Alimento Espiritual



ALIMENTO ESPIRITUAL

Assim como o corpo se alimenta de comida e dali extrai seus nutrientes, a alma se alimenta da verdade, e por ela se mantém viva.

Penso que um aspecto que possa indicar a condição da saúde mental, é a forma como nos relacionamos com a verdade.   Tento introduzir esse pensamento, me referindo desde as mínimas questões cotidianas, até situações mais importantes da vida.

A proposta aqui é: propor uma visão sobre o grau de evolução da capacidade de perceber a verdade e relaciona-la com aspectos da vida. Mais do que uma verdade ou outra, mas um modelo de funcionamento mental.

Devo lembrar, que os conteúdos de verdades internas, ou seja, que se tem pra si mesmo, é diferente, em sua maior parte, do que aquilo que compartilhamos com o outro. Um turbilhão de emoções é gerado pelo conflito entre verdade interna e externa. Assim, para adiar esse desequilibro, tentamos nos livrar dela o tempo todo. Na maioria das vezes nos causa tristeza, susto, vergonha e que quase sempre se cria alguma forma de hostilidade. Assim, para nos defender desse grupo de sentimentos, colocamos a verdade como se valesse só para o outro, negamos a verdade. Um problema na busca da verdade. Uma verdade a mais é sempre uma ilusão a menos.

Na, pesquisa dos fatos com intuito de se conhecer a verdade alguns elementos são imprescindíveis, assim como outros dificultam, obscurecendo o caminho.

Poderia citar a tolerância. A capacidade de ser tolerante quanto às frustrações que se encontram na busca da verdade, me parece a única forma de manter-se em sua direção. Penso que todo aquele que não tolerou a dúvida ficou com uma meia-verdade.

O desejo pretensioso de que a verdade que se busca (portanto ainda não conhecida), coincida com aquilo que já se conhece, pode conduzir tendenciosamente a pesquisa. Desta forma a busca é de se confirmar o que já se sabia, e nada tem haver com uma pesquisa real que conduziria ao conhecimento. Aqui cito Gaston Bachelard: "A verdade é filha da discussão e não da simpatia" (La Filosofia de In, 1973, p111). É só no confronto daquilo que já se conhece com o desconhecido, que podemos extrair a realidade. Deparamo-nos com a ameaça do uso do conteúdo da memória como referência. Isso impede a chegada desse desconhecido: "o novo". Assim a ponto de vista se limita. É como se o sujeito dissesse: " Se não tenho em minha memória, não existe (não é verdade)".

O afeto. Qualquer que seja a forma de buscar a verdade que não, seja com, e pelo amor, já sugere um modelo tóxico. O amor e a verdade são duas formulações inseparáveis na plenitude.

O amor pela verdade e a verdade pelo amor. Aquele que ama e não se preocupa com a verdade, está apaixonado. Se o verdadeiro   amor  se parece muito mais com  durabilidade do que com   intensidade, o que será deste amor/paixão quando vier a verdade?

Ainda na relação verdade e amor; penso no inverso.

Aquele que busca a verdade, que não por amor, pratica a arrogância; um fator que na pesquisa da verdade, a deturpa e a transforma em instrumento de tortura ou arma de fogo. Serve para ferir e matar. Antes de tudo, uma ação de crueldade. O que será que queremos quando dizemos; "vou te dizer umas verdades?". Comunicar realmente o que se descobriu, ou ferir aquele que ouve?

Aqui, proponho uma ligação de amor com aquilo que se deseja conhecer. O que é diferente de estar ligado a uma certa "verdade", tão profundamente e de mais tão próximo que limite o ponto de vista. Na prática percebemos como é difícil conhecer   alguma coisa da qual amamos muito, ou odiamos demais. O conhecimento real depende da suspensão do "amor cego" e da "critica arrogante".

O leitor pode estar questionando, sobre que verdade está se falando. O que é verdade pra um, pode não ser para o outro.

Falo sobre uma verdade que não se encontra saturada ou completa. A verdade que conta sempre com a fé, pois é desconhecida a priori. Se não se conhece, é algo que nos falta. Assim, percebemos como é importante o distanciamento daquilo, que pretendemos conhecer. Quero pensar sobre a verdade que só se percebe na falta. Na falta podemos perceber fatores que na presença não é possível. Lembro-me de alguém me dizendo: "Só se percebe o valor quando se perde".

         A verdade é sempre uma porta que se abre rumo ao desconhecido. Antes de tudo e depois do mesmo, o que nos conduz a maturidade, ao crescimento. Nos responsabiliza pela vida. Verdade que não se pode ter, mas se deve esforçar-se para ser.

Renato Dias Martino - Psicólogo e Psicoterapeuta - renatodmartino@ig.com.br


Autor: Renato Dias Martino


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