A Solidão Do Ser



O meu esforço consiste em demonstrar que o saber é, na realidade, uma imanência, e que não há ruptura do isolamento do ser no saber; que, por outro lado, na comunicação do saber nos encontramos ao lado de outrem, e não confrontados com ele, não na verticalidade do em frente dele.

Mas estar em relação directa com outrem não e tematizar outrem e considera-lo da mesma maneira como se considera um objecto conhecido, nem comunicar-lhe um conhecimento. Na realidade, o facto de ser é o que há de mais privado; a existência é a única coisa que não posso comunicar; posso canta-la, mas não posso partilhar a minha existência.

Este trecho pra mim diz tudo sobre a minha relação com o outro. "É banal dizer que nunca existimos no singular. Estamos rodeados de seres e de coisas com as quais mantemos relações". É o problema do com, como possibilidade de sair da solidão, que aqui é formulado. Existir com representará uma partilha verdadeira da existência?

É pelo existir que sou sem portas nem janelas, e não por qualquer conteúdo que em mim seria incomunicável. Se é incomunicável, é porque está enraizado no meu ser, que é o que há de mais privado em mim.

A própria expressão enganar a sua solidão indica o caracter ilusório e puramente aparente de tal saída de si. No que respeita ao conhecimento: ele é, por essência, uma relação com aquilo que se iguala e engloba, com aquilo cuja alteridade se suspende, com aquilo que se torna imanente, porque está á minha medida e á minha escala. O conhecimento mais audacioso e distante não nos põe em comunhão com o verdadeiramente outro; não substitui a sociabilidade; é ainda e sempre uma solidão.

A linguagem foi, é e será o grande instrumento da sociedade humana Heidegger definiu a linguagem como a casa do ser. O pensamento humano encontra nele o perfeito mecanismo para expressar-se "nesta habitação do ser mora o homem". A libertação da linguagem dos grilhões da Gramática e a abertura de um espaço essencial mais originário estão reservados como tarefa para o pensar e poetizar.

Como definimos o pratico, o teórico, pensamento e sua expressão na linguagem Heidegger afirma que o elemento é aquilo a partir do qual o pensar e capaz de ser um pensar. O elemento é o que propriamente pode: o poder. Ele assume o pensar e o conduz assim, para sua essênciadito de maneira simples o pensar é o pensar do ser.

Quando o pensar chega ao fim, na medida em que sai de seu elemento, compensa esta perda, valorizando-se como tékhne, como instrumento de formação, e por este motivo, como atividade acadêmica e, mais tarde, como atividade cultural. A filosofia vai transformar-se em uma técnica de explicação pelas causas últimas.

Porem a linguagem não esta livre de um certo esvaziamento da linguagem, que grassa em toda parte e rapidamente, não corrói apenas a responsabilidade estética e moral em qualquer uso da linguagem.

A linguagem abondona-se, ao contrario, a nosso puro querer eà nossa atividade, como um instrumento de dominação sobre o ente.

Uma grande inquietação para a sociedade é saber de onde ela vem e Haidegger responde que ela origina-se na própria sociedade. O homem socializado é para ele o homem natural. É na sociedade que a natureza do homem, isto é, a totalidade de suas necessidades naturais (...). Mas foi somente na republica romana que o humanitas foi expressamente pensado e visada em seu nome.

O homo humanus é, aqui, o romano que eleva e enobrece a virtus romana através da incorporação da Paidéia herdada dos gregos. O conceito hoje da palavra humano passa pelo empenho para que o homem se torne livre para sua humanidade, para nela encontrar sua dignidade, então o humanismo se distingue, em cada caso, segundo a concepção da liberdade e da natureza do homem.

Ao contrário (...), do que muitos pensam o homem é "jogado" pelo ser mesmo na verdade do ser, para que, ec-sistência, desta maneira, guarde a verdade do ser, para que na luz do ser o ente se manifeste como o ente efetivamente. O ser mesmo é a relação, na medida em que retém, junto a si, a ec-sistência em sua essência existencial (...). a citação a seguir talvez expresse definitivamente os objetivos do autor a tentar responder sobre o humano.

Suponho que o homem, no futuro, seja capaz de pensar a verdade do ser, então ele pensa a partir da ec-sistência. Ec-sistindo está ele postado no destino do ser. A ec-sistência do homem é, enquanto historial, mas isto não, em primeiro lugar e apenas pelo fato de, no decurso do tempo, muitas coisas acontecem com o homem e as coisas humanas. Pelo fato de tratar-se de apenas a ec-sistência do ser-aí, por isso o pensar, em Ser e Tempo, está tão fundamente interessado em que seja experimentada a historicidade do ser-aí.

