Leitura e escrita: práticas responsáveis pelo desenvolvimento do ensino-aprendizado



LEITURA E ESCRITA: PRÁTICAS RESPONSÁVEIS PELO DESENVOLVIMENTO DO ENSINO-APRENDIZADO

Lucivanda Mira Coêlho

RESUMO
O processo de leitura e escrita no contexto escolar são atividades iniciais para o desenvolvimento educacional de todo educando, por isso, a necessidade destas habilidades serem instigadas aos alunos de forma mais expressiva, levando-os a sentirem-se leitores-escritores competentes, capazes de transformá-los continuamente no âmbito educacional.

Palavras-chave: leitura, escrita, metodologias

ABSTRACT
The process of reading and writing on school context are the beginner activities for education growth of ever pupil, for that, is needful that abilities been instigate to pupils in a expressive way, for make they feel themselves competent reader-writer, able to change continually on school ambit.

Keywords: Reading, Writer, Methodologies.


INTRODUÇÃO

Elaborei este artigo objetivando contribuir com o processo ensino-aprendizado referente as dificuldades da leitura e da escrita.
Em sala de aula, o ato de ler, sobretudo nas séries iniciais, perpassa por dificuldades que acarretam para que os alunos futuramente sejam leitores que pratiquem apenas a leitura básica de sala de aula, como textos apresentados pelos professores e exercício propostos por estes.
Vale ressaltar que, é necessário que tanto o professor como o aluno devam ter a compreensão de que o ato de ler frequentemente desenvolve também a criatividade na escrita, e ambos são responsáveis para o amadurecimento intelectual de todo cidadão.
Para que o individuo alcance um patamar elevado neste contexto, a instituição, os professores e também a família são responsáveis pelo despertar destas atividades, que dependem de recursos atraentes, atualizados e que despertem nos alunos o interesse pelo ler e escrever.
Porém, em determinadas situações, o aluno apresenta algumas dificuldades que devem ser investigadas e analisadas para serem solucionadas e, em seguida, ocorra um aprendizado adequado.

1 - AS DIFICULDADES DE LEITURA E ESCRITA NA SALA DE AULA.

