REDE CAN - Tráfego de dados e conectividade de dispositivos em automóveis Parte II



REDE CAN - Tráfego de Dados, Conectividade e automação em Automóveis – Parte II
Por Luiz Dos Reis Lana
Gestor/consultor técnico em serviços autorizados desde 1981
Luizlana@somambiente.com.br

No artigo da edição anterior vimos, não só o histórico, time line, mas como a importância e aplicações da Rede Can, o autor teve a idéia destes artigos e foram criados com o objetivo de ajudar o mercado ao prestar serviços técnicos ou instalações, em veículos que possuem rede Can. Nós da Som Ambiente® vimos nos últimos anos, profissionais de instalação e elétrica, instaladoras de acessórios, por não se informarem e desconhecerem a Rede Can, terem problemas técnicos sérios em veículos de seus clientes como: módulos ECUs queimados, Centralinas queimadas, sistemas de bordo que queimam, chicotes danificados por pesquisas erradas em instalações, Air Bag que explodem, alarme e travas originais que dão conflito ao instalar um radio diferente do original etc.
A Rede Can trabalha com fios elétricos, como meio de transmissão dos dados, existindo três tipos de barramento Can: de 1, 2 e 4 fios. As redes de 2 e 4 fios trabalham com sinais de dados CAN_H (CAN high) e CAN_L (CAN low) e são do tipo par trançado, denominados par trançado diferencial; o uso de par trançado atenua fortemente as interferências eletromagnéticas. No caso das redes de 4 fios alem dos sinais de dados a rede possui um fio VCC+ (alimentação positiva) e outro GND ( terra de alimentação). No caso da rede de um fio o barramento possui apenas este para trafegar os dados, chamado de linha CAN. Por trabalhar com fiação parecida aos demais fios do chicote do veículo, por isto em manutenções e instalações, pode acontecer danos às ECUs ou dispositivos, ao instalar ou trabalhar em veículos com rede CAN.
Dica prática, Após entender as conexões e fios da Rede Can nas instalações , ao manusear o chicote do veículo, separe e identifique todos os fios do barramento CAN, use a descrição acima para identificá-los ou o manual de serviço do veículo. E não os use para instalações de alarmes, centrais de vidro etc., não corte, não use a linha de alimentação das redes de 4 fios para acionar um relé por exemplo, nunca use equipamentos inadequados de pesquisa de sinais em veículos como: lâmpadas de teste, dispositivos com leds, utilize sempre instrumentos como: multímetro, osciloscópio automotivo, imagine uma lâmpada de teste na linha de dados citada acima, os danos serão irreversíveis, pois a linha de dados verá a lâmpada como uma carga ou um resistor de baixo valor para o terra, causando sua paralisação e queima. Ao ver em chicotes níveis de tensão de 1.5v e 3.5 volts estes sinais são da rede Can, se tiver que abrir módulos ECUs por alguma razão, (desoxidar um conector por exemplo) tome todo cuidado com cargas eletrostáticas nos microprocessadores e unidades de memória internas, para não ter surpresas quando conectar o modulo de novo e achar que não fez nada e não sabe porque parou!
Continuaremos a falar mais um pouco sobre as arquiteturas utilizadas onde se aplica a Rede Can para melhor compreensão e visualização.



Observe que na arquitetura centralizada, uma única ECU (Eletronic Control Unit) controla as demais, onde dispositivos diferentes como dado no exemplo como: centrais de comando, navegação e multimídia, controle de velocidade, interagem e são gerenciados por esta ECU, alguns dispositivos trocam dados nas duas direções conforme pode-se observar, demonstrando a propriedade multi-mestre do protocolo CAN.
Uma outra aplicação interessante da rede é no sistema de air bag, onde em caso de colisão do veículo, é levado um sinal ao modulo eletrônico de gerenciamento de combustível que corta o sinal da bomba de combustível, desabilitando-a e evitando assim maiores danos.
Na arquitetura distribuída, varias ECUs inteligentes fazem o trabalho e repassam à unidade central, mais utilizada em veículos off Road



Existem dois padrões de protocolo Can: o CAN 2.0A que é capaz de gerenciar 2000 mensagens e o CAN 2.0B capaz de gerenciar 500 mil mensagens diferentes, ambos baseados na norma ISO 11898.
Uma das tendências naturais de aplicação da Rede CAN é no gerenciamento de centrais de controle de poluentes no veículo, tão difundido atualmente, e sendo um compromisso com o meio ambiente. Já se consegue fazer veículos com um percentual zero de emissão de poluentes como o Nissan LEAF.
A Rede Can hoje é o sistema nervoso e sanguíneo dos veículos com comandos eletrônicos e tecnologias modernas, mesmo perante o vasto crescimento e ampliação na alocação de dispositivos eletrônicos no veículo, o barramento CAN ainda impera na maioria dos veículos modernos, por varias razões como as abordadas neste artigo. Por questões de padronizações e custo, ainda está um pouco longe de mudar-se para outras redes com velocidade maior como a FlexRay, uma outra rede que possui velocidade maior. Ficariam ineficientes e sem aplicação vários componentes e dispositivos hoje existentes no mercado, e as ECUs vistas acima, ficariam obsoletas, portanto a tendência será uma convivência pacifica de mercado, mesmo se houver frente a uma saturação do barramento CAN por excesso de dispositivos no veículo. Obrigado pela leitura.
Até a próxima!
Autor: LUIZ DOS REIS LANA


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