Sherazades Da Modernidade



SHERAZADES DA MODERNIDADE: antecipando reflexões sobre o dia internacional da mulher


Claudia Flores
Claudiaflores_412@hotmail.com

Reza a lenda que Sherazade, para livrar-se da morte, contava histórias ao Sultão. Este ofício lhe rendeu o amor do homem que já não mais acreditava em tal sentimento, bem como a redenção de outras mulheres que, depois dela seriam mortas após a noite de núpcias. Insultado em seu amor-próprio e obstinado a matar cada mulher de seu reino, Shariar o sultão que a desposara Sherazade foi encantado por mil e uma noites de histórias contadas pela som da sua voz suave. Então, reconheceu naquela mulher que lhe agradava ao coração e aos ouvidos, a diversidade do humano. Com ela aprendeu a perdoar e a amar. Assim, que poder da palavra está na vida da humanidade século após século.
Este breve apontamento, pretende apresentar questões sobre o poder feminino, a astúcia e a amorosidade e sugerir que educadores, mulheres e mães podem ser Sherazades ( que aqui é tomada como exemplo de tenacidade, sensibilidade e inteligência) ao encantarem pela palavra e promoverem mudanças positivas para si e para os outros. Mulheres podem ser Sherazades e seduzir pela palavra inspiradas em seu infinito poder e aquilo que disse Simone de Bevouir: " Não se nasce mulher, torna-se mulher", é, no mínimo inspirador para discutir o papel da mulher. Se nasce mulher sim, independente de gênero! O poder absoluto e enigmático do feminino não pertence apenas a quem biologicamente nasce mulher. Pertence a quem detém deste poder e faz dele seu "sabre de luz."
Não vivemos no tempo das mil e uma noites. Não sabemos ondular ao sabor da dança do ventre, também não falamos árabe (ao menos eu não falo) nem cozinhamos bolinhos de amêndoa. Não somos forçadas a inventar histórias para prolongar nossas vidas. Mas desejamos viver, de maneira qualitativa quando nos percebemos em vontade e potência na pele de "contadoras de histórias", porque podemos gostar de imaginar as palavras como se cada letra fosse uma miçanga; juntar as miçangas segundo as cores e os tamanhos numa bela pulseira ou em dias de maior inspiração, em belos colares .Alguns de nossos ouvintes, poderão gostar de ler, outros de escutar, outros ainda, precisarão do toque, do contato, do abraço ou do olhar.
A maternação que deve ser opção, é vista, ora como complemento, ora como sujeição. Já não importa aqui discutir os motivos, mas respeitar a mulher na sua interioridade e nas suas escolhas. Nenhuma mulher é menos mulher se não gerar um filho. Existem formas outras de sentir que a feminilidade não está fundamentada apenas na procriação, mas naquilo que advém do instinto e da força de encontrar no outro a generosidade da partilha.
O século vinte e um já não pressupõe que a feminização seja atribuída apenas à mulher. É preciso reconhecer que isso independe de gênero e pode, não raro, gerar mais felicidade do que se pensa. Não serão sutiãs queimados em praças públicas ou a perseguição às bruxas que demarcarão território, será na prática , o conhecimento de si e o engajamento em projetos públicos que darão à mulher a respeitabilidade e o reconhecimento salvaguardados seus encantos e segredos femininos. Contrariando Simone de Beauvoir, acho que já se nasce mulher e perpetuá-la depende da sensibilidade e da cultura de um povo. Encantar pela palavra é promover eros em excelência, amorosamente no ouvido do outro.
No dia Internacional da Mulher, que deriva de um contexto histórico amplo e marcado pela brutalidade das operárias mortas em uma fábrica do setor têxtil nova-iorquino na década de cinqüenta, quero homenagear e deixar registrado que o feminino vai além do biografismo inerente ao gênero. Pretendo homenagear toda e qualquer forma de fazer do feminino, meio de descoberta daquilo que está no centro do sujeito que se recusa em retroceder e avança no desejo de ( re) criar nossa indomável individualidade.
Tenho visto pais no papel de mães, tenho visto "Sherazades da Modernidade", independentemente da sua orientação sexual. Atrelar à realidade esta verdade é dar crédito de pertencimento a quem tem sido mãe, ouvinte, contadora de histórias e amorosamente tem contribuído para que neste mundo, seja melhor de se viver.


Às femininas, às mulheres, às mães, um Feliz Dia da Mulher.





Autor: claudia flores


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