Estudo Da Viabilidade De Utilização Do óleo Residual De Fritura Por Imersão Como Biocombustível Na Cidade De Curitiba - Pr



 

ESTUDO DA VIABILIDADE DE UTILIZAÇÃO DO ÓLEO RESIDUAL DE FRITURA POR IMERSÃO COMO BIOCOMBUSTÍVEL NA CIDADE DE CURITIBA-PR

Sedrez, M.H.B.(Especialista em Gestão Ambiental*), Cruz, L.R.(Especialista em Gestão Ambiental),Bergamo,R.A.M. (Professora Orientadora).

Instituto de Educação Superior Camões; IESC - Curitiba - Paraná - Brasil

[email protected]

Resumo: O presente estudo verifica a viabilidade e aceitabilidade de utilização do óleo vegetal residual de fritura por imersão como biocombustível, semsofrer o processo de transesterificação usado na produção do biodiesel. O processo se dá utilizando o resíduo somente purificado e com pequenas modificações em motores movidos a diesel atualmente.Especifica a legislação pertinente, verifica onde e como é recolhido este resíduo atualmente, o que é feito a partir do recolhimento, quanto polui o resíduo que ainda não dispõe de recolhimento específico e como se comporta o resíduo como biocombustível, tanto no desempenho do motor como em termos ambientas e emissões de gases poluentes. Foram feitas entrevistas, levantamentos de dados e pesquisas de campo voltadas à cidade de Curitiba-PR; todas se encontram detalhadas no conteúdo desse trabalho, bem como as adaptações de motores que são utilizadas atualmente, e omodo de limpeza do óleo para posterior aplicação como biocombustível.

Palavras-chave: Viabilidade, óleo residual, fritura por imersão, biocombustível.

Abstract: The present study verifies the viability of the use the vegetable residues oil through frying immersion as bio-petrol, without suffering from use the trans-esterification process in the production of bio-petrol. Currently the process is using the residue purity and with a small modification in diesel engines. It specifies the pertinent legislation, it verifies where and how this residue is collected, what it is done from the collection, how much it pollutes the residue that still does not make use of specific collect and as if it holds the residue as bio-petrol, as much in the performance of the engine as in environmental terms and emissions of pollutant gases. Interviews were made, collecting information and researching field towards the city of Curitiba - PR had been made, all the work is found in details on this work, also the adaptation of engines that are used currently, and the way of oil filtering forlater to apply as bio-petrol.

Key-words: Viability, residues oil, frying immersion, bio-petrol.


Introdução

O motor diesel que conhecemos hoje na verdade é uma adaptação de uma invenção bastante antiga; "no ano de1895 o Dr.: Rudolf Diesel desenvolveu o motor diesel com o objetivo de fazer com que rodasse com vários tipos de óleos vegetais. Após a sua morte, a indústria do petróleo criou um tipo de óleo e denominou de "Óleo Diesel" que, por ser mais barato que os demais combustíveis, passou a ser largamente utilizado."[6]

Foi esquecido, desta forma, o princípio básico que levou à sua invenção, ou seja, um motor que funcionasse com óleo vegetal e que pudesse ajudar de forma substancial no desenvolvimento da agricultura dos diferentes países. A abundância de petróleo aliada aos baixos custos dos seus derivados fez com que o uso dos óleos vegetais caísse no esquecimento.

O combustível especificado como "óleo diesel" ganhou o mercado com o advento dos motores diesel de injeção direta, sem pré-câmara. A disseminação desses motores se deu na década de 50, com a forte motivação de rendimento muito maior, resultando em baixos consumos de combustível. A partir nos anos 90 foram retomados os estudos de pesquisa com óleos vegetais, esseinteresse aumentou devido à pressões ambientalistas e a introdução do conceito de desenvolvimento sustentável.

No século XXI, o efeito estufa, guerra, desenvolvimento do setor primário e fixação do homem no campo, fazem com que o investimento na pesquisa, produção e divulgação do biodiesel se espalhem por todo o país através de feiras, encontros, seminários, etc.

O uso direto de óleos vegetais como combustível foi superado pelo uso de óleo diesel derivado de petróleo por

fatores tanto econômicos quanto técnicos. Àquela época os derivados de petróleo eram baratos e os aspectos ambientais,

que hoje privilegiam os biocombustíveis, não foram considerados importantes .

