Proposta de um protocolo de atendimento em fisioterapia: A reabilitação em pacientes internados em UTI oncológica
* Daniel Salgado Xavier
* Mestre em reabilitação neuromuscular.Mestrando em
fisioterapia intensiva-SOBRATI.Especialista em fisioterapia
neurológica.Especialista em Fisioterapia em UTI oncológica.Chefe do serviço de
fisioterapia na UTI FCECON.
RESUMO
A fisioterapia intensiva é destinada a pacientes críticos,
entretanto, a abordagem em UTI oncológica carece de respaldo
técnico-científico.Resultado. Elaboração de dois protocolos que contemplam
a fisioterapia intensiva oncológica.Conclusão.Estudos futuros
serão necessários com o intuito de colocar em pratica o protocolo proposto.
ABSTRACT
The intensive physiotherapy is destined the
critical patients, however, the boarding in UCI oncology lacks of
technician-scientific endorsement. Result. Elaboration of two future protocols
that contemplate the intensive oncology physiotherapy. Conclusion. More
Researches will be necessary with intention to practices the considered
protocol.
Introdução
Nos
últimos anos, avanços nos cuidados dos pacientes com câncer possibilitaram
maior probabilidade de controle ou cura da doença. Entretanto, os usos de tratamentos
quimioterápicos e cirúrgicos mais agressivos implicam diretamente na maior
utilização de leitos da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Também, na
última década, estudos têm demonstrado que os avanços recentes nos cuidados
intensivos se traduziram na redução da mortalidade de pacientes críticos com
câncer, mesmo em populações de maior risco como pacientes com sepse ou submetidos
à ventilação mecânica (LARCHE et al,2002).
A fisioterapia
faz parte do atendimento multidisciplinar oferecido aos pacientes em UTI. A sua atuação é
extensa e se faz presente em vários segmentos do tratamento intensivo, tais
como o atendimento a pacientes críticos que não necessitam de suporte
ventilatório; assistência durante a recuperação pós-cirúrgica, com o objetivo
de evitar complicações respiratórias e motoras; assistência a pacientes graves
que necessitam de suporte ventilatório.
Segundo
JUNIOR (2007), os atributos às particularidades e especificidades enfrentadas
por Fisioterapeutas Respiratórios em UTI, vêm abrindo campo de atuação a uma
nova área denominada Fisioterapia Intensiva referida pela Sociedade Brasileira
de Terapia Intensiva (2007), a qual ocupa cada vez mais espaço em centros
específicos se voltando em especial ao paciente em estado crítico que esteja
sob cuidados intensivos em virtude de seu processo patológico.
Emmerich
(2001), cita que tal profissional deva possuir habilidades específicas para
manusear próteses ventilatórias, interpretar dados fornecidos por aparelhos
sofisticados, requerendo alta capacidade de realizar certas habilidades
clínicas, observação sistemática e, o principal, a integração de tais dados na
geração de decisões rápidas e corretas, que indubitavelmente irão influenciar
no curso e no prognóstico da patologia clínica apresentada pelo paciente
crítico.
Ainda que o papel da fisioterapia
intensivaesteja bem estabelecida dentro
dos critérios de inclusão e atuação como componente da equipe multidisciplinar,
o seu papel em áreas específicas como a prestação de serviços naUTI oncológica, carece de respaldo
técnico-científico.
A intervenção
fisioterapêutica em pacientes oncológicos é relativamente recente, a sua
aceitação enquanto medida terapêutica efetiva ainda é controversa na medida em
que a existência do paradigma câncer-morte ainda impera e resiste na
mentalidade e no manejo do paciente oncológico.
As
particularidades inerentes a estes clientes como o caráter progressivo de suas
disfunções clínicas, a mielossupressão, a maior predisposição às infecções das
vias respiratórias, a caquexia, a plaquetopenia, as alterações
cinético-funcionais provenientes da intervenção cirúrgica e das técnicas
adjuvantes ao controle/combate da neoplasia, parecem em um primeiro momento
contra-indicar ou no mínimo tornar o processo fisioterapêutico menos efetivo.
A fisioterapia intensiva oncológica apresenta
um considerável leque de possibilidades terapêuticas no manejo do paciente
grave internado nas UTIs, entretanto, as indicações e contra-indicações das
manobras usuais, bem como seus objetivos terapêuticos, se mostram insuficientes
como norteadores dos procedimentos e das condutas profissionais, principalmente
ao estendermos a prestação de serviço ao doente oncológico.
