ESCOLA E FAMÍLIA: PARCERIA QUE ALICERÇA O APRENDIZADO DA CRIANÇA



Sumário

1 Marco histórico da leitura e da escrita.
1.1 A invenção e evolução da escrita e da leitura.........................................4
1.1.1 Definição de Leitura e escrita..................................................................6
1.1.2 O desenvolvimento histórico da leitura e da escrita................................8
1.1.3 Os métodos tradicionais na aquisição da leitura e da escrita...............14

1.2 Conceito de alfabetização.
1.2.1 Alfabetização - alicerce do aprendizado..............................................18

1.3 O diagnóstico na alfabetização.
1.3.1 A importância do diagnostico na alfabetização.....................................20

1.4 As teorias de Jean Piaget e de Lev S. Vygotsky no desenvolvimento da criança.
1.4.1 As contribuições das teorias de Jean Piaget e de Vygotsky para entender o desenvolvimento da criança...............................................22

2 A influência do ambiente no processo de desenvolvimento da leitura e da escrita.
2.2 Fatores que interferem no aprendizado da leitura e da escrita...........25
2.2.1 A influência do ambiente familiar no desenvolvimento da leitura e da escrita........................................................................................................................27
2.2.2 A colaboração dos pais na aprendizagem da leitura e da escrita..............................................................................................................30
2.2.3 Um ambiente escolar favorável para o desenvolvimento da leitura e da escrita.............................................................................................................32
2.2.4 A qualidade do material didático no processo de aprimoração das habilidades de leitura e de escrita........................................................................33
2.2.5 A influência do espaço físico da sala de aula...................................35
2.2.6 A contribuição do professor no sucesso do aprendizado.................37
2.2.7 A importância da parceria família e escola no desenvolvimento da leitura e da escrita................................................................................................39
Referências......................................................................................................43









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1 Marco histórico da leitura e da escrita
1.1 A invenção e evolução da escrita e da leitura.

Paulo Freire falava que "A leitura do mundo precede a leitura da palavra". Essa frase realiza uma mediação entre a leitura e a escrita, ela nos possibilita entender que o indivíduo leitor faz uma significação da leitura de mundo produzindo uma linguagem lingüística surgindo à linguagem da escrita a partir da língua oral.
Segundo Sylvain Auroux (aput ZACHARIAS)




Na antiguidade já era utilizado o ensino do alfabeto na Grécia dando origem a palavra alfabetizar que ficou durante séculos sendo vinculada ao sistema de sinais que compõem o código da escrita.
Com os avanços, a escrita suméria chegou ao povo egípcio, criando os hieróglifos compostos por 24 sinais para as consoantes. A comunicação entre os povos do Mediterrâneo com o Egito e a Mesopotâmia utilizando um alfabeto formado por 22 sinais, no qual cada sinal representava uma consoante dá oportunidade por volta de 900 a.C. que os fenícios levassem esse sistema de escrita aos gregos da Jônia (ZACHARIAS, 2005).
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Os povos egípcios, hebreus e fenícios, entre outros contribuíram para a evolução da escrita, mas foram os gregos que criaram o alfabeto que utilizamos hoje que é composto por 23 letras.
Em fins do século XII as escolas deixaram de ser oferecidas só para preparar os sacerdotes para igrejas ou instruir indivíduos para formar o corpo de funcionário do Império e chega para os nobres que queriam ler e escrever. Por isso, a igreja teve uma grande influência na expansão da leitura e da escrita porque para se ter acesso as sagradas escrituras era preciso saber ler.
A partir dos séculos XV e XVI com a invenção da imprensa por Gutenberg e a Reforma Protestante iniciada por Martinho Lutero foi favorecido o acesso aos livros, ainda que só para os nobres e burgueses que aprendiam a ler e escrever em suas casas com suas famílias para mais tarde prosseguirem para as faculdades que ficavam no norte e no sul do país ou iam para a Europa (ZACHARIAS, 2005).
Toda essa evolução da escrita e da leitura consagrou uma nova relação entre as pessoas, porque as condições ficaram mais propícias para que os indivíduos redigissem em papeis os seus sonhos, as suas visões de mundo, sua cultura e sentimentos; com isso, seus aprendizados (vivências) poderiam chegar a outros povos e principalmente em outros tempos sem que o autor estivesse presente para contar oralmente as suas experiências.



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1.1.1 Definição de Leitura e escrita

Segundo o dicionário Aurélio (2001) LER: "é percorrer com a vista o que está escrito, proferindo ou não as palavras, mas conhecendo-as e interpretando-as". Quando o indivíduo começa a se apropriar do código da leitura ele passa a identificar símbolos, transmitindo para o conceito intelectual. O processo mental não é só a compreensão das idéias, mas a sua interpretação, esses dois processos de identificação e transmissão devem andar juntos.
Para que a leitura aconteça é necessário que os olhos percorram os símbolos e a cada pausa sejam memorizadas as letras e por conseqüente as palavras combinando os sons para o armazenamento mental.
Portanto, ler não é simplesmente decodificar os símbolos (letras), mas entende - lá e interpreta ? lá.
A escrita é a representação das idéias por meio de sinais, ela surgiu nos tempos dos homens das cavernas que utilizavam dos desenhos feitos com pedras para transmitir suas mensagens.
"Tradicionalmente, a escrita é definida como um código gráfico de transcrição dos sons e fala" (TEBEROSKY, 2003). Sendo assim, o indivíduo só teria a missão de transportar para o papel aquilo que já estava estabelecido pelos sons.
Recentemente é que os lingüistas contrapuseram ao tradicionalismo afirmando que a escrita é um sistema de representação da linguagem. Com isso,

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esse sistema de representação consiste em apropriar de objeto de conhecimento simbólico.
Por tanto, a leitura e a escrita não devem ser compreendida separadamente uma necessita da outra para se desenvolver já que leitura é a identificação do escrito e escrita é a transcrição do som.
No livro A Psicogênese da língua escrita ? 1991 as autores Emilia Ferreiro e Ana Teberosky dizem que no processo de leitura é bom diferenciar leitura de decifrado para elas nesse processo existem dois tipos de informação que são utilizadas: Uma é a informação visual e a outra é a não visual. A informação visual é a organização dos símbolos ? letras, e a informação não visual é aquele conhecimento que o leitor tem sobre o assunto que está lendo.
As autoras apontam (ibidem) que devemos deixar as crianças escreverem ainda que seja com seu próprio sistema diferente do nosso sistema alfabético, não para criar o seu próprio sistema, mas para que eles percebem a diferença da sua hipótese com a nossa e ele mesmo vá encontrando as razões e as diferenças. Esse processo de construção de hipótese proporcionará a criança um desenvolvimento intelectual percebendo que ler e escrever são dois processos distintos, mas inseparáveis, a leitura seleciona informações na língua escrita construindo a sua significação e escrita é relacionada com a fala.
Sendo assim, ler não é só falar o que está escrito e escrever não é transcrever de um modelo externo fazendo a cópia.