Dessa forma, os motores diesel foram projetados e são fabricados, de acordo com rígidas especificações, para uso do óleo diesel derivado do petróleo. Esses motores são sensíveis à combustão do óleo vegetal, podendo haver a formação de depósitos nas paredes do motor.

O óleo vegetal puro, o óleo vegetal residual,e de gordura animal em relação ao biodiesel apresentam uma viscosidade maior. Assim, eles têm que ser aquecidos para que haja uma adequada atomização pelos injetores. De acordo com Lima, 2004 "Para motores diesel de injeção indireta, com câmara auxiliar, o óleo deve ser pré-aquecido até 70-80 ºC. Pesquisas mostram que motores diesel de injeção direta exigem temperaturas muito mais altas para uma atomização eficiente, exigindo-se sistemas com dois tanques. Dessa forma, um pequeno tanque adicional, contendo óleo diesel, é necessário para a partida. Quando o motor atinge a temperatura de funcionamento, uma válvula solenóide é aberta para succionar o óleo vegetal." [8]

Frente ao Biodiesel, todos os óleos vegetais brutos e filtrados tem avantagem de serem mais baratos e de muito simples obtenção.

"Adaptar motores diesel para óleos vegetais, é mais fácil do que adaptar motores a gasolina para álcool." [5]

Para tanto é necessário apenas elevar a pulverização dos óleos e a temperatura de combustão, como demonstram os mais de 30.000 veículos que rodam a óleo de canola, na Alemanha, desta forma é possível evitar o processo de transesterificação usado para a produção do biodiesel. Os motores a óleos vegetais têm sofrer pequenas mudanças para funcionarem com o óleo bruto, porém para se obter o máximo de desempenho, durabilidade e economia estes motores devem ser desenvolvidos para óleo vegetal.

Dentre os passivos que representam riscos de poluição ambiental e, por isso, merecem atenção especial, figuram os óleos vegetais usados em processos de fritura por imersão.

A presença deste material, além de acarretar problemas de origem estética, diminui a área de contato entre a superfície da água e o ar atmosférico impedindo a transferência do oxigênio da atmosfera para a água, e também os óleos e graxas em seu processo de decomposição, reduzem o oxigênio dissolvido elevando a Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), causando alteração no ecossistema aquático que constitui a biosfera, ou seja, o ambiente em que se desenvolvem os fenômenos biológicos. Diante disso percebe-se que, o óleo, depois de usado, torna-se um resíduo indesejado e sua reciclagem como biocombustível alternativo não só retiraria do meio ambiente um poluente, mas também permitiria a geração de uma fonte alternativa de energia. Assim, duas necessidades básicas seriam atendidas de uma só vez.

A ausência de enxofre confere ao biocombustível uma grande vantagem, pois não há qualquer emissão de gases sulforados, normalmente detectados no escape de motores de ignição por compressão interna movidos a óleo diesel. Estudos feitos demonstram que a diminuição da poluição e de gases poluentes é um dos maiores benefícios do biocombustível ao meio ambiente, a tabela a seguir mostra alguns dados de estudos elaborados sobre biodiesel de óleo de fritura, o que permite acreditar que as pesquisas para o uso do óleo vegetal de fritura por imersão sem o processo de transesterificação deve ser melhor investigado já que pode-se eliminar uma parte do processo, diminuindo custos e também eliminando a geração do sub-produto glicerina.

A significativa redução de fumaça, obtida em teste com biodiesel de óleo usado, demonstrou que vale a pena reutilizar o óleo descartado de frituras para a produção deste combustível.

Com isso, fica identificado um destino mais adequado a este resíduo agroindustrial que, no Brasil, é desprezado e/ou parcialmente aproveitado de maneira muitas vezes inadequada.

