Envelhecimento



Envelhecimento

O envelhecimento traz várias alterações anatômicas e fisiológicas como: diminuição da visão, audição, diminuição dos reflexos (mais lentos) e da coordenação (músculos perdem a flexibilidade, articulações, cartilagem com instabilidade, ossos mais frágeis). Além do processo de envelhecimento ocorre o efeito adverso de medicamentos, principalmente os tranqüilizantes, outras patologias como (diabetes, osteoporose, labirintite,...). Tornando o paciente idoso mais frágil.

Definição de envelhecimento pela OPAS

“È um processo seqüencial, individual, acumulativo, irreversível, não patológico, de deterioração de um organismo maduro, próprios a todos os membros de uma espécie, de maneira que o tempo o torne menos capaz de fazer frente ao stress do meio ambiente e, portanto aumente a sua possibilidade de morte”.
Tais alterações têm por característica a diminuição progressiva de nossa reserva funcional. Isto é, um organismo envelhecido, em condições normais, poderá sobreviver adequadamente, porém, quando submetido a situações de stress físico, emocional, pode apresentar dificuldades em manter sua homeostase manifestando, assim, sobrecarga funcional, que pode culminar em processos patológicos.

Processo de Envelhecimento / Senescência

O processo se inicia geralmente na segunda década de vida, porém é pouco perceptível. Já no final da terceira década surgem as primeiras alterações funcionais e estruturais. A partir da quarta década há uma perda aproximada de 1% da função / ano nos diferentes sistemas orgânicos
O envelhecimento pode também ser caracterizado pela progressiva incapacidade de manutenção do equilíbrio homeostático em condições de sobrecarga funcional.
Quando o sistema homeostático está comprometido (o que ocorre com o avançar da idade), o organismo pode, frente a um fator de stress, entrar em ruptura completa ou numa situação de funcionamento inteiramente nova, desenvolvimento de morbidades.
Os órgãos de sentido têm sua função alterada em condições basais, os de função cardiovascular tem a função alterada em situações de esforço.

Processo de Senescência

As alterações nos principais sistemas serão relacionadas abaixo:

1. Sistema Músculo Esquelético
 Diminuição da massa corporal total
 Diminuição da força, tônus e velocidade de contração muscular (lentificação dos movimentos).
 Aumento da base de sustentação (alteração na marcha).
 Diminuição dos movimentos de braços ao se movimentar.
 Diminuição dos movimentos de braços ao se movimentar.
 Outros: Diabetes / Hipertensão /osteoporose / obesidade

2. Sistema Respiratório
 Diminuição da capacidade vital (em + ou - 25%).
 Aumento da capacidade residual, diminuição da capacidade respiratória total (em + ou - 50%) e diminuição da eficácia e da capacidade pulmonar.
 Diminuição da elasticidade e permeabilidade dos tecidos que cercam os alvéolos (diminuição da taxa de absorção de O2).
 Diminuição da elasticidade pulmonar (rigidez pulmonar) e diminuição da capacidade inspiratória pela calcificação das cartilagens intercostais, diminuição da contratilidade dos músculos inspiratórios, diminuição da elasticidade do tecido pulmonar e enfraquecimento dos músculos do diafragma e intercostais.
 Diminuição da função pulmonar em geral tornando os pulmões mais vulneráveis
 Diminuição da eficiência da tosse e diminuição dos cílios e seu movimento
 Aumento das glândulas brônquicas de muco, que levam a diminuição das trocas gasosas, acúmulo de secreções e dificuldade de expectoração. Aumentando a possibilidade de infecções.
3. Sistema Cardiovascular
Em condições basais é suficiente, mas em sobrecarga pode apresentar distúrbio levando ao comprometimento da função. No coração vão ocorrer as seguintes alterações:
 Aumento do colágeno no pericárdio e endocárdio
 Degeneração das fibras musculares do miocárdio e hipertrofia das remanescentes
 Espessamento e calcificação das valvas
 Diminuição da força de contração cardíaca
 Diminuição da capacidade máxima do coração
 Diminuição do débito cardíaco (em até 50%)

4. Sistema Cognitivo
 Inteligência não se pode afirmar que haja declínio acentuado com o avançar da idade, ocorre um ligeiro declínio nas aptidões psico-motoras relacionadas à coordenação, a agilidade mental e aos sentidos (visão e audição).
 Memória e aprendizagem – Indicações prováveis de relações com alterações químicas, neurológicas e circulatórias que afetam o SNC, como também a diminuição de neurônios, oxigenação e nutrição bem como, a motivação.

