NO TEMPO EM QUE ALGUÉM COME UMA LARANJA...



NO TEMPO EM QUE ALGUÉM COME UMA LARANJA...

(Autor: Antonio Brás Constante)

 

Em alguma parte do mundo, neste exato momento, alguém acaba de pegar uma laranja, pronto para degusta-la. Enquanto a tal pessoa começa a cortar a casca da fruta com uma faca, sem se preocupar se o seu ato desencadeou um artigo, (pois sua atenção agora está no fato de poder comer a laranja), você começa a tentar digerir este primeiro parágrafo.

 

Visto que meu texto já está escrito (e sendo lido agora por você), nota-se que o indivíduo que comia a laranja no momento em que eu escrevia não é o mesmo que o seu comedor de laranjas involuntário. Com isto temos quatro personagens nesta história, dois comendo laranjas, um escrevendo sobre isto e outro lendo. Somos personagens distintos, cujo único laço entre nós é a laranja. Seria ela doce? Azeda? Grande? Estragada? Isso importa? Sim, importa, principalmente para os dois que estão saboreando a fruta. Que forças os levaram a comerem as laranjas?

 

Você pode imaginar a laranja se quiser, seus pensamentos agora são frutos de uma fruta. Foi criada a idéia de uma laranja especialmente para chamar sua atenção. Tornei-a palpável em sua mente. Enquanto isso, nossos ilustres desconhecidos já descascaram suas laranjas e provavelmente estão comendo-as agora (um agora fora do contexto de tempo).

 

Mas, e se eu resolvesse não falar sobre laranjas? Se o assunto fosse a morte, já que tantas pessoas morreram durante a leitura desta parte do texto. Ou se eu começasse a escrever sobre o sucesso, ou sobre a miséria, tanto faz. De qualquer modo quem estivesse lendo seria guiado por minhas palavras. Refletiria sobre elas, pensaria nelas, aliás, enquanto você estiver lendo este texto, seus pensamentos estão diretamente ligados as minhas frases.

 

Posso dizer que estou conduzindo você neste instante para onde eu quiser, influenciando sua vida mesmo que de forma sutil. Tudo, aparentemente, a troco de laranjas. Somos diariamente dominados por influencias externas sem nos darmos conta de que isso acontece.

 

Comemos (inclusive laranjas), estudamos (ou não), trabalhamos (ou não), recebendo todo tipo de informações em nossa frágil cabeça. Algumas dessas informações são buscadas e analisadas, estamos conscientes de sua existência. Mas, e todas as outras? Das músicas ouvidas sem que se preste atenção à letra, até os milhares de cartazes pelos quais passamos sem olhar (mas que são captados de forma inconsciente e inconseqüente por nosso cérebro). Tudo isto sem falar na televisão, fonte inesgotável de sublimação.

 

Neste bombardeio agressivamente pacifico, somos alvos móveis, mas que ficam imóveis diante de tanta apelação. Tantos métodos de se pescar pessoas, potenciais compradoras, fiéis consumidoras, vorazes leitoras...

 

A laranja acabou. Totalmente devorada por alguém. Sutilmente incutida em seus pensamentos por mim. Se quisermos, podemos até mesmo refletir sobre as laranjas que nos são oferecidas, e talvez com isto consigamos aproveitar mais o seu suco e polpa, sem ter que engolir o bagaço tantas vezes absorvido por nós, nas entrelinhas de nosso dia-a-dia.

 

NOTA DO AUTOR: Os amantes da leitura agora dispõe de um excelente portal chamado: www.skoob.com.br, funciona como uma rede social (tipo orkut), mas com ferramentas de leitura, tipo: Estante virtual para cadastrar seus livros, histórico de leitura, resenhas, etc. Quem quiser participar vai encontrar por lá o meu singelo livro “Hoje é seu aniversário”, não esqueçam de adicioná-lo em suas estantes, ok? Quem quiser também pode me pedir uma cópia em PDF do livro, ou para fazer parte de minha lista de leitores, que recebem semanalmente meus textos, para isso basta enviar um e-mail para: [email protected]

 

SOBRE O AUTOR: Antonio Brás Constante se define como um eterno aprendiz de escritor, amigo e amante da musa inspiração. Lançou recentemente o livro: “Hoje é seu aniversário – PREPARE-SE”, disponível pela editora AGE (www.editoraage.com.br).

 

Site: recantodasletras.uol.com.br/autores/abrasc

 

SUGESTÃO: Divulgue este texto para seus amigos (vale tudo, o blog da titia, o orkut do cunhado, o MSN do vizinho, o importante é espalhar cada texto como sementes ao vento). Mas, caso não goste, tenha o prazer de divulga-lo aos seus inimigos (entenda-se como inimigo todo e qualquer desafeto ou chato que por ventura faça parte de um pedaço de sua vida ou tente fazer sua vida em pedaços).

 

 


Autor: Antonio Brás Constante


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