"É importante ressaltar que um programa de substituição parcial de óleo diesel por biodieselou biocombustível de óleo de fritura dependeria da criação de um eficiente sistema de coleta de óleos usados, o que certamente encontra-se distante de nossa realidade." [2]

Tabela 1

Características

Óleo diesel

Biodiesel

Densidade 15 °C (Km/m³)

0,849

0,888

Ponto inicial de destilação(°C)

189

307

Ponto final de destilação (°C)

349

342

Aromáticos (%, v/v)

31,5

nd

Carbono (%)

86,0

77,4

Hidrogênio (%)

13,4

12,0

Oxigênio (%)

0,00

11,2

Enxofre (%)

0,3

0,03

Índice de Cetano

46,1

44,6

Número de Cetano

46,2

50,8

Valor Calórico (MJ/Kg)

42,30

37,50

















Fonte: CEFET-PR/2000

Tabela de especificações e emissões comparativas do óleo diesel e biodiesel de óleo de frituras usando o processo de transesterificação.

Material e Métodos

Para a obtenção dos dados aplicou-se entrevistas e visitas aos estabelecimentos envolvidos, no intuito de obtermos informações sobre a coleta , armazenagem e destinação final do óleo residual de fritura por imersão, para a cidade de Curitiba-PR.

Verificou-se a possibilidade de implantação de um projeto acadêmico, ondeo óleo residual de fritura por imersão de uma rede de lanchonetes pode ser utilizado como biocombustível nos veículos de motor diesel na frota da empresa.

Descreve-se o tipo de motor e as transformações a serem feitas para utilizar o resíduo como biocombustível, sem passar pelo processo de transesterificação, e de que maneira o resíduo pode ser purificado sem o uso deste processo.

Os dados coletados e informações pertinentes estão descritos a seguir.

Coleta

Só em Curitiba e região metropolitana a produção atual é superior a300 toneladas/mês de óleo residual de frituras por imersão, parte deste resíduo é recolhido por uma empresa legalmente autorizada e destinado paraa fabricação de sabão, massa de vidraceiro, óleo desmoldante etc.

A empresa coletora deste material, está estabelecida na cidade de Itaperuçu, região metropolitana de Curitiba.

Segundovisita e entrevista com o proprietário, desde 1996, sua empresa coleta, por mês, cerca de 180 toneladas de óleo vegetal residual que são produzidos em restaurantes, bares, lanchonetes, cadeias de fast food e indústrias alimentícias do Paraná e Santa Catarina. A maior parte (em torno de 130 toneladas) é proveniente de Curitiba.

O óleo é recolhido por caminhões da empresa em tonéis de 100 litros, uma vez por semana em média em cada estabelecimento, as coletas são feitas em horários de não-pico e pré estabelecidos em contrato. É feita aseparação física dos contaminantes do óleo vegetal pós-consumo através de um sistema de filtragem e revende o produto já purificado ou em forma de sabão, para as indústrias de Curitiba , Região Metropolitana e para empresas de São Paulo, que utilizam o óleo vegetal purificado como fonte de matéria prima na fabricação de seus produtos.

Armazenagem

A armazenagem é feita em tonéis no pátio da empresa, onde ficam aguardando até serem enviados ao processo de purificação e filtragem.

Os caminhões coletores, descarregam o produto que passa dos tonéis de recolhimento, para o armazenamento e posteriormente para os reatores, onde começa então o processo de purificação do óleo.

Destinação Final

Após o processo ser completado a empresa armazena o óleoem tonéis o que a partir daí será sua matéria prima na produção de sabões, o restante do óleo purificado é vendido para empresas do estado de São Paulo, como já foi citado anteriormente, que utilizam a matéria prima para a fabricação também de sabões, além de óleo desmoldante e massa de vidraceiros.

Podemos observar com está entrevista que a empresa não tem interesse em atuar na área de biocombustível, uma vez que já encontra um excelente mercado para seu produto, porém colaborou no estudo feito pelo CEFET-PR, disponibilizando o óleo residual já purificado para avaliações técnicas e de viabilidade, na produção do passivo como biodiesel.

Processo de Purificação do Óleo Vegetal Residual

A purificação ou reciclagem do óleo residual de fritura por imersão, pode ser feita em escala industrial e/ou doméstica.

No processo industrial, para grandes quantidades de resíduo, é utilizado atualmente a lavagem a quente, ou seja, o óleo é aquecido junto com água em um reator, o calor vem do vapor de caldeiras, o aquecimento faz com que o óleo se misture mais facilmente com a água, simplificando e agilizando o processo de retirada dos sólidos (sujeira) que estavam presentes no resíduo. Quando a água é retirada, através do processo de decantação, carrega com ela a sujeira deixando o óleo residual limpo e pronto para ser transformado em matéria prima.