Não podemos deixar de lembrar sempre que se o âmbito da verdade do ser é um beco sem saída ou o livre espaço em que a liberdade reserva sua essência. Haidegger ainda afirma que "A essência do homem reside na ec-sistência".

A partir dessas concepções Haidegger esclarece que o humanismo significa, agora, caso nos decidamos a manter a palavra: a essência do homem é essencial para a verdade do ser, mas de tal modo que, em conseqüência disto, precisamente não importa o homem simplesmente como tal.

Apenas após a descoberta pelo homem de sua essência é que podemos partir para a verdade do ser deixar-se pensar a essência do sagrado e a partir do sagrado chegamos a essência da divindade.

O nadificar desdobra seu ser no ser e, (...), no ser aí do homem, na medida em que este ser-aí é pensado como a subjetividade do ego cogito. O ser-aí não nadifica, de maneira alguma, na medida em que o homem, como sujeito, realiza o ato de nadificação, no sentido da recusa.O ser é a proteção que guarda o homem em sua essência ec-sistente, de tal maneira, para a sua verdade, que ela instala a ec-sistencia na linguagem. É por isso que a linguagem é particularmente a casa do ser e a habitação do ser humano.

O pensar está na descida para a pobreza de sua essência precursora. E Haidegger ainda completa dizendo que o pensar está na descida para a pobreza de sua essência precursora. meu correto e seguro acesso ao outro, o desvelar da face do outro, o meu em si e o seu em si. O desvelar da face do outro como coloca-me diante da minha própria face de ser humano?

Todo conhecimento temático comete uma violência à alteridade do outro. O acesso intencional iguala tudo, neutraliza tudo, porque quer ver tudo. O outro não pode ser visto nem pelos olhos do corpo nem pelo olho da razão. Já dissemos: não existe a possibilidade de se fazer uma fenomenologia da face, traço do outro. O conhecimento por iluminação do tipo heideggriano não é mais apropriado como acesso ao outro que o pensamento representacional.

Os seres humanos organizaram-se em sociedade para melhor subsistir, Levinas com total probidade afirmou que o preço da verdadeira "socialidade" é a total heteronomia, total responsabilidade para com outro, sem simetria, sem reciprocidade.

A minha responsabilidade para com o outro vai ate onde?

Pode a idéia de responsabilidade imediata ser aceita como oponto de partida de uma filosofia alternativa? A melhor maneira de discutir essa questão consiste em indagar se essa idéia permite a elaboração de uma teoria da ética e uma teoria da justiça.

Da assimetria da relação com o outro segue-se que estar no mundo, viver, não é bom direito de ninguém mas algo que precisa ser concedido pelo outro. Outro trecho do texto é interessantíssimo Levinas afirma que se desejarmos ser fiéis aos outros ao sentido ético da vida humana, devemos sempre perguntar-nos se temos o direito de ser sem poder jamais tomar nem o ser (a natureza) nem nós mesmos como fonte desse direito.

Agora adorei a frase a seguir, pois ela expressa bem um critério primordial da sociedade, um critério que não devemos esquecer. "Em virtude da nossa heteronomia radical, todo exercício autônomo de liberdade é também usurpação. Para fazer qualquer coisa devemos pedir permissão. Até mesmo para ter opiniões pessoais".

Eu e o outro, o outro e eu, a relação entre nós esta a partir do encontro com meu alter ego ou quando encontro o alter ego do outro. Os existencialistas vêm afirmando através dos tempos que a simetria entre eu e o outro: o outro só pode ser pensado como um outro eu, como um alter ego.

Até onde podemos chegar em ternos de relações com outro, até onde sou livre para realizar o que bem quero, até onde sou responsável pelo outro e seus atos, somos todos realmente 'iguais', as religiões e muitos filósofos vem tentando fundar uma ética igualitária que abarque todo ser humano, uma ética que responda questões fundamentais da convivência humana, o desvelar da essência humana passa com certeza pelo ato social "pelo outro", o texto conclui que uma e outra religião parece revelar uma dimensão essencial do humano, uma e outra, entretanto, exigem cautela e pedem críticas, não apenas as religiões mas toda a sociedade precisa rever seus conceitos, e toda ela merece crítica.


Autor: Robson Stigar