Maus Hábitos Alimentares



MAUS HÁBITOS ALIMENTARES

Cinara Farias Bastos1
Cinarafb@hotmail.com
Mônica Arruda Machado1
Welliam Janne Pereira de Souza1

RESUMO

O artigo científico apresenta a análise de alguns malefícios causados por uma alimentação inadequada e o conhecimento de algumas doenças acometidas pela mesma enfatizando como a ingestão exagerada de gorduras, açucares e sal, na infância, comprometem o funcionamento normal do organismo afetando assim a saúde do indivíduo na fase adulta.

Palavras – chaves: Alimentação.Infância.Malefícios.Saúde.

ABSTRACT

Bad Alimentary Habits

Summary: The Scientific article presents the analysis of some curses caused for an inadequate feeding and the knowledge of some illnesses attacks for the same one emphasizing as the exaggerated ingestion of fats, you sweeten and salt, in infancy, the health of the individual in the adult phase compromises the normal functioning of the organism thus affecting.

Words - keys: Feeding.Infancy.Health.
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1 Acadêmicas do curso de Enfermagem FASB, 8° Semestre “A”- 2008-2.


INTRODUÇÃO

Uma alimentação equilibrada garante o que o organismo precisa para enfrentar infecções, além de prevenir doenças crônicas. Por isso, nem sempre se tem boa saúde pelo fato de se consumir qualquer alimento. Alimentar-se não significa comer tudo o que se vê pela frente ou o que se tem vontade. Afinal, a nutrição desempenha papel fundamental para a obtenção da qualidade de vida porque contribui para o bem estar físico e mental.
Vários são os fatores que influenciam a uma alimentação inadequada. Muitas crianças almoçam e/ou lancham na escola. Quando não participam da alimentação escolar, levam a merenda de casa ou dinheiro para comprar seu lanche. Nos casos em que não há a participação dos pais na escolha dos alimentos, é necessária a orientação de profissionais qualificados na área, principalmente no caso do almoço (refeição de grande importância para os brasileiros, responsável por boa parte de toda a parte calórica e de nutrientes do dia).
Há demonstrações de que, entre outros diversos fatores, o tempo que um adolescente passa assistindo TV ou na frente do Computador, pode estar associado à obesidade: cada hora pode ser associada, em média, a um aumento na prevalência da obesidade que torna-se um problema de saúde pública agravado pelo fato de que os meios de comunicação exercem grandes influências sobre os hábitos alimentares e promovem o sedentarismo, por transmitirem propagandas que incentivam o consumo de alimentos de alto teor calórico.
A grande maioria das doenças do século são causadas em parte por maus hábitos alimentares onde as mais comuns são: obesidade, distúrbios alimentares (anorexia nervosa, bulimia nervosa, comer – compulsivo, depressão), hipertensão, doenças cardiovasculares (AVC, Infarto, insuficiência cardíaca) e diabetes.
Através de uma boa alimentação pode-se evitar ou mesmo erradicar boa parte destas doenças.
Por esse motivo é que consideramos a importância da escolha do tema do artigo, "Maus Hábitos Alimentares", pois nos permitirá uma avaliação real da magnitude do problema no sentido de conhecer os malefícios causados por hábitos inadequados, bem como algumas doenças geradas pelos mesmos.

OBJETIVO GERAL

Conhecer os males causados por inadequados hábitos alimentares adquiridos na infância e suas conseqüências na idade adulta.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

- Demonstrar como a ingestão exagerada de gorduras, açucares e sal podem causar prejuízos à saúde;
- Identificar os principais fatores que influenciam uma alimentação inadequada;
- Identificar as principais doenças causadas por hábitos alimentares inadequados;

MÉTODO

Foi utilizada uma pesquisa bibliográfica desenvolvida a partir de material já elaborado, constituída principalmente pelos autores Stevens, Canal Ciência, Varella e ABESO.
Os maus hábitos alimentares serão tratados neste artigo, através de um método de abordagem dedutivo, pelo qual irá se procurar alcançar um denominador comum entre os autores, assim, a partir da análise de uma realidade geral, teremos condições de pensar o problema em dimensões particulares, tomando como referências as teorias que tratam do tema optamos também, por uma abordagem qualitativa, uma vez que ele permite apresentar indicação de caminhos para sua atenção. Os maus hábitos alimentares serão abordados em múltiplas dimensões, tais como, sociais, culturais e econômicas.