A água segue para uma estação de tratamento onde são eliminados os solidos suspensos e sedimentáveis, a água retorna limpa para o inicio do, processo e os solidos passam a ser o lodo da ETE , que pode ser usado como adubo em áreas agrícolas.

Já o processo domésticoou caseiro como é chamado, está destinado a pequenas quantidades do resíduo.

A quantidade de OVR é misturada em mesma proporção com água fria, e deve ser agitado para que a mistura seja perfeita. Após misturado deve-se aguardar de sete a dez dias para que o processo de sedimentação e decantação dos sólidos se complete.

A água e o óleo são separados por filtragem ou por centrifugação, assim o OVR estará limpo podendo ir direto para o motor.

No processo caseiro a água que carrega a sujeira é descartada normalmente no esgoto doméstico que segue para a ETE do município.

Conversão do Motor Diesel para Óleo Vegetal Reciclado Puro

A estratégia utilizada no óleo puro é de que, neste caso o óleo vegetal é aquecido até uma temperatura suficiente para a redução da viscosidade, um ponto ideal que não irá causar nenhum dano ao motor. Este aquecimento se dá através da energia excedente do veículo: a água do radiador. A água circula por uma serpentina até um tanque de combustível instalado separadamente para o óleo vegetal, aquecendo-o a uma temperatura em torno dos 90 graus.

O sistema do óleo vegetal é instalado paralelo ao do diesel, o veículo vai então poder funcionar com os dois tipos de combustíveis. Isto é necessário porque o motor deve ser sempre iniciado em diesel para que ocorra o aquecimento do óleo vegetal (de 5 a 15 minutos dependendo de cada veículo), então o abastecimento é trocado para o óleo vegetal para ser utilizado normalmente. Antes de longas paradas o combustível deve ser novamente trocado para o diesel, para fazer uma lavagem interna do motor. Este procedimento evita que o óleo vegetal esfrie e se torne viscoso, o que pode fazer com que o veículo não funcione na próxima vez.

Apesar de ser novidade no Brasil, os sistemas para utilização do óleo vegetal puro já existem há alguns anos em países como Estados Unidos, Alemanha e Canadá, inclusive a conversão de veículos já se tornou atividade comercial nestes países.

O consumo médio do veículo quando está funcionando com o óleo vegetal é o mesmo do que quando esta com o diesel, porém as vantagens são muitas: redução do ruído, melhor lubrificação interna do motor, redução da fumaceira preta e do cheiro forte característicos do diesel, não aumento do efeito estufa, o óleo não explode e não é tóxico, além de se tratar de um recurso renovável e reciclado, que antes geralmente acabava indo parar nos esgotos.

Kit Conversão para a Transformação do Motor

Para a efetivação do uso do óleo vegetal in natura, ou do óleo vegetal residual puro como combustível, o motor que é preparado para trabalhar com diesel deve sofrer algumas modificações, ou ser usado em um percentual de 15% a 50% misturado com o diesel convencional, para que não haja as referidas adaptações.

Como já vimos o desempenho do motor melhora com o uso do óleo vegetal puro, assim como os níveis de poluição diminuem sensivelmente., como a proposta é a redução da poluição, tanto quando se retira o óleo vegetal residual do meio ambiente, como quando conseguimos reduzir os contaminantes atmosféricos e grandes contribuintes do aquecimento global, foi pesquisado um kit de adaptação aos motores atuais sem grandes custos e que possam ser utilizados por qualquer caminhão ou carro movidos a diesel.

A empresa que nos forneceu dados sobre os kits de adaptações, é a principal fabricante e está no mercado brasileiro a mais de trinta anos, tanto no ramo de adaptações para caminhões como para carros e vans.

Conversão para caminhões

A escolha e a aquisição dotamanho do depósito suplementar ficam a cargo do cliente relativamente à conversão do caminhão, é recomendado uma capacidade mínima de 100 litros para os motores de potência superior a 140 Kw e de 50 litros para os motores de potência inferior.