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1.1.2 O desenvolvimento histórico da leitura e da escrita

No ano de 1974 a UNESCO ? Organização das Nações Unidas para a Educação Ciências e Cultura apresenta a situação educacional na América Latina e mostra que 20% da população em 1970 estavam fora da escola entre os 7 e 12 anos de idade, 53% chegavam até a 4ª série, ou seja, muitos que ingressavam no primeiro grau acabavam por abandonar seus estudos e dois terço dos repetentes estavam localizados nos primeiros anos escolares.
Esses dados confirmavam um problema no sistema educacional que não podia passar despercebido pelo poder governamental, surgia à necessidade de uma intervenção no número alarmante de analfabetos ou de situação de fraco aprendizado.
Por isso, em 1977 mais uma vez a UNESCO toma uma decisão que fui publicada pelo jornal LE Monde, de Paris, em 7 de setembro de 1977, afirmando que em 8 de setembro do mesmo ano, dia internacional da alfabetização seria realizada uma ação para combater o analfabetismo que já atingia 800 milhões de pessoas; o artigo do jornal também informava que a alfabetização deveria fazer parte do programa de desenvolvimento nacional, gastando-se menos com avião de guerra e investindo-se mais nas equipes de alfabetizadores; isso revelava que o problema do analfabetismo não era financeiro. (FERREIRO e TEBEROSKY, 1991)

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Muitos fatores contribuíram para esse problema na educação, como: condições sociais, econômicas, ou geográficas; todo o fracasso escolar acontecia nas primeiras séries pelo fato da criança se ausentar da escola por longos períodos, as condições climáticas, a necessidade que muitos pais tinham de utilizar seus filhos em tarefas produtivas.
Essas publicações colocaram em auge a preocupação com a alfabetização de crianças para prevenir que as mesmas se tornassem os futuros analfabetos.
A tarefa de alfabetizar passa a ser de responsabilidade dos estados que devem oferecê-la baseado na constituição de 1948 no artigo 26 que declara o direito a educação: "Todo indivíduo tem direito à educação. A educação deve ser gratuita, ao menos no que se refere ao ensino elementar e fundamental. O ensino elementar é obrigatório" (FERREIRO, 1991, p.17)
A legislação educacional brasileira de 1961 estabelecia quatro anos de escolaridade obrigatórios; com acordo de Punta Del Este e Santiago, de 1970, estendeu-se para seis anos; a lei de número 5.692/1971 determinou a extensão para oito anos; já a lei de número 9.394/1996 sinalizou para um ensino de nove anos. A evolução do período de permanência das crianças nas escolas passando de quatro anos para nove anos contribuirá para que as crianças freqüentem o ambiente escolar mais cedo e isso facilitará o seu aprendizado.


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O sistema nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2003 demonstra que as crianças com experiências na pré-escola tiveram um maior desempenho na leitura. (MINISTERIO DA EDUCAÇÂO, 2006)
Para contribuir com o entendimento do desenvolvimento da inteligência, por volta do século XVIII os pesquisadores Wallon, Vygotsky e Piaget apresentam estudos que relatam o processo de aquisição da lecto-escrita e do desenvolvimento da leitura e os fatores que contribuem para todo esse processo.
Wallon (1879-1962) baseou seus estudos do desenvolvimento infantil contemplando a afetividade, a motricidade e a inteligência.
Para Wallon (aput FELIPE, 2001) "O desenvolvimento da inteligência depende das experiências oferecidas pelo meio e do grau de apropriação que o sujeito faz delas".
O autor afirma a influência de pessoas, aspectos físicos do espaço, a linguagem e a cultura no desenvolvimento da criança. Por isso, ele classifica por estágio o desenvolvimento infantil: Estágio Impulsivo-emocional (1º ano de vida), estágio Sensório-motor (um a três anos), Personalismo (três aos seis anos) e o estágio Categorial.
No estágio Impulsivo-emocional predomina as relações emocionais com o ambiente; o estágio Sensório-motor é caracterizado por uma intensa exploração do mundo físico predominando as relações com o maior; a construção da consciência de si influenciada pela interação social são características do estágio Personalismo;


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o estágio Categorial demonstra o interesse da criança pelo conhecimento e pela conquista do mundo externo causado pelo progresso intelectual (FELIPE, 2001)
Vygotsky (1896 ? 1934) através dos seus estudos comprovou que o desenvolvimento do indivíduo se organiza com a interação social entre as pessoas dentro de um contexto histórico e a relação com o mundo. Ele observa o progresso da criança e classifica por nível. O nível de desenvolvimento Real que se refere às etapas já alcançadas pela criança, ou seja, as coisas que as crianças já sabem fazer sozinhas. Já o nível de desenvolvimento potencial diz respeito à capacidade de desempenhar tarefas com o auxílio de outras pessoas. (FELIPE, 2001)
Nos anos de (1896 ? 1980) Jean Piaget direcionou sua teoria a partir dos estágios Sensório-motor, Pré-operacional, Operacional concreto e Operacional abstrato. O estágio Sensório-motor tem as características de atividades físicas que são direcionadas a objetos e situações externas na qual a criança de zero a dois anos aproximadamente tem muita dificuldade de estabelecer relação com o outro. Enquanto que no estágio Pré-operacional (por volta dos dois aos seis ? sete anos) a criança já resolve operações lógico-matemáticas e classifica objetos por cor, tamanho, já organiza objetos do menor para o maior, diferencia formas etc. Nos estágios Operacional concreto (dos sete aos 11 anos) e o Operacional abstrato (12 anos em diante) a criança desenvolve a capacidade de pensar concretamente a respeito do mundo que vive. (FELIPE, 2001)

