FORMA플O DO SUPEREGO E SUAS FUN합ES



FREITAS, Hellen Cristina Queiroz. FORMA플O DO SUPEREGO E SUAS FUN합ES.

RESUMO
O referido texto pretende abordar a quest�o da import�ncia da fase de lat�ncia para a constru豫o da personalidade do individuo, principalmente, quanto ao fato de constituir o momento da forma豫o do superego, ou seja, introdu豫o a autoridade das conven寤es s�cias na vida da crian�a. � um esbo�o de um apanhado que � ainda mais rico de detalhes importantes, neste caso para se conhecer as caracter�sticas infantis na passagem por essa fase psicossexual. Tamb�m se pretende tratar da import�ncia dos adultos que participam da vida de uma crian�a nesta fase, reconhecer tais caracter�sticas a fim de auxili�-las a construir-se, enquanto personalidade, sem preju�zos (fixa寤es, etc.) ou com o m�ximo de estrutura poss�vel dentro de suas condi寤es sem interfer�ncias negativas/traum�ticas advindas do relacionamento com pais, familiares irm�os mais velhos e professores, neste sentindo a pesquisa no cerne deste artigo ainda esta sendo constru�da, mas h� o que se possa discutir e contribuir neste sentido no referido artigo.

FORMA플O DO SUPEREGO E SUAS FUN합ES

O superego � um elemento estrutural do aparelho ps�quico, e come�a a se constituir com a resolu豫o dos conflitos ed�picos da fase f�lica, a partir, aproximadamente, de cinco ou seis anos. Como elucida D?Andrea (1987):

Consideramos que o superego � herdeiro do conflito ed�pico e que se forma quando a crian�a renuncia ao progenitor do sexo oposto, como objeto de amor, e ao do mesmo sexo, como objeto de �dio, identifica-se com os pais idealizados como modelos a serem imitados e busca em outras pessoas refor�os para manter esses ideais. (1987, p. 76)

Neste momento come�a um per�odo em que as crian�as passam a se desprender das figuras paternais e passam a valorizar a intera豫o com outras pessoas tanto crian�as como adultos. Como indica Fadiman & Frager (1986):

[...] a maioria das crian�as parece modificar seu apego aos pais em algum ponto depois dos cinco anos de idade e voltam-se para o relacionamento com seus companheiros, atividades escolares, esporte e outras habilidades. (FADIMAN & FRAGER, 1986, p. 15)

Assim a constitui豫o do superego contar� com aparatos adquiridos com a passagem pelo complexo de �dipo, mas tamb�m com subs�dios incorporados das imagens, falas e atitudes dos pais e pessoas significativas para o mundo infantil.

De onde se pode deduzir que o seu funcionamento est� articulado as exig�ncias sociais e culturais, introjetadas a partir das proibi寤es, limites e autoridade, principalmente paternais, conforme afirmado por Reis et. al., (1984) "Este elemento estrutural da personalidade resumi-se na internaliza豫o daquilo que � visto como interdi豫o paterna. [...] o superego de cada um � formado sobre o modelo de superego dos pais." (REIS; MAGALH홂S; GON�ALVES, p.40). Sobre isso, D?Andrea afirma o seguinte:

Na resolu豫o do conflito edipiano, predominar� na menina o superego materno e no menino, o superego paterno, embora conforme a cultura (patriarcado ou matriarcado) o pai ou a m�e assuma o papel na forma豫o do superego de ambos os sexos. (1987, p. 75)
� como se existisse inconscientemente um prot�tipo de superego transmitido culturalmente sem o qual este n�o poderia se desenvolver. (IBIDEM, 1987, p.75)

Dessa forma, o superego aparece como a no豫o de certo e errado, como que "um substituto interno dos pais, n�o apenas com fonte de puni豫o e amea�a, mas tamb�m de prote豫o e amor" (IBIDEM, 1987, p.75), ou seja, � o superego que exerce a autoridade moral sobre as a寤es e o pensamento do individuo. � no per�odo de lat�ncia, isto �, constitui豫o do superego que come�am a surgir atitudes como vergonha, repulsa e moralidade, consoante Fadiman & Frager (1986): "[...] destinados a fazer frente a tempestade ulterior da puberdade e a alicer�ar o caminho dos desejos sexuais que v�o despertando."(FADIMAN & FRAGER, 1986 , p.15).

A partir desta afirma豫o, pode-se compreender que o princ�pio que rege o superego � a moral, a qual o torna respons�vel pela repreens�o dos impulsos sexuais n�o-resolvidos na fase f�lica, caracterizando a denomina豫o da fase que vai aproximadamente de 5 a 10 anos como de lat�ncia, tendo em vista a ocorr�ncia neste momento da sublima豫o, "os impulsos pr�-genitais que n�o lograram �xito [...] ser�o, a partir de ent�o, recalcados ou transformados em atividades socialmente produtivas" (REIS; MAGALH홂S, GON�ALVES, 1984, p.40 ? 41).

