Tipos de Cistites e o Agravamento das Patologias Renais



Patologias Renais

Éder Assis Vieira

1. Introdução

Os rins têm como função a excreção de metabólitos tóxicos ao organismo através da depuração sangüínea, reabsorção de fluidos e alguns processos endócrinos como a produção de hormônios como a eritropoetina, que estimula a medula óssea n produção dos glóbulos vermelhos. Dentre estas importantes funções estão o controle do volume e composição do sangue, auxílio na regulagem da pressão e pH sanguíneos, transporte da urina dos rins à bexiga urinária, armazenamento e eliminação da urina. Quando ocorre o rompimento da homeostase não há mais entrosamento entre os órgãos, e estes começam a trabalhar em ritmos diferentes, pois alguns precisam trabalhar mais e outros menos para poderem se adaptar à situação, o que muitas vezes ocasionam diversas patologias renais.


2. Cistite
A cistite é uma entidade comum, cuja causa mais freqüente na fase aguda é a Escherichia coli seguindo-se o Proteus, a Klebsiella e o Enterobacter. As principais manifestações clínicas são a dor na região suprapúbica e disúria. Macroscopicamente, observa-se hiperemia difusa da mucosa e, em alguns casos, erosões ou mesmo ulcerações. Com a persistência do agente lesivo, a cistite torna-se crônica, caracterizada pelo predomínio de células redondas, notadamente linfócitos.

3. Formas especiais de cistites:

3.1 Cistite glandular: O epitélio urotelial pode invaginar ? se no conjuntivo da mucosa formando os chamados ninhos de Von Brunn. Com o decorrer do tempo, estes agrupamentos sólidos de células uroteliais podem sofrer uma cavitação central, revestida por células colunares, constituindo a cistite glandular tipo usual. Caso haja metaplasia deste epitélio para produção de muco, a cistite glandular será do tipo intestinal. Havendo dilatação das glândulas, a cistite será chamada cística. Em casos mais raros, as glândulas mostram aspecto histológico semelhante a túbulos renais, denominando-se esta lesão de metaplasia nefrogênica.

3.2 Cistite intersticial: é doença rara. Acomete, mais frequentemente, mulheres entre 30 e 50 anos de idade. As manifestações clínicas consistem em dor supra ou retropúbica, intermitente ou contínua, polaciúria e disúria ou hematúria. Para o diagnóstico clínico é imprescindível que haja ausência de infecção do trato urinário e os sintomas tenham mais de seis meses de duração.

3.3 Cistite eosinofílica: é moléstia rara, de causa desconhecida, ocorrendo em crianças e adultos de ambos os sexos. Na ausência de outras lesões, manifesta-se por disúria, frequentemente acompanhada de hematúria, e tem tendência à cronicidade com exacerbações. Pode ocorrer ou não eosinofilia periférica, e o paciente poderá ter ou não antecedentes de moléstias alérgicas. O diagnóstico clínico é difícil e deve ser confirmado por biópsia vesical.
A moléstia é considerada manifestação de alergia vesical, induzida por várias substâncias antigênicas. Admite-se que a penetração da substância antigênica se faz localmente através da mucosa, a qual deve estar lesada para que isto ocorra. Esta afirmação é baseada em trabalhos experimentais mostrando que reações de hipersensibilidade da bexiga por introdução de antígenos através da mucosa não ocorrem quando ela está íntegra.
O tratamento, geralmente, consiste no uso de antibióticos quando há infecção bacteriana secundária; corticosteróides, em casos com sintomatologia intensa; e, principalmente, identificação e remoção de possíveis substâncias alergênicas.

3.4 Cistite atônica: é observada, mais frequentemente, em casos avançados de carcinoma do colo uterino em que se emprega a radioterapia com modalidade terapêutica. Microscopicamente, o quadro histológico é de uma cistite aguda com presença, em casos característicos, de fibrose da mucosa, hialinização da parede de vasos sanguíneos e antipias nucleares no epitélio de revestimento uroendotelial.

