Projeto Político Pedagógico



1.1 – O Projeto Político Pedagógico construído

O objeto de estudo desta pesquisa é o Projeto Político Pedagógico. Para tanto iniciamos o nosso questionamento perguntado o que é o Projeto Político Pedagógico.

Romão & Gadotti (apud Padilha 2002:44) nos apresentam um conceito que possibilita muito mais um feixe de indagações do que de resposta

É preciso entender o projeto político pedagógico da escola como um situar-se num horizonte de possibilidades na caminhada, no cotidiano, imprimindo uma direção que se deriva de resposta a um feixe de indagações tais como: que educação que se quer e que tipo de cidadão se deseja, para que projeto de sociedade? A direção se fará ao se entender e propor uma organização que se funda no entendimento compartilhado dos professores, dos alunos e demais interessados em educação.

O conceito de Projeto Político Pedagógico no sentido etimológico do termo projeto vem do latim projectu – particípio passado do verbo projicere, que significa lançar para diante. Plano, intento, desígnio, empresa, empreendimento. Redação provisória de lei. Plano geral de edificação (Ferreira, 1975:144).

O projeto busca um rumo, uma direção. É uma ação intencional, com sentido explícito, com um compromisso definido coletivamente. Por isso todo projeto pedagógico de escola é, também, um projeto político por estar intimamente articulado ao compromisso sóciopolítico com os interesses reais e coletivos da população majoritária.

É político no sentido de compromisso com a formação do cidadão para um tipo de sociedade. "A dimensão política se cumpre na medida em que ela se realiza enquanto prática especificamente pedagógica" (Saviani, apud Silva, 1997: 13).

Na dimensão pedagógica reside a possibilidade de efetivação da intencionalidade da escola, que é formação do cidadão participativo, responsável compromissado, crítico e criativo. Pedagógico, no sentido de definir as ações educativas e as características necessárias às escolas de cumprirem seus propósitos e sua intencionalidade.

Ao construirmos os projetos de nossas escolas planejamos o que temos intenção de fazer, de realizar. Lançamo-nos para diante, com base no que temos, buscando o possível. É antever um futuro diferente do presente. Nas palavras de Gadotti (1994:144):

Todo projeto supõe rupturas com o presente. Projetar significa tentar quebrar um estado confortável para arriscar-se, atravessar um período de instabilidade e buscar uma nova estabilidade em função da promessa que cada projeto contem de estado melhor do que o presente. Um projeto educativo pode ser tomado como promessa frente a determinadas rupturas. As promessas tornam visíveis os campos de ação possível comprometidas seus atores e autores.

O significado de projeto compreende que vivemos numa civilização de projetos e que o vocábulo é utilizado em diferentes contextos e situações. É comum se afirmar que o projeto sempre existe ainda que nem sempre esteja necessariamente explicitado. A falta de explicitação propicia e assegura a manutenção de atitudes autoritárias por meio de orientações prescritivas e instituídas. O projeto pode ser analisado em diferentes níveis: institucional, acadêmico (de curso) e de ensino-aprendizagem (pedagogia de projeto).

A fim de exprimir a especificidade do projeto, é necessário considerar três pontos básicos:

a) O projeto tem uma dimensão utópica que significa, na verdade, o futuro "a fazer", uma idéia a transformar-se em ato. O projeto se compromete com o futuro. Santos sintetiza, com muita clareza, essa dimensão ao afirmar que a utopia "(...) é a exploração de novas possibilidades e vontades humanas, por via da oposição da imaginação a necessidade do que existe, só porque existe, em nome de algo radicalmente melhor que a humanidade ter direito de desejar e por que merece lutar" (1997: 323). Nesse sentido, a utopia será sempre algo razoável num futuro próximo, algo a tornar-se possível.

