Informática para Deficientes Visuais utilizando o DosVox




INFORMÁTICA PARA DEFICIENTES VISUAIS UTILIZANDO O DOSVOX

Aletheia Machado de Oliveira1



Resumo: A Informática encontra-se presente em todos os lugares, estimulando o desenvolvimento cognitivo, aprimorando e potencializando a apropriação de idéias, de conhecimentos, de habilidades e de informações que influenciam na formação de identidade, de concepção de realidade e do mundo na qual estamos inseridos. Pensar sobre a relação "educação para todos" e a deficiência é uma forma de indagar a igualdade de oportunidade no sistema educacional brasileiro. É uma importante ferramenta de equiparação de oportunidades e promoção de inclusão social, principalmente para os portadores de necessidade especiais. O surgimento de programas e de dispositivos adaptados tem aproximado os deficientes para o uso de computadores. Parte deles sente-se mais integrados à sociedade graças ao uso dessas ferramentas especiais, que facilitam a busca de informação e de trabalho para sua inserção no mundo digital.
Palavras-chave: informática, programas, formação, deficiência, igualdade, inclusão social


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1 Pós-Graduanda em Tecnologia da Informação e Comunicação no Ensino Fundamental. Graduada em Pedagogia pela UFJF, especialista em Informática Educativa (UFLA) e Educação Infantil (CES/JF). Professora da Rede Municipal. E-mail: aleteiamo@superig.com.br




1. INTRODUÇÃO

O movimento mundial pela inclusão é uma ação política, cultural, social e pedagógica em defesa do direito de todos os alunos estarem aprendendo e participando juntos do processo educativo, sem qualquer tipo de discriminação. A educação inclusiva trabalha igualdade e diferença como valores indissociáveis, acolhendo a todos sem exceção. Assume maior importância, a cada ano, na perspectiva de atender às crescentes exigências de uma sociedade em renovação e na busca da democracia.
É para o aluno com deficiência física, para os que têm comprometimento mental, para os deficientes visuais e auditivos.
Ao reconhecer que as dificuldades encontradas nos sistemas de ensino evidenciam a necessidade de criar alternativas para superar essa barreira, a educação inclusiva assume papel central no debate acerca da sociedade contemporânea e do papel da escola na superação da lógica e da exclusão. Implica em uma mudança estrutural e cultural da escola e da sociedade para que todos os alunos tenham suas especificidades atendidas. Se o primeiro passo foi à luta pelo acesso, em que os resultados já são visíveis, o segundo está na conquista da qualidade da educação para cada um e para todas as pessoas, de forma a consolidar a inclusão e a igualdade de oportunidades para todos os seres humanos.
A aplicação da Informática Educativa em ambientes educativos que possuem crianças portadoras de necessidades especiais pode ser vista como um novo caminho para o acesso e permanência desses alunos na escola e na igualdade de oportunidades. É um grande desafio uma vez que, apesar dos esforços, a área da educação especial apresenta graves carências no que diz respeito à exploração do computador como recurso didático. Valente (1991), falando da informática na educação especial, defende que problemas complexos demandam soluções mais arrojadas e, por isso, para o professor que trabalha com alunos deficientes, é imprescindível uma boa formação e a utilização de tecnologias enfatizando a utilidade do computador na educação especial, particularmente no que se refere ao desenvolvimento cognitivo e emocional dos alunos.
Portanto, o objetivo principal deste artigo é compreender a importância de se utilizar o computador como ferramenta de equiparação de oportunidades e promoção da inclusão social para os deficientes visuais onde o uso pedagógico do computador é apontado como um fator que pode efetivamente contribuir para um avanço qualitativo do processo ensino-aprendizagem e para o resgate da auto-estima dos alunos com deficiência visual.