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As pesquisas realizadas pelos autores Piaget, Wallon e Vygotsky mostraram que o processo de desenvolvimento de uma criança está relacionado
com a perspectiva Sociointeracionista, que é ilustrada pela capacidade que as crianças têm de conhecer e aprender construída a partir das torças estabelecidos entre o sujeito e meio social onde ele está inserido.
A construção da pesquisa de Piaget durou mais de 50 anos e mesmo não tendo direcionado suas pesquisas para o âmbito da educação, a sua teoria foi adotada por muitos educadores e principalmente serviu como base para outros pesquisadores como Emilia Ferreiro que declarou que nas suas apresentações e publicações a teoria de Piaget foi a principal fonte de inspiração para as pesquisas sobre leitura e escrita. A autora desloca a atenção sobre as questões da alfabetização que antes tinha uma preocupação de só saber "como se deve ensinar a ler e escrever?" e começa a caminhar investigando não mais o "como se ensina", mas o "como se aprende".
Com suas investigações Emilia Ferreiro proporcionou uma nova pedagogia baseada na compreensão do papel dos envolvidos no processo de alfabetização e mostra como a criança constrói diferentes hipóteses acerca do sistema de escrita. Para acompanhar a evolução do aprendizado de uma criança ela cria os níveis de evolução de criança denominada de Pré-silábico I, Silábico I, Silábico, Silábico-alfabético e Alfabético.


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Em cada nível ela estabelece características que demonstram o avanço na escrita da criança. No nível I que é o Pré-silábico a criança escreve por meio de garatujas, desenhos sem figuração; o nível II ? Silábico I a crianças chega à fase de conflitos ela já conhece alguns valores sonoros e começa a escrever de acordo com
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as iniciais e o som final das palavras; chegando ao nível III que é o Silábico a criança se sente confiante por descobrir que pode escrever com uma lógica ela utiliza dos "pedaços sonoros" que são as sílabas e registra uma letra para cada pedaço; com o nível IV a criança está na fase do Silábico-alfabético ela escreve utilizando várias vogais saindo da hipótese silábica e passando a perceber a quantidade de grafias para cada palavra, com isso, ela já está se encaminhando para o próximo nível onde percebe a diferença sonora das letras, a compreensão do alfabeto, distinguindo sílaba, palavras e frases, mesmo não dividindo as frases convencionalmente chegando ao nível V que é o nível Alfabético. (FERREIRO e TEBEROSKY, 1991)
Até 1940 eram considerados alfabetizados as pessoas que sabiam ler e escrever, isso baseado no censo demográfico. A partir de 1950 até censo de 2000 as características para definir se uma pessoa era alfabetizada mudaram, para chegar a essa definição o indivíduo não é avaliado simplesmente se sabe ler e escrever, mas se ele sabe utilizar desse aprendizado no seu dia-a-dia, ou seja, ele é capaz de colocar em prática aquilo que aprendeu na escola como escrever e ler um bilhete simples. Essa mudança fez com que o conceito de alfabetização mudasse
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passando a envolver o uso da leitura e escrita inserida numa prática social. (GOMES e ALBUQUERQUE, 2007)
Esse novo conceito é denominado de Letramento que é uma versão da palavra literacy, da língua inglesa que significa o estado ou a condição que assume aquele que aprende a ler e escrever.
No Brasil temos Magna Soares entre outros autores que se dedicaram em Alfabetização e letramento, a autora aponta:




O termo alfabetização e letramento não vieram para serem utilizados separadamente eles deve caminhar juntos um completando o outro, alfabetização com o papel de proporcionar a aquisição da escrita enquanto aprendizagem de habilidades para a leitura e as práticas de linguagem letramento vem completar as práticas que o indivíduo adquire fazendo com que ele usufrua no ambiente social.

1.1.3 O método tradicional na aquisição da leitura e da escrita.



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A pedagogia tradicional contribuiu para o bem ou para o mal no desenvolvimento da leitura e da escrita?
"Tradicionalmente, conforme uma perspectiva pedagógica, o problema da aprendizagem da leitura e da escrita tem sido exposto como uma questão de método" (FERREIRO e TEBEROSKY 1991, p.18).
Com isso, surgem questionamentos a respeito do método mais eficaz, levantando assim, uma polêmica em torno do dos métodos Sintético e o método Analítico.
A abordagem Sintética é o método mais antigo e era apropriado para aquela sociedade que na época tinha a preocupação só da mecânica, através da memorização repetitiva das letras, mesmo porque os textos eram utilizados sem pontuação, as palavras eram escritas praticamente unidas e a ortografia não era utilizada porque não tinha sido normalizada. (ZACHARIAS, 2005)
Autores de metodologias dessa época chegaram a sugerir que o método de soletração fosse retirado e que utilizasse a leitura e escrita por sílabas, no século XIX o método foi dividido em: Alfabético no qual os alunos deveriam aprender as letras para ir juntando, o Fonético ou Fônico partindo do som das letras, unindo o som da consoante com o som da vogal e no Silábico o ensino parte das sílabas formando as palavras. Essa tendência era processada por meio da decodificação.
A concepção de método Sintético é baseada em partes menores que palavras, por exemplo, "B" ou "BA" e isso corresponde ao oral e ao escrito, entre o

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som e a grafia. O método Sintético tem outro ponto chave ele sai das partes menores que são as letras para as partes maiores que são as palavras.
Segundo Fernando Capovilla (aput ALBANESE, 2006).



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O método Analítico começou a ser utilizado no Brasil no final do século XIX por influência dos europeus e dos americanos que já desenvolviam esse tipo de abordagem desde o século XVII, mas só teve força mesmo no início do século XX, com Decroly.
Dessa tendência começa a se utilizar a palavração que foi criado em 1843 por Kramer e Vogel, apropriando de atividades partindo de palavras que tenham um significado, podendo ser retiradas de histórias, conversa, cantigas, desenhos. Com isso, surge a idéia das palavras virem associadas a gravuras sendo assim, as cartilhas são elaboradas com ilustrações já que no método o reconhecimento das palavras ou orações tem uma visão global. Nessa época o aprendizado dos alunos passa a ser influenciado pela psicologia.