DISCUSSÃO

Os hábitos alimentares, adequados ou não são formados até os 2 anos de idade e serão os mesmos por toda a vida do indivíduo, se não houver preocupação em mudá-los (CANAL CIÊNCIA, 2007).
Ainda de acordo com autor acima citado, para fins de uma reeducação alimentar, os hábitos inadequados devem ser revertidos e os bons hábitos incentivados, pois os conflitos podem persistir se alguma atitude não for tomada. Esta tarefa não é mais apenas dos pais, uma vez que a criança vai crescendo, ganhando espaço e formando sua opinião sobre muitos fatos e entre eles, a sua alimentação, mas também da escola, professores, amigos e anexos de comunicação através de seus programas e anúncios publicitários.
De acordo com Varella (2007):

“o que costuma acontecer, principalmente no lanche, é a criança levar na lancheira alimentos pobres em nutrientes por serem estes os mais práticos, como por exemplo: refrigerante com “cheeps” (salgadinhos em pacote), ou então, a criança leva dinheiro para comprar lanche na cantina, onde as suas preferências não terão nenhum embasamento nutricional”.

São vários os prejuízos de uma alimentação incorreta. A curto prazo, a criança pode ter vários, e no futuro, pode desenvolver problemas cardiovasculares, hipertensão e obesidade (STEVENS, 2002).
Nota-se significativamente um aumento no tempo gasto com o hábito de assistir TV, navegar no computador, no Brasil, cerca de cinco horas por dia. Sabe-se que uma exposição de apenas trinta segundos a propagandas de alimentos é capaz de influenciar a escolha de crianças por determinados produtos, o que mostra que o papel destes veículos de comunicação no estabelecimento de hábitos alimentares deve ser investigado (ABESO, 2007).
Diante da TV ou do Computador, uma criança pode aprender concepções incorretas sobre o que é um alimento saudável, uma vez que a maioria dos alimentos veiculados possui teores de gorduras, açucares e sal, reduzindo o consumo de leguminosas, verduras, frutas e sucos naturais e ascensão do consumo já excessivo de açúcar refinado e refrigerantes (CANAL CIÊNCIAS, 2007).
Segundo Abeso (2007), os maus hábitos alimentares estão associados a diversos danos à saúde, entre eles, a obesidade, cujos índices tem crescido nas últimas décadas como resultado no consumo de alimentos com alta densidade calórica e redução na atividade física.
Conhecer como os meios de comunicação influenciam no estilo de vida e, principalmente, o comportamento alimentar, é essencial na tarefa de educar, informar e aconselhar os pais a respeito da influência da TV e do Computador nas escolhas alimentares de seus filhos, além de dar subsídios para elaboração de estratégias de intervenção contra sua disseminação, assim, um comportamento sedentário, aliado aos dados da análise qualitativa dos alimentos anunciados, indica uma situação preocupante no campo da saúde pública. Alimentação baseada em grandes quantidades de alimentos industrializados, maior acesso aos confortos propiciados pela tecnologia (elevadores, carros, controles, remotos, entre outros) contribui para o sedentarismo. Fenômenos típicos dos processos de industrialização e urbanização, os hábitos da modernidade vêm gerando brasileiros mais gordos, imaturos e estressados do que nunca (STEVENS, 2002).
Segundo Varella (2007), em nutrição, o homem tem cometido as maiores violações contra a natureza. As conseqüências em forma de enfermidades, velhice, irritabilidade, fraqueza, obesidade, estão aí mesmo para comprovar.
“Mas o homem não é de corrigir-se. Tende a persistir errando. Erra em comer escassamente. Erra por seu apetite devorador. Come errado por não escolher o mais adequado. Erra também na forma de preparar e consumir.
Possivelmente haverá poucas pessoas que não saibam que devorar grandes porções de alimentos é uma forma de encurtar a vida.
Mesmo sabendo que estão praticando lento suicídio muitos homens e mulheres devoram enormes quantidades em cada refeição: não tem como resistir à gula obsessiva”.

Algumas doenças causadas pelos maus hábitos alimentares:

- Obesidade: Stevens (2002) afirma que a obesidade pode ser considerada como uma forma de overdose crônica de calorias, resultante de uma combinação de ingestão excessiva e degradação inadequada de calorias. As calorias em excesso são armazenadas no organismo como depósitos de gordura nos adipócitos. Os efeitos externos mais visíveis dos acúmulos de gordura ocorrem no tecido adiposo subcutâneo, levando ao seu aparecimento.
A obesidade é o maior problema de saúde da atualidade e atinge indivíduos de todas as classes sociais, tem etiologia hereditária e constitui um estudo de má nutrição em decorrência de um distúrbio no balanceamento dos nutrientes, induzidos entre outros fatores pelo excesso alimentar. O peso excessivo causa problemas psicológicos, frustrações, infelicidade, além de uma gama enorme de doenças lesivas. O aumento da obesidade têm relação com o sedentarismo, a disponibilidade atual de alimentos, erros alimentares e pelo próprio ritmo desenfreado da vida atual.
A obesidade relaciona-se com dois fatores preponderantes: a genética e a nutrição irregular. A genética evidência que existe uma tendência familiar muito forte para a obesidade, pois filhos de pais obesos tem 80% a 90% de probabilidade de serem obesos. A nutrição têm importância no aspecto de que uma criança super alimentada será provavelmente um adulto obeso (ABESO, 20007).

