A EDUCAÇÃO E A ESCOLA "DESINTERESADAS" I



Adilson Boell
Sandro Luiz Bazzanella

Este artigo tem a pretensão de provocar a discussão sobre questões relativas à educação, na medida em que participamos da máxima proferida por Cornelius Castoriadis, de que um dos problemas de nosso tempo é que ele parou de se questionar. Convivemos com um pensamento despontecializado, ou para dizer de outra forma, em grande medida, conformista, apático diante das questões cruciais que vivenciamos. Desta forma, nossa análise inicia-se com a reflexão sobre as palavras escritas por Marco Aurélio Nogueira, no prefácio do livro de Rosemary Dore Soares, "Gramisci, o Estado e a escola, 2000". Nogueira afirma que Não há, seguramente nos dias de hoje, questão mais estratégica e, por isso mais polêmica e apaixonante, que a da escola. Ela nos angustia e nos confunde, tanto porque somos bombardeados a todo o momento pela idéia de que a educação é a senha de acesso ao futuro, quanto porque estamos muito insatisfeitos com a escola que temos. Ficamos incomodados por que queremos nos convencer da importância decisiva da escola e porque nos desiludimos com a escola realmente existente (SOARES, 2000, P. 13).
Pensar, refletir a escola que se faz necessária, não é uma tarefa fácil, primeiramente por que vivemos num mundo em profundas e constantes transformações e, por extensão por que este contexto inviabiliza o consenso sobre qual é a escola que melhor responderá aos desafios de nosso tempo. "A escola não é um campo neutro, mas um campo de conflitos, de poder, de jogo de interesses. Nele, os atores sociais buscam a legitimação de sua ideologia, cultura e crenças, seja através do discurso oral ou escrito" (CORRÊA, 2008, p. 32). Corrêa nos alerta para o fato de a escola não ser um local "desinteressado", como a princípio possa parecer. É na escola e através dela, que se legitimam visões de mundo e de homem. "[...] o currículo como as práticas pedagógicas que acontecem em sala de aula estão relacionados como os diversos modos como a educação é concebida historicamente, como também a influência teórica que orientará este processo de ensinar e aprender". (CORRÊA, 2008, p. 12).
Mas, afinal de contas, qual deve ser o papel da escola? Bem, entendemos que: Cabe a escola a função política de decidir primeiro que tipo de sujeito quer forma e para qual sociedade, viabilizando o domínio de conhecimentos imprescindíveis para o seu desenvolvimento. Conhecimentos esses acumulados pela sociedade e que sejam socialmente válidos. Ou seja, não adianta veicular conteúdos dos quais não existe relação com as necessidades da sociedade, ou que sejam inócuos. Mas o que se espera é que os conteúdos sejam carregados de significado que permitam a reflexão sobre a vida e os problemas atuais. (CORRÊA, 2008, p. 32)
Para efeitos deste ensaio, entendemos o currículo como sendo, "[...] uma caminhada histórica que é construída pelos sujeitos envolvidos no processo. Ele é e deve ser o resultado das lutas políticas, culturais e pedagógicas de uma comunidade, em que se desenha a concretude dos sonhos e desejos" (PINAR citado por SILVA, 1999, p. 43).
São as Teorias Educacionais quem orientam o processo de ensino aprendizagem e a forma como a educação é concebida historicamente, estas teorias têm um papel fundamental na forma de definir qual é o modelo de escola que queremos defender. Então entender as diferenças entre estas teorias, trata-se de uma necessidade nesta série de artigos. De forma resumida três são os principais tipos de teorias educacionais: as tradicionais; as críticas; e as pós-críticas. Sobre elas falaremos em nosso próximo encontro, até lá!
Autor: Adilson Boell


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