A Líbia de Kadafi e os Rebeldes da ONU



A Líbia de Kadafi e os Rebeldes da ONU

Ivan Santiago Silva *
A Líbia é um produto de conseqüências impositivas, desde sempre. Seja através do imperialismo, seja através da ditadura de Kadafi, seja através dos embargos, atritos e complicações no plano internacional : este país árabe, ao norte da África, está condenado a ocidentalização.
Contudo, a maioria árabe sabe destes fatos e não os reconhecem. O povo árabe no geral é fiel aos seus princípios, sua religião e cultura, por isso, as vezes defende pessoas da estirpe de Kadafi.
Kadafi, eterno elemento complicador do mundo (para os ocidentais), assim como Saddam, Fidel dentre outros ditadores "ilustres", se é que nasceu algum com este adjetivo. O ditador líbio repudiou os Estados Unidos e Europa em décadas passadas e agora, em 2011, estes pretendem riscá-lo do mapa.
O Conselho de Segurança da ONU possui poder para isso. De onde vem o poder do CS ONU? Dos céus ? O que a França representa para o mundo de hoje ? Se não pela sua bela capital e história, deve se aposentar como potência militar, se é que ainda não percebeu que o século XXI concebeu um mundo multipolar, onde a dona de Paris, não é um dos pólos.
O mundo mudou. Kadafi, os Estados Unidos e a França não perceberam ou fingem-se de desentendidos. Ao concederem apoio aos rebeldes contra o ditador Kadafi, os Estados Unidos apoiados pela França, promoverão um caos ainda maior, se não causarem uma guerra civil ou internacional sem proporções. Em um evento passado, os Estados Unidos apoiaram a Aliança do Norte contra os Talebans no Afeganistão, por isso o Afeganistão se transformou em um mar de rosas que é hoje ...
Somente para abrir um parêntese e constar : em um grande país da América Latina, foi eleita recentemente uma mulher, que lutou contra a ditadura através de armas e durante a campanha eleitoral surgiram questionamentos sobre a idoneidade moral de tal candidata em função disso. Na relação rebeldes contra Kadafi, a mídia não questiona a idoneidade dos rebeldes e Obama autorizou o apoio a estes mesmos rebeldes quando estava ao lado desta presidenta ! Fantástico ! mas não passa no Fantástico.
Particularmente sou a favor da democracia, por crer que este modelo gera menos distorções. Kadafi deve promover a abertura política, contudo cabe ao povo líbio determinar, quando, como e por onde começar. Se Kadafi sair e quiser se candidatar, o problema é dele, da Líbia e do povo Líbio, não dos Estados Unidos e França. Estas intervenções brutais para destituir os brutos geram uma brutalidade sem tamanho. Chega.

Ivan Santiago Silva é geógrafo e autor do Livro Brasil : Imperialismo e Integração na América Latina.

Autor: Ivan Santiago Silva


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