- Distúrbios Alimentares:Os distúrbios alimentares são responsáveis pelos maiores índices de mortalidade entre todos os tipos de transtornos mentais, ocasionando a morte em mais de 10% dos pacientes. A grande maioria mais de 90% daqueles que sofrem de transtornos alimentares são mulheres adolescentes e jovens. Uma das razões pelas quais mulheres dessa faixa etária são mais vulneráveis a esses transtornos é a tendência de fazerem regimes rigorosos para obterem a silhueta “ideal” (CANAL CIENCIA, 2007).
Os distúrbios alimentares tornaram-se nos últimos 15 anos alvo de intensas pesquisas dado o grande aumento de sua incidência. Estudos na década de 80 nos EUA, revelaram que a anorexia nervosa (AN) é a terceira doença crônica mais comum entre adolescentes do sexo feminino (10 a 20 mulheres para 01 homem) só perdendo para asma e obesidade. Quanto à bulimia nervosa (BN) afeta 1% a 5% desta população, sendo também mais freqüente na mulher (VARELLA, 2007).
Não há como negar: uma das principais causas de stresse e ansiedade nos dias de hoje é a obsessão com a aparência. A cada ano, aumenta o número de vítimas de distúrbios alimentares como a bulimia e a anorexia e também de vítimas da obesidade. Mas, ao lado delas, também cresce assustadoramente o número de pessoas apenas infelizes – frustradas por que, apesar de estarem saudáveis, não atingem o padrão de beleza que a sociedade têm exigido delas (VARELLA, 2007).

- Diabetes: É uma enfermidade que se caracteriza pela sede intensa (polidpsia), apetite exagerado (polifagia) e urinas abundantes (poliúria), aumento de açúcar no sangue e eliminação de açúcar pela urina. Existem dois tipos de diabetes o 1 e 2.
O do tipo 2 é quatro ou cinco vezes mais comum do que o tipo 1 e, diferentemente do diabetes do tipo 1, onde há ausência total de insulina, no diabetes do tipo 2 os níveis plasmáticos de insulina são inicialmente normais ou podem até aumentar nos estágios iniciais antes de descrever a níveis abaixo do normal. O defeito do diabetes do tipo 2 consiste em uma combinação dos defeitos da deficiência relativa de insulina comportivamente às necessidades e o fenômeno de resistência, em que os tecidos são incapazes de responder a este hormônio (STEVENS, 2002).
A doença tem um componente genético, mas está muito associada ao pior do estilo de vida moderno, como dietas ricas em carboidratos, sedentarismo e excesso de peso. Anos e anos de hábitos pouco ou nada saudáveis podem incapacitar o pâncreas de produzir o hormônio insulina nas quantidades necessárias. Com isso, os níveis de glicose no sangue aumentam (ABESO, 2007).
Sem tratamento, o diabetes pode levar à cegueira, à impotência sexual, à necessidade de amputação das pernas e à morte. O tratamento do diabetes consiste em suprir a falta de insulina com injeções diárias. Antes de origem animal, o hormônio hoje é produzido inteiramente em laboratório e parecidíssimo ao produzido pelo pâncreas humano (STEVENS, 2002).