4. Glomerulonefrite Aguda

São afecções que acometem o glomérulo, estrutura microscópica formada por um emaranhado de capilares semelhantes a um novelo de lã. É a principal estrutura renal responsável pela filtração do sangue. As conseqüências da agressão glomerular são basicamente: proteinúria, hematúria, queda da filtração glomerular, retenção de sódio e hipertensão. Dependendo da intensidade e do tipo da agressão, pode haver predomínio de um sinal sobre outro, dando origem a diferentes apresentações clínicas: síndrome nefrítica, síndrome nefrótica, não-nefrítica e não-nefrótica. A síndrome nefrítica é definida como o aparecimento de edema, hipertensão arterial e hematúria (geralmente macroscópica). Síndrome nefrótica é caracterizada por proteinúria de 24 horas maior que 3,5 gramas em adultos ou 50 mg/kg em crianças, edema, hipoalbuminemia e hipercolesterolemia. Na apresentação não-nefrítica e não-nefrótica são classificados aqueles casos que não se encaixam nas classificações descritas anteriormente. Considerando todos os glomérulos presentes no tecido renal temos os seguintes termos:
? Lesão difusa: todos os glomérulos do rim estão acometidos.
? Lesão focal: apenas alguns glomérulos estão acometidos.
Considerando apenas um glomérulo temos:
? Lesão segmentar: ocorre quando parte ou segmento do glomérulo está acometido.
? Lesão global: todo o tufo capilar de um glomérulo está lesado.


4.1 Glomerulonefrite Crônica

Definição
Estágio avançado de um grupo de distúrbios renais, os quais produzem inflamação e destruição gradual e progressiva dos glomérulos (estruturas internas dos rins. A glomerulonefrite crônica é uma doença que ocorre quando há destruição lenta e progressiva dos glomérulos renais, com a perda progressiva da função renal. Alguns casos são causados por estímulos específicos ao sistema imunológico, mas a causa precisa da maior parte dos casos é desconhecida. Acredita-se que anormalidades até agora não definidas do sistema imunológico sejam responsáveis por esses casos. Esta doença é uma causa da hipertensão e da insuficiência renal crônica. O dano aos glomérulos compromete a eficiência da filtragem, permitindo que sangue e proteína passem para a urina. Como os sintomas se desenvolvem gradualmente, o distúrbio pode ser detectado devido aos valores anormais de urinálise realizada durante exame físico de rotina ou exames para distúrbios não relacionados. Pode ainda ser uma causa de hipertensão de difícil controle. O distúrbio é pouco comum e afeta somente 4 em 100.000 pessoas. É possível chegar a um diagnóstico preciso, como glomerulonefrite membranosa, nefropatia por IgA (doença de Berger) , glomeruloesclerose segmental focal, glomerulonefrite mesangial proliferativa, nefropatia/esclerose diabética, nefrite de lupo ou nefrite associada a distúrbios, como amiloidose, mieloma múltiplo ou distúrbios de imunodeficiência, como a AIDS. Esta doença pode se desenvolver após superada a fase aguda de glomerulonefrite rapidamente progressiva. Aproximadamente 1/4 das pessoas acometidas por glomerulonefrite não apresentam história prévia de doença renal e o distúrbio inicialmente aparece como uma insuficiência renal crônica.



5. Insuficiência renal

A insuficiência renal é a falência do rim, é a impossibilidade de realizar suas funções de maneira satisfatória. O rim é o órgão responsável pela filtragem do sangue, retirando do sangue a uréia, o ácido urico, o fósforo e o hidrogênio. Além disso, reabsorve albumina, sódio, potássio e cálcio.
O rim também é responsável pela produção dos seguintes hormônios:
? Eritropoietina - estimula a produção de glóbulos vermelhos
? Sistema renina angiotensina aldosterona - Aumenta a pressão arterial
? Calcitriol - Vitamina D ativada, aumentando o cálcio dos ossos.

