Organizações internacionais e as políticas nacionais de educação



Na história das sociedades latino-americanas o processo de globalização proporcionou uma série de desigualdades sociais, utilizando-se de um falso discurso que eleva à melhoria na economia e trazendo vantagens que atingiriam a todos. Na verdade o que se gerou foi mais exclusão social, desta forma a educação passa a ser vista como a válvula de escape para essa situação, tendo-se a mobilização de vários organismos multilaterais tais como Banco Mundial, Unesco, Bird (Banco Interamericano de desenvolvimento), ONU(Organização da nações Unidas), dentre outras na elaboração de propostas e políticas educacionais para os países em desenvolvimento, como os latino-americanos.
Os países latino-americanos vêm vivendo um movimento que as "as correntes de intercâmbio internacional são redefinidas, nos centros hegemônicos de política global são alteradas e a globalização dos mercados capitalistas é exarcebada. Marília Gouvea (1997,p.38). Nesse contexto, percebemos que a América Latina vive um futuro incerto, em que alguns acreditam que as soluções propostas pelos organismos trarão efeitos positivos e por outro lado, alguns acreditam que estas propostas só trarão mais uma experiência que não dará certo. O certo é que esta crise que os países da América Latina estão vivendo, é uma crise do modelo de industrialização, cuja a finalidade é instaurar o mercado mundial como principal mecanismo de obtenção de recursos.
Diante desses acontecimentos os órgãos internacionais que tem por finalidade de pensar a ordem e a democracia no mundo agem de forma a é evitar que o processo de globalização gere mais pobreza e exclusão, comprometendo a estabilidade social e a paz mundial. A atuação destas organizações está ligada ao aspecto financeiro, ao fornecimento de empréstimos aos países periféricos, mas, sobretudo, ao controle econômico, cultural e político que exercem com os países credores a partir da exigência de condicionalidades travestidas pela imagem de assessorias técnicas. A cada empréstimo o país tomador está mergulhado em condicionalidades destes organismos.
A ideologia utilizada por estas organizações é tão forte e sempre estão acompanhadas de um discurso promissor que beneficiará a todos em relação à qualidade de vida. Suas práticas e políticas estão sempre atreladas aos interesses econômicos, alimentando sempre o sistema capitalista vigente.
Nas políticas do Banco Mundial não existem propostas que quebrem paradigmas. Ao contrário o BM aprofunda o enfoque da mercantilização da educação, quando vincula a educação e produtividade. Esses organismos financiam e defendem políticas a serem aplicadas em países do mundo inteiro e dentre estas propostas políticas educativas para a América Latina temos: A Centralidade do Conhecimento, a Equidade, a Qualidade e as Novas formas de gestão(descentralização). É através dessa centralidade do conhecimento é que surge o Novo Paradigma do Conhecimento.
É a partir desse momento que se passa a formular uma nova nuança ao setor educacional, a partir da centralidade do conhecimento. O processo de globalização contribuiu para o surgimento desse novo paradigma, pois com a revolução tecnológica impõe-se um novo padrão de conhecimento. Conhecimento este, menos discursivo, mais operativo, menos particularizado, mas interativo, mais comunicativo, menos intelecto( MARÍLIA GOUVÊA, 1997). Este é o novo conhecimento cobrado pelo mercado, um conhecimento que se adquire pela ação (saber fazer), pela utilização (saber usar) e pala interação (saber comunicar).
Logo, junto a esta centralidade do conhecimento, está também a centralidade do trabalho das formas de exploração capitalista e este novo sistema é incapaz de modificar a essência excludente da ordem social capitalista.
Mas até onde essa mudança na educação, essa centralidade do conhecimento pode chegar? Onde fica o homem como ator, criador e descobridor do conhecimento?
É necessário que as pessoas que fazem parte desses organismos internacionais que definem e delineiam estas políticas educacionais, revejam estas concepções a cerca do conhecimento, para que não nos tornemos pessoas altamente operacionais, imediatistas, pessoas que não criam novos conhecimentos, mas só reproduzem aquilo que o sistema prega.

Bibliografia
ROSEMBERG, Fúlvia. Uma introdução ao estudo das organizações multilaterais no campo educacional.
MIRANDA, Marília Gouvea de. O novo paradigma de conhecimento e as políticas de educativas na América Latina.

Autor: Luana Carvalho


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