[...] a lat�ncia � um per�odo em que as energias libidinais s�o bastante mitigadas em fun豫o do desejo de aprender e de saber. [...] as crian�as assimilam e acumulam muito conhecimento e se tornam mais independentes e mais competentes. (SILVA, 2007, p.70).

Este per�odo de certa diminui豫o das atividades sexuais se desenvolve em conson�ncia com a forma豫o do superego que permite a crian�a come�ar a ter no寤es como certo e errado e se torna mais apta a controlar seus impulsos destrutivos e antissociais como indica a autora citada.

[...] as amea�as de castigos tornam-se [...] meio de refor�ar o controle do superego. Assim, o antigo medo da castra豫o � substitu�do pelo medo de doen�as, acidentes; o medo da perda, do amor, pelo medo da morte ou da solid�o. (D?ANDREA, 1987, p.76).

Nesse momento, a internaliza豫o do sentimento de culpa (na passagem pelo complexo de �dipo) por desejar algo, considerado por algu�m importante para a crian�a, como errado, a interdi豫o passa a ser interna tamb�m e � realizada pelo superego.
� como se [...] "ouvisse esta proibi豫o dentro de si. Agora, n�o importa mais a a豫o para sentir-se culpado: o pensamento, o desejo de fazer algo mau se encarrega disso." (BOCK, 2002, p.77).

Esse elemento da estrutura ps�quica passa a ter forte influ�ncia sobre a auto-avalia豫o e autovaloriza豫o, atribuindo grande valor a aprova豫o interna de seus comportamentos e pensamentos, a aprova豫o externa aparece mais como refor�o a aprova豫o interna, pois s�o manifesta寤es do superego a autocr�tica e a forma豫o dos ideais.
A auto-estima do individuo n�o depende mais exclusivamente da aprova豫o externa, mas da sensa豫o de haver procedido conforme o superego determina. Satisfaz�-lo provoca sentimentos de seguran�a e prazer, contradiz�-lo traz culpa e remorso. (D?ANDREA, 1987, p.75 - 76).

Como aos 5 anos, a maioria das crian�as j� falam mesmo tendo um vocabul�rio limitado, muito do que ela internaliza e ajuda a constituir o seu superego � incorporado por meio das respostas dadas por pais, professores, etc, a questionamentos levantados por elas, como por exemplo sobre a vida, o tempo, a morte, o envelhecimento.

O per�odo de lat�ncia � uma fase de constru豫o de valores que nortear�o a conduta do individuo como nas demais fases. Estando nesta fase demasiadamente influenciada pela linguagem responder as perguntas sobre temas como sexualidade, morte deve ser realizada com cuidado e responsabilidade para que mais tarde n�o haja frustra豫o com a resposta oferecida, o que poderia gerar uma deturpa豫o em conceitos como franqueza ou mentiras bobas, ou at� mesmo a inibi豫o da curiosidade cient�fica (pesquisa), uma vez que os pais e pessoas importantes n�o lhe ofereceram o est�mulo inicial para esta pr�tica.

Segundo Silva (2007), tratar de um assunto como morte com a crian�a � importante para a forma豫o at� mesmo de conceitos como a import�ncia de cuidar, apoiar o outro no momento dif�cil.

Para exemplificar a a豫o do superego na vida de um individuo, D?Andrea (1987) d� o seguinte exemplo:

[...] uma crian�a introjeta a figura de um pai que costuma dizer que o dinheiro � a coisa mais importante da vida. Ent�o, no superego da crian�a cria-se o conceito de que o certo � ter dinheiro. Esta informa豫o parcial obtida do pai pode ser mais tarde projetada numa figura do mundo externo [...] esta mesma figura pode ser um usur�rio [pessoa gananciosa], ou mesmo um ladr�o e por "imposi豫o do superego" a crian�a se identificar� negativamente. (D?ANDREA, 1987, p.77)

REFER�NCIAS

BOCK, Ana Merc�s Bahia. Psicologias: uma introdu豫o ao estudo da psicologia. 13. ed. reform. e ampl. S�o Paulo: Saraiva, 2002. p. 70-84.

D?ANDREA, Fl�vio Fortes. Desenvolvimento da personalidade: enfoque psicodram�tico. 8� ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil S.A.: 1987. p. 78 � 82.

FADIMAN, James; FRAGER, Robert. Teorias da personalidade. S�o Paulo: HARBRA, 1986. p. 2 ? 40.

REIS, Alberto Olavo Adivincula; MAGALH홂S, Lucia Maria Azevedo; GON�ALVES, Waldir L. Teorias da personalidade em Freud, Reich e Jung. S�o Paulo: EPU, 1984. p. 40-41.

SILVA, Maria Cec�lia Pereira da (org.). Sexualidade come�a na inf�ncia. S�o Paulo: Casa do Psic�logo, 2007. p. 51 � 72.
Autor: Hellen Freitas


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