Escapulários - A origem dos escapulários e seu poder de proteção



Os escapulários são artigos religiosos largamente usados na Igreja como sinal de salvação, compromisso, devoção e proteção. Hoje, encontramos escapulários dos mais variados tipos, desde aqueles feitos de pano e barbante até aqueles que são verdadeiras jóias religiosas de muito bom gosto. Mas o que eles são de fato? Qual o real sentido de usá-los? Qual é o poder de proteção que eles têm? Qual a relação que eles têm com Nossa Senhora do Carmo e com o Monte Carmelo? Isso é o que veremos a seguir.

Os escapulários têm uma história sólida dentro da Igreja Católica. Começaram a ser difundidos no ano 1251 por São Simão Stock, inglês, prior geral da recém nascida ordem dos carmelitas. As circunstâncias e a maneira milagrosa como eles surgiram nos ajudarão a compreender a importância que eles têm e porque essa devoção continua tão forte depois de quase oito séculos. Por isso, antes de falarmos da força do escapulário, voltemos no tempo.

Por volta do ano 1200, a ordem dos Carmelitas era uma pequena congregação ainda não aprovada pela Igreja. Era composta de poucos monges que ergueram uma capela em honra a Nossa Senhora no Monte Carmelo, em Israel e viviam ali numa pequena comunidade consagrada à Virgem Maria. É por isso que, posteriormente, a ordem recebeu o “apelido” de Ordem dos Carmelitas, expressão que designa “aqueles que vivem a espiritualidade do Monte Carmelo”, um monte sagrado tanto para judeus quanto para cristãos. A expressão “Nossa Senhora do Carmo” quer dizer “Nossa Senhora do Monte Carmelo”

Essa veneração do Monte Carmelo remonta ao tempo do profeta Elias. Com efeito, foi lá que Elias desmascarou quatrocentos e cinquenta falsos profetas que serviam ao “deus” Baal, como vemos no primeiro livro dos Reis, capítulo 18. Naquele local, Deus manifestou seu poder, provou ser o Deus Único e defendeu o profeta Elias. Portanto, a “espiritualidade do Monte Carmelo” é uma espiritualidade que adora o Deus Único, aquele que não aceita que seus fiéis adorem outros deuses.

Mais tarde, com o advento do cristianismo e a construção da Capela de Nossa Senhora, o Monte Carmelo passou também a ser um local “Mariano” para os cristãos e berço de uma das mais importantes ordens religiosas da Igreja: a ordem dos Carmelitas. Como disse, os monges que iniciaram a ordem eram “consagrados” a Maria Santíssima.

• Escapulário de Nossa Senhora do Carmo
Agora que conhecemos este “pano de fundo”, passemos para frente. Por volta de 1200 os muçulmanos invadiram a Terra Santa e expulsaram a comunidade monástica do Monte Carmelo. Os monges fugiram para a Europa e começaram a passar por grandes dificuldades, pois não eram conhecidos pelo povo nem aceitos oficialmente pela Igreja.

Nesse tempo, por causa de sua vida santa, Simão Stock foi eleito prior geral dos carmelitas em Cambridge, na Inglaterra. Ao mesmo tempo, foi instalado um processo para reconhecimento e possível aprovação da ordem junto à Igreja. Mas o processo caminhou desfavorável.

Em 1251, vários inimigos da ordem tentaram impedir que ela fosse reconhecida oficialmente. A perseguição contra os carmelitas chegou a ficar dramática e a ordem corria risco de ser vetada pela Igreja. Por isso, Simão Stock, devotíssimo de Nossa Senhora, num momento de grande angústia, pediu à Mãe do céu um sinal visível de sua proteção. Foi então que Maria apareceu a ele, deu-lhe o Escapulário do Carmo e fez promessas que acompanhariam todos aqueles que o usassem com devoção. E como sinal de que tudo era verdade, apesar do parecer desfavorável de alguns teólogos, o papa Honório III reconheceu oficialmente a ordem, após uma visão de Nossa Senhora onde ela própria defendia os religiosos. A partir de então, os carmelitas se tornaram uma das maiores ordens religiosas da Igreja.