Segundo
NOZAWA (2008), as instituições estão cada vez mais adotando protocolos
preestabelecidos pelos membros da equipe multiprofissional que atua nas UTIs,
com base nas condições clínicas dos pacientes e nas recomendações adotadas
mundialmente
Entretanto, não dispomos de protocolos
que norteiem o atendimento fisioterapêutico em nosso serviço de UTI oncológica
e nesse sentido, propusemos dois protocolos contemplando a fisioterapia motora
(Anexo 1) e a fisioterapia respiratória (Anexo 2) de forma a normatizaro processo de reabilitação em UTI e conferir
maior confiabilidade no manejo do paciente crítico oncológico.
No presente trabalho, apresentamos por
objetivos estabelecer normas e rotinas, por intermédio do desenvolvimento de
dois protocolos, um contemplando a fisioterapia motora e outro a fisioterapia
respiratória de forma a normatizaro
processo de reabilitação em UTI e conferir maior confiabilidade no manejo do
paciente crítico oncológico.
RELEVÂNCIA
DO ESTUDO
A elaboração do protocolo foi proposto, por
haver uma carência de bibliografias que informem, direcione enormatize o tratamento fisioterapêutico dentro
de uma Unidade de Tratamento Intensivo oncológica.
Além da inexistência de protocolos que
norteiem o atendimento fisioterapêutico de forma a normatizaro processo de reabilitação em UTI e conferir
maior confiabilidade no manejo do paciente crítico oncológico.
METODOLOGIA:
Realizou-se uma pesquisa para identificação de artigos na base de dados
do MEDLINE E LILACS, utilizando os termos de procura: fisioterapia oncológica,
reabilitação no câncer, fisioterapia em uti oncológica, uti oncológica e por
meio de execução de busca manual em listas de referência dos artigos
identificados e selecionados, em periódicos ligados ao tema, disponíveis em
bibliotecas da Fundação Centro de Controle Oncológico do Estado do Amazonas
(FCECON). Quanto aos Critérios de Inclusão foram selecionados: (a) artigos
originais de pesquisa sobre a fisioterapia oncológica e recursos
fisioterapêuticos utilizados em uti oncológica, em um intervalo de tempo
compreendido entre janeiro de 1996 e julho de 2009 e que tenham sido publicados
em português, espanhol e inglês; e (b) estudos apresentados em Congressos e
Seminários, estudos governamentais, dissertações e teses, que estejam,
inseridos no intervalo de tempo acima citado ("literatura fugitiva"), artigos
que sejam relativos à descrição de técnicas fisioterapêuticas, bem como artigos
de revisão de literatura.
RESULTADOS
Elaboração de dois protocolos que contemplam
a fisioterapia respiratória (Anexo 1) e a fisioterapia motora (Anexo 2) em uma
unidade de terapia intensiva de pacientes oncológicos sob ventilação mecânica
invasiva.
DISCUSSÃO
Existem
poucos estudos com qualidade metodológica satisfatória quanto à utilização dos
recursos fisioterapêuticos em pacientes oncológicos. Entretanto, mais escasso
ainda é o material disponível para embasar e nortear a prática da fisioterapia
dentro de uma Unidade de Tratamento Intensivo oncológica.
Nesse sentido, o paciente oncológico
diferencia-se em vários aspectos se comparados a outros grupos de pacientes
internados na UTI, desde as particularidades inerentes ao processo neoplásico
como a mielossupressão (anemia, plaquetopenia, e leucopenia), distúrbios de coagulação
e dor, como o processo terapêutico adjuvante, seja curativo ou paliativo, no
combate à progressão tumoral, como a quimioterapia, a radioterapia e a cirurgia
oncológica.
Para tanto, as condutas
intervencionistas realizadas por parte da fisioterapia, deveriam seguir um
rígido protocolo de atendimento, onde o direcionamento terapêutico,
obrigatoriamente, basear-se-ia nas condições peculiares apresentadas pelo
paciente oncológico como a plaquetopenia, a anemia e a progressão tumoral
propriamente dita.
Segundo NOZAWA (2008), as instituições
estão cada vez mais adotando protocolos preestabelecidos pelos membros da
equipe multiprofissional que atua nas UTIs, com base nas condições clínicas dos
pacientes e nas recomendações adotadas mundialmente
Entretanto, não dispomos de protocolos
que norteiem o atendimento fisioterapêutico em nosso serviço de UTI oncológica
e nesse sentido, propusemos dois protocolos contemplando a fisioterapia
respiratória (Anexo 1) e a fisioterapia motora (Anexo 2) de forma a
normatizaro processo de reabilitação em
UTI e conferir maior confiabilidade no manejo do paciente crítico oncológico.
Outra condição própria das neoplasias
reside no fato de que as infecções do trato respiratório estão entre as complicações
mais comuns do paciente com câncer. Uma série de fatores aumenta a
suscetibilidade a infecções no paciente oncológico como a modificação e
alteração do sistema imunológico advindos da própria neoplasia.