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No século XX a educadora Margarida Mccloskey, se apropria de materiais didáticos com contos tendo como objetivo desenvolver no aluno a capacidade de
compreensão, habilidade para seqüenciar idéias, relacioná-las entre si e memorizá-los. Desse modo, o processo de alfabetização passa a ter mais significado, o aluno passa a fazer análise das palavras e não mais só copiam ou memorizam.
Toda essa evolução do método Sintético para o método Analítico despertou em autores a idéia de que ler é mais importante do que decifrar as palavras, pra eles o que importava era o sentido da palavra e não o som. (ZACHARIAS, 2005)
Em 1920 os defensores do método Sintético e os do método Analítico provocaram debates para verificar qual seria o mais adequado, tentaram estabelecer o uso obrigatório do método Analítico. Por causa dessas discussões ficou determinada a liberdade para escolas escolherem qual o método que iria adotar para o ensino da leitura e da escrita; surgindo assim o método Analítico-sintético.
O chamado método Analítico-sintético apropriou-se das características dos dois métodos, utilizando do método Analítico a análise e a síntese do método Sintético e cria as suas características partindo do todo, mas que segue o som, sílabas, frases e palavras.
Todas essas abordagens viam as crianças como um ser que só servia para depositar os sons, as letras, as sílabas como se fosse uma gaveta para guardar objetos, chegando a ser chamada por Paulo Freire de "Educação bancária". Com

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isso, deixavam de lado as capacidades cognoscitivas e colocava todo o aprendizado das crianças nas habilidades perceptivas. (ZACHARIAS, 2005)

1.2 Conceito de Alfabetização
1.2 Alfabetização - alicerce do aprendizado

Alfabetização é o processo de ensinar a ler e a escrever é a etapa que todas as crianças devem passar para adquirir conceitos de sons e grafias, se tornando um indivíduo capaz de ler e escrever. Isso é o conceito da palavra Alfabetização. (DICIONÁRIO AURÉLLIO, 2001)
Esse modelo escolar de alfabetização emergiu em 1789 na França após a Revolução francesa. Até então, ler era uma atividade separada de escrever primeiro se aprendia a ler e depois a escrever.
Hoje o conceito de alfabetização continua tendo a mesma definição o que se renovou foi a interpretação, para muitos educadores a alfabetização é um ciclo que proporciona o desenvolvimento da leitura e da escrita ao ser humano.
Os adultos não estão alfabetizados por completo eles sempre terão contato com textos que ainda não tem o domínio.
Ser alfabetizado vai muito além de saber juntas as letras para formar sílabas e logo depois palavras e frases chegando aos textos.

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Mesmo porque se levarmos em consideração o censo de (2000) as pessoas que não fazem exercício da leitura e da escrita na sua prática como cidadão são consideradas analfabetas. Essas pessoas são classificadas de analfabetos funcionais.
A construção do aprendizado por meio da alfabetização é tão importante para toda a vida escolar de um aluno que a fase de alfabetização passa a ser a base essencial para o desenvolvimento da criança. Por isso, ela deve ser construída com um alicerce bem sólido permitindo que a criança avance tendo um aprendizado significativo.
Para a progressão da criança o início do aprendizado nas escolas deve ser baseado em procedimentos metodológicos capazes de proporcionar a evolução gradativamente permitindo que a mesma fique em contato materiais lúdicos ricos em escritos. E que os alfabetizadores tenham a consciência da sua importância no processo de aprendizagem dos seus alunos, entendendo que outros fatores estão presentes nessa tarefa de alfabetizar.
Antônio Augusto Gomes Batista, diretor do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita da Universidade Federal de Minas Gerais diz que "um fator determinante para a alfabetização é a crença do professor de que o aluno pode aprender independente de sua condição social". (CAVALCANTE, 2006)
As crianças que tem uma alfabetização alicerçada por materiais didáticos propícios, contato com vários tipos de textos como folhetos informativos, jornais, revistas, rótulos etc.; espaço físico da escola adequado, professores preparados e
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conhecedores do processo de aquisição da leitura e da escrita; conseqüentemente terrão um aprendizado verdadeiro tornando-o personagem principal do seu próprio aprendizado e passando a fazer uso das habilidades de leitura e da escrita com certeza ele não será mais um analfabeto da nossa sociedade.

1.3 O diagnóstico na Alfabetização
1.3.1 A importância do diagnostico na alfabetização.

As pesquisas de Emilia Ferreiro e seus colaboradores contribuíram para que muitos educadores entendessem como ocorre o processo de aquisição e evolução da leitura e da escrita, identificando em qual nível de desenvolvimento o seu aluno está.
Um alfabetizador deve conhecer as etapas que sua turma está e para isso ele deve realizar de acordo com Ferreiro (1991) os testes de sondagem, diagnosticando as dificuldades e os avanços dos seus alunos, para poder realizar um planejamento adequado para cada nível.
Esse tipo de "avaliação" favorece tanto o trabalho do educador quanto o aprendizado dos educandos que serão observados diariamente durante todas as atividades realizadas em classe e principalmente nos exercícios de extraclasse, porque os professores terão a oportunidade de verificar se os estudantes estão tendo um acompanhamento em casa pela família.
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No livro Psicogênese da língua escrita, de Ferreiro e Teberosky (1991) são apresentados os níveis de desenvolvimento nomeados de nível I, II, III, IV, V,
esses níveis são identificados pelos professores quando ditam palavras polissílaba, trissílaba, dissílaba e monossílaba, para cada aluno separadamente e de preferência que o primeiro teste seja aplicado no início do ano letivo e repetido no mínimo a cada três meses. Testes dessa categoria devem ser avisados aos alunos antecipadamente tão quanto o tema das palavras a serem utilizados durante o teste que poderão ser de acordo com nomes de animais, frutas, lanche, brinquedos.
Ao realizar o teste (diagnóstico) o educador não deve falar as palavras para o aluno marcando o som das sílabas tipo MA ?CA ?CO, com isso possibilitará que a criança reflita sobre a escrita sem a interferência do professor. Fazendo suas hipóteses.
Dentre as conclusões das pesquisas de Ferreiro a elaboração de hipóteses feitas por crianças ainda bem cedo sobre o modo de grafar as palavras teve um grande relevância.
Na criação de hipótese não é levado em consideração se a palavra está escrita corretamente com as normas da ortografia, mas sim, que o desenvolvimento da criança durante a escrita tem uma significação ela está fazendo análise da maneira de como se escreve determinada palavras tendo como base o sistema alfabético.
As hipóteses do aprendiz devem ser levadas em consideração principalmente pelos educadores que estão envolvidos no processo de
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alfabetização. "Os professores precisam reconhecer que as hipóteses das crianças têm sua lógica" (ABAURRE, 2005)
A importância desse tipo de teste é que os estudantes não são mais submetidos a avaliações com as tradicionais provas; ele permitirá que os professores façam registros para acompanhar a evolução do aprendizado de cada aluno na escrita e na leitura. Através destes testes e com os registros o alfabetizador terá a oportunidade de aplicar atividades de acordo com cada grau de desenvolvimento.

