Coreografia e Expressões Corporais: Desconstruindo o Culto Público



Ola Rev. gostaria de saber o que o Rev acha dos grupos de coreografias dentro das nossa igrejas....e esse louvor muito modernizado nas IPBs que vem gerando preocupação para o concilio....abracos.

A IPB não concorda com a realização de coreografias durante os cultos públicos a Deus. Desde 1990, quando fui pela primeira vez a uma Reunião do Supremo Concílio, que o assunto tem sido debatido.

Nos Princípios de Liturgia da IPB, os Capítulo III, Arts. 7 e 8, afirmam que "O Culto público é um ato religioso, através do qual o povo de Deus adora o Senhor, entrando em comunhão com Ele, fazendo-lhe confissão de pecados e buscando pela mediação de Jesus Cristo, o perdão, a santificação da vida e o crescimento espiritual....", constando "ordinariamente de leitura da Palavra de Deus, pregação, cânticos sagrados, orações e ofertas...."; além de outras afirmações da Confissão de Fé de Westermister.

Coreografia é o conjunto de passos que faz uma dança, que faz um balé. Ela é o resultado da percepção e somente em função dessa percepção existe. É, pois, uma entidade virtual, uma aparição de forças ativas, uma imagem dinâmica.

Reconstruindo a História da Dança Coreógrafa

Reconstituindo sua história a partir das pinturas rupestres, a coreografia pode ser classificada como espiritual (ou culto de participação, com ênfase no movimento e na transformação do bailarino — a dos povos antigos a ritual de povos contemporâneos (para entidades do candomblé e da umbanda); a dos povos indígenas e a hipercinética (ápice da construção contemporânea nesse sentido), entre outras) e como litúrgica (com foco no culto de relação — a dança clássica indiana, a balinesa, o ballet clássico, a dança moderna, e grande parte das concepções contemporâneas).

Tendo por base o universo espiritual sob o olhar da Igreja a dança é originalmente pagã. A Idade Média traz uma mudança peculiar ao seu trajeto evolutivo: a manifestação da espontaneidade individualista não combina com os cânones eclesiásticos que começam a se estabelecer, nesse sentido a dança não poderia ser vinculada às festas e às ocasiões religiosas. A conseqüência é uma ruptura na linha evolutiva da composição coreográfica, que deixa de ter por objeto o sagrado, e evolui unicamente para o espetáculo de divertimento. A forma passa a ser destacada em benefício próprio.

A Coreografia no Brasil

No Brasil, a dança coreográfica contemporânea vive seus prenúncios na década de 80 e vai-se consolidando através de pesquisadores teóricos e práticos. A cena preocupa-se com o contexto, não priorizando o texto (linguagem técnica): a obra é aberta, o corpo híbrido. Nele dá-se a formação de redes de conteúdos. Seus referenciais, anteriormente constituídos, sofrem um processo de desconstrução, anunciando o caos. Para que se possa entender, ou olhar para esse corpo caótico, é necessária outra orientação, uma nova cartografia.

Sob esse novo prisma, lugares informais e inusitados oferecem espaço a representações, possibilitando que a dança aconteça em ônibus, ruas, cafés, na urgência do agora e na iminência das intervenções do público. O coreográfo pode dividir a cena com câmeras (adaptadas ou não ao corpo); a iluminação pode ser natural ou artificial; o público pode ou não ser co-participante da obra, que pode estar ou não acabada.

A Coreografia na Bíblia

Uma análise das referências bíblicas à dança litúrgica ou coreografia litúrgica, revela o fato de que as danças israelitas consideradas como apropriadas eram de natureza litúrgica, sendo acompanhadas por hinos de louvor a Deus. Elas eram geralmente praticadas entre grupos de pessoas do mesmo sexo e sem quaisquer conotações sensuais (ver Êx 15:20; Jz 11:34; 21:21-23; I Sm 18:6; II Sm 6:14-16; I Cr 15:29).

As mulheres hebraicas exprimiam por meio da dança os seus sentimentos; quando seus maridos ou pessoas amigas voltavam a suas casas, vindo do combate pela vida e pela pátria, saíam elas ao seu encontro com danças de triunfo.