b) O projeto, por ser uma construção coletiva, tem efeito mobilizador da atividade dos protagonistas. Quando concebido, desenvolvido e avaliado como uma prática social coletiva, gera fortes sentimentos de pertença e identidade. No plano afetivo, a construção do projeto apresenta efeitos mobilizadores da atividade dos atores implicados, o que propicia compromissos e responsabilidades educativas. A participação é um elemento político e até garantia da execução e continuidade das ações. Vale reiterar que o projeto político-pedagógico não existe sem um forte protagonismo dos professores, pesquisadores, alunos, funcionários e a comunidade escolar em geral, sem que esses grupos dele se apropriem. Para tanto, teremos que usar os princípios da flexibilidade e da autonomia para desenvolver identidades mais distantes da padronização burocrática que instituem e implementam projetos políticos-pedagógicos próprios ou encomendados a terceiros.

c) O projeto é uma atividade articulada, decorrente de reflexão e posicionamento a respeito da sociedade, da educação e do homem. O que da clareza ao projeto político-pedagógico e sua intencionalidade. Ela é uma proposta de ação política educacional e não um artefato técnico. Isso implica a necessidade primordial de distinguir o fundamental e necessário do secundário e fortuito no processo de conhecimento, a fim de que o especifico da instituição não se dilua e se perca.

O instituído e os instituintes são dois componentes que devem ser trabalhados dialeticamente porque o instituído constitui referencia dos novos que operam com o instuinte. E a partir do instituído que o projeto se constrói como instuinte. Sem considerar o instituído criamos lacunas, desfiguramos memórias e identidades, perdemos o vinculo com a nossa historia (Gadotti, 1997:34). Assim, estabelecer relações com o instituído não é destruí-lo ou cristalizá-lo, mas inová-lo. É uma relação complexa uma vez instituído – instuinte não são dimensões justapostas. São duas dimensões do complexo processo de construção do projeto político-pedagógico.

Tornar-se instuinte, não significa negar o instituído dos espaços educativos que é a sua Historia, os seus métodos, o seu conjunto dos profissionais e alunos, o seu currículo, a sua finalidade social. A relação entre o instituído e os instuinte deve ser cultivada desde que se exerça uma compreensão do tempo como algo dinâmico e não linear e seqüencial. O projeto político-pedagógico instituído por decreto corre o risco de descaracterizar-se. A passagem do instituído para instituinte é um movimento de transição e ruptura (CNE, Parecer 15/98:59 apud VEIGA).

A instituição educativa é entendida como espaço-tempo de articulação entre o instituído (lei, norma, regra) e instituintes (comunidade escolar ou acadêmica), reservado a formação de todos os envolvidos no processo ensino-aprendizagem desencadeando uma reflexão coletiva. Portanto, projetar e explicitar solidariamente as intencionalidades e os propósitos dos sujeitos envolvidos na escola.

Partindo do pressuposto de que em todas as instituições educativas existe um projeto, mas encaminhado pelos órgãos centrais da administração educacional, ou seja, é instituído. Por isso, ele não e refletido coletivamente e, conseqüentemente, não representa a expressão, as aspirações e necessidades dos instituintes da escola. Esse projeto expressa as determinações legais e normativas do sistema.

É a partir do trabalho coletivo de todos os envolvidos que acontece o projeto político-pedagógico instituinte, o que ocorre à medida que:

(...) caracteriza-se por um processo permanente de reinterpretarão do passado à luz do presente. A hermenêutica [...] propõe a leitura da sala de aula, da instituição, das relações estabelecidas entre instituídos, do currículo, do processo de ensino aprendizagem, do projeto político-pedagógico, a fim de compreender os sentido que ai se fazem presentes e interagem (Meurer, 1998:106)

O projeto político-pedagógico é mais do que uma formalidade instituída. É a aproximação do que se pensa sobre a educação básica e superior, sobre o ensino, a aprendizagem, a produção e socialização dos conhecimentos, o aluno e o professor com a prática pedagógica que se realiza na instituição educativa. É uma aproximação maior entre o que se institui e o que se transforma em instuinte. A articulação do instituído com os instituintes possibilita a ampliação dos saberes.

A discussão em torno do projeto político-pedagógico cresce no momento em que o movimento dialético entre instituído e instituintes vem avançado e mostrando, cada vez mais, a necessidade de se tornar à escola/universidade, a sala de aula como espaço da pratica pedagógica, considerando-os como o ponto de partida, como o locus da inovação.