1.4 As teorias de Jean Piaget
1.4.1 As contribuições das teorias de Jean Piaget e de Vygotsky para entender o desenvolvimento da criança.

Como já foi dito os estudos de Piaget e Vygotsky não foram direcionados para a educação, a teoria Piagetiana tinha o principal interesse de entender o desenvolvimento das estruturas lógicas, fazer uma reflexão sobre o processo de aquisição do conhecimento e não para entender como a criança se desenvolvia na lecto-escrita. (FERREIRO, 1991)
Ferreiro (1991) faz uma comparação da importância de Piaget para e educação com a de Freud para a Psicanálise, ela aponta que:

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Com os estudos de Jean Piaget surgiu a idéia de que a criança reconstrói o seu conhecimento, ela não nasce pura de saberes. As suas pesquisas tinham um caráter construtivo, ou seja, a construção realizada pelo sujeito.
Essas pesquisas trouxeram para o atual sistema educacional o Construtivismo que não é um método, ele é uma forma de reorganizar a educação, acreditando que o conhecimento do indivíduo é formulado por si mesmo e não oferecido por alguém.
O Construtivismo aparece contrapondo o método Fônico aquele que sua ênfase estava em ensinar as crianças as tarefas de repetição para se chegar a memorização; no Construtivismo a famosa cartilha que tinha sua organização dividida em letras, sílabas, palavras, frases e textos, não tem tanto valor ou valor nenhum.
As escolas que adotam o Construtivismo como linha, tendem a usar jogos, atividades lúdicas, músicas, atividades manuais como colagem, recorte, tintura etc., para que o aluno tenha um aprendizado baseado numa visão global.

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Enquanto que a teoria de Vygotsky tem como primordial o desenvolvimento do indivíduo como resultado de uma interação sócio-histórico, enfatizando o papel da linguagem.
Para Vygotsky, o pensamento/linguagem tem uma relação com o desenvolvimento intelectual. Levando em consideração o mundo exterior no mundo interior dos indivíduos partindo da interação deste com a realidade.
A sua teoria tem como princípio central a interação do sujeito com o meio para a aquisição do conhecimento.
Tanto a teoria Piagetiana e a teoria Vygotskyana tratam de uma concepção dialética. Ambas, entendem o processo de desenvolvimento como uma parceria de fora para dentro como de dentro para fora. Por isso, as duas teorias são interacionistas.
Os indivíduos desenvolvem seu conhecimento com a interação do seu mundo interior coma participação no meio social, e isso acontece durante a convivência diária tanto na ambiente escolar quanto no ambiente familiar, no âmbito social ou em qualquer espaço que esteja acontecendo uma troca de experiência.
Bolzan enfatiza:





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A teoria Sociointeracionista entrelaça o meio social com o ambiente escolar, permitindo um maior desenvolvimento de um aprendizado eficaz capaz de despertar nos estudantes uma reflexão da sua importância na formação de uma sociedade.
2 A influência do ambiente no processo de desenvolvimento da leitura e da escrita.

2.2 Fatores que interferem no aprendizado da leitura e da escrita.

A criança desde muito cedo já está em contato com materiais escritos, seja na leitura de histórias infantis pelos pais ou pelo simples motivo de manusear livros, revistas, jornais ou quaisquer outros tipos de portadores de escrita. Ela nasce e cresce em um meio favorável para o seu desenvolvimento; por mais simples que seja o ambiente natural que ela esteja inserida o ato da conversa das pessoas que o rodeiam contribui para todo o seu desenvolvimento.
No processo de desenvolvimento da criança vários fatores interferem para o aprendizado da leitura e da escrita, assim como: A afetividade, a falta de estímulo, o método adequado, o material didático, os meios de comunicação, o meio social, a família, a escola. Todos esses fatores estão presentes na vida das crianças seja ele de qualquer classe social, o que vai terminar sua importância é o uso que o indivíduo

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fará do ambiente. Teberosky afirma ainda que o ambiente não é importante por se só, mas para e pelo sujeito (TEBEROSKY, 2003, p.104)
Mas por que alguns alunos se desenvolvem mais do que outros? O que determina para um aprendizado significativo?
Se fizermos essas questões para a família e para a escola uma colocará a culpa na outra e não chegará a nenhum resultado.
Durante todo o processo de aprendizagem da criança é detectados além da influência familiar e escolar os outros fatores citados anteriormente, o seu bom desempenho é conseqüência também de um ato de afetividade, de um carinho, de uma atenção especial ou um simples gesto de acariciar, uma conversa sem cobrança, mas estimulando a criança para se dedicar nos estudos; mesmo porque muitos convivem em um meio social desequilibrado sem nenhuma formação familiar, não tem conhecimento de valores humanos e isso é levado para as escolas, onde muitas vezes é constituída na sua maioria por um método descontextualizado que não condiz com a realidade dos educandos e isso acaba por prejudicar o seu desempenho. Os métodos utilizados por algumas escolas além de não serem apropriados ainda faltam materiais didáticos.
Romão aput Albanese (2006, p.49) enfatiza que "o método mais eficaz é aquele que o alfabetizador domina melhor".
Algumas pesquisas apontam que a influência familiar e escola na aquisição da leitura e da escrita estão em primeiro lugar isso não quer tirar a culpa de uma instituição e colocar na outra, mas sim, promover uma parceria.
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A autora Gentile (2006, p.32) enfatiza que a família, quando percebe que o aprendizado do seu filho está deixando a desejar começa a culpar os professores de não estarem cumprindo o seu papel, a escola por sua vez coloca o mau desempenho dos seus alunos nas famílias que estão desestruturadas e que não estão impondo limites nem se interessam pelo aprendizado dos seus filhos.
Ninguém quer exigir que em casa sejam ensinados conteúdos de Matemática ou Ciências, mas cabe aos pais verificarem se a lição foi feita e elogiar quando o menino ou a menina calcula certo o troco do sorveteiro. O professor também não deve se sentir como o único responsável pela formação de valores. Porém, é fundamental considerar os que são trazidos de casa pelos estudantes e contribuir para fortalecer princípios éticos. (GENTILE, 2006, p. 34).

