Um golpe do destino



FILME UM GOLPE DO DESTINO

1 - ASPECTOS RELEVANTES PARA A ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO.

O filme conta a história de  vida de um renomado cirurgião, arrogante, egoísta e indiferente aos seus pacientes, chegando a referir-se a eles como números ,órgãos, leito ou pela enfermidade que os acomete. com  sua vida pessoal bastante comprometida em seus relacionamentos familiar. Tudo começa a mudar depois que o doutor percebe que uma simples tosseé o princípio de uma doença gravíssima, quando ele  se submete a exames  descobre que está com câncer. A partir desse momento o médico, passa a demonstrar fragilidade e angústia diante do quadro. Agora ele não se via mais na condição de médico e sim de paciente, assim, sente o que é enfrentar a burocracia e a indiferença dos profissionais médicos que não são comprometidos com os pacientes, o que o leva a  esperar por horas o resultado de um exame, o que significa ser apenas mais um número, como ele sempre tratou os pacientes. Agora ele sente como seu tratamento era impessoal e agressivo. Ao passo que vai percebendo o quanto é maltratado como paciente, muda de comportamento, inclusive com seus pacientes (Sinopse). As pessoas sempre procuraram o hospital para cura de seus males e alívio de seu sofrimento, trata-se de uma busca de alívio, de preservação da vida, de restituição da saúde e melhoria do conforto pessoal. Mas essa problemática da dor e do sofrimento não é uma simples questão técnica, pois a intencionalidade solidária, fraterna e confortadora depende mais de uma atitude do caráter do que do conhecimento. Embora a ciência tenha contribuído, para soluções eficientes aos problemas de saúde, o sofrimento humano diz muito mais respeito à ética que à técnica.

Segundo o dicionário, humanizar significa tornar-se humano; dar condição humana; 1. Tornar humano; dar condição humana; humanar; 2. Tornar benévolo, afável, tratável; humanar; 3. Fazer adquirir hábitos sociais polidos; civilizar; 4. Bras. Amansar (animais); 5. Tornar-se humano; humanar-se.

 Por conceito, origem e vocação a medicina e outras áreas relacionadas ao atendimento à saúde devem representar uma parte da ciência essencialmente humanística. Isso quer dizer que será desejável partir-se de uma visão global do ser humano, deixando de lado a concepção dualista que entende a pessoa como sendo apenas dotada de corpo e espírito. Mas, sobretudo, compreender a pessoa como uma unidade indissolúvel. Neste contexto, as enfermidades, transtornos, distúrbios, doenças, enfim, de quaisquer processos mórbidos deverem ser abordados não apenas através do órgão da pessoa, mas também e principalmente, através daquilo que ela tem de mais humano: seu componente afetivo e emocional. Também o tratamento e atenção a quaisquer desses estados mórbidos devem considerar outros elementos humanos além da fisiopatologia. Além de científica, a assistência à saúde deve ser fundamentalmente humanista. É fundamental, sobretudo, que o profissional de saúde deixe de considerar apenas a doença e se aplique em cuidar do doente, da pessoa que, circunstancialmente, está sofrendo. Além da dimensão física, a pessoa deve ser atendida também em seu componente social, psíquico e emocional. Humanizar o atendimento não é apenas chamar a paciente pelo nome, nem ter um sorriso nos lábios constantemente, mas, além disso, também compreender seus medos, angústias, incertezas dando-lhe apoio e atenção permanente.

O psicólogo dentro deste contexto tem um papel de fundamental importância, uma vez que ele pode ajudar nesse processo de humanização. Chamar o paciente por uma de sua parte do corpo que está mais em evidência, bem como pelo número do leito como foi visto no filme, mas tratando-o como um ser holístico, que merece respeito em um momento de fragilidade que se encontra. Tanto o paciente como sua família deve receber atenção, ajuda e consideração, torna-se necessária a ação da equipe interdisciplinar, onde o psicólogo desempenha papel fundamental. O psicólogo, dentro do hospital, busca o alívio emocional do paciente e de sua família, sendo que muitas vezes para efetivar esta ajuda, ele precisa mobilizar outros profissionais e que nesta mobilização, muitas vezes estão presentes angústias e ansiedades. O psicólogo deve vivenciar a situação, ajudando na exteriorização dos sentimentos, percebendo as angústias e criando condições para a vivência e compreensão dos sentimentos.