Esta compreensão implica a instituição educativa ter clareza de suas crises, da função social do ensinar e do aprender e do papel importante da inovação. Assim, os projetos pedagógicos são as intenções geradas, refletidas e postas em ação por todos aqueles comprometidos com a preparação de profissionais em condições de sempre atualizar seus conhecimentos e suas habilidades:enfim, de continuar, ao longo da vida pessoal e profissional, a formação adquirida.

Não podemos esquecer que o instituído de cima para baixo, portanto, um modismo ou uma inovação de cunho regulatório e técnico, tem que ser transformado em inovação instituinte, emancipatória e edificante. E com esse movimento em espiral, entre o instituído e instituinte, teremos uma nova imagem da instituição educativa, procurando transformar em instituinte o que foi instituído por meio de um processo transparente, participativo e legitimo.

O projeto político-pedagógico poderá, então, ser considerado numa perspectiva em que seu desenvolvimento oscilará numa relação dialética entre o instituído e os instituintes. Centrando na escola/universidade, o projeto pedagógico, desenvolve-se dentro de um quadro normativo-legal-institucional do sistema educativo, (...) numa relação de permanente negociação, impondo, por um lado, o seu reconhecimento e garantindo, por outro, a sua singularidade, adequação ao contexto em que se desenvolve a autonomia dos actores implicados (Carvalho e Diogo, 1994:40).

Tanto o conceito de instituído como de instituintes colaboram no processo de entendimento de relações de permanente negociação.

1.2 – Princípios, objetivos e características do projeto político-pedagógico

A construção do projeto da escola exige a definição, segundo Padilha (2002), de princípios, estratégias concretas e, principalmente, muito trabalho coletivo. Segue então, algumas das principais características, bem como alguns parâmetros para a sua efetivação.

a) Todas as ações que o autor propõe para a elaboração do projeto político-pedagógico da escola relacionam-se com os primeiros norteadores do planejamento dialógico, ou seja, esta nova maneira de entender o planejamento da escola, que visa garantir a participação efetiva dos vários segmentos escolares na construção do seu projeto e na elaboração de seus planos. Além disso, visa possibilitar que alguns participantes deste processo possam representar a escola nos demais níveis de planificação educacional, previstas no movimento ascendente deste tipo de planejamento.

b) Sem esquecer que a preocupação maior da escola deve ser o melhor atendimento ao aluno, o projeto político-pedagógico deve partir da avaliação objetiva das necessidades e expectativas de todos os segmentos escolares. Deve ser considerado como um processo sempre inconcluso, portanto, suscetível às mudanças necessárias durante sua concretização.

c) O projeto deve proporcionar a melhoria da organização administrativa, pedagógica e financeira da escola e também a modificação da coordenação dos serviços, sua própria estrutura formal e o estabelecimento de novas relações pessoais, interpessoais e institucionais.

d) Ele deve ser elaborado em termos de médio e longo prazos. Contudo, cabe a escola implementá-lo a partir do iniciado e dando continuidade ao processo de planejamento. De acordo com suas condições reais e com suas possibilidades, deve-se definir prioridades a curto prazo, partindo, logo que possível, para as ações com vistas à sua implantação.

e) A reflexão sobre a prática pedagógica dos professores e as teorias que as embasam deve ser práticas contínuas na unidade escolar.

f) Garantir a avaliação periódica da ação planificada para redimensionamento das propostas.

1.3 – O Projeto Político Pedagógico encomendado

O Projeto Político Pedagógico encomendado é uma estratégia política geralmente utilizada pelos gestores, como diretores e coordenadores com o intuito de manter o poder de forma autoritária, cumprindo apenas a legislação. É uma forma de abolir a participação de alunos, pais e comunidades.

É um ato contra a democracia, porque contraria o fundamento principal do objetivo do processo político pedagógico que é a construção de uma proposta coletiva de trabalho, de responsabilização e de autonomia.

