Acidente de Consumo Durante o Trabalho



A Emenda Constitucional n.º 45/2004 veio a estabelecer no artigo 114, inciso VI, a competência da Justiça do Trabalho para as ações de indenização por dano moral, ou patrimonial, decorrentes da relação de trabalho.

Mas, e se o acidente for de consumo dentro de uma relação de trabalho? De quem é a competência? Da Justiça do Trabalho, ou da Justiça Comum?

O art. 2.º do Código de Defesa do Consumidor procura definir o consumidor da seguinte forma:
"Art. 2.º Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final".

A base deste artigo é proveniente do direito americano, e lá o conceito foi ampliado para além do destinatário final, para que outras pessoas atingidas pelos fatos dos produtos e serviços pudessem ter seus direitos reparados, nascendo assim a noção do consumidor bystander, copiado pelo nosso artigo 17 do CDC in verbis: "Art. 17. Para os efeitos desta Seção, equiparam-se aos consumidores todas as vítimas do evento".

A "Seção", a qual se refere o artigo em comento, se refere a responsabilidade do fornecedor pelos fatos dos produtos e serviços. Assim, o conceito de consumidor foi ampliado não só para beneficiar o destinatário final dos produtos e serviços, mas também para todas as vítimas dos acidentes de consumo.

Ou seja, não somente que adquire uma máquina defeituosa, e sofre danos, é considerado consumidor, mas todas as vítimas do acidente causado por ela, que também são considerados consumidores. Então, o empregado que utiliza uma máquina como instrumento de trabalho durante sua atividade, e sofre um acidente decorrente de um defeito dela, deve ter sua demanda julgada pela Justiça do Trabalho, ou pela Justiça Comum?

Entendemos que, se a máquina for produzida pelo empregador com quem o empregado tem uma relação de trabalho, a competência é da Justiça do Trabalho, já que não existe nenhuma relação de consumo entre eles, e sim de trabalho.

Mas se o acidente for causado por uma máquina cujo o fornecedor não é o empregador, e pretende-se sua responsabilização, a competência para o julgamento da causa deve ser da Justiça Comum, já que o trabalhador é considerado um consumidor bysantander perante o fornecedor, existindo estes esses dois uma relação de consumo e não de trabalho.
Autor: Robson Zanetti


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