A presença ou instalação de processos patológicos em indivíduos idosos pode ocasionar rápida alteração no quadro funcional dos mesmos. De totalmente independentes, eles podem passar muito rapidamente para uma condição de parcial ou totalmente dependentes em virtude da dificuldade de adaptação homeostática frente à velocidade de perda de reserva funcional.


Acidentes Domésticos

Muita gente acredita que os acidentes são fatalidades que fogem ao nosso controle.
Porém, à medida que nos antecipamos para evitar sua ocorrência, seus potenciais danos diminuem sensivelmente, chegando mesmo a ser eliminados.
Ao longo da vida, acidentes podem ocorrer em qualquer faixa etária, mas na infância, adolescência e terceira idade eles são mais freqüentes.
É em nossa casa, na nossa cozinha, no nosso banheiro, em nosso quintal ou passeio que as crianças, adolescentes e idosos mais se machucam. Vários fatores são reconhecidamente provocadores de acidentes: de um lado, destacam-se aqueles relacionados com as condições físicas e psicológicas das próprias pessoas; de outro aqueles ligados às condições presentes no meio físico, social e cultural em que elas vivem.
Os riscos de acidente aumentam onde há miséria, doenças e ausência de adultos por perto. Os idosos também apresentam certas características que os levam a ser vítimas de acidentes caseiros. Muito freqüentemente, os sintomas da velhice, como o decréscimo da força física, a falta de atenção e da concentração, a visão e a audição mais fracas, os movimentos mais vagarosos e as reações mais lentas, marcam o início de uma vida mais dependente de terceiros e mais propensa a quedas e a outros acidentes. Assim, fatores de ordem biológica entrelaçam-se com fatores de ordem cultural para produzir, no idoso, um quadro de depressão, quase sempre acompanhado de sentimentos de insegurança, perda de auto-estima e da auto confiança.

Para a prevenção, existem dois elementos chave:
• educação, tanto nos aspectos básicos como também na educação específica, sendo ambas absorvidas, em prevenção, pelo uso da expressão promoção em saúde;
• proteção específica, que trata do conjunto de ações necessárias para a devida eliminação dos fatores de risco identificados.

A educação básica é o ponto de partida para a prevenção de acidentes. Um segundo nível de conscientização passa pela educação específica. Além da formação na educação básica, também é importante conhecer todos os fatores de risco de forma mais aprofundada para tornar as medidas de prevenção mais eficientes. A educação específica também atua quando a prevenção primária tiver falhado: conhecendo mais profundamente as causas de um acidente, é possível atenuar sua gravidade com a efetivação de atendimento adequado e imediato, além de ações preventivas para que não ocorram novos acidentes.

Acidentes domésticos com idosos

Segundo o Sistema Único de Saúde (SUS), um terço dos atendimentos por lesões traumáticas nos hospitais do País ocorre com pessoas com mais de 60 anos. E o mais espantoso é que cerca de 75% dessas lesões acontecem dentro de casa, sendo que 34% das quedas provocam algum tipo de fratura. A maior parte desses acidentes (46%) acontece no trajeto entre o banheiro e o quarto, principalmente à noite. Há ainda a agravante de que a recuperação do idoso é mais difícil, e durante a convalescença ele fica sujeito a desenvolver doenças pulmonares e problemas nas articulações e até a morte.
Estatisticamente tem se observado que 30% dos idosos apresentam um episódio de queda ao solo com ferimento, a cada ano, o que representa um grande fator de limitação de qualidade de vida e um grande custo assistencial. Cerca de 8% de todas as pessoas com mais de 60 anos procuraram um atendimento de emergência por trauma em cada ano, e 30% destas pessoas atendidas devem ser hospitalizadas em decorrência disto.
Os casos de maior gravidade, cerca de 10% dos idosos que sofreram um trauma, virão a falecer em decorrência do trauma.
As mulheres são as que mais se acidentam, segundo Marcos Musafir, presidente da regional da Sbot no Rio de Janeiro. "Isso porque vivem mais que os homens e porque são mais suscetíveis à osteoporose (doença que enfraquece os ossos)”.

