UM JOGO DENTRO E FORA DA LEI (POLICIAIS X LADRÕES)



UM JOGO DENTRO E FORA DA LEI (POLICIAIS X LADRÕES)

(Autor: Antonio Brás Constante)

 

Como seria uma partida de futebol imaginário entre a polícia e os ladrões? Não estou me referindo aos ladrões de colarinho branco, pois estes obviamente estariam faturando com a venda de ingressos e direitos de divulgação das imagens do espetáculo, mas sim dos ladrões que roubam diretamente de nossos bolsos e bolsas. Seria algo mais ou menos assim:

 

A vantagem inicial seria dos ladrões que sabem roubar uma bola como ninguém, levando junto os cartões do juiz (de crédito, débito, etc). Eles chegariam de assalto, fazendo todos os expectadores levantarem de pé formando uma espécie de hola, com as mãos para cima e gritando: “não atira! NÃO ATIRA!”.

 

Os policiais por sua vez cercariam o time de marginais, que para se livrar do cerco cavariam faltas com a mesma facilidade com que cavam túneis. Aliás, haveria muitas faltas: falta de estrutura, falta de equipamentos, falta de contingente. Já de início acusariam o delegado de querer prender muito o jogo e principalmente os jogadores adversários. Os policiais teriam a vantagem do contra-ataque. O mais difícil seria passar pela defesa dos bandidos, já que eles teriam muitos políticos e os próprios direitos humanos saindo sempre em sua defesa. O governo então resolveria entrar no jogo para “ajudar”, mas ao invés de desarmar o ataque dos bandidos, iria preferir desarmar a população.

 

Agindo na defensiva a polícia ficaria fazendo barreiras, visando conter o avanço da criminalidade, que se espalha por todos os campos e lugares. Os agentes da lei buscariam levar o jogo fechado, na retranca, de preferência trancando os marginais em celas com grades e trancas.

 

No que diz respeito aos tiros de meta, a meta em muitos casos seria matar ou morrer. A partida não giraria em torno da bola, e sim, fatalmente, da bala. Os passes seriam bem complicados, por um lado a polícia chegaria passando o cacetete no lombo dos delinqüentes (tá com pena? Dorme de janela aberta, então) e do outro lado os marginais gritando: “passa! Passa!” Exigindo a carteira de quem cruzasse seu caminho e ameaçando: “Passa a grana senão te passo fogo!”.

 

Ambos os lados armariam jogadas armados até os dentes, dispondo de uma boa artilharia que dispararia suas bombas, onde as bombas seriam de efeito moral, imoral ou mesmo caseiras. Os ladrões contariam com cracks no time, mas não apenas cracks, maconha e heroína também, bem como comprimidinhos de ecstasy e outros derivados de metanfetamina.

 

O goleiro dos marginais (que também era ladrão de galinhas), passaria o jogo inteiro levando frangos em todos os sentidos, algo que lhe ajudaria a ganhar uma graninha extra, mesmo que contribuísse para perder a partida (afinal, ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão). Os meliantes levariam muitos carrinhos, mas não dos policiais e sim do estacionamento do estádio. Os bandidos não teriam exatamente a posse de bola, pois a bola não seria deles, mas ficariam com ela mesmo assim. Qualquer bolada levada dentro de campo seria entendida como um ato ilícito.

 

Mais preocupante que os cortes na bola seriam os cortes de verbas públicas na área de segurança. Quanto ao escanteio, apesar das muitas cobranças, infelizmente a segurança ainda acaba escanteada e deixada em segundo plano, mesmo sendo um assunto de vida ou morte (literalmente falando).

 

Enfim, no mata-mata do perigoso jogo entre a bandidagem e a polícia, nossa maior esperança é chegar ao final da partida sem perdermos nossas vidas, vitimas de uma bala perdida.

 

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SOBRE O AUTOR: Antonio Brás Constante se define como um eterno aprendiz de escritor, amigo e amante da musa inspiração. Lançou recentemente o livro: “Hoje é seu aniversário – PREPARE-SE”, disponível pela editora AGE (www.editoraage.com.br).

 

Site: recantodasletras.uol.com.br/autores/abrasc

 

SUGESTÃO: Divulgue este texto para seus amigos (vale tudo, o blog da titia, o orkut do cunhado, o MSN do vizinho, o importante é espalhar cada texto como sementes ao vento). Mas, caso não goste, tenha o prazer de divulga-lo aos seus inimigos (entenda-se como inimigo todo e qualquer desafeto ou chato que por ventura faça parte de um pedaço de sua vida ou tente fazer sua vida em pedaços).

 


Autor: Antonio Brás Constante


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