O kit de dois depósitos para a conversão de um caminhão contém o seguinte pacote de elementos:

-bomba de combustível elétrica

-permutador de placas

-válvula de pressão

-unidade de filtragem do combustível

-relé de carga elevada

-conjunto de tubos

-conjunto de cabos

-conjunto de montagem

-instruções de montagem e utilização

Conversão para Carros e Vans

"Quase todos os carros e vans com motor Diesel podem ser convertidos para rodar a óleo vegetal, independente do tipo de sistema de injeção, inclusive com pré-câmara, injeção direta (TDI), unit-injector (PDI), e common-rail (CDI, HDI, etc)."[4]

O kit de conversão típico para o sistema de um tanque contém as seguintes partes:

-Componentes do injetor

-Velas de aquecimento

-Filtro de combustível adicional

-Bomba de combustível adicional (algumas vezes)

-Trocador de calor de água para pré-aquecer o combustível

-Aquecedor de combustível elétrico/filtro

-Switch de temperatura

-Válvula de interrupção

-Relés e soquetes

-Mangueiras de água e combustível

-Bomba manual de combustível

-Conjunto de cabos

-Manual de instalação

-Manual de Uso

Sistema de Dois Tanques

O sistema dedois tanques possui um tanque de diesel separado para a partida e para aquecer o motor. Basicamente o kit esquenta o óleo vegetal com a água quente do motor diesel. Inicialmente dá-se a partida com Diesel, e depois de quente, passa-se para o óleo

vegetal, através de uma chave no painel.

O kit de conversão de 2-tanques típico contém as seguintes partes:

-Tanque de combustível auxiliar pequeno

-Velas de aquecimento (algumas vezes)

-Filtro de combustível adicional

-Bombas de combustível elétricas

-Trocador de calor de água para pré-aquecer o combustível

-Switch de temperatura

-Switch de troca

-Relés e soquetes

-Mangueiras de água e combustível

-Conjunto de cabos

Resultados e Discussão

Como pôde-se observar, são muitos os benefícios ambientais que podem ser alcançados com a reutilização do OVR.

Quando retiramos o OVR das redes de esgotos estamos economizando água e simplificando o processo para as ETE's, pois é preciso um milhão de litros de água para dissolver um litro de óleo, isso se não contarmos que muito deste resíduo vai direto para rios e solos, onde causam eutrofização e contaminações diversas.

Quanto aos gases que saem de escapamentos veiculares, é possível eliminar até 85% dos poluentes, entre eles o carbono que passa a ser carbono seqüestrante e principalmente a redução da emissão do enxofre, um dos maiores poluentes gerados pelo escapamentos dos motores diesel.
Se os motores voltarem a ser desenvolvidos especificamente para funcionarem com óleo vegetal como por exemplo o motor que está sendo desenvolvidopioneiramente no Brasil pela Audi/Elko, onde um Audi chega a fazer 40 Km com um litro de óleo vegetal, teremos aí o maior poder de convencimento populacional, ou seja, o benefício econômico. Além disso, a educação ambiental, poderá ser trabalhada e desenvolvida com qualquer pessoa, se o poder público, seja ele Federal, Estadual ou Municipal, investir em projetos de recolhimento de OVR residencial, pois estará com certeza, esclarecendo a população o quanto é poluente este resíduo e como pode se tornar um grande aliado ao meio ambiente.

Conclusão

Durante o trabalho de levantamento de dados e entrevistas para este estudo constatou-se alguns fatores legais e financeirosimpeditivos para que o projeto de pesquisa se tornasse um projeto de intervenção, haja visto que esta foi a proposta inicial deste trabalho.

Outro fator, também de grande importância foi a falta de informação à respeito do assunto biocombustível, bem como a falta de interesse por parte dos empresários em apoiar um projeto de intervenção sobre este resíduo, a seguir será detalhado cada um dos fatores que levou-nos a considerar o projeto inviável para a cidade de Curitiba.

Sobre o aspecto legal percebemos que atualmente a fiscalização ambiental no Paraná, é bastante intensa e atuante, portanto quando chegamos ao estabelecimento comercial com a proposta de utilização do seu próprio resíduo como biocombustível, sentimos a resistência dos empresários, uma vez que, se já estão trabalhando dentro do que a legislação ambiental exige , não tem motivos para a mudança do processo, ou seja se estão legalmente corretos, não podem ou não devem arriscar a receber advertência e multas da fiscalização ambiental.