Atualmente, percebe-se a necessidade de refletir sobre as dificuldades de aprendizagens referentes à leitura e a escrita.
A leitura se constitui como um dos avanços à busca do conhecimento sistemático e aprofundado na educação. Porém, em virtude do não desenvolvimento do hábito da leitura, encontra-se algumas dificuldades neste contexto.
No que se refere a leitura são quatro as habilidades da linguagem verbal: a leitura, a escrita, a fala e a escuta. A habilidade lingüística mais difícil e complexa é a leitura. Esta é composta de dois passos fundamentais: a decodificação e a compreensão. A decodificação é a capacidade necessária que devemos ter como leitores no aprendizado de uma língua para identificarmos um signo gráfico.
Dentro da leitura a competência lingüística incide no reconhecimento das letras gráficas e na identificação destas para a linguagem oral ou para outro contexto de signos.
A capacidade de decodificação é adquirida através do aprendizado do alfabeto e da leitura oral e também visual.. Afirma-se que conhecer o alfabeto não é simplesmente conhecer as letras contidas no nosso alfabeto, mas também aprendermos as inúmeras formas de escritas como: apictográfica (desenho figurativo), a ideografia (representação de idéias sem indicação dos sons das palavras).
O ato de leitura é constituído de uma série de processo cognitivo lingüístico de diferentes níveis, iniciando-se por estímulos visuais e finalizando com a decodificação e a compreensão.
Dentro da leitura existem os processos básicos e superiores da habilidade de ler. Os processos básicos possuem a nomeclatura "processos de nível inferior", tem como desígnio a decodificação e a compreensão das palavras, são utilizados nas etapas iniciais de aprendizagem da leitura ? na educação infantil ? esta se mal ministrada, acarreta danos visíveis, ocorrendo déficit no processo de nível superior.
O "processo de nível superior" tem um desígnio mais amplo, a compreensão de textos, nesta etapa, pode ser intensificada a complexidade dos textos apresentados aos alunos, tendo como objetivo, o despertar do raciocínio necessário para uma adequada interpretação.
Sabe-se que para aprender a ler e escrever é preciso codificar e decodificar os signos lingüísticos, mas se tem a certeza também que só isso não basta. Hoje é preciso atribuir um significado mais amplo à alfabetização.
Um estudo que merece ser avaliado refere-se à compreensão do texto. Sabe-se que há uma estreita relação entre a capacidade da leitura mecânica e a possibilidade de compreensão, assim sendo, o aluno que apresenta pouca eficiência na leitura, conseqüentemente apresentará dificuldades severas na compreensão do que lê.
Segundo Koch (2006 p. 57): "(...) o sentido de um texto não existe a priori, mas é construído na interação sujeito-texto".
Assim, a produção do sentido do texto é realizada à medida que o leitor ao entrever o texto e interpretá-lo, coloca em prática o seu conhecimento de língua do mundo, no que diz respeito a sua comunicação com o texto.
Em seu cotidiano a criança aprende naturalmente a falar a linguagem do meio social em que vive (linguagem regional ou dialeto), por isso, a educação e a cultura de um povo estão interligadas, pois só há possibilidade de educação com a existência da cultura, em contrapartida, só há conservação da cultura através do processo educacional.
É notória a evidência de que a cultura influência os processos de desenvolvimento de seus alunos por meio das práticas culturais. Estas práticas são relevantes e devem ser estimuladas intensamente nas crianças e jovens pela instituição educacional e familiar, as diversidades das práticas educacionais permitem que os indivíduos adquiram, compartilhem e aprofundem conhecimentos empíricos, sendo estes, um caminho favorável para o ato de interpretação de textos.
O sucesso da criança na aprendizagem da leitura e da escrita depende do seu amadurecimento fisiológico, emocional, neurológico, intelectual e social.
Analisando a fala das crianças observou-se a importância em auxiliá-las em seu processo linguístico, pois a fala precede a leitura e esta a escrita.
A fala, a leitura e a escrita são funções dependentes, se completam, fazem parte do mesmo sistema, que é o sistema funcional de linguagem.
Assim, o ensino da leitura e da escrita requer observação de detalhes que fazem a diferença quando se trata de metodologias a serem ministradas.
Observa-se que a metodologia desenvolvida em sala, pelo professor de língua portuguesa, relacionada com a leitura e a produção textual é muito tradicional, monótona, prejudicando o desenvolvimento crítico do educando.
Levando-se em consideração as dificuldades apresentadas pelos alunos no que se refere à leitura e escrita, muitas vezes na educação básica existe uma grande dificuldade de interpretação como, por exemplo: as dificuldades na interpretação de perguntas diretas relativas aos exercícios propostos pelo professor, como também, de interpretação de textos, por não possuírem o hábito de leitura e, consequentemente, não terem uma visão de mundo necessária para se fazer uma análise aprofundada do texto.
Desta forma, essas dificuldades não sendo trabalhadas, acarretarão vivências frustrantes no procedimento evolutivo no processo de aprendizagem, pois o educando desestimulado estará fadado ao fracasso da leitura e escrita.
Vale ressaltar também, a importância dos recursos pedagógicos como forma de enriquecer a metodologia do professor, com a utilização de vídeos na TV escola, laboratório de informática, leitura individual ou grupal na biblioteca, que facilitam a aprendizagem do aluno.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa aborda bem esta questão, quando afirma que o objetivo central do ensino é que o aluno aprenda a ler, a interpretar textos, a produzir com competência discursiva.
O aprendizado do ler e escrever são construídos de forma contínua. Assim, enriquece novas habilidades e novos conhecimentos, à medida que formará o aluno capaz de dominar novos textos escritos e cada vez mais complexos. Para atrair o prazer da leitura e da escrita é preciso fazer com que o aluno esteja interado ao texto, para haver um diálogo coerente entre autor e leitor.
Feita essa afirmativa, López (2002, p. 67) descreve: "(...) tornar a leitura e a escrita atraente e útil para as próprias crianças, do mesmo modo que é o aprendizado da linguagem verbal".
Tornar a leitura e a produção textual de forma crítica e prazerosa é o objetivo essencial do educador. Além do mais, é importante ressaltar também, a questão do trabalho docente dentro de sua tarefa.
O professor que não escreve e que não produz, dificilmente irá induzir seus alunos a tal prática da leitura e escrita, logo, torna-se indesejável a essa atividade para o crescimento de ambos.
Na correção ortográfica dos textos, percebe-se que existe um padrão, uma norma culta a ser cumprida quanto à escrita, diferente do que acontece na fala. Deste modo, o professor tem que orientar o aluno a realizar uma adequação e assim mostrar que a ortografia não é inimiga dele e sim uma grande aliada. Porém, infelizmente, ainda existe um grande preconceito social por aquele que não fala ou escreve de acordo com a norma culta na sociedade.
Por outro lado, professores que utilizam somente a gramática tradicional precisam ter em mente que a língua é dinâmica e está sempre evoluindo, por isso, é importante que eles estejam abertos para mudanças, pois, dessa forma, poderão transformar o ensino da linguagem em um novo contexto social.
Para que os alunos sejam bons escritores e criem o hábito de ler é necessário mais que a gramática, sendo necessário o contato permanente com as revistas, livros, jornais... Para que a partir desse estímulo, possa tornar-se um cidadão crítico e ciente das suas idéias impostas para o meio acadêmico e social.
Para Antunes (2003, p. 94) diante da concepção das regras:



O conhecimento que o falante tem das regras que especificam o uso de sua língua é um conhecimento intuitivo, implícito, ou seja, não requer, em princípio, que se saiba explicitá-lo ou explicá-la. No entanto, esse saber implícito acerca do uso da língua pode ser enriquecido e ampliado com o conhecimento explícito dessas mesmas regras.


Em conseqüência disso, o discente ao chegar à escola para se alfabetizar, já tem o domínio sobre algumas competências, em especial, a verbal, pois já possui idéias próprias adquiridas no contexto familiar. Sendo assim, é na escola que o educando vai por em prática toda sua experiência e aprimorá-las como subsidio para seu desenvolvimento de aprendizagem.
Para tanto, este é o desafio do professor, apreciar o conhecimento prévio do aluno para trabalhar a leitura, gramática, história, geografia, enfim, todas as disciplinas. Cabe ao docente valorizá-las, como forma de evolução para uma nova construção e aperfeiçoamento desse processo.
Contudo, o aluno ao estudar a gramática, será capaz de desenvolver sua produção textual de forma coerente e eficaz, transformando o seu conhecimento implícito de mundo em explícito para a nova construção do saber.
Entretanto, sabemos que um dos principais objetivos da escola é o de formar cidadãos para o mundo, para tanto, é preciso fazer com que os alunos adquiram competências discursivas através do contato com a produção textual. Tendo em vista os aspetos abordados, Koch (2006, p. 11) afirma:

O sentido de um texto é construído na interação texto-sujeito e não algo que preexista a essa interação. [...] realiza evidentemente com base nos elementos linguísticos presentes na superfície textual e na sua forma de organização, mas requer a mobilização de um vasto conjunto de saberes no interior do evento comunicativo.


Entretanto, o perfil do educador contemporâneo deverá ser formador de sujeitos leitores/escritores, ele deve ser um leitor de si, refletir sua prática, o seu fazer pedagógico voltado à leitura e escrita, e que ao exercitar a leitura crítica de si, constantemente estará praticando a leitura de mundo que está no seu meio social.
Para Antunes (2003 p. 108):


(...) a mudança no ensino de língua portuguesa não está na metodologia ou nas "técnicas" usadas. Está na escolha do objetivo de ensino, daquilo que fundamentalmente constitui o ponto sobre o qual lançamos os nossos olhares (...).


Para a autora, as mudanças do ensino de língua portuguesa não são os métodos ou as técnicas de trabalho utilizadas pelos professores. São os objetivos de aprendizagens pelos quais os professores pretendem alcançar.
Esses objetivos deverão fazer parte da nossa realidade social, da realidade do aluno. Com o objetivo de despertar o valor sociocultural da sua região. Desta forma, o professor não ficará "preso" as regras e exceções colocadas pela gramática, valorizando o conhecimento adquirido anteriormente pelo aluno no contexto familiar, como suporte para o seu desenvolvimento social.
Para os Parâmetros Curriculares Nacionais, a sala de aula será, então, um espaço onde o aluno consegue opinar, defender seus pontos de vistas, aprendendo a respeitar as opiniões diferentes.
Desta forma, os professores devem executar esta nova postura de ensino. Ensinar leitura não deve ser sistematizado, a leitura deveria ser sempre um ato prazeroso e não uma obrigatoriedade, como muito se observa em escolas.
Desenvolver em sala de aula, um espaço criativo e aberto, para opiniões e debates sobre vários temas da sociedade, proporcionando aos alunos opiniões acerca desta realidade social, onde os mesmos irão deparar com opiniões distintas, que caberá aos professores informá-los sobre a importância do respeito às opiniões individuais de cada um.
Então, percebe-se que os profissionais docentes devem ser conscientes formadores, reflexivos, dinâmicos, interacionais da importância do seu papel, integrados no mundo contemporâneo, sendo responsáveis pela formação crítica do cidadão. Sendo todos estes também, responsáveis pela leitura e escrita dos alunos envolvidos neste processo.
Portanto, o educador é o principal responsável pela transformação desta realidade no contexto escolar, formar o aluno-leitor em um ser ativo, valorizando a aprendizagem e a interação professor-aluno.