 2 - A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO DIGNÓSTICA. A partir do momento em que o médico Dr. Jack Mckee seguro de si e auto-suficiente, recebem a notícia de uma colega de trabalho que lhe diz friamente "você tem um câncer" ele passa a demonstrar angústia e fragilidade. Agora ele não se via mais na condição de médico e sim de paciente, assim, sente o que é enfrentar a burocracia e a indiferença dos médicos, o que é esperar por horas o resultado de um exame, o que significa ser apenas mais um número. Diagnósticos cada vez mais específicos que, além de abordarem a pessoa em sua amplitude existencial, fazem com que apenas um determinado sintoma exista naquela vida. Ao passo que vai percebendo o quanto está sendo maltratado como paciente, vai mudando seu comportamento, inclusive com seus próprios pacientes. Percebe a importância de explicar-lhes o procedimento que está sendo adotada, a importância de chamá-los por seus nomes, de dar-lhes atenção; enfim, de tratá-los como pessoas. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 4,5 milhões de pacientes em países em desenvolvimento e desenvolvidos morrem anualmente sem receber tratamento da dor e sem que lhes sejam considerados outros sintomas tão prevalecentes quanto à dor e que também causam sofrimento. Faz-se necessária que a comunicação diagnóstica que seja feita por alguém capacitado, imbuído de sensibilidade de se escutar a dor do paciente, de abranger a totalidade dos relacionamentos pessoais e familiares do paciente, para uma compreensão mais ampla da patologia que o acomete e percebendo que a angústia de um paciente é diferente da de outro e que, embora até possam apresentar reações orgânicas semelhantes, ainda assim o sofrimento de uma pessoa não tem como ser dimensionado com o de outra. O psicólogo é o profissional preparado para escutar o seu corpo e até o seu silêncio.

Neste momento o psicólogo escutando o sofrimento do paciente estará contribuindo para amenizar a dor provocada pelo processo do adoecer. Oferecer informações sobre a doença, prognóstico e tratamento, é algo primordial para os profissionais da saúde, que não devem economizar palavras ou qualquer outra forma de comunicação e que isso leve o mínimo possível de sofrimento ao paciente, Aliviar sempre que possível, controlar a dor e atender as queixas físicas e emocionais, Respeitar o modo e a qualidade de vida do paciente Respeitar a privacidade (e dignidade) do paciente, para só depois explicar-lhe o seu real estado de saúde, mas preocupando-se sempre com o ser presente. Os profissionais da Saúde sofrem um desgaste muito grande no seu trabalho com o doente. O psicólogo estaria atuando junto a estes profissionais no sentido de dar subsídios ao atendimento do paciente, além de também poder dar suporte, no sentido de uma consultoria, ou ajudar na manutenção do equilíbrio pessoal. Têm sido tênues os limites entre tudo o que o paciente deve se submeter para melhorar e facilitar o trabalho do médico ou profissional de saúde e aquilo que o profissional quer que o paciente faça apenas para seu conforto e comodidade. Existem em determinados hospitais algumas roupas padronizadas para pacientes que aniquilam totalmente sua dignidade, deixando à mostra sua intimidade para pessoas que nem estão envolvidas na questão do diagnóstico e tratamento. Existem privações, proibições e restrições hospitalares que não resistem ao mínimo questionamento de um simples "porque não posso?".

CONSIDERAÇÕES O psicólogo é um profissional imprescindível em uma equipe multidisciplinar, dentro de um hospital, uma vez que ele está habilitado para entender o ser humano em todas as fazes de sua vida, principalmente em sua fase de adoecimento,incertezas e angustias, podendo entendê-lo através da sua escuta ou de seu silencio. Por isso a comunicação diagnóstica precisa ser feita, respaldada em diagnóstico, mas levada em consideração o ser em sofrimento. A atuação do psicólogo no processo de humanização hospitalar propõe-se acompanhar o paciente num momento especial de sua vida, em que prevalecem à dor e o sofrimento, ajudando-a a encontrar a melhor maneira de enfrentar e vivenciar a doença que se interpôs no caminho de uma meta de sua vida. O psicólogo deverá incentivar o trabalho em equipe a conscientização e consideração dos aspectos emocionais das doenças dos pacientes e dos familiares. Ele desempenha importante atuação dentro do contexto de humanização hospitalar, onde o psicólogo trata o paciente como pessoa, com todos os seus sentimentos que a internação pode lhe causar, é um é um olhar como um todo, e não mais como apenas um doente, ou uma parte deste ser. Todo o profissional da área da saúde deveria estar preparado para lidar com esta situação de sofrimento e trabalhar com um olhar diferenciado sobre o outro, que é um ser inteiro e não apenas partes. Quando estes profissionais se preocuparem mais com o outro do que consigo mesmo, talvez tenhamos uma saúde realmente humanizada. REFERÊNCIAS Filme: UM GOLPE DO DESTINO A atuação do psicólogo no hospital para a promoção de saúde Wilton batista Cabral [wilton] Ballone GJ - Humanização do Atendimento em Saúde, in. PsiqWeb, Internet, disponível em , 2004 WWW.portalhumaniza.org.br/textos


Autor: Kátia Maria De Lima Arruda