Grécia e Roma: sociedade e economia



Podemos partir da indagação: quais podem ser apontadas como sendo as bases sociais e econômicas do mundo Greco-romano? Em poucas palavras: Uma economia agrária que se assenta sobre o escravismo.

Quem vive no contato com a sala de aula, por certo já ouviu a pergunta sobre o porquê de se estudar as sociedades antigas.Entre inúmeras respostas possíveis, uma diz respeito ao fato de aí estarem plantadas as raízes da nossa sociedade. O mundo ocidental em que vivemos nasceu do sincretismo de elementos gregos, latinos e cristãos. Não somos nem cristãos, nem gregos ou latinos, somos uma construção cultural envolvendo esses e outros elementos. Foram os processos históricos que nos transformaram no que somos: o mundo ocidental construídos a partir dessas raízes.

Em vista disso é se torna válida a indagação sobre como se organizava a sociedade e a economia dos povos gregos e latinos.

Como já foi afirmado acima, o mundo grego é um emaranhado cultural que mantém alguns traços em comum: a língua, alguns costumes e o fato das cidades-estado serem administradas por uma elite oligárquica, caracterizando um mundo descentralizado. Por isso o que se diz de uma cidade grega, nem sempre se aplica a outras. As características de Atenas são bem distintas de Esparta. E ambas se diferenciam de Tebas ou Corinto. Mas em todas teremos uma sociedade fundamentada no trabalho escravo e administrada pelo que podemos chamar de elite agrária  pois vive da exploração da terra, por meio do trabalho escravo. As particularidades, como já dissemos, devem ser buscadas em cada região ou em cada época. Entretanto esses traços comuns permanecem.

No mundo romano, contrariamente ao mundo grego, ocorre centralização político-administrativa. Ademais, a centralização administrativa na cidade de Roma pode ser apontada como a causa principal para a formação de um imenso império e o mesmo ter se mantido unido e relativamente estável por vários séculos. Assim, ao falarmos do mundo grego não podemos, em princípio, ter um cidade em particular, embora Atenas e Esparta, em geral, sejam as cidades de referência; já o mundo romano se fundamenta nas decisões adotadas pela elite patrícia reunida na cidade de Roma.

É evidente que existem as particularidades e especificidade de cada época, entretanto podemos dizer que nas sociedades grega e romana existem características comuns: são formadas por proprietários de terra que a exploram com mão de obra escrava. A posse da terra, em ambas as sociedades, é o elemento determinante para a caracterização da cidadania. E, além disso, são essas elites que determinam os rumos políticos da sociedade. Nas cidades-estado gregas, os proprietários-cidadão, escolhem entre si  e entre os mais ricos  aqueles que deverão comandar a cidade; no mundo romano essa atribuição cabe aos patrícios.

E aqui cabe mais um esclarecimento. A cidadania depende da riqueza originária da terra. A posse da terra possibilita a concentração da riqueza e esta, por sua vez é uma das condições da cidadania. São os cidadãos que detêm o poder político e, portanto, constroem a democracia. Por esse motivo é que a democracia, além de ser fruto da riqueza, depende do trabalho escravo. No mundo grego o cidadão é cidadão porque tem escravos aos quais explora e dos quais depende sua subsistência e em oposição ao estrangeiro que pode ate ser rico mas não pode gozar da cidadania, como comenta Florenzano (1986, p. 26): Desde o período arcaico

"a idéia e a prática da comunidade igualitária e, portanto, de democracia vão se cristalizando. Em contrapartida à noção do cidadão participante, membro integrante da comunidade  na verdade a pólis são os cidadãos  a noção de escravo mercadoria e a de estrangeiro aparecem com muito maior nitidez. Democracia e escravidão apresentam-se a partir desta época como idéias dependentes entre si".

Em outras palavras podemos dizer que o mundo grego, da mesma forma que mais tarde ocorreria com Roma, não teria produzido a cultura e as inovações que nos legou se não tivesse explorado o trabalho escravo (CARNEIRO, 2008). Grécia e Roma ganharam o destaque e tornaram-se a gênese do mundo ocidental em virtude da exploração do trabalho escravo. Por isso, em oposição ao mundo oriental,  e ao modo de produção asiático  o ocidente nasce com o modo de produção escravista: explorando a mão de obra escrava as elites se apropriaram da terra e das decisões políticas.

Isso posto podemos dizer que a economia tanto no mundo Grego como romano tinha por base a exploração do trabalho escravo e, embora ambas as sociedades fossem urbanizadas, as principais atividades produtivas eram relacionadas à terra. Os escravos realizavam todas as atividades, tanto na cidade como o campo. Entretanto as atividades rurais eram aquelas que mantinham a subsistência das cidades gregas e do mundo romano.

Nessas sociedades só existiam ricos e escravos? É a pergunta que muitos podem estar se fazendo, diante do exposto. A resposta é não. A estrutura social do período clássico era relativamente complexa. Além dos cidadãos (cidadão, no mundo grego e patrício, no mundo romano), existiam várias camadas sociais formadas por pessoas livres. Constituíam-se de médios e pequenos proprietários, artesãos, além de uma infinidade de pessoas que viviam às custas de vender o próprio trabalho ou na extrema miséria. Eram tantos em Roma, a partir do século II aC., que muitas vezes eram usados pelos grupos rivais nas lutas pelo poder. Formavam uma verdadeira "massa em disponibilidade, pronta a lutar ao lado de um ou de outro partido político. Daí o nome de 'classe perigosa' [...]. Com efeito, sua participação como massa de manobra foi intensa durante as crises" (FLORENZANO, 1986, p. 83). Para essa multidão foi que a partir de Augusto se desenvolveu a política do pão e circo.

Apesar de existirem inúmeras camadas, nas sociedades grega e romana, elas pouco representavam em termos de decisão política ou poder econômico. Sua função era exercer a atividade para a qual se constituíam. Eram o que Homero chamou de "demiurgo" trabalhador livre, com uma especialidade.

Tudo isso implica dizer que, apesar de existirem as especificidades de cada sociedade, o mundo grego e romano possuem grandes semelhanças e, porque não dizer, continuidades...

ARISTÓTELES, A Política. Disponível em: , acesso em 10/02/2010

BLOCH, Marc, Apologia da História ou o ofício do historiador. Rio de Janeiro: Zahar. 2001.

CALDAS, Alberto Lins. A criação da história. In. Primeira Versão. ano V, nº 180 - fevereiro - Porto Velho, 2005. Disponível em:

CARNEIRO, Neri P. Estudar História in: www.webartigosos.com, publicado em: 7/04/2008. Disponível em:

CARNEIRO, Neri P. Porque A Filosofia Nasceu Na Gréciain: www.webartigosos.com, publicado 2/04/2008. Disponível em:

FLORENZANO, Maria B. B. O mundo antigo: economia e sociedade. 6 ed. São Paulo: Brasiliense. 1986

Neri de Paula Carneiro  Mestre em Educação, Filósofo, Teólogo, Historiador.

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Autor: Neri P. Carneiro