1.1 - O ensino de leitura e escrita em sala de aula

Atualmente, percebe-se a grande necessidade de desenvolver as habilidades de leitura e escrita para o melhor desempenho das práticas sociais e profissionais existente na sociedade. Sem o domínio dessas habilidades, o educando encontrará dificuldades de expressão oral e escrita.
Diante das transformações ocorridas na educação é fundamental que o docente esteja em constante aprendizagem para a ampliação de seus conhecimentos, pois não só os educadores, mas também os educandos fazem parte desta evolução, e cabe a cada um ser o principal responsável por estas transformações. Assim, ambos deverão ser sempre pesquisadores de mundo e conhecedores das realidades que os cercam.
Cabe a escola formar leitores críticos e desenvolver a prática da leitura de forma prazerosa, no qual todos os professores estão envolvidos nesse processo, não apenas os de língua portuguesa, pois ler e escrever é compromisso de todas as áreas do conhecimento.
Maria (2008, p. 44) relata: "É no convívio com as estruturas da língua escrita que a criança se familiariza com tais estruturas, alcançando esse domínio em sua produção textual".
Assim, a relação de cada aluno no processo da leitura e escrita será, sem dúvida, diferente. O que importa é que a escola, nesse processo, saiba reconhecer a realidade do aluno na concepção de leitura e escrita que existe nele, levando em consideração sua produção textual, através da visão empírica de mundo que trás consigo.
Orlandi (2005, p. 64) descreve acerca deste conhecimento empírico: "O texto é a unidade de análise. Para o leitor, é a unidade empírica que ele tem, diante de si, feita de som, imagem, sequências com uma extensão, com começo, meio e fim (...)".
Assim, o conhecimento teórico e prático aliado ao espírito crítico são requisitos básicos para um profissional da educação nos dias atuais, pelo qual, o aluno-pesquisador ao aproximar-se da realidade observada busca intervir na mesma proporção que está sendo pesquisado.
Assim, entende-se que a leitura e escrita têm uma função social em nosso meio, por que elas desenvolvem tanto o individual, quanto o social, por definir que os indivíduos se estabeleçam como seres humanos iguais e, ao mesmo tempo, diferentes de todos os outros, por seus atos e pensamentos que modificam suas realidades.
A escola deverá proporcionar ao educando a competência de desenvolver suas capacidades de forma oral e escrita para sua participação social.
De acordo com os PCN"s (1997, p.15):


[...] o domínio da língua escrita e oral, é fundamental para a participação social efetiva, pois é, por meio dela, que o homem se comunica, tem acesso à informação, expressa e defende pontos de vista, partilha ou constrói visões de mundo, produz conhecimento.