2.2.1 A influência do ambiente familiar no desenvolvimento da leitura e da escrita.

Muitos pais estão preocupados com o aprendizado dos seus filhos, logo que o boletim escolar chega e as notas estão vermelhas ou deram uma diminuída eles tratam logo de conversar com as crianças e com o professor para saber o motivo das notas baixas.
Paola Gentile (2006, p.32) ressalta que


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Atitudes iguais a essa demonstram como algumas famílias estão atentas com o desenvolvimento escolar dos seus filhos, e isso, se reflete no aprendizado da criança, ela percebe que seus pais estão preocupados com os seus estudos e acabam por se dedicarem ainda mais para não decepcionarem.
A criança sente quando os pais estão envolvidos com os seus estudos, eles percebem quando os pais olham o material escolar para verificar a disciplina e as atividades feitas em classe e qual é o exercício que o filho está levando pra fazem em casa com o seu acompanhamento.
Os pais que tiram um pouco do seu tempo para ler historias, para saber como foi o dia na escola, o que aprenderam e quais as dificuldades que o filho está tendo; mesmo aqueles pais que não tiveram a oportunidade de estudar e por isso não sabem ler nem escrever, também podem está envolvidos com a aprendizagem do seu filho quando ele tem a consciência de pedi ou questionar se seu filho já fez a tarefa escolar. Eles estão mostrando para os seus filhos que o aprendizado não acontece só nas escolas e que a responsabilidades também é da família.
Quando a família é bem estruturada não só financeiramente, mas que seja formada por pessoas carinhosas, que tenha diálogo entre os membros, que não exista brigas, violência, um respeito o outro, isso se reflete no comportamento da criança na escola, conseqüentemente interfere no seu processo de aprendizagem tanto para o bem quanto para o mal. O aluno na escola é o reflexo do ambiente familiar que ele está inserido. Se ele convive em um meio onde não existem limites, eles fazem o que bem querem, o respeito não é recíproco, as pessoas com quem
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ele passa a maior parte do seu dia são pessoas fechadas que não param para conversar que seus pais nem perguntam se eles foram para a escola, muito menos pegam no caderno para verificar o que seus filhos estão estudando eles estão demonstrando que o aprendizado dos seus filhos não é um problema deles e sim da escola.
No inicio da formação da criança ela precisa de um ambiente familiar propício para o seu desenvolvimento intelectual e para a aquisição de valores humanos, a criança deve está em constante contato com situações que favoreçam o seu processo de desenvolvimento e aquisição da leitura e da lecto-escrita.
Segundo Teberosky (2003, p.108) os escritos domésticos dão informação e comunicam diretamente sem passar pela linguagem; assim como atitudes que prevaleçam o amor, o respeito, a solidariedade, a paz, contribuindo para a formação de cidadão consciente dos seus atos.
A família não deve deixar que a correria da vida moderna atrapalhe o seu convívio familiar, deixando a mercê à vida escolar dos seus filhos, eles devem sempre reservar um tempo para conversar com seus filhos mostrando a importância que a leitura e escrita tem na vida de qualquer pessoa seja ela independente de qualquer classe social e promover situações em que a escrita e a leitura estejam presentes.



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2.2.2 A colaboração dos pais na aprendizagem da leitura e da escrita.

As crianças se desenvolvem na leitura e na escrita tendo alguém para se espelhar, ela toma gosto pela leitura quando vê alguém lendo é nesse momento que o exemplo dos pais ao ler um livro, comprar jornais, revistas ou simplesmente pegam materiais escritos para manusear está despertando em seus filhos a vontade de ler e escrever.
Teberosky (2003, p.17) vem afirmar que em determinas famílias a criança interage com materiais e com tarefas de leitura e escrita desde muito cedo.
Os pais devem promover momentos que favoreçam o aprendizado dos seus filhos permitindo que as crianças percebam que a leitura e a escrita fazem parte do seu mundo familiar. Despertando nos pequenos a disposição de aprender de pegar produtos que tenham a escrita impressa, na ida ao supermercado ou no passeio familiar.
As crianças vêem seus pais folhear as páginas do jornal procurando uma informação específica: o resultado de uma partida de futebol, os programas da televisão etc. Eles também escutam os comentários sobre as informações, vêem seus pais reagirem a partir do que leram, lerem em voz baixa ou em voz alta. (TEBEROSKY, COLOMER, 2003, p. 29).

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Uma visita na escola do filho pode ser um ato sem muita importância para os pais ao até mesmo para o docente, mas para a criança essa ação tem muito valor ela sente que seus pais estão presentes e preocupados com o seu aprendizado.
O processo de construção da leitura e da lecto-escrita é alicerçado com a colaboração dos pais; feita com amor, paciência, dedicação e principalmente dedicação, colaborando quando necessário mas incentivando sempre para que a criança perceba que ela não está sozinha nesse processo e tendo a leitura e a escrita realizada pelos pais como um exemplo prazeroso. Mesmo se os pais forem analfabetos eles podem se torna colaboradores desse processo, organizando um ambiente familiar rico em matérias escritas.
A autora Ana Teberosky (2003, prefácio) enfatiza que no aprendizado a criança é protagonista e os co-protagonistas são os pais e os professores que se interem pelo pequeno a quem ensina.
A participação dos pais está muito além de só freqüentarem as reuniões de pais e mestre que as escolas promover; para que aconteça a interação dos professores com os pais é necessário que as escolas criem outros tipos de eventos, tais quais incentivem a colaboração da família no processo de aprendizagem da criança.
A colaboração dos pais no processo de aprendizagem da leitura e da escrita fica mais sólida quando a família assume também o seu papel de colaborador, permitindo que os filhos tenham um acompanhamento baseado com

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muito diálogo entre pais, professores e com a criança que é a peça chave de todo o processo sentindo que está amparada pelos pais.