2. METODOLOGIA

A metodologia utilizada para a realização da pesquisa constituiu de análise da documentação e observação da escola que realiza o trabalho com deficientes visuais, utilizando-se do programa DosVox e da técnica da entrevista, sendo utilizado um roteiro com as seguintes questões: Como é realizado o trabalho com os deficientes visuais na escola? Quantos alunos são atendidos? Como ocorre o uso do equipamento? O professor leva em conta as necessidades dos alunos ou segue o conteúdo programático? Como é o acesso á Internet? Como a escola, os professores e alunos foram preparados para acolher o deficiente visual? Qual a importância do uso do computador para os deficientes visuais?
Das 95 escolas municipais, 40 possuem computadores e apenas uma trabalha com o programa DosVox que é o tema proposto no artigo.
Em síntese, a pesquisa teve como meta analisar como o deficiente visual tem acesso à informação tão necessária para o seu aprendizado, trabalho profissional e para sua vida em sociedade, descrevendo o recurso utilizado pela instituição para facilitar o acesso à informação e seus respectivos problemas/barreiras encontrados.


3. REFERENCIAL TEÓRICO

3.1 Da Educação Especial

A atual Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Especial, lei 9394, de 20/12/1996, trata especificamente, no Capítulo V, da Educação Especial.
Define a Educação Especial como modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para alunos com necessidades educacionais especiais. Assim, ela perpassa todos os níveis de ensino, desde a educação infantil ao ensino superior, realiza o atendimento educacional especializado, disponibiliza os serviços e recursos próprios desse atendimento e orienta alunos e professores quanto a sua utilização nas turmas comuns do ensino regular.
Enfim, com o destaque que a LDB faz em seu Capítulo V aos portadores de necessidades especiais, fica o desejo de assegurar a educação como direito social a esses cidadãos, como uma aquisição para sua inserção social e como forma de equalizar diferenças.


3.2 Conceituando Deficiência

Tomando-se um dicionário, verifica-se deficiência como sendo: falta, ausência, carência, falha; e para deficiente como sendo: falho, incompleto, imperfeito, donde se conclui que haja uma falha, um defeito no corpo, na mente ou no organismo de uma pessoa.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS, 1980): "A deficiência diz respeito a uma anomalia da estrutura ou a aparência do corpo humano e do funcionamento de um órgão ou sistema, seja qual for a sua causa; em princípio, a deficiência constitui uma perturbação do tipo orgânico."
Na tentativa de esclarecer melhor o uso dos termos, a Organização Mundial da Saúde elaborou a Classificação Internacional de Impedimentos, Deficiências e Incapacidades conceituando os termos da seguinte forma: deficiência: perda ou anormalidade de estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica, temporária ou permanente. Incluem-se nessas a ocorrência de uma anomalia, defeito ou perda de um membro, órgão, tecido ou qualquer outra estrutura do corpo, inclusive das funções mentais; incapacidade: restrição, resultante de uma deficiência, da habilidade para desempenhar uma atividade considerada normal para o ser humano. Surge como conseqüência direta ou é resposta do indivíduo a uma deficiência psicológica, física, sensorial ou outra. Representa a objetivação da deficiência e reflete os distúrbios da própria pessoa, nas atividades e comportamentos essenciais à vida diária; impedimento: prejuízo para o indivíduo, resultante de uma deficiência ou uma incapacidade, que limita ou impede o desempenho de papéis de acordo com a idade, sexo, fatores sociais e culturais. Caracteriza-se por uma discordância entre a capacidade individual de realização e as expectativas do indivíduo ou grupo social.



3.3 Classificação das Deficiências

As deficiências, de acordo com a origem e a parte do organismo que atingem, podem ser classificadas em quatro áreas: na área referente às aptidões intelectuais ? superdotados e deficientes mentais; na área dos distúrbios sensoriais ? deficientes visuais e auditivos; na área neuromuscular e óssea ? deficientes físicos, deficientes da fala e paralisia cerebral; os desajustados sociais e/ou emocionais ou portadores de condutas típicas ? problemas de comportamento, distúrbios emocionais e desajustes sociais. Em alguns casos, onde há combinações de partes atingidas, abordamos as deficiências múltiplas.


