É ÉTICO TER ÉTICA?



A maioria das pessoas está colocando debaixo do tapete as normas de moral, os bons costumes, a ética e aceitando como vantagens os maus exemplos, o individualismo, a mentira, o engodo, a trapaça e outros interesses, em benefícios próprios.

Por outro lado vemos crescer a religiosidade baseada em bons princípios governada pelas regras bíblicas, isto significa que nem tudo está perdido; mas por que, apesar da índole cristã do povo brasileiro não se consegue separar o joio do trigo; por que, apesar de nossa formação voltada ao que é bom, à ajuda ao próximo, a nos condoermos pelo sofrimento alheio, temos a tendência de fazer o que é errado e tirar proveito próprio de tudo que for possível sem medir as conseqüências.

As instituições religiosas falham em transmitir normas morais às famílias e estas aos seus filhos, pois em alguns casos os próprios instrutores religiosos não dão exemplos dignos de serem seguidos.

As comunidades de base da sociedade formam seus “guetos” defendendo-se da exclusão social, criando para seus membros, normas e governos paralelos visando interesses de uma minoria.

As instituições de ensino básico fundamental e médio na sua grande maioria, não conseguem mais transmitir algo atraente e motivador que faça com que os alunos reflitam ou coloquem em prática, pois são frutos, tantos os alunos como os professores de uma sociedade sem base, sem vontade, desmotivada e sem referências.

As instituições de ensino superior, não conseguem da mesma forma, preparar profissionais éticos para o mercado de trabalho, pois estão despreparados, pagam pouco e só visam lucro.

Muitas empresas de auditoria e consultoria que deveriam ser estruturadas em ética, num passado recente e largamente divulgado pela imprensa, cometeram “erros” nas suas avaliações e laudos emitidos. Em um dos seus artigos, Antonio Roque Citadini, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, cita: “Em relação às empresas de auditoria e consultoria privadas, o que se vê são elogios......, desconsiderando-se o resultado tão desastroso que vem marcando seus trabalhos nos últimos tempos” e continua Citadini, “Só assim se explica à razão dos muitos casos em que lucros maravilhosos são transformados em prejuízos escandalosos”.

A quebra da Enron Corp, gigante do setor de energia, repercutiu no mercado de modo geral, especialmente nos poupadores que confiaram na gestão do fundo de pensão por ela gerenciado; a empresa de auditoria provavelmente não detectou problemas existentes nas demonstrações financeiras da Enron.

Muitas empresas privadas com ações na bolsa de valores ou mesmo sem abertura do capital, usam artifícios contábeis, feitos por profissionais não preocupados com a ética, para pagar menos impostos, ou tornar não transparente seus lucros, prejudicando os investidores.

Nossos representantes políticos, em quem confiamos para tomar decisões importantes por nós, agem de maneira traiçoeira e inescrupulosa tornando-nos cúmplices de seus atos que desonram a nação.

Mas o que significa ética? Conforme “Collins Dictionary” “é o estudo das questões relacionadas ao que é moralmente certo ou errado”, “compromisso com valores duradouros”. Conforme dicionários da língua portuguesa, “parte da filosofia que estuda os valores morais e os princípios ideais da conduta humana, ou conjuntos de princípios morais que se devem observar no exercício de uma profissão”.

A palavra “moral” de acordo com a Encyclopeia Universalis Francesa é: “um sistema de regras que o homem segue (ou deveria seguir) em sua vida pessoal e em sua vida social” e dicionários da língua portuguesa, “tudo que é decente, educativo e instrutivo”.

O pesquisador Robert Coles da Universidade de Harvard descobriu que não existe nenhum conjunto de preceitos básicos que guie a vida moral das crianças americanas, 60% de um grupo de jovens dissera que se guiava por aquilo que os promove ou que os faz sentir bem.

Está você leitor disposto a reverter este quadro, ou continuar jogando debaixo do tapete, conivente e omisso; não deixe a educação total dos seus filhos aos professores e aos religiosos, talvez a sua conduta ética e moral não seja a mesma deles; não deixe que outros decidam por você; não coloque mais, pessoas desonestas e antiéticas para representá-lo, da mesma forma que você não os colocaria para trabalhar em sua empresa.

Autor: Cláudio Raza; Administrador de Empresas, Economista, Contador, Pós-Graduado em Gestão de Pessoas para Negócio, Palestrante, Professor Universitário, parceiro do Núcleo de Desenvolvimento Profissional da Câmara Alemã, mais de 35 anos assessorando empresas. site: www.razaconsultores.com.br e E-mail: c.raza@terra.com.br
Autor: Claudio Raza


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