O próprio tratamento adjuvante oncológico,
composto pela tríade quimioterapia, radioterapia e cirurgia, contribui
sobremaneira para aumentar o risco de infecções graves. Muitos dos
quimioterápicos em volga atualmente, são mielossupressores, facilitando a
penetração de microorganismos no hospedeiro; A corticoterapia é
imunossupressora; A radioterapia ocasiona perda da integridade funcional e a
intervenção cirúrgica eleva o risco de infecção associado a
mielossupressão(SARMENTO,2007).
Além disso, outros fatores como a
colonização por bactérias hospitalares resistentes, a desnutrição e caquexia
associada à baixa ingesta e o uso de procedimentos invasivos como sondas,
catéteres, punções e nutrição parenteral prolongada, comprometem ainda mais a
integridade das barreiras mecânicas do organismo, conferindo ao paciente maior
risco de infecção (SHIGUEMOTO,2000).
Com o atual reconhecimento da
fisioterapia como elemento imprescindível no combate e melhora das infecções do
trato respiratório, a partir de técnicas e manobras já bem estabelecidas, a
fisioterapia respiratória (FR) se apresenta como uma poderosa terapêutica a
compor o manejo do paciente oncológico internado na UTI como coadjuvante à
antibioticoterapia.
Segundo CIESLA (1996) a fisioterapia
respiratória objetiva primordialmente, melhorar a função respiratória por meio
de outras funções como ventilação/perfusão (V/Q), distribuição e difusão,
visando promover e manter níveis adequados de oxigenação e de gás carbônico na
circulação, preservando a ventilação pulmonar. Outro objetivo é expandir
novamente as áreas pulmonares com atelectasia.
As manobras de FR consistem em
técnicas manuais, posturais e cinéticas, que podem ser aplicadas no doente,
associando-se aos recursos do ventilador mecânico. As manobras convencionais de
desobstrução brônquica podem ser: a drenagem postural, a percussão torácica ou
tapotagem, a compressão torácica, a vibração torácica (manual e mecânica), os
exercícios respiratórios, a aspiração de secreção endotraqueal e a tosse além
de outras menos convencionais, como a hiperinflação manual (HM) e a pressão
negativa (SOARES,2000).
As
manobras de higiene brônquica são utilizadas para mobilizar e remover as
secreções nas vias aéreas, no sentido de melhorar a função pulmonar.
Entretanto, em algumas situações, a fisioterapia respiratória pode ser lesiva
ao paciente, principalmente ao paciente crítico, pois ele pode não suportar o
manuseio, mesmo pouco intensos e habituais, de uma UTI (SPEIDEL,1978) .
Já SHIGUEMOTO (2000), afirma que as manobras
de higiene brônquica como drenagem postural, tapotagem, vibração, compressão
expiratória, aceleração do fluxo expiratório entre outras, assim como manobras
de reexpansão pulmonar, podem ser realizadas em pacientes oncológicos
respeitando os valores das plaquetas, coagulograma e limiar da dor. Quando a
intervenção se faz necessária, mesmo com valores laboratoriais alterados,
opta-se por manipulações "leves".
Segundo
Albergaria (2007), por se tratar de ambiente ímpar, a terapia intensiva
oncológica merece um grupo de profissionais tecnicamente qualificados, além de
uma formação humanística sólida, a fim de oferecer um tratamento de qualidade e
apoio necessário ao momento vivido com o cliente com câncer.
CONCLUSÃO
De
acordo com a revisão de literatura realizada, foi proposto um protocolo de
atendimento, mediante a escassez de pesquisas para a prestação do atendimento fisioterapêutico
à pacientes oncológicos críticos internados em UTI.
Portanto,
estudos futuros serão necessários com o intuito de colocar em pratica o protocolo
proposto.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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de
estudos em terapia intensiva, São Paulo, 2007.
Disponível em: <http://www.sobrati.com.br/ceti.htm>. Acesso em: 15 set. 2009.
MACKENZIE, C. F. et al. Fisioterapia
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Tradução Nadia Gagaus; Supervisão Maria Ignês Zanetti Feltrim. São
Paulo:
Panamericana, 1988.
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J. C. Monitorização
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fisioterápicas em pacientes sob ventilação mecânica. In: Carvalho CRR.
Ventilação mecânica. São Paulo: Atheneu; 2000. p.353-80.
SPEIDEL
BD. Adverse effects of routine
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CIESLA ND. Chest physical therapy for patients
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ALBERGARIA DM.Perfil de clientes
internados na unidade de terapia intensiva de um hospital oncológico.Revista Científica da
FAMINAS - Muriaé - v. 3, n. 1, sup. 1, p. 63, jan.-abr. 2007.
Autor: daniel xavier