3.4 Política Nacional da Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva

3.4.1 Marco Histórico

A trajetória da história da Educação Especial acompanha a evolução da conquista dos direitos humanos.
Houve tempo em que pessoas com deficiências eram sacrificadas porque nada de útil representavam para a sociedade. No tempo primitivo, o deficiente foi visto como superstição e malignidade. Em Atenas, os deficientes eram abandonados em locais desconhecidos para aí ficarem sujeitos à implacável determinação da luta pela sobrevivência. Esparta aplicou aos deficientes o processo de seleção mais desumano e arbitrário que há na memória.
Os romanos, mais tolerantes, adotavam aos deficientes para os exibirem em festividades suntuosas. O Cristianismo os encarou com piedade e compaixão.
Em plena Idade Média, os deficientes ora eram encarados como "crianças de Deus" ou como "bobos da Corte", ora eram perseguidos, apedrejados por serem portadores de possessões demoníacas.
Na Reforma, a negligência foi marcante. Lutero e Calvino referem-se aos deficientes como indivíduos possuídos por Satanás. A perspectiva da deficiência andou sempre ligada a crenças sobrenaturais, demoníacas e supersticiosas.
Efetivamente, só no século XVII é que as organizações religiosas de São Vicente de Paulo e das Irmãs de Caridade iniciam a assistência aos deficientes.
A Revolução Francesa foi um novo período em que as atitudes filosóficas e antropológicas se conjugaram numa perspectiva mais humanista da deficiência.
É, porém, no século XIX, que se iniciam os primeiros estudos científicos da deficiência, mais inclinados para a deficiência mental do que para outras deficiências. Muitos estudiosos destacaram nesta época, entre eles: Esquiro e Séguin.
No Brasil, nas últimas décadas, registram-se consideráveis avanços a respeito do exercício de direitos ao portador de necessidades especiais.
A evolução da Educação Especial no Brasil é marcada por dois períodos: de 1854 a 1956 com iniciativas oficiais e particulares isoladas e de 1957 a 1993 com iniciativas oficiais de âmbito nacional.
No período de 1854 a 1956, o atendimento escolar especial teve seu início. Foi no ano de 1954 que a primeira providência foi tomada por D. Pedro II com a fundação do Imperial Instituto dos Meninos Cegos. Já no Governo Republicano (1890) houve a mudança de nome para Instituto Nacional dos Cegos. Em 1891, a escola passou a denominar-se Instituto Benjamin Constant. D. Pedro II fundou, também, o Imperial Instituto dos Surdos-Mudos, sendo que em ambos foram instaladas oficinas para a aprendizagem de ofícios. Houve, com isso, discussões sobre portadores de deficiências com o I Congresso de Instrução Pública, em 1883.
Na primeira metade do século XX, portanto, até 1950, havia quarenta estabelecimentos mantidos pelo poder público (um federal e os demais estaduais) que prestavam algum tipo de atendimento escolar especial.
No período de 1957 a 1993, o atendimento educacional foi assumido, a nível nacional, pelo Governo Federal, com a criação de campanhas voltadas para este fim. Podemos citar a Campanha para a Educação do Surdo Brasileiro (1957); a Campanha Nacional de Educação e Reabilitação de Deficientes da Visão (1958) e que recebeu outro nome, Campanha Nacional de Educação de Cegos (1960); a Campanha Nacional de Educação e Reabilitação de Deficientes Mentais no mesmo ano.
Em 1973 foi garantido o atendimento pedagógico em Educação Especial devido ao I Plano Setorial de Educação. Em decorrência desse plano foi criado o Centro Nacional de Educação Especial (CENESP), onde as ações tornaram-se mais sistematizadas, visando à expansão e melhoria do atendimento educacional prestado no Brasil.