2.2.3 Um ambiente escolar favorável para o desenvolvimento da leitura e da escrita.

O ambiente escolar influencia no processo de aquisição da leitura e da escrita?
Essa questão nos faz refletir sobre a importância que o ambiente escolar tem no desenvolvimento da leitura e da escrita, se a criança fica em contato com o mundo da escrita logo ao nascer, porque a escola não deve continuar oferecendo esse suporte em suas salas de aula?
A escola não deve se omitir em proporcionar um ambiente rico em matérias escritos para os seus alunos.
Segundo Teberosky (2003, p.145) prover o espaço das crianças com historias, poema ou livros informativos é uma condição essencial para favorece o seu acesso à língua escrita e para motivar o desejo de aprender a ler [...].
Essa afirmação da autora embasa a importância da organização da sala de aula com muitos materiais escritos, a criança deve manusear vários tipos de texto, o espaço da sala de aula não deve ficar só com materiais ilustrativos, sem que os educandos tenham oportunidades nem de pegar, esses materiais devem ficar expostos em uma altura acessível a todas.
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Prover um ambiente rico para o processo de aprendizagem não é só arrumar a sala de aula cheia de cartazes, revistas, rótulos, folhetos informativos; é necessário que os educandos façam uso desses materiais.
O espaço escolar deve transmitir o mundo da escrita, sendo atrativo e bem organizado para que os alunos sintam que os materiais que eles encontram no seu convívio social estão presentes também na sala de aula.
O ambiente onde se dá a prática educativa, sem duvidas, interfere favoravelmente ou não nos resultados dessa prática, vai depender do grau de utilização que o indivíduo fará desse ambiente e da ação pedagógica que o professor desenvolverá em suas aulas (SANTOS, 2004, p.179).
Salas de aula com biblioteca, cantinho da leitura e outros tipos de procedimentos metodológicos que desperte o prazer de ler e escrever, a criança estará em contato com o mundo da escrita e isso contribuirá para o seu processo de aquisição e desenvolvimento das habilidades de leitura e da lecto-escrita.
O primeiro esforço deve estar orientado para assumir que o ambiente onde a criança aprende a ler e a escrever deve ter uma quantidade suficiente de material escrito [...] (TEBEROSKY, 2003, p.106).

2.2.4 A qualidade do material didático no processo de aprimoração das habilidades de leitura e de escrita.



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No processo de aquisição de leitura e da escrita a qualidade dos materiais didáticos tem um papel fundamental que influência no desenvolvimento da criança, o contato com materiais proporciona aos educandos a manipulação de recursos que contribuirá para o seu aprendizado.
Organizar um ambiente em sala de aula com recursos didáticos não é só para a ornamentação, colocando os livros em prateleiras aonde as crianças não possam ter acesso, os cartazes com textos são fixados acima do quadro-negro ou do armário, sem dar possibilidades que o aluno chegue até eles por sues próprios meios.
Teberosky (2003, p.110) afirma que [...] é importante colocar as bibliotecas, as prateleiras e os armários ao alcance da criança.
Na escolha dos materiais e na seleção de livros para despertar o interesse e facilitar a compreensão da criança o professor deve levar em consideração a clareza dos textos, nitidez da ilustração, o grau do vocabulário e a estrutura das historias que não deve ser muito extensa e com palavras complexas, que a crianças até ler, mas não entendi. As revistas que são utilizadas nas escolas devem ser analisadas e catalogadas com antecedência para que as imagens não causem nenhum transtorno, se nas revistas ou livros conterem alguma ilustração que desperte a curiosidade dos pequenos, o professor não deve camuflar o interesse dos alunos, mas sim aproveitar o material para esclarecer as dúvidas da turma levando em consideração a faixa etária de cada classe.

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A exposição dos materiais escritos em uma sala de aula deve ser redigida em um papel de qualidade, sem nenhuma rasura e com uma boa higiene deixando um espaço adequado entre os versículos e entre uma palavra e outra, para que se torne agradável visualmente facilitando a comunicação e permitindo um bom entendimento. Esses materiais devem ficar expostos na sala de aula um tempo suficiente para que os alunos possam manuseá-los naturalmente.
Por um lado, se um material permanece durante todo o curso escolar é sinal de que não foi usado para o desenvolvimento das atividades: ele tem, nesse caso, um valor mais de decoração do que outra coisa (TEBEROSKY, 2003, p. 111).
O uso dos materiais escritos em sala de aula deve está interligados com um planejamento e com as atividades de classe para que aja um aprendizado verdadeiro baseado no mundo real e funcional da escrita.
A autora Teberosky (2003, p.106) expõe que:






2.2.5 A influência do espaço físico da sala de aula.

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No ensino tradicional uma sala de aula adequada e organizada era aquela onde as crianças ficavam enfileiradas uma atrás da outra, como se estivesse aprendendo ao olhar as costas dos colegas. Não estou aqui criticando o método tradicional, porque ele teve a sua importância, mas em uma época totalmente diferente. Hoje as crianças estão inseridas em sociedade cada vez mais globalizada e informatizada.
Por isso, não devemos oferecer uma educação de qualidade baseada em um espaço físico carente, sem nenhuma infra-instrutora apropriada para um aprendizado qualificado. A criança necessita de espaço para correr, de uma sala bem arejada, onde ela possa interagir com sues colegas socializando suas experiências.
As escolas públicas em sua grande maioria não oferecem nenhuma qualidade em sua estrutura, elas são constituídas por um número excessivo de alunos por turma, muita poeira e papeis jogados pelo chão, paredes esburacas trincadas, sujas, rabiscadas, vidros sujos e quebrados, carteiras em mau estado de conservação, riscadas e crivadas de palavrões. (SANTOS, 2004, p.178).
Algumas instituições escolares estão situadas em locais que ficam cercadas por matos, animais, próximo a avenidas movimentas, onde existe uma poluição sonora muito grande que acaba por interferir no processo de ensino-aprendizagem. As salas de aula são mal iluminadas, sem janelas para a ventilação e muitas ainda sofrem coma interferência das salas vizinhas.