- Hipertensão: O coração bombeia o sangue para os demais órgãos do corpo por meio de tubos chamados artérias. Quando o sangue é bombeado, ele é "empurrado" contra a parede dos vasos sangüíneos. Esta tensão gerada na parede das artérias é denominada pressão arterial. A hipertensão arterial ou "pressão alta" é a elevação da pressão arterial para números acima dos valores considerados normais (140/90mmHg). Esta elevação anormal pode causar lesões em diferentes órgãos do corpo humano, tais como cérebro, coração, rins e olhos (VARELLA, 2007).
De cada dois brasileiros com mais de 50 anos, um é vitima do mal. A hipertensão é um dos principais fatores de risco para as doenças cardiovasculares como Acidente Vascular Cerebral (AVC), Infarto, Insuficiência Cardíaca, já que provoca lesões nas artérias. As gorduras circulantes na corrente sanguínea se depositam aí, o que aumenta a probabilidade dessas doenças. A pressão alta também pode levar a um derrame quando arrebenta uma artéria. A hipertensão tem um forte componente genético, mas a doença pode não se manifestar caso sejam adotados hábitos de vida saudáveis (STEVENS, 2002).
Entre eles, manter o peso sob controle, não fumar, praticar exercícios físicos regularmente, controlar o estresse e moderar o consumo de sal. A ingestão não deve ultrapassar 2 gramas diários. É possível ainda controlar a hipertensão com medicamentos. Há cerca de cinqüenta substâncias capazes de estabilizar a pressão, algumas delas distribuídas gratuitamente (STEVENS, 2002).

- Infarto: O infarto cardíaco ou “ataque do coração”, é a principal causa de morte no mundo ocidental apesar dos avanços em seu tratamento. Atualmente apresenta uma taxa de mortalidade em torno de 8 a 10% da população (CANAL CIENCIA, 2007).
A cada 32 segundos, uma pessoa morre vítima de uma doença do coração. No topo da lista está o Infarto Agudo do Miocárdio. Ele ocorre quando o aporte de sangue para uma parte do coração é suspenso de 20 minutos. Com a falta de irrigação, as células da região morrem o que acarreta uma necrose. A principal causa do problema e acúmulo de gordura na parede das artérias, que destrói a passagem do sangue. Esse é um processo lento e silencioso (CANAL CIÊNCIA, 2007).
Os sintomas típicos do infarto são angina – dor no peito freqüentemente irradiada para o braço esquerdo -, dificuldade para respirar, vômito e dor nas costas e no pescoço. Os fatores de risco mais importante são tabagismo, dieta rica em gordura, obesidade, sedentarismo e diabetes (VARELLA, 2007).

- Acidente Vascular Cerebral (AVC): Acidente Vascular Cerebral é a terceira maior causa de morte de pessoas com mais de 65 anos. Ele acontece quando o fluxo de sangue no interior das artérias e veias é interrompido ou quando há a ruptura de um desses vasos sanguíneos. Com isso, a irrigação de algumas partes do cérebro deixa de ser feita. As conseqüências dependem da região lesionada e do tamanho da lesão. Se os neurônios envolvidos forem relacionados a fala, por exemplo, essa função sofrerá prejuízo. Se estiverem ligados aos movimentos de um dos lados do corpo, a pessoa poderá ficar paralisada.
O AVC ocorre com uma freqüência de 02 indivíduos em 1.000 na população em geral. É definido então como uma manifestação súbita de déficit neurológico focal não traumático que leva à morte ou que perdura por mais de 24h (STEVENS, 2002).

CONCLUSÕES

Na busca por hábitos saudáveis a família e a escola tem papéis fundamentais. Em nosso meio, a obesidade infantil é um sério problema de saúde pública meio que vem aumentando em todas as camadas sociais da população brasileira;
A obesidade infantil é um sério agravo para a saúde atual e futura dos indivíduos; Prevenir significa diminuir, de uma forma racional e barata, a incidência de doenças crônico-degenerativas, como o diabetes e as doenças cardiovasculares;
A escola é um grande palco onde esse trabalho de prevenção pode ser realizado, pois as crianças fazem pelo menos uma refeição nas escolas, a escola possibilita a educação nutricional, que pode ser trabalhada em qualquer disciplina, e a escola facilita a atividade física; A promoção da alimentação saudável pode e deve ser feita juntamente com a família;A merenda escolar deve atender às necessidades nutricionais das crianças, não só em quantidade como em qualidade e ser um agente formador de hábitos saudáveis;
Ações governamentais regulatórias são essenciais, incluindo a regulamentação dos alimentos vendidos em cantinas escolares (já implantada em alguns municípios brasileiros, como Florianópolis e Rio de Janeiro).(ABESO –OMS)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

STEVENS, Alan. Patologias. 2ª ed. São Paulo: Manole, 2002.

VARELLA, Dráusio. Questão de Peso. Disponível em : http://www.globo.com/fantastico, acessado em 05 de maio de 2007.

MAUS HÁBITOS ALIMENTARES. Disponível em: http://www.canalciencia.ibrict.br, acessado em 05 de maio de 2007.

ABESO - Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica.Obesidade Infantil. Disponível em : http.: // www.abeso.org.br, ed 15ª, acessado em 09 de maio de 2007.
Autor: Cinara Farias Bastos