A encomenda do Projeto Político Pedagógico exclui necessariamente a gestão democrática e privilegia decisões – ações – administrativa – pedagógicas da direção. Portanto, inclui também a desvalorização do professor, pois, as ordens se efetivam de cima para baixo tornando os demais professores, alunos e a comunidade em meros tarefeiros de atos coercitivos. Tem por objetivo sustar a reflexão e a possibilidade da gestação de uma proposta de educação participativa.

Na realidade os pontos acima levantados mostram as necessidades dos gestores manterem a ideologia dominante como no taylorismo/fordismo, como nas fábricas onde os gestores pensam e os trabalhadores executam. Uma divisão do trabalho onde separa-se os pensadores e os executores.

Na contramão do autoritarismo temos o planejamento dialógico. Como nos diz Padilha que o planejamento dialógico é

Uma forma de resistência e representa uma alternativa ao planejamento autoritário, burocrático, centralizado e descendente, que ganhou as estruturas dos nossos sistemas educacionais e das nossas redes escolares. É resistência porque não aceita a continuidade de um modelo estático de planejamento, que não permite, em suas "estratégias", a participação de todas as pessoas envolvidas, frustrando as iniciativas históricas das escolas e das suas comunidades. (2002:. 25)

                Neste sentido, consideramos imprescindível apresentar resumidamente a seguir o que é planejamento dialógico de Paulo Freire segundo Padillha (2002).

1.4 – O projeto político-pedagógico participativo é dialógico

Para se conceber a idéia de planejamento educacional é antes de tudo, segundo Padilha (2002) exercitar nossa capacidade de tomar decisões de forma coletiva. Mesmo porque, planejar não é uma tarefa fácil há muitas dificuldades, resistência, limites e obstáculos.

Embora já existam experiências inovadoras que foram vivenciadas que comprovam que a decisão e a iniciativa coletiva conseguem resolver problemas concretos da prática educativa que, num primeiro momento pareciam impossíveis de serem resolvidos, são essas experiências que nos animam mostrar a visão de um planejamento para a construção de um projeto político pedagógico da escola. Para tanto, deve-se viabilizar um sistema de comunicação entre os diversos níveis de planificação e de administração educacional, de forma que as consolidações de cada etapa sejam acompanhadas por todos.

Se todos participam da tomada de decisões, deve-se estabelecer regras claras sobre como se dará essa participação, sobre como as decisões serão tomadas e em que cada segmento poderá contribuir desde a concepção do projeto até a avaliação e o replanejamento.

A participação de todos os segmentos escolares e comunitários se refere às diferentes dimensões do trabalho escolar e comunitário, passando desde às decisões financeiras/orçamentárias, pedagógicas/curriculares, ou administrativas/de gestão.

Quanto à participação de pais e alunos, pode dar-se na programação de atividades, na coordenação de eventos intra e extra-escolares e no estudo da realidade, devendo vincular-se principalmente aos colegiados existentes na escola, com o que estarão até mesmo consolidando a prática participativa. A participação dos alunos deve ser garantida de acordo com a previsão do Estatuto da Criança e do Adolescente, ouvindo-lhes em todos os assuntos que lhes dizem respeito.

Cipriano Carlos Luckesi (1994) em sua obra, "Filosofia da Educação", apresenta algumas reflexões sobre a participação do educando como membro da sociedade como qualquer outro sujeito, possuindo elementos que o caracterize em suas atividades, sociabilidade, historicidade, praticidade.

Na relação educativa, dentro da práxis pedagógica, ele é o sujeito que busca uma nova determinação em termos de patamar crítico da cultura elaborada, ou seja, o educando é o sujeito que busca adquirir um novo patamar de conhecimentos, de habilidades e modos de agir. É para isso que busca a escola. Ir à escola, forma institucionalizada de educação da sociedade moderna, não tem por objetivo a permanência no estágio cultural que ele está, mas, sim a aquisição de um patamar novo, a partir da ruptura que se processa pela assimilação ativa da cultura elaborada. (...) hoje, exige a escolarização, como instância pedagógica. (1994: 117, 118)

Nessa perspectiva, entendemos que o educando não pode ser visto como simples forma, como massa a ser informada, mas como personagem capaz de construir-se, mediante as atividades, desenvolvendo seus sentidos, entendimentos, inteligência etc. sendo assim preparado para o exercício da cidadania tendo condições de se formar e se construir como cidadão em formação para o exercício da autonomia, lendo, interpretando, participando e compreendendo criticamente o mundo em sua volta, perguntando pelos fatos e interpretando e interpelando a realidade sempre que necessário.

