EDUCA플O AMBIENTAL E A A플O DOCENTE NA ESCOLA



EDUCA플O AMBIENTAL E A A플O DOCENTE NA ESCOLA .


Introdu豫o

Esse texto busca possibilitar atrav�s do entendimento do conhecimento hist�rico e cient�fico, os conceitos de natureza, os conflitos sociais e os conflitos de interesse no que � educar ambientalmente e pressupostos de uma Educa豫o Ambiental para a Escola brasileira.
� relevante para o debate observar as atuais pr�ticas da Educa豫o Ambiental, assim como os m�todos de identifica豫o, interven豫o e resolu豫o de problemas ambientais, a partir da Escola na sua comunidade.
A sociedade est� marcada com as conseq獪ncias dos problemas ambientais. H� not�cias em destaque na m�dia com poucas reflex�es, sendo que est� restrito a Universidade o debate sobre a interpreta豫o das causas que levam aos problemas ambientais.
O senso comum colocou a discuss�o ambiental no panorama dos efeitos sobre o mundo f�sico, sobre a paisagem. Dificilmente o debate destaca o monop�lio e a face de um modelo de explora豫o da natureza e as mazelas da sociedade de consumo.
Poucos s�o os formadores de opini�o (aten豫o colegas professores!) que fazem uma reflex�o que procure entender esses problemas atuais do meio ambiente como problemas relacionados aos fatores culturais, econ�micos e sociais. Menos ainda apontam uma imposi豫o econ�mica do modo de produ豫o estruturado pelo capitalismo (de propor豫o global) e seus m�ltiplos modelos de atua豫o, em todas as formas de trabalho e da estrutura social, como principal formador das desventuras sobre a natureza.
Mesmo com todas as dificuldades, a discuss�o ambiental est� generalizada, impregnada no consenso mundial. Muitos se dizem "ecologistas" e outros asseguram que conhecem a respeito dos problemas ambientais. � um novo paradigma da Universidade e da sociedade como um todo. Mas at� que ponto o discurso � real? At� que ponto est� se configurando uma nova sociedade mais consciente de suas a寤es sobre o meio ambiente?

"Mais grave ainda � quando se sabe que esses "novos paradigmas" encontram certa facilidade de se afirmar e, muitos v�m colocando o prefixo eco ou t�tulo de ambiental em suas pesquisas e em suas disciplinas ou, ainda em semin�rios, col�quios e congressos que, deste modo, encontram recursos nas ag�ncias (e nas agendas) de fomento"(GON�ALVES, 1996, p. 8).

