores que proporcionam uma melhor adaptação emocional.

Adolescência Normal

O termo adolescência normal utilizado por Mauricio Knobel, tem um significado excelente para definição da adolescência.

A passagem deste período de vida traz muitas mudanças, que consequentemente alteram as ansiedades e emoções do adolescente, por isso precisam de uma descarga psíquica. Segundo Knobel (1981) a estabilização da personalidade não se consegue sem passar por um certo grau de conduta patológica que, conforme o seu critério devemos considerar inerente à evolução normal desta etapa de vida, ou seja, a normalidade defendida por Knobel é a que muitas pessoas consideram anormal. Mas é normal o comportamento e crises de ânimo e humor desses adolescentes, pois fazem parte desse processo evolutivo.

Levando em consideração as idéias de Aberastury (1981) que o conflito de tornar-se adulto é desenrolado paralelamente ao luto pela perda da estrutura infantil, em que não é possível passar da adolescência sem uma conduta patológica, pois os lutos enfrentados pelos adolescentes são perdas que nunca mais voltarão por isso à adaptação ao novo traz o estresse, angústia.

Para Anna Freud (21) apud Knobel, é muito difícil assinalar o limite entre o normal e o patológico na adolescência, e considera que, na realidade toda comoção deste período da vida deve ser considerada como normal, assinalando também que seria anormal, a presença de um equilíbrio estável durante o processo adolescente.

Para Knobel a passagem por estes estados patológicos é a síndrome da adolescência normal, a qual todos os indivíduos passarão. Este estudo define as manifestações do adolescente como normal ao seu processo evolutivo de adolescente a vida adulta. Qualquer tipo de mudanças abala e desequilibra o ser humano, não é diferente com a puberdade.

Principais Mudanças no Adolescente

O adolescente passa por um momento duplo, um de aquisições outra de perdas. A perda do corpo infantil é a mais significativa. O crescimento é rápido, segundo Fiori (1981-1982), além de rápido é desproporcional, os membros se alongam, o corpo emagrece, os ângulos se salientam. A mudança quase que brusca não permite uma adaptação harmônica dos processos. Nesta fase o adolescente se sente desajeitado, e realmente é devido o desequilíbrio do corpo que recentemente ganhou. O autor complementa que ele ama os pêlos que lhe dão status de adulto, mas apavora-se com as alterações que o jogam num caminho ainda desconhecido.

Essa mudança traz a bissexualidade perdida, voltando a fases anteriores do desenvolvimento, as crianças por volta de três anos de idade, segundo a teoria Freudiana, vivem a fase fálica, que não caracteriza a presença de dois genitais, o masculino e o feminino, mas a presença ou a ausência de pênis, ou seja, o menino tem a menina não tem. A vagina continua sendo desconhecida por muito tempo. Neste contexto o adolescente terá que se adaptar e aceitar-se com somente um dos lados e a sua reconstrução num mundo de sujeito.

Neste período a busca da identidade é fator de tensão porque é feito de maneira agressiva, o contato com seus amigos tem a intenção de uma nova identidade, ele procura se desprender de tudo que é infantil, por isso o clima com os pais fica abalado. Os pais antes eram os que davam rumo à identidade do filho, impondo gostos de acordo com a sua própria visão e o que deveria ser feito, agora o adolescente precisa se desprender de tudo que é infantil, ele tem o próprio gosto e já é capaz de fazer escolhas.

A Influência Social e Cultural na Adolescência

A adolescência como já disse tem suas mudanças, mas de certa forma é muito dependente dos fatores genéticos, sociais e culturais, cada um com suas peculiaridades e vulnerabilidades, esses fatores possivelmente transformam-se nos hábitos e comportamentos deste público.

Segundo Maria Ignes Saito (2008), a adolescência aparece como resultante da interação constante entre os processos do desenvolvimento biológico e psicoemocional, intimamente relacionados às tendências socioeconômicas e subordinadas à evolução de normas e valores dentro de culturas específicas.

A cultura segundo Salazar (apud) Saito, tem a propriedade de ser criação humana, sendo por sua vez criadora das condições do mundo humano. A cultura à qual o adolescente faz parte são determinantes específicos para a estruturação do pensamento, enfim das vulnerabilidades, que o emocional deles atinge e que dependem da sua realidade. As famílias "desestruturadas" consequentemente, estão sujeitas a tornar os adolescentes frágeis e vulneráveis, favorecendo os riscos emocionais. A família tem como principal identidade a proteção, amor, compromisso, respeito.

Considerações Finais:

Como vimos ao longo deste artigo foram citadas várias mudanças, que o adolescente encontra ao se deparar com a puberdade, que o levará por caminhos ainda desconhecidos e que farão mudar toda a estrutura, fisiológica, psicológica e social, a adaptação ao novo não é tarefa fácil para este indivíduo.

O estresse emocional é conseqüência sem escapatória, as dificuldades, humor, convivência familiar e social mudam seus valores, as situações criadas por estes adolescentes são muitas vezes contra a estrutura familiar, mas antes de qualquer coisa, eles devem ser aceitos conforme são, pois a principal busca destes é a própria identidade, que antes era papel dos pais, mas agora, necessitam ser indivíduos com próprias capacidades, e os seus comportamentos adversos, são forma de mostrar para as outras pessoas que são diferentes, são únicos, as atitudes rebeldes faz parte da construção da sua personalidade e deve ser aceito de forma normal, o que nem sempre é sabido por seus familiares e grupo social.

Bibliografia:

ABERASTURY, Arminda; Knobel, Mauricio. Trad. Suzana Maria Garagoray Balve. Adolescência normal: um enfoque Psicanalítico. Porto Alegre: Artes Médicas. 1981.

RAPPAPORT, Clara Regina; FIORI, Wagner Rocha et AL. A idade escolar e a adolescência. São Paulo: EPU, 1981-1982. p.11-45.

SAITO, Maria Ignez et AL. Adolescência: Prevenção e risco. 2.ed. São Paulo: Atheneu, 2008. p. 41-46.


Autor: Eliane de Oliveira Figueiredo