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Muitos educandos já convivem em um ambiente físico sem quaisquer confortos, por isso, as escolas devem se equipar estruturalmente e materialmente para que possa oferecer a sua clientela o máximo de conforto que o ser humano necessita. O aprendizado é prejudicado tanto pela má estrutura física das salas de aula como também pela sua superlotação que compromete muito a qualidade do ensino.
Para Santos (2004, p.178) [...] essa situação é uma amostra, sem dúvida, do quanto ainda precisa ser feito por muitos para que a educação conquiste de fato o real interesse e a necessária atenção dos dirigentes deste país e para que uma escola pública digna, com classes de vinte e cinco alunos deixe de ser apenas um sonho dos educandos.
Segundo Vygotsky (aput FELIPO) o indivíduo se desenvolve interagindo com as pessoas e com o mundo externo. Sendo assim, o espaço físico da sala de aula tende a oferecer meios em que os educandos troquem suas experiências em atividades realizadas em grupos dentro e fora das salas de aula aproveitando o máximo o ambiente interno e externo.

2.2.6 A contribuição do professor no sucesso do aprendizado

A responsabilidade dos professores hoje está muito além de só transmitir o conteúdo ou de ensinar a criança a ler e a escrever; atualmente os professores
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exercem várias outras funções como a de médico, psicólogo, amigo e na maioria das vezes estão suprindo o espaço vazio que muitas famílias deixam.
As escolas com o método tradicional colocavam a figura do educador com aquele que detinha o saber, só ele falava, só ele tinha o saber e os alunos só ouviam calados como sem participar do seu próprio aprendizado. Paulo Freire caracteriza essa educação de "Educação bancaria".
Hoje a função do professor não é mais centralizada na sua capacidade de saber de tudo, mas, passa a assumir um papel de colaborador de um mediador do conhecimento, fazendo da sala de aula um espaço onde prevaleça a troca de experiência, proporcionando situações de aprendizado. Com isso não se quer tirar a autonomia, a importância que o docente tem no processo de aprendizagem, mas promover uma reflexão da verdadeira responsabilidade que os professores tem.
Diversos papéis são viáveis para o professor nesse contexto, mas, evidente, desempenhar o papel de escriba ou de leitor são o mais importantes (TEBEROSKY, 2003, p.122).
Ao assumir o papel de escriba o educador tende a desempenhar uma ação que desperte nos educandos uma vontade de aprender, passando a ser exemplo para os seus alunos. Por isso, o professor deve está informado e bem preparado materialmente para dar o suporte necessário aos educandos, promovendo aulas mais dinâmicas, permitindo que a turma tome gosto pela escrita;

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assim como, permitindo que os alunos percebam que a escrita faz parte das suas atividades diárias.
Quando o educador realiza a leitura em voz alta, ou dá meios para que os educandos percebam a importância da leitura, ele está desempenhando um papel de leitor, possibilitando que a turma "entre" no mundo do texto, que participem da leitura de muitas maneiras. Olhando as imagens enquanto o professor lê o texto, [...], memorizando histórias. [...]. Ao escutar a leitura, as crianças aprendem que a linguagem escrita pode ser reproduzida, repetida, citada e comenta (TEBEROSKY, 2003, p.127).

2.2.7 A importância da parceria família e escola no desenvolvimento da leitura e da escrita.







É fundamental que a família tenha consciência que a tarefa de educar não é um dever só da instituição escolar. A escola tem que cumprir seu papel

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primordial que é formar cidadãos intelectualmente, conscientes e praticantes dos valores éticos, mas é necessário que o grupo natural onde a criança esteja inserida participe ativamente desse processo de desenvolvimento dando apoio à escola.
O que não pode acontecer em hipótese nenhuma é a instituição familiar culpar a instituição escolar ou vise versa, ambas tem que conhecer seus limites e o seu compromisso pra não acabar interferindo no desenvolvimento tirando a autonomia da outra.
Os pais devem dá respaldo aos ensinamentos prestados pelos professores para que os filhos compreendam que o seu tirocínio é de encargo tanto da escola quanto dos seus pais. A parceria familiar e escolar precisa ser formada através de diálogo, oferecido pelos professores, possibilitando que as famílias freqüentem o ambiente escolar em eventos organizados e apresentados pelos próprios alunos para que os pais percam a visão de que ir até a escola é só participarem das reuniões para se informarem das notas e do comportamento dos seus filhos.
A união da família e da escola consente que as crianças se sintam amparadas em suas casas e no ambiente escolar, entendendo que o conhecimento adquirido na escola tem utilidade no seu convívio habitual, ao vê as pessoas que compõem seu ambiente familiar fazendo uso das habilidades de leitura e da escrita.
As famílias devem dispor de tempo para acompanhar o desenvolvimento escolar do seu filho; assim como adquirir materiais escritos, contar histórias, ler livros para a criança ou na presença da criança, promover momentos dinâmicos
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envolvendo a diversidade textual, ou seja, dá continuidade ao trabalho dos educadores, agora de uma maneira livre já que muitos educandos realizam as tarefas escolares porque são obrigados e não por prazer.
Quando acontece a parceria escola e família o aprendizado da criança é notado pelos professores que sabem identificar quando seu aluno está tendo ou não um acompanhamento pela família, a simples ação da criança chegar várias vezes na sala de aula sem fazer o exercício de casa é sinal que os pais não estão preocupados com o aprendizado do seu filho; mesmo aqueles pais que não sabem ler, eles sabem pedi que o filho faça a tarefa ou pegue o material para verificar o seu desempenho.
Antonio Carlos Gomes da Costa (aput GENTILE) afirma que o importante é que os familiares se engajem totalmente: "Os mais comprometidos, ainda que seja minoria, tem capacidade de influenciar o restante da comunidade e mudar a escola". E essa mudança pode ser o segredo do sucesso para uma relação duradoura e com final feliz.
A participação dos pais no processo de aquisição da leitura e da escrita é fundamental, são eles que auxiliarão as dificuldades que as crianças apresentarem no seu desenvolvimento, já que muitos educadores tentam proporcionar um aprendizado igualitário na sala de aula.
Sendo assim, muitos educadores se questionam porque algumas crianças se desenvolvem com mais facilidade enquanto outras não? Sendo que

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todas realizam as mesmas atividades, recebem a mesma dedicação por parte dos professores e são submetidos ao mesmo método.

















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Referências

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Autor: Luiz Carlos Marinho De Araujo