A Bíblia fala também de pelo menos duas ocasiões em que pessoas estavam envolvidas em danças inadequadas. A primeira delas foi a dança idolátrica dos israelitas no contexto da adoração do bezerro de ouro (Êx 32:19).

A segunda foi a dança da filha de Herodias para agradar o rei Herodes e seus convidados, no banquete em que João Batista foi executado (Mt 14:6; Mc 6:22).

Embora os judeus nos dias de Jesus continuassem praticando a dança (ver Lc 15:25), não encontramos nenhuma evidência no Novo Testamento de que a igreja cristã primitiva perpetuasse tal costume. Há quem sugira que esse rompimento cristão com a dança litúrgica deve-se à degeneração desde já no tempo de Cristo.

Em contraste com as coreografias litúrgicas do período bíblico, a maioria das danças modernas são praticadas sob o ritmo sensual das músicas profanas, que desconhecem completamente o princípio enunciado em Filipenses 4:8:

Grande parte das danças litúrgicas de hoje tem-se transformado em um dos maiores estimuladores do sensualismo. Mesmo não se envolvendo diretamente em relações sexuais explícitas, seus participantes geralmente se entregam ao sensualismo mental (ver Mt 15:19-20), desaprovado por Cristo em Mateus 5:27-28.

Seja como for, o cristão dispõe hoje de outras formas de integração e entretenimento sociais mais condizentes com os princípios bíblicos de conduta do que a excitação e o sensualismo promovidos pela maioria das danças litúrticas da pós-modernidade.

Concluímos, afirmando que tenho seis razões de não adotarmos a coreografia, dança litúrgia ou expressões corporanais no culto:

1. Nâo há uma referência sequer que no culto do Novo Testamento tenha havido manifes­taçâo da dança litúrgica, coreografia ou expressão corporal;

2. Nâo há uma referência na Igreja dos Pais Apostólicos, e nem ainda na Reforma Protestante do Século XVI, havido manifes­taçâo da dança litúrgica, coreografia ou expressão corporal

3. Pelo Tipo de Costume

A dança litúrgica era um costume pagâo e procurou-se na igreja apostólica evitar qualquer associaçâo. O principio da as­sociaçao deveria ser levado em conta. Nâo somente aquilo que era mal, mas também tudo aquilo que pudesse se parecer como mal. Se fizesse o povo lem­brar dos cultos pagâos dos quais muitos crentes eram egressos, evitar-se-ia!

2. Pelas Oportunidades Abertas

Pelo fato, que foi deixado em relevo por Paulo aos Corintios. A dança litúrgica tentava-lhes a idolatria. Abria-lhes as portas à licenciosidade e dava vazão ao erotis­mo. Nada de dança; a Igreja de Jesus é uma comunidade de separados, chama­dos à pureza e à santidade!

3. Pela Racionalidade do Culto

Porque o culto do Novo Testamento é adjetivado como cul­to racional, ou melhor, supra-sensual. Nâo necessitamos mais de recursos vi­suais e externos.

4. Dançar e Ridicularejar

E mais importante que tudo, oculto no Novo Testamento não permitia a manifestaçao da “dança litúrgica” pelo fato de que toda dança, meneio de corpos, requebros, fazia lembrar o escárnio de Cristo. A dança litúrgica fazia os crentes da Igreja Apostólica lem­brarem-se da horripilante coreografia desenhada ao derredor do Salvador.

Soli Deo Glória

Bibliografia.

- Zucolotto, Alexandra - Jornal Cultura & Cia, edição de Agosto de 2003, nº 20, Porto

Alegre RS.

- Timm, Alberto R. - Dança na Bíblia - http://www.centrowhite.org.br

- Sou repleto pela maior de todas as alegrias – Entrevista com o Pr. Arlindo -

Barreto(Bozo) - http://www.lagoinha.com/noticias/ver_materia.asp?

codnoticia=15521&codcolunista=0

- Grupo Sopro de Expressão, da Igreja Presbiteriana de Aracruz -

http://www.teatroevangelico.com.br/site2003/seugrupo-exibe.asp?cod_seugrupo=392
Autor: Ashbell Simonton Rédua