Como não fomos recebidos pela diretoria da empresa geradora do OVR e sim pela responsável pelo gerenciamento de resíduos, observou-se que a mudança no processo não é bem vinda e que a falta de informação sobre projetos acadêmicos de intervenção impediu-nos de detalhar melhor a proposta, sendo que projetos deste tipo tem aparo legal onde a empresa não estaria infringindo a lei e sim colaborando na pesquisa de destinação final adequada ao resíduo gerado pelo próprio estabelecimento.

Já no aspecto econômico a resistência encontrada foi verificado junto a empresa coletora desse passivo.

Como já foi citado anteriormente a empresa éúnica, em Curitiba e região metropolitana, que possui licença ambiental para o recolhimento e tratamento deste resíduo.

A empresa usa parte do resíduo, após sua purificação, na produção de sabões o que passa a ser sua moeda de troca, ou seja faz o recolhimento do óleo residual nos estabelecimentos e em troca entrega o sabão biodegradável de sua própria produção. O restante do sabão produzido é vendido comercialmente, e a parte do óleo purificado que não é utilizado pela empresa em sua própria produção, é vendido como matéria prima para outras indústrias.

Além disso o dono da empresa não tem interesse no mercado de biocombustível até o momento, pois já tem mercado certo para o óleo purificado que é vendido para empresas da grande São Paulo que fabricam: sabões, massa de vidraceiro e óleo desmoldante, este fato não impediu que esta mesma empresa colaborasse com o projeto de pesquisa de biodiesel, mostrando com isso que não é economicamente viável para eles nesse momento, mas estão dispostos a ajudar em pesquisas que de alguma forma colaborem com a preservação do meio ambiente.

Esses foram os aspectos que nos levaram a acreditar na inviabilidade de intervenção do projeto para a cidade de Curitiba.

A inviabilidade de intervenção fica restrita a Curitiba, centro onde pesquisamos e coletamos os dados, o que não impede a continuidade da mesma na região metropolitana ou em outros centros.

Na UFRJ, por exemplo, existem estudos relativos a produção de biodiesel a partir da graxa retirada das caixas de gorduras de estações de tratamento de esgoto,o projeto é recente, mas mostra a preocupação dos técnicos com o passivo depositado na estação, uma vez que não pode ser utilizado nem como ração animal e nem como adubo.

A região metropolitana de Curitiba , bem como a própria capital, está desenvolvendo um projeto para recolhimento e armazenamento do óleo residual gerado em residências e condomínios,com isso abre a possibilidade para intervenção de futuros projetos acadêmicos que proponham ou pesquisem o melhor destino final para este resíduo.

Também na UFRJ, é desenvolvido um projeto de produção de biodiesel a partir de óleo residual de fritura por imersão, desde 2003 e conta como apoio de mais de nove empresas privadas, além do apoio da Petrobrás e do Governo Federal. Esse projeto utiliza o processo de transesterificação do óleo vegetal, mas é o começo para que esse ou outros projetos utilizem o óleo vegetal residual apenas purificado como combustível para motores agrícolas, motores estacionários, geradores, máquinas agrícolas, ou qualquer outro tipo de motor atualmente movido a diesel, já que verificamos que as modificações nestes motores são pequenas e perfeitamente viáveis.

O Brasil possui hoje 32 usinas de biodiesel licenciadas e em funcionamento e apenas uma (no Rio Grande do Sul), que atua com a reciclagem do OVR para produção de biodiesel. Existem dois estudos a respeito da utilização do óleo residual sem sofrer o processo de transesterificação, um no RS e outro no PR , onde em fevereiro de 2007 foi homologado o primeiro carro movido a OVR do Brasil, liberado para rodar pelo DETRAN,portanto além dos dados pesquisados e da conclusão de inviabilidade do projeto, fica o desejo de que o Paraná possa ser pioneiro na utilização de um resíduo como biocombustível, beneficiando com isso principalmente o meio ambiente reduzindo drasticamente as emissões de gases poluentes na atmosfera e evitando a contaminação de solo e dos poucos recursos hídricos que nos restam.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] BRASIL, Lei n. 11097 de 13 de janeiro de 2005. Dispõe sobre a introdução do biodiesel na matriz energética brasileira. Casa Civil, subchefia para assuntos jurídicos, 13 de janeiro de 2005.

