Homecare no plano empresarial



A saúde assistencial caracterizada pela prestação de serviços no local de residência das pessoas, conhecida mundialmente pelo termo “Home Care”, iniciou de forma mais estruturada no final do século XVIII na cidade de Boston, Estados Unidos, onde o objetivo era a prestação de serviços aos mais humildes, dando-lhes a dignidade de serem tratados em seus lares ao invés de hospitalizá-los (naquela época, os hospitais ainda eram considerados como casas infestadas pela peste, aonde os cidadãos pobres e enfermos eram enviados para morrer).
 
A profissionalização do home care ocorreu no início do século XX, no entanto o interesse das pessoas físicas se deu em meados dos anos 60, movido pelo questionamento sobre onde os pacientes deveriam receber seus cuidados médicos, considerando que o tratamento baseado no hospital havia agora se tornado muito caro. No início dos anos 80, nos Estados Unidos, o “Home Care” começou a ser visto pelos planejadores e gestores de Planos de Saúde como uma opção para a redução de custos e uma alternativa ao internamento hospitalar. No Brasil, demorou-se um pouco mais para entrar na pauta dos principais gestores de benefícios e saúde, mas hoje está sendo visto com uma alavanca de melhoria fundamental, junto com os programas preventivos e investimentos tecnológicos.
 
No entanto, a tomada de decisão para investir num programa dessa magnitude exige um conhecimento profundo de seus custos e do quadro clínico de recuperação dos pacientes / funcionários para garantir que a implantação do programa traga benefícios quantitativos e qualitativos a todos os envolvidos. De acordo com estimativas de mercado, após a criação do programa de “Home Care”, consegue-se obter uma melhor recuperação do paciente em tempo menor que dos tratamentos convencionais, além dos ganhos econômicos para empresas, planos de saúde e hospitais na ordem de 20% a 25%.
 
Esse mesmo programa está sendo realizado, com grande sucesso, em uma indústria de base. Foram analisados os pacientes mais críticos e identificados 10 que poderiam atender ao programa de “home care” com toda segurança, mantendo os mesmos médicos que o acompanhavam nos hospitais. Resultado: após um ano de programa, foi identificada uma melhor recuperação clínica dos pacientes e uma redução nos custos de 20 a 80% sobre os valores do ano passado. O paciente ganha em conforto, calor humano, praticamente elimina o risco de infecção hospitalar, se recupera em menos tempo, evita reinternações e não paga as taxas e margem cobradas pelos hospitais.
 
Verificando a cadeia como um todo, para os hospitais, o modelo também é viável porque otimiza a dinâmica de ocupação dos leitos. A negociação de equipamentos médicos, medicamentos e honorários médicos são realizados, na maioria das vezes, com os próprios hospitais e/ou representantes comerciais, já que o poder de negociação com as grandes empresas está com os grandes compradores, os hospitais. Realizando uma análise na cadeia de atendimento (care chain), podemos observar que a prática do “home care” beneficia todos os envolvidos, com a garantia de seus benefícios:
 
Vantagens para os gestores de benefícios (RH empresa) e Planos de Saúde:
• Redução das despesas em, no mínimo, 20%, podendo ser ampliado de acordo com a situação clínica de cada paciente;
• Maior grau de satisfação para os seus usuários, valorizando e prestigiando a empresa ou o Plano de Saúde;
• Melhoria do clima organizacional da empresa.
 
Vantagens para o paciente:
• Ser medicado e acompanhado no conforto do seu lar, contando com o apoio e carinho da família e amigos, sem a restrição de número de visitas e horários;
• Contar com os mesmos equipamentos e médicos que um bom hospital e, em muitos casos, mantendo os mesmo médicos utilizados anteriormente no hospital;
• Evitar riscos de infecções cruzadas;
• Recuperar a saúde no menor prazo possível (já foi comprovado que a recuperação, com tratamento na própria casa, é mais eficiente e mais rápida);
• Conseqüentemente traz benefícios para seus familiares e amigos, como: diminui os custos com locomoção, estacionamento, taxas de acompanhamento para pernoite, refeitórios, além da restrição dos curtos horários predeterminados de visita.
 
Além disso, as vantagens também são obtidas pelos hospitais, pois:
• Alguns hospitais têm carência de leitos para todos os doentes;
• Em alguns casos, dependendo da forma de cobrança, o hospital passa a ter prejuízos financeiros, caso o paciente permaneça internado além de um certo período quando todos os exames necessários e procedimentos já foram feitos e o paciente encontra-se estabilizado, impedindo a rotatividade de pacientes.
Autor: Felipe Botto


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