IDADE MÉDIA: FÉ/RAZÃO E AGOSTINHO



Wállison Rodrigues da Silva

(seminaristawallison@bol.com.br)

O começo da Idade Media se da com a morte do ultimo dos apóstolos de Jesus Cristo ocorrido por volta do ano 100 da nossa Era. Muitos escritores dessa época receberam o titulo de padres da igreja[1], com o findar das ultimas manifestações da filosofia antiga e o inicio das primeiras iniciativas filosóficas praticadas por pensadores cristãos.

Pode-se distinguir a Filosofia medieval em cinco etapas, segundo Saranyana (2006, p.31):

Primeira etapa, denominada "Alta Idade Media", que se caracterizaram pelo despertar, apogeu e decadência do renascimento carolíngio (768-fins século IX).

A segunda etapa abrangeu desde a lenta renovação espiritual iniciada em princípios do século X, com a fundação da Abadia beneditina de Cluny, ate fins do século XII.

A terceira etapa foi momento de esplendor do pensamento escolástico, que se deu especialmente no século XII, coincidindo com a fundação das Universidades.

A quarta etapa foi a "Baixa Idade Media", que vai da morte do Bem-aventurado Duns Scoto († 1308) ate fins do século XIV.

A ultima etapa caracteriza com o Renascimento e o Barroco: Separação da filosofia medieval para a moderna.

Segundo os comentaristas Giovanni Reale e Dario Antiseri, a filosofia medieval se divide em quatro fases (2005, p.119) que são:

A primeira constitui-se desde o século V a IX com a formação dos reinos românico-barbaros e consolidação do Sagrado Império Romano.

A segunda começa dos séculos X ate o XI, com lutas, investiduras e cruzadas.

A terceira se inicia no século XIII, na era do ouro da Escolástica.

A quarta e ultima, é desde a crise da igreja e do império; comarelação entre Fé e Razão.

As escolas da Idade Média eram de estilos, Monacais: Anexas a uma abadia; Episcopais: Anexas a uma catedral; e Palatinas: Anexas a uma corte: palatium.

Nos séculos XII e XIII nascem em Bolonha e Paris as primeiras Universidades, sob a forma de associações da corporativa de mestres e estudantes.

A filosofia que se criou na Idade Média foi elaborada por cristãos, muitos deles clérigos, mais ou menos para a explicação racional da fé católica.

Segundo Saranyana, o historiador Emile Bríhier, em 1927, levantou um tema que foi muito discutido pela "Société Française de Philosophie", se realmente existiu ao não uma "filosofia tipicamente cristã".

Se realmente a filosofia medieval, não passasse de uma teologia os filósofos que possuíam a mesma fé teriam que comungar do mesmo pensamento. Ex: são Boa-Aventura e São Tomás de Aquino.

"Considera a filosofia uma ajuda indispensável para aprofundar a compreensão da fé e comunicar a verdade do evangelho a quantos não conhecem ainda" (Pp. João Paulo II, 1998, p.10) assim, "a fé é a razão constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano não se eleva para a contemplação da verdade" (Ibidem, p.5).

Os pais da filosofia tiveram por missão mostrar a ligação entre fé e razão e a religião.

Quando se menciona este movimento de aproximação dos cristãos à filosofia, é obrigatório recordar também a cautela com que eles olhavam outros elementos do mundo cultural pagão, como, por exemplo, a gnose.

O encontro, não foi fácil nem imediato, foi vista pelos primeiros cristãos como um transtorno.

A história revela que o próprio pensamento platônico, quando foi assumido pela teologia, sofreu profundas transformações, especialmente em conceitos como a imortalidade da alma, a divinização do homem e a origem do mal.

A cristianização do pensamento platônico e neoplatônico merecem menção particular os Padres Capadócios.

Quando se lhe deparou a verdade da fé cristã, então teve a força de realizar aquela conversão radical a que os filósofos não tinham conseguido induzi-lo.

A fé requer que o seu objeto seja compreendido com a ajuda da razão; por sua vez a razão, no apogeu da sua indagação, admite como necessário àquilo que a fé apresenta.

Alguns representantes do idealismo procuraram de diversos modos, transformarem a fé e os seus conteúdos, inclusive o mistério da morte e ressurreição de Jesus Cristo, em estruturas dialéticas racionalmente compreensíveis. Mas a esta concepção, opuseram-se diversas formas de humanismo ateu, elaboradas filosoficamente, que apontaram à fé como prejudicial e alienante para o desenvolvimento pleno do uso da razão. Não tiveram medo de se apresentar como novas religiões, dando base a projetos que desembocaram, no plano político e social, em sistemas totalitários traumáticos para a humanidade.

Tanto a razão como a fé ficou reciprocamente mais pobres e débeis. A razão, privada do contributo da Revelação, percorreu sendas marginais com o risco de perder de vista a sua meta final. A fé, privada da razão, pôs em maior evidência o sentimento e a experiência, correndo o risco de deixar de ser uma proposta universal.

Ao desassombro da fé deve corresponder a audácia da razão.

Aurélio Agostinho, conhecido como "Santo Agostinho", geralmente pelos cristãos, foi o primeiro a dar completa sistematização da filosofia Cristã. Nasceu em Tagaste pequena cidade da Numídia na África. Seu pai era pagão e sua mãe era cristã.

Em 370/371 Agostinho foi para Cartago estudar retórica, graças a um amigo de seu pai. Ele foi professor primeiro em Tagaste, depois em Cartago, de lá se transferiu para Roma m 384.

A principio, ele foi Maniqueísta[2], graças a estes, Agostinho foi para Milão, e se tornou professor oficial de retórica da cidade.

Em 384 a 386, em Milão, ele amadureceu a sua conversão ao Cristianismo. Após sua conversão mudou-se para Cassiciaco, e viveu uma vida comum a de sua mãe, seus amigos, o seu irmão e seu filho Adeodato.

Em 387 ele foi batizado, pelo bispo Ambrosio, e depois voltou para África. No caminho sua mãe Mônica, faleceu em Òstia. Contudo, só retornou para África em 388.

Chegando a Tagaste, vendeu todos os seus bens paternos, que ficou como herança, e fundou uma comunidade religiosa[3].

Em 391, tornou-se Sacerdote, sob pressão dos fiéis. Em 395, Bispo. Morreu em 430 com 76 anos de idade.

Vale ressaltar, que, Agostinho depois de ter sido Maniqueísta, ele foi também Cético, para depois ser Cristão (Com o Batismo por S. Ambrosio; cf. As Confissões).

Referências Bibliográficas

AGOSTINHO, Santo. Confissões, São Paulo: Paulus, 2005, 18ª Edição.

FIGUEIREDO, Fernando Antônio. Introdução à Patrística, Petrópolis: Vozes, 2009.

KENNY, Anthony. Filosofia Medieval, São Paulo: Loyola, 2008.

MORRA, Gianfranco. Filosofia para Todos, São Paulo: Paulus, 2001.

Pp. JOÃO PAULOII. Fides Et Ratio, São Paulo: Paulinas, 1998.

REALE, Giovanni/ANTISERI, Dario. História da Filosofia - Patrística e Escolástica, São Paulo: Paulus, 2ª Ed. 2005.

SARANYANA, Josep-Ignasi. A Filosofia Medieval, Tradução: Fernando Salles, São Paulo: Instituto Brasileiro de Filosofia e Ciência "Raimundo Lúlio", 2006.




Autor: Wallison Rodrigues


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