Quanto à participação dos pais na vida da escola corresponde a novas formas de relações entre escola, sociedade e trabalho, que repercutem na escola nas práticas de descentralização, autonomia, co-responsabilização, multiculturalismo.

Nesta perspectiva Libâneo, em "Organização e Gestão da Escola", destaca:

De fato, a escola não pode ser mais uma instituição isolada em si mesma, separada da realidade circundante, mas integrada numa comunidade que interage com a vida social mais ampla. Todavia, não tendo consenso entre pesquisadores e educadores sobre as formas concretas dessa participação, de forma delegada, na associação de Pais e Mestre (onde existir), no Conselho de Escola e outros órgãos colegiados que venha a existir (2001, p. 90).

Dessa forma, o autor afirma que na realidade concreta, todavia surgem questões não desprezíveis referentes à possibilidade de síntese entre interesses e competências diversas, como é o caso da presença dos pais (e estudantes) em órgãos colegiados da escola. Nesse sentido não se pode ignorar que cada categoria de sujeitos componentes da organização escolar (professores, alunos, diretores, coordenadores, pais, funcionários) possui interesses específicos, implicando diferentes culturas e hábitos e diferentes visões das questões escolares como ao abordar problemas pedagógicos-didáticos os pais possam assumir uma atitude preconcebida de censura aos professores, num campo em que em que, a rigor, não são especialistas.

Resguardando o princípio da participação, será necessário considerar que a escola tem funções sociais explícitas, objetivos próprios, projeto pedagógico-curricular, estrutura de gestão, formulados de forma coletiva e pública, dentro do critério do respeito aos papéis e competências. Isso significa que não se pode por em dúvida o espaço específico e autonomia dos professores mas, por outro lado se estes forem o seu papel, sua dignidade profissional não ficará abalada com a discussão pública sobre o seu trabalho, já que o envolvimento dos pais é não só legítimo como necessário. Somente, a prática pode ajudar a esclarecer estes problemas, de modo a encontrar formas de acordo mútuo e de ajuda recíproca, melhorando a organização do trabalho escolar e o trabalho dos professores em função da qualidade cognitiva, sociale ética do processo de ensino/aprendizagem.

Lembramos que os pais precisam realmente participar da vida escolar dos seus filhos, umas das melhores formas é no processo de construção do projeto político pedagógico. Para que a proposta seja eficaz é preciso atraí-los. Sabemos que é uma tarefa difícil, pois estão acostumados a serem chamados somente para receber notícias – geralmente más – sobre seus filhos. É necessário que a reunião comece sempre com uma atividade de sensibilização para que sintam que a escola também é deles.

Alguns pontos que os afetam de perto deverão também ser apresentados e discutidos, para que compreendam que aquelas ações estão sendo desenvolvidas pensando neles e para eles só assim, eles se sentirão valorizados e participarão da execução do processo de construção do projeto político pedagógico e enfim, do seu desenvolvimento.

Já as associações de bairro, entidades comunitárias e as ONGs podem contribuir em uma parceria com a escola, integrando suas atividades às atividades curriculares e extra-curriculares.

Os diretores da escola ou dirigente de unidade escolar e seu vice, são responsáveis pela coordenação de todas as atividades escolares, devem ser capazes de "seduzir" os demais segmentos para a melhoria da qualidade de trabalho desenvolvido na escola. Isso significa, por exemplo, criar mecanismos e condições favoráveis para envolvê-los na elaboração do projeto político-pedagógico da unidade, contando para esse fim com as diversas atividades de planejamento.