Uma importante observação é feita por Antunes acerca da metodologia de ensino de língua portuguesa nas escolas voltadas para o "ensino do pronome", em que o professor, anteriormente, colocava uma frase no quadro e pedia para os alunos identificarem o tipo do pronome.
Hoje, não é muito diferente, o docente explora esta mesma temática em um texto, que o mesmo, serve para identificar "apenas o tipo de pronome", substituindo a frase. Para a autora "o texto serve, portanto, apenas para ilustrar uma noção gramatical e não chega assim a ser o objeto de estudo". Antunes (2003, p. 109/110)
Conforme a autora, o texto deveria ser estudado "como um todo sempre em função do todo" (idem), como forma de analisar e compreender o texto de forma ampla em cada uma de suas partes, desenvolvendo os saberes gramaticais e lexicais que são mister para poder estudar o texto.
O ensino da leitura e escrita pode ser enriquecido com a utilização dos gêneros textuais, dentro de sua diversidade podem ser utilizados jornais, revistas em quadrinhos, livros de versos, rótulos de latas, caixas, garrafas e até mesmo bulas de remédios. Desta forma, trabalhando metodologias diferenciadas ocorre maior possibilidade de chamar a atenção do aluno e envolvê-lo com a leitura, e por conseqüência maior relação texto-leitor, e em seguida, o fundamental, a interpretação.
Maria (2008, p. 33) afirma: "Mais que ensinar, é preciso apenas que o professor não impeça a criança de aprender, que não deixe que se perca, no cotidiano escolar, a curiosidade natural das crianças".
Desta forma, essa é a meta que os professores precisam ter em mente no primeiro dia de aula com seus alunos, valorizar uma ação pedagógica voltada a sua realidade, por ele trazer consigo uma aprendizagem iniciada no processo familiar.
Para Freire (2003, p. 47): "ensinar não é transmitir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção".
Portanto, a aprendizagem precisa acontecer de maneira integrada com todos os envolvidos, gestores, docente, discentes, funcionário e comunidade, movimentados através de projetos político-pedagógicos. Com o intuito de interagir a todos, como forma de aproximá-los para o desenvolvimento social e cultural, tomando-se como base a nossa realidade.

2 - O PAPEL DA FAMÍLIA E DA ESCOLA NA APRENDIZAGEM DA LEITURA E DA ESCRITA.

O papel da família é de suma importância para o desenvolvimento intelectual do aluno, pois é neste contexto, que o educando tem o primeiro contato com a leitura. Desta forma, é no ambiente familiar que o mesmo aprende sua primeira educação, deste modo, ele se relaciona com todo o conhecimento adquirido durante sua experiência de vida primária que vai refletir na sua vida escolar. Sendo assim, o sucesso do trabalho da escola depende da colaboração familiar ativa.
Segundo López (2002 p. 24): "A educação dos primeiros anos consiste precisamente na promoção de todos esses aspectos sociais e de autonomia pessoal que logo servirão de base para a educação intelectual mais estrita".
Ou seja, a responsabilidade da educação Infantil depende, cada vez mais, da interação entre a escola e a família. Logo, ter diálogo de comunicação entre ambos, respeitar e acolher os saberes dos pais e ajudar-se mutuamente. Estes são alguns fatores que proporcionam e beneficiam a aprendizagem da criança que servirão de suporte para a educação escolar.
Além disso, a tarefa de ensinar e praticar a leitura não compete apenas à escola, pois o aluno aprende também através da família, dos amigos, das pessoas que ele considera significativas no seu cotidiano. A pergunta feita neste momento é: de quem é a responsabilidade de desenvolver o interesse da leitura no aluno?
Sabemos que existe a influência dos pais e professores. Em relação aos pais, estes devem ser "espelhos" para visão dos filhos, organizarem a biblioteca pessoal para eles, educando-os para o despertar pelo gosto da leitura, organizar o horário dos mesmos desde que reservem o tempo da leitura, resolver os trabalhos escolares junto com eles e acompanhar o desenvolvimento do aluno na escola.
Em relação aos professores, as responsabilidades também são muitas. Eles devem aproveitar a empolgação do aluno quando quiser ler apresentar livros que venham ao encontro das necessidades do mesmo, demonstrando o hábito de leitura para os educandos.
Desde cedo, os pais precisam transmitir aos filhos os seus valores, como, ética, cidadania, solidariedade, respeito ao próximo, enfim, pensamentos que o leve a ser um adulto flexível, que saiba resolver problemas, que esteja aberto ao diálogo. Que o educando, através do incentivo dos pais, passe valorizar a leitura e que a mesma possa fazer parte da sua vida cotidiana e para o seu desenvolvimento progressivo no campo do saber.
Portanto, uma criança com hábito de leitura, cresce bem preparada para enfrentar os desafios da vida, pois desenvolve grande capacidade de leitura e interpretação, além de possuir uma grande facilidade de descobrir o signicado de certas palavras, o que facilita suas produções textuais, sua oralidade e colocações em público.
Sendo assim, para desenvolver este hábito na criança é necessário proporcionar-lhe o contato com os livros. Neste caso, ouvir uma história lida pelo pai, mãe, avós, irmãos, etc; são algumas situações que enfatizam a presença de um leitor e que despertem o interesse pela leitura. Contudo, ressalta-se que o ideal seja começar desde a educação infantil, pois, quanto mais cedo mais fácil será a aceitação deste hábito.
López (2002. P. 83) confirma: "(...) a educação não depende de si mesma, mas em grande parte do papel que desempenha a família dentro e fora da escola".
A vida familiar e escolar se completa, tornando-se necessária para o bem-estar do educando. A participação dos pais na educação dos filhos deve ser de forma constante e consciente, pois, a educação é um processo global, que se dá não só na família e na escola, mas em toda a sociedade.
Segundo a LDB - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Lei nº 9.394 (1996) afirma que:

A educação dever da família e do estado inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, têm por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e suas qualificações para o trabalho.

Diante desta afirmação, nota-se uma preocupação com a dimensão intelectual na educação, pois a escola deve empenhar-se na formação educacional de seus alunos, embora que não seja a única instituição social que participa dessa formação.
A família é responsável pelos primeiros passos da aprendizagem precoce do educando, proporcionando-o conhecimentos e experiências diante da sua realidade social, como forma de acesso para construção de novas aprendizagens no contexto social e escolar.
Assim, não precisa ser letrado para exemplificar a vida. Os melhores exemplos de integração escola/família estão entre as comunidades mais participativas, ainda que menos favorecidas economicamente, e não entre as mais educadas.
De acordo com esta realidade, López (2002. P. 80) relata: "Quando os pais se sentem especialmente chamados a participar, digamos, a preocupar-se com a escola? Quando surge uma situação que afeta diretamente seus filhos".
É notório observar esta realidade na educação escolar atual, pois os pais que não têm tempo para nada acabam deixando a vida escolar do seu filho sob responsabilidade da escola.
Portanto, os verdadeiros pais são aqueles que se preocupam e dialogam com seus filhos. Verificam o boletim escolar, participam das reuniões de pais e mestres, enfim, um simples bom dia ou boa tarde, é essencial para que o filho perceba a importância que seus pais possam proporcionar-lhe.

3 ? POSSÍVEIS CAUSAS DAS DIFICULDADES NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM DA LEITURA E DA ESCRITA

A problemática sobre dificuldades dos alunos no processo de aprendizagem não é da atualidade, e, por um período prolongado vêm-se trabalhando nas tomadas de decisões para a reformulação do ensino afetado por este entrave.
O professor de língua portuguesa do mundo contemporâneo, ainda é visto como o principal responsável pela explícita problemática referente a leitura e escrita nas escolas. Diante de todos esses impasses, é reconhecido o incentivo dos governos federal e estadual no investimento a formação continuada dos professores para a atuação de uma prática educacional renovada em sala de aula, estimulando em seus alunos maior interesse pela leitura, e maior desenvolvimento dos conhecimentos para a formação de indivíduos questionadores no meio social.
A carência estrutural das escolas, dentre elas, a falta de bibliotecas ou acervo desapropriado para a faixa etária da clientela escolar é outro ponto que favorece com o desestímulo no processo de leitura, e, consequentemente, contribuem para o desenvolvimento do intelecto do aluno.
Com o intuito de contribuir com o futuro dos educandos e o desenvolvimento de toda a sociedade, a psicoeducação está engajada na avaliação do contexto responsável pelos inúmeros problemas que alguns educandos apresentam nas dificuldades da leitura e da escrita.
A princípio é necessário uma reflexão diante das características do aluno e também do professor, os alunos trazem consigo uma vasta carga de informações, valores, costumes, pré-requisitos de aprendizagem que requerem um diagnóstico abrangente.
Inúmeros são os fatores que interferem no aprendizado escolar, sobretudo, da leitura e da escrita. O problema na aprendizagem pode ser repercutido pela falta de apoio familiar, falta de oportunidades, conflitos emocionais que causam ansiedade, insegurança e baixa-estima.
Alguns problemas mais simples como deficiências sensoriais, visuais e auditivas, podem ser detectados pelo professor ou familiares no convívio diário. Outras disfunções mais graves como anomalias neurológicas expressivas ou determinadas lesões cerebrais podem ser comprovadas clinicamente por profissionais especializados.
Os problemas pedagógicos são os mais observados no processo ensino-aprendizagem da leitura e escrita, a metodologia empregada pelos professores são deficientes, a falta de estímulo na pré-escola, a precariedade de atenção devido a superlotação em sala de aula, o deficiente relacionamento professor-aluno, a desnutrição devido a dificuldade econômica familiar.