Com sede no Rio de Janeiro, o órgão foi transformado na Secretaria de Educação Especial, mantendo as mesmas competências e estrutura do anterior, sendo que a coordenação geral foi transferida para Brasília.
Em 1990, com a reestruturação do Ministério da Educação, ficou extinta a Secretaria de Educação Especial, passando a ser da Secretaria Nacional de Educação Especial.
No final de 1992, houve outra organização dos Ministérios, e na nova estrutura reapareceu a Secretaria de Educação Especial (SEESP) como órgão específico do Ministério da Educação e do Desporto.
No âmbito legal, há que mencionar a lei 9394/96 da LDB que confere destaque ao portador de deficiência (Capítulo V) e a Constituição Federal que confere o atendimento educacional especializado aos portadores de deficiências em igualdade de condições como qualquer outro aluno (art., 208, inciso III).
No âmbito político-administrativo, foi constituído no MEC, um grupo tarefa (portaria 86 ?17/06/71) para realizar uma avaliação da Educação Especial no Brasil que propôs a criação de um órgão especializado para lidar exclusivamente com a Educação Especial, pois as decisões tomadas, além de assistemáticas, ficaram apenas no âmbito dos Conselhos Estaduais de Educação.
Atualmente, é a Secretaria de Educação Especial (SEESP/MEC) que tem tais responsabilidades. A SEESP coordena ações voltadas à formulação de políticas, oferece apoio técnico e financeiro e promove articulações necessárias ao aprimoramento da Educação Especial em Ogs (organizações governamentais) e ONGs (organizações não-governamentais).
A Convenção da Guatemala (1999), promulgada no Brasil pelo decreto nº 3.956/2001, afirma que as pessoas com deficiência têm os mesmos direitos humanos e liberdades fundamentais que os demais cidadãos, definindo como discriminação com base na deficiência, toda diferenciação ou exclusão que possa impedir ou anular o exercício dos direitos humanos e de suas liberdades fundamentais.
Em 2003, o Ministério da Educação cria o Programa Educação Inclusiva: direito à diversidade, visando transformar os sistemas de ensino em sistemas educacionais inclusivos.
A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, aprovada pela ONU em 2006, da qual o Brasil é signatário, estabelece um sistema de educação inclusiva em todos os níveis, em ambientes que estimulem o desenvolvimento acadêmico e social compatível com a meta de inclusão.
E, em 2007, no contexto com o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), é lançado o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), reafirmando a visão sistêmica da educação que busca superar a oposição entre educação regular e educação especial.
No que diz respeito ao histórico do atendimento à pessoa com deficiência visual no Brasil, este se iniciou através dos institutos para cegos.
O primeiro foi criado no século XIX no Rio de Janeiro com o nome de Instituto dos Meninos Cegos, por iniciativa do Governo Imperial, através do decreto nº 428/1954. Atualmente, a instituição é conhecida como Instituto Benjamin Constant.
Trinta e seis anos mais tarde o ex-diretor do instituto assinou junto ao presidente um novo regulamento onde reformulava a orientação educacional ofertada e apontava providências para o encaminhamento dos alunos cegos na sociedade.
Na década de 20 foram criadas três instituições: a União dos Cegos do Brasil no Rio de Janeiro (1924), o Instituto Padre Chico em São Paulo e o Sodalício da Sacra Família no Rio de Janeiro, ambos em 1929.
Além desses institutos foram inauguradas a Associação Pró-Biblioteca e Alfabetização dos Cegos em São Paulo (1942) e União Auxiliadora dos Cegos do Brasil do Rio de Janeiro (1943).
Também na década de 40, como objetivo de produzir e distribuir livros em Braille por todo o Brasil foi criada a Fundação para o Livro do Cego no Brasil, atualmente com o nome de Fundação Dorina Nowill para Cegos.



