Minha inveja da Terra-Média



Leio os livros de Tolkien
Que falam da Terra-Média
E sinto inveja [email protected] habitantes [email protected] daquele mundo
Por conviverem com uma natureza tão bonita
E íntegra.

Suspiro quando vejo a descrição
Daquele mundo tão sublime
Que é uma pena que seja
Apenas fictício.
Lindas florestas
Flora exuberante
Que fazem leitoræs bió[email protected] e ambientalistas babarem.
Vistas perfeitas
Paisagens encantadoras
Águas brilhantes lá perto do horizonte...
Ah...
Como eu queria estar lá!

Queria ter os poderes de Gandalf
Para me transportar àquele mundo
E poder
Andar pelas florestas
Me banhar nos rios e no mar ocidental
Vagar pelos campos
Respirar o ar puríssimo da Terra-Média
Beber a água daqueles rios
Comer as frutas das florestas.
Os hobbits ficaram exaustos na trilha rumo a Mordor
E eu também ficaria
Mas, cavaleiros negros à parte,
Andar por aquela natureza maravilhosa
Não seria nada de ruim pra mim
Cansa o corpo mas é prazeroso
Assim como jogar futebol pra [email protected] [email protected]

Terramedianos, nosso mundo era assim também
Parecido com o de vocês
Belíssimo, de natureza soberana e íntegra
Florestas extensas e extremamente biodiversas
Estampavam o planeta
Lindas savanas, campos floridos
Pintavam as terras emersas de verde
Nossos mares pincelavam de azul o restante.

Até nós mesmos éramos como vocês
Povos não industrializados
E não fazíamos tamanhas desgraças com a natureza
Como nós hoje, que contamos com essa raivosa indústria esfumaçada,
Estamos fazendo.
Respeitávamos a fauna e a flora que nos cercavam
Reverenciávamo-nas com todo nosso respeito e gratidão
Por nossa sobrevivência
Até considerávamo-nas deuses e deusas
Que nos guardavam de todo o mal
E nos acolhiam naquela tão bela morada.
Mas veio o monoteísmo ultra-antropocêntrico
Que nos transformou em orcs e uruk-hais da pior categoria.
Passamos a não nos preocupar mais com a beleza
Do mundo ao nosso redor
E o pior veio com a industrialização
Então nós viramos autênticos filhos de Sauron.
Provocamos nós o ecocâncer
Sugando e devastando tudo o que vimos pela frente
E utilizando os despojos da destruição a nosso favor
Para nossa propagação.
Viramos os carrascos de nós mesmos
Passamos a procurar dominar ou matar
Quem tivesse culturas menos tecnológicas que a nossa.
Hoje nosso outrora lindo planeta
Está se convertendo em terrenos semelhantes a Mordor
E não há elfos, nem anões nem “homens”
Para defender a Terra
Da nossa fúria destruidora.

Se antigamente vivíamos
Na mais linda parte da Terra-Média
Hoje vivemos num mundo que se aproxima
Das feições de Mordor.
Conseguimos transformar florestas encantadoras
Em paisagens desoladoras de destruição
Que nem mesmo Sauron e o Um Anel seriam capazes
De proporcionar.

Ah, habitantes da Terra-Média
Abenç[email protected] sejam vocês
Que vosso mundo ainda seja tão bonito
Uma natureza tão linda e íntegra...
Agradeçam ao senhor Tolkien
Por não terem posto vocês
Num mundo industrializado
Pelos servos de Sauron.

Felizes sejam vocês
Que não foram degenerados
Por um processo de industrialização
Felizes sejam também
Porque os orcs e os uruk-hai
Não chegaram a se tornar povos industriais
Como nós somos
Senão vocês não sobreviveriam
À fúria dos servos de Sauron
Que viriam com tanques de guerra contra vocês
Tomariam a Terra-Média inteira
E transformariam-na num terror
E numa desolação completa
Semelhante ao nosso planeta
Consumido pelo ecocâncer causado
Pela praga humana.

Enquanto os devastadores, os vilões da Terra-Média
Eram gente feia e repugnante
A ser enfrentada e derrotada,
Na Terra real, a espécie destruidora
Ecocancerígena
Chamada de raça humana
Não tem oponentes
E tem entre si muitos seres muito bonitos.
Nós somos lindos orcs
Lindos na aparência
Mas ainda terríveis na habilidade de destruir o mundo
De fazer o mal
De provocar a doença do ecocâncer.
Muitos de nós são servos de um Sauron
Que às vezes chamam de Deus.

Enfim, destruímos, como orcs furiosos
Uma lindíssima natureza
Cuja integridade só existe hoje
Em livros como os de Tolkien
Cujas paisagens me fazem hoje suspirar
De inveja e de uma espécie de saudade.
Contra nossa furiosa espécie industrial
Não há nenhuma raça heroica contra.

Só me resta hoje
Ler os livros tolkienianos, babar
E pensar na utopia de viajar por um mundo
Lindo como a Terra-Média.
Autor: Robson Fernando


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