[2] COSTA NETO, P. R. Produção de Biocombustível Alternativo ao Óleo Diesel Através da Transesterificação de Óleo de Soja Usado em Frituras. Curitiba, 1999; 114 p.Dissertação (Mestrado em Química) - Departamento de Tecnologia Química, Universidade Federal do Paraná.

[3] COSTA NETO, P. R.; FREITAS, R. J. S.; Boletim CEPPA 1996; 14 p, 163 f.

[4] Elsbett Brasil –Motores Elsbett Brasil; Conversão de Motores. Disponível em:

http://www.elsbett.com/tecnologiadeconversaoelsbett/questoesfundamentais.htm. Acesso em: 11 de maio de 2007

[5] FENDEL TECNOLOGIA, Projeto de Desenvolvimento dos Óleos Vegetais como Combustível Motor. Disponível em: http://www.fendel.com.br/combustivel Acesso em 28 de julho de 2006.

[6] Gerhard, K. et.al., Manual de biodiesel; São Paulo, SP, 2006; 18 p.

[7] História do Biodiesel, disponível em: http://www.biodiesel.gov.br/historia Acesso em 25 de setembro de 2006.

[8] LIMA, J. R.; GONÇALVES, L. A. C. In: Anais do Simpósio sobre Qualidade Tecnológica e Nutricional de Óleos e Processos de Frituras; Sociedade Brasileira de Óleos e Gorduras; São Paulo, SP, 2004; 16 p

[9] Motor Injeção Indireta, disponível em: http://www.br.com.br/portalbr Acesso em 24 de junho de 2007.

[10]Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel, disponível em:

http://www.biodiesel.gov.br/programa.html acesso em 25 de setembro de 2006.

[11] Zagonel, G.; Costa Neto, P. R.; Ramos, L. P.; In: Anais do Congresso Brasileiro de Soja; Centro Nacional de Pesquisa de Soja; Empresa Nacional de Pesquisa Agropecuária; Londrina, PR, 17 a 20 de maio, 1999; 342p.

5 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023. Informação e documentação: referências – elaboração. Rio de Janeiro: ABNT, ago,2002

2. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. 2004 - NBR 10.004 resíduos sólidos Classificação. Rio de Janeiro, Brasil

3. Ambiental Santos; Empresa. Disponível em: www.ambientalsantos.com.br. Acesso em 28 de outubro de 2006

4. Laurindo, J. C.; In: Anais do Congresso Internacional de Biocombustíveis Líquidos; Instituto de Tecnologia do Paraná; Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior; Curitiba, PR, 19 a 22 de julho, 1998; 22p.

5. Ministério da Indústria e do Comércio, MIC; Produção de Combustíveis Líquidos a Partir de Óleos Vegetais; Secretaria de Tecnologia Industrial; Coordenadoria de Informações Tecnológicas; Brasília, DF,1985.

6. PESSUTI, O. A Biomassa Paranaense e Sustentabilidade de Novos Sistemas Produtivos. In: SEMINÁRIO PARANAENSE DE BIODIESEL, 1., 2003, Londrina. Anais eletrônicos.Disponível em: http://www.tecpar.br/cerbio/Seminario-palestras.htm> Acesso em: 02 de agosto de 2006

7. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO E JANEIRO; O Biodiesel na Matriz Energética Brasileira. Disponível em: www.gee.ie.ufrj.br/publicacoes/pdf . Acesso em: 18 de outubro de 2006

8. UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ. Sistema de Bibliotecas, Normas para Apresentação de Documentos Científicos. Curitiba: Ed da UFPR, 2001,2 v. Teses, Dissertações, Monografias e Trabalhos Acadêmicos.

9. UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ. Sistema de Bibliotecas, Normas para Apresentação de Documentos Científicos. Curitiba: Ed da UFPR, 2001,6 v. Referências.

10. UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ. Sistema de Bibliotecas, Normas para Apresentação de Documentos Científicos. Curitiba: Ed da UFPR, 2001,7 v. Citações e Notas de Rodapé.

11. UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ. Sistema de Bibliotecas, Normas para Apresentação de Documentos Científicos. Curitiba: Ed da UFPR, 2001,8 v. Redação e Editoração.


Autor: Heloisa Barbosa


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