3.4.2 Objetivos

A Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva tem como objetivos assegurar a inclusão escolar de alunos com deficiência, garantindo: acesso ao ensino regular, com participação, aprendizagem e continuidade do ensino; complemento ou suplemento da modalidade de educação especial desde a educação infantil até a educação superior; oferta do atendimento educacional especializado; formação de professores; participação da família e comunidade; acessibilidade arquitetônica.

3.4.3 Alunos atendidos

Na perspectiva de educação inclusiva, os alunos atendidos são os que possuem deficiência. A educação especial deverá, então, atuar de forma articulada com o ensino comum, orientando para o atendimento às necessidades educacionais desses alunos. Como citado anteriormente, na classificação das deficiências, as definições do público alvo devem ser contextualizadas e não se esgotam na simples categorização e especificações atribuídas a um quadro de deficiência, transtornos, distúrbios e aptidões.

3.5 Inclusão Escolar de alunos cegos e com baixa visão

3.5.1 Quando falta a visão

A visão é um dos principais sentidos que faz parte do corpo humano e ocupa uma posição proeminente no que se refere à percepção de formas, contornos, tamanhos, cores e imagens que compõem uma paisagem ou o ambiente na qual o indivíduo se encontra. É o elo que integra os outros sentidos, permitindo associar som e imagem, imitar um gesto e exercer diversas atividades.
A época de instalação de uma deficiência, no caso da deficiência visual, pode ocorrer durante o nascimento, a infância, na adolescência, na fase adulta ou na terceira idade.
Em relação à deficiência visual, esta pode ser caracterizada pela redução ou perda total da capacidade de ver, em virtude de causas congênitas ou hereditárias, mesmo após tratamento clínico e/ou cirúrgico e uso de óculos convencionais.
A deficiência visual manifesta-se como: cegueira ? ausência total da resposta visual. Pode ocorrer desde o nascimento (cegueira congênita), ou posteriormente (cegueira adquirida) em decorrência de causas orgânicas ou acidentais. Sob o enfoque educacional, o aluno necessita do Método Braille; baixa visão ou visão subnormal ? trata-se de resíduo visual tal que prejudica o aluno, desde que empreguem recursos didáticos e equipamentos especiais, executando-se as lentes de óculos. Segundo a Organização Mundial de Saúde (Bangkok, 1992), o indivíduo com baixa visão ou visão subnormal é aquele que apresenta diminuição das respostas visuais, mesmo após tratamento e/ou correção óptica convencional, e uma acuidade visual menor que 6/18 à percepção de luz, ou um campo visual menor que 10 graus do seu ponto de fixação, mas que usa ou é potencialmente capaz de usar a visão para o planejamento e/ou execução de uma tarefa.

3.5.2 Informática para pessoas cegas e com baixa visão

A apropriação de recursos tecnológicos para os alunos que possuem deficiência visual significa uma grande mudança em seus estilos de vida, nas interações, na participação em sociedade ao inovar hábitos e atitudes em relação à educação, ao lazer, ao trabalho, à vida familiar e comunitária.
Nesta perspectiva, existem programas de leitores de tela com síntese de voz, concebidos para usuários cegos, que possibilitam a navegação na Internet, o uso do correio eletrônico, o processamento de textos, de planilhas e uma infinidade de aplicativos operados por meio de comandos de teclado que dispensam o uso do mouse.
Entre os programas mais conhecidos e difundidos no Brasil, destacamos:
Ø DOSVOX ? sistema operacional desenvolvido pelo Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, obtido gratuitamente por meio de "download".

Ø VIRTUAL VISION ? software brasileiro desenvolvido pela Micropower, em São Paulo, concebido para operar com os utilitários e as ferramentas do ambiente Windows. É compatível com Windows 95, 98 e ME. Distribuído gratuitamente pela Fundação Bradesco e Banco Real.


Ø JAWS ? software desenvolvido nos Estados Unidos. Possui uma ampla gama de recursos e ferramentas, é o mais completo. No Brasil, não há possibilidade de distribuição gratuita devido o alto custo. É compatível com os sistemas Windows NT 4.0, Windows 2000 Profissional, Windows 98 e 95. Como principais funções, podemos destacar: trabalha com aplicativos de toda a linha Microsoft; lê em voz alta elementos de tela como menus, caixas de diálogo; lê páginas da Internet como se o usuário estivesse em um editor de textos; trabalha em oito idiomas diferentes; entre outras funções.

Existem, ainda, outras ferramentas que possibilitam a produção de livros em formato digital, em áudio e em Braille. É o caso, por exemplo, de scanner, de programas de reconhecimento óptico de caracteres para a digitalização de textos e programas que permitem converter o texto digitalizado em arquivo para áudio. Além disso, há programas magnificadores de tela com síntese de voz desenvolvidos para quem tem baixa visão.
Enfim, as ferramentas estão disponíveis para o uso. Basta disponibilizá-las no âmbito do sistema escolar, nos serviços e centros de apoio que visam promover a inclusão escolar e social.