Foi assim que surgiram os escapulários. Num momento de perseguição e aflição. Foram entregues pela própria Mãe de Jesus. E ela fez promessas que acompanharão todos aqueles que os usarem com devoção. Vejamos quais são essas promessas.
Quando Nossa senhora apareceu a São Simão Stock, ela lhe disse as seguintes Palavras, reveladas pelo próprio Simão a seu confessor: “Recebe, diletíssimo filho, este Escapulário de tua Ordem como sinal distintivo e a marca do privilégio que eu obtive para ti e para todos os filhos do Carmelo; é um sinal de salvação, uma salvaguarda nos perigos, aliança de paz e de uma proteção sempiterna. Quem morrer revestido com ele será preservado do fogo eterno”.
Para compreender melhor, analisemos cada uma das promessas.
1. Os escapulários são um “sinal distintivo”, ou seja um sinal que distingue os devotos de Nossa Senhora. Claro, nem todo devoto de Nossa Senhora usam escapulários. Porém, todo aquele que usa é devoto de Nossa Senhora. Os escapulários são distintivos de devoção mariana. Até porque ele sempre trás as imagens do Sagrado Coração de Maria e do Sagrado Coração de Jesus.
2. Os escapulários são “marca do privilégio que Nossa Senhora obteve para São Simão Stock e para todos os filhos do Carmelo”. Portanto, usar escapulários é um privilégio conseguido por Nossa Senhora diante de Deus para aqueles que, de alguma forma, querem viver a espiritualidade do Carmelo: a adoração ao Deus Único e a consagração a Nossa Senhora. Isto se estende aos religiosos da ordem carmelita e a todos os leigos que querem viver esta espiritualidade.
3. Os escapulários são um “sinal de salvação”, isto é, quem o usa deve procurar viver conforme os ensinamentos de Jesus para que o escapulário seja sinal de salvação. Se uma pessoa usá-lo, mas viver no pecado, o escapulário sozinho não o salvará. Quem salva é Jesus Cristo e nossa adesão a Ele. Os escapulários são sinais dessa adesão.
4. Os escapulários são “uma salvaguarda nos perigos”. Quer dizer: quem o usa dignamente, com devoção, contará com a proteção de Nossa Senhora nos momentos de perigo. Entenda-se aqui os perigos físicos (perigos de acidentes, de morte, etc) e perigos espirituais (tentações, desvios da fé, etc). Lembremos que o escapulário foi dado a São Simão Stock num momento de grande perigo e aflição para ordem dos carmelitas. O escapulário é também um sinal da proteção divina contra o maior de todos os perigos: o pecado.
5. Os escapulários são sinais de “aliança de paz”. Aliança vem de aliar-se, unir-se. Portanto, trata-se de uma “união de paz”. Os escapulários são símbolos de nossa união com Deus e com Nossa Senhora. E, quem está unido a Deus e à Mãe de Jesus, terá paz no coração. Trata-se daquela paz que vem de Deus, a paz que só Jesus pode nos dar. Aquela paz que, mesmo nos momentos mais difíceis da vida, não abandona nosso coração. Quem usa o escapulário devotamente tem essa paz. Ele não nos livra dos sofrimentos, pois eles fazem parte desta vida. Porém, mesmo nos sofrimentos, haverá paz no coração de quem o usa devotamente. Além disso, quem o usa devotamente não procura brigas nem contendas, mas sim a paz.
6. Os escapulários são sinais de “uma proteção sempiterna”. Sempiterna é uma palavra do português arcaico que significa “perpétua, eterna”. Por isso, os escapulários são sinais de proteção perpétua por parte de Nossa Senhora. E, como disse, a principal proteção é contra o pecado, pois este perigo pode levar-nos à perdição.
7. Por fim, “Quem morrer revestido com ele será preservado do fogo eterno”. Morrer revestido com o escapulário significa não só estar com ele fisicamente na hora da morte, mas também, morrer na graça de Deus. Esta é uma graça que Nossa Senhora promete a todos aqueles que usarem escapulários devotamente: morrerão na graça de Deus. Por isso, serão preservados do fogo eterno.
Há também outra promessa de Nossa Senhora ligada aos escapulários conhecida como “privilégio sabatino”. Em 3 de março de 1322 ela apareceu ao Papa João XXII, comunicando àqueles que usarem seu escapulário: “Eu, sua Mãe, baixarei graciosamente ao purgatório no sábado seguinte à sua morte, e os lavarei daquelas penas e os levarei ao monte santo da vida eterna”. Embora freqüentemente se interprete este privilégio ao pé da letra, “tudo que a Igreja diz sobre ele, é que aqueles que cumprem as condições do Privilégio Sabatino, ou seja, vivem procurando estar sempre na graça de Deus, serão, por intercessão de Nossa Senhora, libertos do purgatório pouco tempo depois da morte, e especialmente no sábado”
Por tudo isso, concluímos que usar os escapulários é, acima de tudo, uma graça concedida por Deus através de Nossa Senhora para a salvação. Porém, para alcançarmos todas as promessas ligadas a ele, é preciso usá-lo dignamente e não apenas como um objeto sagrado ou amuleto. Os escapulários são sinais de vida cristã, sinais de compromisso com Deus e com Nossa Senhora. Não é à toa que os escapulários só podem ser recebidos solenemente uma vez na vida, por um sacerdote, numa cerimônia especial. Os escapulários são sinais da espiritualidade do Monte Carmelo: fé no Deus Único e consagração a Nossa Senhora do Carmo. Os escapulários são tão queridos por Nossa Senhora que, após a última aparição aos pastorinhos de Fátima, em 1917, as três crianças tiveram várias visões. Na última delas viram a Santíssima Virgem gloriosa, coroada como Rainha do Céu e da Terra, aparecendo como Nossa Senhora do Carmo, tendo na mão o escapulário. Em 1950 perguntaram a Lúcia, uma das videntes, qual seria o significado desta visão. E Lúcia respondeu: “É que Nossa Senhora quer que todos usem os escapulários!” Subentende-se: “que todo vivam a espiritualidade profunda dos escapulários”.
Autor: Vicente Paulo