4 ? DISLEXIA: UM AGRAVANTE CAUSADOR DAS DIFICULDADES DA LEITURA E DA ESRITA

Outro ponto agravante da leitura e escrita é ocasionado devido a presença da dislexia, a criança que apresenta este quadro demonstra dificuldade para identificar os símbolos gráficos no período de alfabetização como não saber distinguir as letras f-t; h-n; i-j; m-n; v-u; b-d; b-p; d-b; d-p; etc., invertem a identificação das palavras por apresentarem sonorização ou grafias parecidas como: som-mos; mon-nos, sol-los; sal-las; pla-pal, etc. estas dificuldades interferem em outros aprendizados que dependem da leitura e da escrita.
Análises realizadas pela Associação Brasileira de Dislexia (ABD) afirmam que os sintomas apresentados pelas crianças disléxicas são: demora no aprender a falar, demora em aprender a fazer laços nos sapatos, demora em aprender a ler as horas, a pegar e chutar bola, a pular corda, apresentam dificuldades em ler e escrever de forma correta letras e números, colocar as letras do alfabeto em ordem, os meses do ano em ordem, sílabas em ordem, identificar o que é esquerda e direita.
Estas crianças frequêntemente apresentam dificuldades em operações aritméticas, necessitando de suportes como: os dedos, ou papéis para fazerem os cálculos separadamente, apresentam dificuldades em memorizar a tabuada.
Quanto a leitura, demonstram dificuldades e também compreensão da mesma, o processo é lento para a faixa etária da criança, ocorrendo dificuldades também no que refere a criatividades e produção de redações..
Observa-se também alguns transtornos como dores abdominais e dores de cabeça, ocasionados pelo stress, e este leva a baixa estima, são consideradas preguiçosas, desleixadas, não demonstram interesse em aprender e a participar das atividades escolares.
Estas crianças sofrem discriminação pelos colegas e, em alguns casos, até mesmo pelo professor. Nestes casos, não é somente o aluno que passa por dificuldades, a família também sofre com estas dificuldades da criança disléxica. A família normalmente espera de suas crianças um retorno positivo, e, nestes casos, o índice de abandono e reprovação são freqüentes nesta classe estudantil.
Nestes casos, a família deve ser a maior aliada, a responsável para amenizar as frustrações advindas das problemáticas apresentadas por este distúrbio. A criança disléxica necessita de um tratamento especial, deve sentir-se segura, amparada pelos familiares, o essencial seria viver em um ambiente de amor e de palavras de incentivo, presença e participação dos pais e demais familiares.
A missão de educar requer do educador dedicação, paciência, amor, parceria com a família, e, é através destas somatórias de compromissos com o aprendizado dos estudantes que se poderá, no futuro, amenizar a evasão escolar, e se ter a oportunidade de ministrar metodologias que direcionem os alunos na busca progressiva do conhecimento, só assim, será possível obter a formação de indivíduos formadores de opinião, críticos, com capacidade de intervir de maneira positiva na transformação social do mundo contemporâneo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A elaboração deste artigo deu ciência sobre a importância da leitura e da escrita para o desenvolvimento do indivíduo como pessoa e a contribuição que o sujeito pode aplicar no meio social através de seus conhecimentos.
Porém, para que estes conhecimentos sejam bem desenvolvidos, precede a atuação de metodologias dinamizadas pelo professor, e os educandos sintam-se estimulados à prática da leitura e da escrita.
Neste contexto cabe ao professor optar pela aplicação de uma grande diversidade de gêneros textuais, que despertem a curiosidade nos alunos.
Porém, o incentivo a leitura e a escrita, não cabe apenas a escola, mas também a família. É com esta parceria que o indivíduo chega ao ápice do amadurecimento deste processo que é utilizado em toda a sua vida escolar e pessoal, tornando-o um ser com um nível elevado de conhecimento e um cidadão ciente de sua contribuição para que a sociedade se torne mais justa e a desigualdade social seja minimizada.

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Autor: Lucivanda Mira Coêlho