3.5.3 Recurso Tecnológico: DosVox

No Brasil, a informática vem fazendo parte da educação, do trabalho e da vida em geral das pessoas com deficiência visual.
A fim de promover aos deficientes visuais formas de acesso à informação, novas oportunidades de utilizar a informática no seu cotidiano e para sua inserção no mercado de trabalho e assegurar sua autonomia, independência e inclusão, será analisado um dos programas mais utilizados em algumas escolas como recurso para alunos com deficiência visual ? o sistema DosVox.
O sistema DosVox é um programa desenvolvido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, em duas versões (para o MS-Dos e Windows), com distribuição gratuita. Não há necessidade de registrá-lo ou adquirir licença para que funcione. Pode ser baixado pela Internet no site do NCE/UFRJ: http://intervox.nce.ufrj.br/. Os requisitos necessários para a instalação desse sistema são: Microsoft Windows 95 ou superior; Pentium 133 ou equivalente e placa de som ou placa de som "on-board". Vale ressaltar que para baixar a versão no MS-Dos é necessário computadores da Intel 386 ou 486, não sendo utilizada no momento. O programa DosVox foi criado utilizando tecnologia totalmente nacional.
O DosVox também convive bem com outros programas de acesso para deficientes visuais (como Windows-Eyes, Virtual Vision, Jaws, etc...) que estejam instalados na máquina de quem está utilizando-o.
O DosVox, acoplado a um aparelho de "scanner" e com o uso de um programa de "Optical Character Recognition (O.C.R) pode ler textos no sistema comum.
De acordo com a UFRJ, o que diferencia o DosVox de outros sistemas destinados para o uso por pessoas com deficiência visual é que a comunicação homem-máquina é simples, levando-se em consideração as especificidades e limitações dessas pessoas. O sistema, além de ler o que está escrito na tela, estabelece uma comunicação amigável, com programas específicos e interfaces adaptativas.
Por ser um programa de uso simples e direcionado para aprendizagens, iniciação e interação com o computador, o ambiente DosVox apresenta vários programas, com funções distintas, que se organizam em: sistema de síntese de fala para a língua portuguesa; editor, leitor e impressora/formatador de textos; caderno de telefones; agenda de compromissos; calculadora; preenchedor de cheques; cronômetro; jogos de caráter didático e lúdico; ampliador de telas para pessoas com visão reduzida; programas para ajuda à educação de crianças com deficiência visual; utilitários de Internet: FTP, acessso a WWW, "chat", editor HTML; programas multimídia, como o processador multimídia (áudio midi CD), gravador de som, controladores de volume; entre outras funções.
O acionamento do DosVox é feito da seguinte maneira: liga-se o micro normalmente. Os sons característicos da entrada do Windows são importantes para que o deficiente visual saiba quando é possível começar a executar o DosVox. Pressionam-se as teclas "CTRL+ALT+D", sendo sintetizada a frase "DOSVOX - O que você deseja?", que será ouvida sempre que o sistema necessitar de uma nova informação. Todo acesso é feito pelo teclado e o sistema de seleção por menus conduz o deficiente a uma operação com muito menos erros.
Registre-se, ainda, que o usuário deficiente visual deverá apertar a tecla F1 para entrar em outra tela com diversas opções. A tecla ESC pode se usada para cancelar qualquer função e, opcionalmente, pode-se usar as setas e as opções são mostradas num menu popup na própria tela. Para escolher a opção desejada, basta pressionar ENTER e para limpar a tela, utiliza-se a barra de espaços.
As principais vantagens do DosVox são sua simplicidade, custo e adequação à realidade educacional. Segue abaixo outras telas existentes no sistema DosVox e um Manual que encontra-se nos anexos do artigo.
O teste do teclado é necessário para o deficiente reconhecer a posição da teclas alfanuméricas e as de funções. Pressionando a tecla ESC, há o aviso novamente da pergunta: "DOSVOX ? o que você deseja?".
Ao pressionar a letra "A" (após a pergunta "DOSVOX - o que você deseja?"), são informados pelo sistema: "Número de arquivos neste diretório: xx" "Arquivos: use as setas para selecionar, depois tecle sua opção." A partir deste momento, usando as setas são falados um a um os arquivos do sistema. Os jogos visam o entretenimento e a aprendizagem. Aciona-se teclando a opção "J" seguido de uma letra que representa a abreviatura do jogo. Os utilitários de uso geral ajudam nas tarefas cotidianas. Aciona-se teclando a letra "U" seguido de uma letra que representa o utilitário que será usado. Cada utilitário é aberto pelo programa, teclando a primeira letra com a "leitura" de cada item pelo sintetizador de voz do programa. Os aplicativos de multimídia são acionados pela letra "M", seguido de uma letra correspondente ao programa desejado.A Internet possibilita ao deficiente visual acesso a diversificadas informações, conhecer pessoas, enviar e receber mensagens, entre outras funções.