5.1 Classificação

A insuficiência renal é classificada em aguda e crônica. Aguda é quando esta insuficiência é instalada em horas ou no máximo poucos dias. Uma insuficiência renal aguda pode progredir para crônica ou melhorar, mas a insuficiência renal crônica pode ir se instalando aos poucos, piorando gradativamente o quadro renal, sem nunca ter passado pela forma aguda. A insuficiência renal crônica é a considerada não reversível, restando no fim apenas a hemodiálise,diálise peritoneal e transplante renal.
A insuficiência renal aguda é classificada em "Pré renal", "Renal" e "Pós renal". A insuficiência renal aguda pré renal é aquela que ocorre porque o sangue não chega com volume suficiente no rim. Isto pode ocorrer por choque não tratado adequadamente, ficando o rim muito tempo com baixo fluxo sanguíneo.O melhor tratamento nestes casos é geralmente a reposição de volume com soluções salinas.Geralmente ocorre por queda do LEC(liquido extracelular) que é sinalizado por queda do pulso venoso jugular e pressão sanguínea.Um aumento do LEC também pode causar IRA desde que esteja associado com diminuiçao do volume sanguineo absoluto. O tipo pós renal ocorre quando há uma obstrução na saída da urina, como uma sonda vesical mal posicionada, um cálculo renal obstruindo o ureter ou uma ligadura cirurgica do ureter. As causas renais são aquelas em que a doença está no próprio rim. As principais causas são:
? Glomerulonefrites Crônicas
? Pielonefrites crônicas (infecção do rim)
? Nefropatias de origem genética como rins policísticos
? Nefropatia causada pelo diabetes mellitus
? Nefropatia causada por toxicidade medicamentosa
? Nefropatia causadas por alterações na artéria renal
A principal causa de de insuficiência do parênquima renal é a necrose tubular aguda(NTA) resultante de um ataque isquêmico ou nefrotóxico. Seu diagnóstico é feito através da exclusao de outras patologias como a glomerulonefrite,vasculites etc.
Aproximadamente 180 litros de sangue são filtrados e refiltrados pelos rins todos os dias. Em situações normais o rim produz cerca de 1,2 litro de urina por dia, podendo produzir mais caso haja ingestão de muito liquido e menos caso haja restrição hídrica.

6. Tratamento
O tratamento da insuficiência renal vai depender da fase em que o paciente se encontra. Caso seja uma insuficiência renal aguda do tipo pré renal recomenda-se fornecer volume na forma de solução salina, cuidando para evitar a sobrecarga e insuficiência cardíaca congestiva. Também é possível através de uma massagem melhorar. A insuficiência aguda pós renal,o tratamento consiste em desobstruir a saída da urina. Para o tipo renal, o melhor tratamento é a prevenção, tratando adequadamente a hipertensão arterial, o diabetes mellitus e evitando medicamentos nefrotóxicos. As infecções devem ser prontamente tratadas para evitar suas complicações, portanto se você acha que se encontra com um desses quadros clínicos, procure imediatamente um nefrologista, pois ele é o profissional indicado para prescrever-te um tratamento. Existem tratamentos eficazes à base de Aloe Vera.


7. Conclusão

Conclui-se que os fatores importantes das doenças renais são o estresse oxidativo exacerbado, medido pela oxidação lipídica, protéica e de carboidratos (AGES) e que ocasiona dano tecidual, e a disfunção endotelial, agravada pelo ambiente urêmico e por outros fatores. Estas alterações, em conjunto, e a quebra homeostática do organismo, constituem a base do processo patogênico de diversas doenças renais, contribuindo para a sua elevada morbi-mortalidade.

8. Referencias bibliográficas

FARIA, José Lopes. Patologia Especial com aplicações Clínicas. Ed. Guanabara Koogan, 2º edição.
JUNQUEIRA, L. C. & CARNEIRO, J. Histologia Básica. 8ª Edição. Rio de Janeiro, Editora Guanabara Koogan. 1995.

GUYTON, A.C.; HALL, J.E. Tratado de Fisiologia Médica. 11ª ed. Rio de Janeiro, Ed. 2006.
Sociedade Brasileira de Nefrologia. Disponível em: www.sbn.org.br.

Autor: Eder Assis Vieira