Causas mais freqüentes:

QUEDAS E CONTUSÕES – são geralmente ocasionadas por escadas mal fixadas, muito enceradas ou escorregadias, de proporção inadequada ou sem corrimão; ou ainda por tapetes soltos e móveis em grande quantidade, com quinas pontudas e dimensões inadequadas ao seu tamanho no cômodo; andar sobre pisos molhados, úmidos ou encerados; objetos deixados no caminho; fios elétricos ou de telefone deixados no chão; andar só de meias ou usar chinelos e sapatos mal ajustados; pouca iluminação dos ambientes; tontura ao levantar –se , visão alterada; perda de equilíbrio; enfraquecimento dos ossos e dos músculos; soleiras das portas não niveladas com o chão; colocar – se em pé em cima de um banco ou cadeira; banheira ou chuveiro; imperfeições, buracos e desníveis no piso ou calçada.

CORTES E QUEIMADURAS – Uso incorreto de facas de cozinha (principalmente ao utilizar com alimentos congelados); uso incorreto de produtos inflamáveis; diminuição das faculdades sensoriais (perda da sensibilidade ao calor originando por exemplo queimaduras durante o banho, ao cozinhar...),

Prevenção:

O piso precisa ser antiderrapante e os tapetes fixos no chão; degraus devem ser acompanhados de corrimãos se possível substituídos por rampas de inclinação leve e proteção anti- derrapante ; banheiros precisam ser espaçosos e com barras de apoio, para que o idoso possa se equilibrar melhor e circular com apoios e cadeiras de roda; a cama não deve ser muito alta, deve ter uma altura entre 50 e 55 centímetros, para que a pessoa possa firmar bem os pés antes de se levantar; os interruptores precisam ficar ao alcance da pessoa na cama para que ela não tenha que se movimentar no escuro antes de acender a luz ; ilumine bem todos os ambientes da casa; quanto ao trajeto entre o quarto e o banheiro ser feito durante a noite (onde ocorre a maioria dos acidentes), deixar sempre uma luz acesa ou instalar um sistema de iluminação automática; as áreas de circulação também devem ser completamente livres de obstáculos em todos os ambientes da casa. Móveis demais atrapalham a locomoção, e enfeites ou objetos baixos podem passar despercebidos; os móveis devem ser adaptados para serem de fácil alcance e de cantos arredondados; os sofás devem ter braços largos para ajudar os movimentos de se levantar e se sentar; as prateleiras não devem ser nem muito altas ou baixas para evitar que a pessoa tenha que se esticar ou abaixar para pegar algo; adapte as maçanetas, se necessário. Todas devem ser de fácil manuseio, e as portas não devem ficar trancadas. O ideal é que sempre haja alguém em casa, pois caso aconteça algo, ela poderá prestar ajuda.

Fisioterapia no Programa do Idoso

A atuação do fisioterapeuta é de extrema importância, pela sua capacidade técnica é o profissional que vai atuar de maneira preventiva nas perdas dos sistemas que presenciamos no processo de senescência, que podem levar a instalação de patologias ou então evitar as quedas e suas complicações, esta atuação em conjunto com ações que visam uma melhor qualidade de vida do idoso, através sempre de uma equipe multidisciplinar constituem o nível primário de atuação.
O tratamento das afecções do idoso devido a patologias apresentadas é realizado através da utilização de técnicas fisioterapêuticas, que constituem o nível secundário de atenção à saúde do idoso.
No nível terciário encontramos a utilização de recursos fisioterapêutico com objetivo de inserir o idoso na sociedade, tratando de suas incapacidades, melhora da funcionalidade, devolvendo a sua funcionalidade e independência dentro das possibilidades.
Os trabalhos preventivos poderão ser realizados individualmente ou em grupo, sendo em grupo trabalha também o lado social e psicológico.
Trabalhos que poderão ser feitos em questão a prevenção dos acidentes: atividades de alongamento, treinamento de força, treinamento aeróbico, treinamento de marcha, trabalhos proprioceptivos.



Conclusão

O número de acidentes com os idosos crescem mais a cada dia, e é algo que pode ser evitado. O grande desafio da fisioterapia é orientar modificações que podem ser feitas em prol disso e fazer com que eles consigam preservar sua autonomia e criar condições para que possam permanecer junto a sua família e comunidade livre dos acidentes.
Autor: Monique Coviello