4. CONCLUSÃO

A escola para a maioria das crianças brasileiras é o único espaço de acesso aos conhecimentos universais e sistematizados, ou seja, é o lugar que vai lhes proporcionar condições para se desenvolver e tornar um cidadão, alguém com identidade social e cultural.
Nesse sentido deve-se dizer que a inclusão é um movimento mundial de luta das pessoas com deficiências na busca constante dos seus direitos e lugar na sociedade. É necessário, contudo, que haja uma mudança de postura dos profissionais envolvidos e reestruturação de uma série de barreiras, além da política e práticas pedagógicas e dos processos de avaliação voltadas para o atendimento dos alunos com necessidades especiais.
Posta assim a questão, é de se dizer que a deficiência visual, tema abordado no artigo, é um grande obstáculo na vida da pessoa que a adquire ou que tenha nascido com ela. Isto se agrava mais quando o deficiente visual se depara com o preconceito e a falta de recursos voltados para auxiliá-lo no dia a dia. A exclusão digital é um exemplo disto, pois a dificuldade em encontrar recursos informatizados para facilitar a operação do computador distancia o deficiente visual do meio digital.
É de verificar-se que o crescente grau de informatização da sociedade pode ocasionar transformações significativas na vida dos deficientes visuais e de outras pessoas portadoras de necessidades especiais. O acesso à informação é essencial ao indivíduo portador de deficiência visual em poder exercer sua cidadania, seus direitos e deveres, tanto no setor social quanto no setor profissional.
O uso do computador é um recurso fundamental, abrindo espaços para sua formação, favorecendo acesso ilimitado e servindo como um meio de interação com o outro, propiciando seu desenvolvimento e aprendizagem. É uma importante ferramenta de equiparação de oportunidades e promoção da inclusão social.
É de verificar-se que existem projetos e iniciativas de instituições que prestam serviços de apoio e proporcionam (dentro de suas possibilidades) acesso à informação e a essa tecnologia com a finalidade de responder às necessidades de cada indivíduo e possibilitar sua interação com o computador como o da escola citada no artigo.
Realizando um trabalho, desde cedo, com crianças deficientes visuais poderemos torná-las aptas e mais seguras em realizar todas as tarefas do cotidiano e, num futuro, auxiliá-la no mercado de trabalho.
Contudo, a aquisição de ferramentas, equipamentos e aparelhos e materiais auxiliares é problemático devido aos altos custos.
Diante das informações levantadas ao longo do trabalho, o aluno com deficiência visual é sujeito de direitos e responsabilidades sociais, tanto quanto os demais. A eles devem ser concedidas as mesmas oportunidades de participação social, segundo suas capacidades de desempenho, sem discriminações. Percebem-se iniciativas de apoio e inclusão digital. Porém, não devemos deixar de refletir sobre as possibilidades de garantir aos deficientes visuais acesso permanente e constante a essas tecnologias tão necessárias para o seu processo ensino/aprendizagem e integração à sociedade.



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Autor: Aletheia Machado De Oliveira


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