Para que o processo de construção do projeto político pedagógico seja eficaz é necessário que o diretor coloque-se de fato a serviço do pedagógico assumindo o seu papel na organização administrativa como líder pedagógico. Para que aconteça o envolvimento da turma, o diretor precisa estimular um ambiente democrático, pois é uma tarefa difícil, uma vez que aqueles que ocupam os cargos de liderança precisam aprender a aceitar novas idéias e críticas. Portanto, o diretor deve ser o articulador da proposta pedagógica e além disso decifrar e compartilhar as informações contidas em leis que afetam o cotidiano escolar. Ressaltar as funções educativas de todos os funcionários providenciar condições materiais e estruturais para que todos possam realizar seu trabalho. E, enfim, nesse momento de discussão definir tempo e espaço para que todos participem.

Administrar com uma visão democrática implica em saber ouvir, contestar e ceder sendo que em meio às discussões podem surgir vários confrontos e soluções, pois as pessoas analisam de diferentes formas cada situação. Portanto, cabe ao gestor definir problemas e identificar soluções levando em consideração a opinião de todos.

O professor-coordenador ou coordenador-pedagógico é aquele que durante o ano articula a equipe pedagógica em torno do melhor cumprimento do que foi estabelecido no projeto político-pedagógico, coordenando seus diversos desdobramentos em planos de curso, de currículo, de ensino ou de aula. Ele exerce uma responsabilidade da maior relevância durante todo o processo, desde a fase de organização das reuniões de planejamento das atividades pedagógicas da unidade escolar até a da execução, desenvolvimento e avaliação do projeto da escola.

Durante o processo de desenvolvimento do projeto político pedagógico é papel também do coordenador estar em constante busca em pesquisas e bibliografias para orientar os professores na busca de soluções dos conflitos que vierem acontecer. Ouvir as queixas dos docentes e criar uma rotina de reflexão coletiva sobre as possíveis soluções. Além disso, estar em clima de avaliação das ações didáticas, organizar estudos e leituras que possam levar o professor a ter autonomia sobre a sua docência. Portanto, diretor e coordenador-pedagógico devem desempenhar papéis diferentes que costumavam ter em uma administração baseada em hierarquia.

O assistente técnico-pedagógico que, no dia-a-dia faz, junto com o supervisor de ensino, a ponte entre as diretrizes pedagógicas estabelecidas pela Diretoria de Ensino e as unidades escolares, pode fazê-la também quando da elaboração do projeto político-pedagógico e do planejamento. Ele pode ainda subsidiar a capacitação de todos os segmentos escolares para a participação no planejamento escolar.

Os supervisores de ensino são responsáveis pela apresentação dos demais segmentos das diretrizes gerais, sobretudo pedagógicas, e dar-lhes conhecimento sobre o próprio plano de trabalho da equipe de supervisão. Cabe-lhe ainda criar as condições institucionais da realização do projeto de cada escola e participar ativamente do processo de construção e desenvolvimento deste.

Conforme Santos (1997: 270,271), a renovação da teoria democrática assente, antes de tudo, na formulação de critérios democráticos de participação política que não confinem esta ao ato de votar. Implica, pois, uma articulação entre democracia representativa e democracia participativa. Para que tal articulação seja possível, é, contudo, necessário que o campo do político seja realmente redefinido e ampliado.

Nessa concepção a direção da articulação entre democracia representativa e a democracia participativa que se insere hoje o papel do profissional de educação na escola.

A gestão democrática na escola, que compreende um modelo no qual a direção deve ser eleita pela comunidade escolar, se constitui num dos condicionantes da construção do Projeto Político Pedagógico.

A idéia de que a eleição direta para diretores das escolas é um elemento importante para a democratização das relações do cotidiano escolar, e pode contribuir decisivamente no debate e na formulação do Projeto Político Pedagógico. No entanto, a nossa prática nos leva à constatação de que o fato de se ter um diretor eleito na escola não significa necessariamente, que o Projeto Político Pedagógico seja fruto da construção coletiva dos profissionais da educação. Paradoxalmente, a realidade nos tem mostrado que em alguns casos em que as direções são indicadas, essa mesma construção se efetiva de forma democrática, tendo em vista a própria forma de organização do conjunto de profissionais da educação da unidade escolar.

Vivemos numa sociedade que funciona basicamente de forma hierarquizada. No mundo do trabalho há nítida separação entre os que determinam/ decidem e os que se limitam ao cumprimento das decisões.

Braverman (1987: 53) afirma que nos seres humanos diferentemente dos animais não é inviolável a unidade entre força motivadora do trabalho e o trabalho em si mesmo. A unidade de concepção e execução pode ser dissolvida. A concepção pode ainda continuar e governar a execução, mas a idéia concebida por outra pessoa pode ser executada por outra.

Enquanto profissional da educação é necessário que o professor conheça de fato o que está implícito na LDB 9394/96, o que dá suporte ao professor para participar ativamente da construção coletiva de propostas que venham fundamentar o Projeto Político Pedagógico, sendo assim possibilitarão desfazer a dicotomia entre a concepção e execução do trabalho pedagógico no interior do espaço escolar.

Para que haja participação na concepção de um planejamento dialógico, virtude fundamental do educador é não dicotomizar a teoria e prática. O papel de educador mediador é ajudar o educando a trilhar o caminho no sentido de melhorá-lo cada vez mais.

A participação dos professores está ligada não só à definição geral do projeto, mas também à definição dos planos de currículo, de curso e de aula que devem fazer parte integrante do projeto de cada escola. Tendo os docentes participado ativamente do planejamento escolar, eles estarão comprometidos com ele e, principalmente, organizando suas atividades com base no que foi decidido coletivamente. Eles terão uma direção estabelecida em conjunto com os demais segmentos escolares, o que facilitará seu trabalho e dará maior ânimo ao exercício de sua atividade profissional. Cabe ao professor colaborar em atividades que articulam as famílias e a comunidade, e que a escola deve informar os pais e responsáveis pelos alunos sobre a execução de sua proposta pedagógica.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para elaboração do Projeto Político Pedagógico é imprescindível que seja um processo democrático, participativo e dialogado.

Os principais agentes sociais construtores de tal projeto são: alunos, professores, diretores, coordenadores pedagógicos, pais e comunidade. Todos esses segmentos apesar de serem portadores de anseios valores objetivos diferenciados devem ser ouvidos, terem direito de defesa de suas idéias através de processos democráticos construírem uma base mínima e fundamental de objetivos a serem conquistados com metas e prazos a serem alcançados.

A crítica construtiva deve ser um instrumento permanente de avaliação e redimensionamento do Projeto Político Pedagógico, pois ele está em constante movimento e permanente mudança, se faz com profissionais competentes e comprometidos com a educação.

BIBLIOGRAFIA

CARVALHO, Angelina e DIOGO, Fernando. Projecto educativo. Porto, Portugal:Afrontamento, 1994.

GADOTTI, Moacir. Pressupostos do projeto pedagógico. In: MEC, Anais da Conferencia Nacional de Educação para todos. Brasilia-DF, 1997.

LIBÂNEO, Jose Carlos.Organização e gestão da escola: teoria e pratica. Goiânia: Editora Alternativa, 2001.

LUCKESI, Cipriano Carlos. Filosofia da Educação. São Paulo: Cortez, 1994.

MEURER, Ane Carine. O pedagogo articulador da reconstrução do projeto político-pedagógico da escola: possibilidades e limites. Ijui: Editora UNIJUI, 1996.

SANTOS, Boaventura S. Pela mão de Alice: o social e o político na pós-modernidade. 3ª ed. São Paulo: Cortez, 1999.

PADILHA, Paulo Roberto. Planejamento dialógico: como construir o projeto político-pedagógico da escola. 2ª ed. São Paulo: Cortez; Instituto Paulo Freire, 2002.

PRESENÇA PEDAGÓGICA. Ano 43, jan. fev. 2002.


Autor: Regina Aparecida Freitas da Costa Diniz