Deve-se lembrar que n�o � s� de economia que os problemas se apresentam. Parte das dificuldades do relacionamento do homem e ambiente est� atada a diferentes percep寤es do que seja natureza. Assim, o tra�o cultural pode ser um primeiro definidor das rela寤es, contribuindo para a conserva豫o ou a explora豫o dos bens naturais.
A economia e a cultura s�o dois elementos fundamentais para a organiza豫o da sociedade, mas as a寤es se distinguem pela pol�tica. Essas decis�es institucionais muitas vezes est�o distantes do verdadeiro ambientalismo e da sociedade, e atendem a interesses de grupos.
A escola e o pr�prio conhecimento cient�fico, que deveriam criar meios para entender as modifica寤es e as constru寤es humanas sobre a natureza, apenas v�m refletindo uma sociedade complacente com o atual desenvolvimento rumo ao desastre ecol�gico e ao fim da esp�cie humana.
A percep豫o humana com rela豫o ao ambiente natural com certeza evoluiu no �ltimo s�culo, basta ver que aumenta o interesse das ci�ncias na conserva豫o e entendimento da natureza, tra�o ampliado com a participa豫o da Escola. No entanto, essa evolu豫o ainda est� longe de ser a ideal, mas j� representa passos importantes em dire豫o a um melhor relacionamento ser humano/natureza.
H� a constata豫o de que a Escola, e, por conseguinte os professores possam criar um campo de reflex�o te�rico-metodol�gica sobre o ambiente e as a寤es humana, mais pr�ximo do real. Essas reflex�es (estou convencido disso) aportam novas propostas de desenvolvimento, integrando ser humano/natureza, onde se insere definitivamente a Educa豫o Ambiental, enquanto principal articuladora de uma teoria-a豫o.
Se a Escola busca novas refer�ncias para a educa豫o, essas podem estar onde h� a maior crise, a problem�tica ambiental. Afinal, h� tempos os educadores falam da necessidade de integra豫o do conhecimento e nada melhor do que o debate ambiental para gerar tal integra豫o n�o podendo ser compreendida a complexidade do mesmo se n�o com a integra豫o, dos diversos campos do saber. Estou convencido que a educa豫o do s�culo XXI � a educa豫o para o ambiente.
Na an�lise do ambiente tem-se buscado uma vis�o integrada a dita interdisciplinaridade (CASCINO, 1999), calcada em um paradigma cient�fico da complexidade e das teorias sist�micas (CAPRA, 1982. VIEIRA, 1997.) em uma tentativa de se entender melhor um todo da realidade sobre determinado meio.
Essa busca pela integra豫o do saber, da interdisciplinaridade, depara-se com o problema dos conceitos. Estes muitas vezes, s�o diferentes na multiplicidade de conhecimentos e refletem a profundidade espec�fica que se atingiu o conhecimento humano. O constante agravamento dos problemas ambientais est� proporcionando constantes trocas entre os saberes individualizados, o que promete uma reestrutura豫o (j� em andamento) de todo o conhecimento do t�o especializado meio cient�fico, e, por conseguinte da pr�pria Escola.
� preciso que, para uma compreens�o inicial do que � a Educa豫o Ambiental, entender que a realidade do saber cient�fico est� inscrita em uma forma豫o ideol�gica e em processos produtivos da sociedade.
O educador � um sujeito ideol�gico. N�o pode se esquivar dessa responsabilidade. Suas pr�ticas de produ豫o de conhecimento est�o, muitas vezes, estreitamente vinculadas com as ideologias vigentes.
Procurando construir uma provoca豫o, no que se refere ao discurso da Educa豫o Ambiental, este artigo prop�e repensar o hist�rico das concep寤es de natureza, observando a import�ncia da cultura, da economia e da sociedade na delimita豫o e no entendimento da rela豫o ser humano/meio. Provoco tamb�m os Educadores para uma reflex�o pautada na interdisciplinaridade e, evidentemente, em como atuar. Procurando apresentar melhor uma proposta de cunho interdisciplinar que est� se desenhando �s novas perspectivas educacionais, � o campo de debate/a豫o atrav�s de uma Agenda 21 da Escola e seu entorno.


A Vis�o Ocidental sobre a Natureza

Ao remontar os cap�tulos da hist�ria do relacionamento ser humano/natureza � preciso uma releitura do contexto hist�rico olhando para o hoje, onde o debate entre o ser humano e a natureza apresenta uma discuss�o unilateral baseado, sobretudo, na raz�o e na t�cnica. No olhar ocidental a apropria豫o do saber na hist�ria da humanidade � constru�da a partir da Gr�cia. N�o que n�o existisse saber antes da Antiguidade Cl�ssica, ou em outro espa�o do mundo ent�o conhecido e desconhecido, mas a apropria豫o do saber pelo poder insere uma racionalidade de conquista e de dom�nio (DURANT, 2000).
Mas n�o s� da racionalidade cient�fica constitui essa rela豫o, a cultura � importante reflexo da a豫o humana sobre a natureza. Uma primeira concep豫o de natureza das sociedades tidas como primitivas � de que ela (a natureza) � a m�e que d� abrigo e alimento. E a concep豫o dogm�tica do mundo, a partir do advento das religi�es monote�stas, determina que a Terra foi criada por um Deus-todo-poderoso que ordena que o homem domine todas as outras formas de vida e tire o proveito que achar necess�rio da natureza (THOMAS, 1996).
Mas � na Gr�cia onde a Physis (o todo da realidade f�sica e vivente) e Nous (mente, raz�o), insepar�veis nas vis�es mundiais de Her�clito e Emp�docles e de outros pensadores pr�-socr�ticos, que a natureza e o ser humano tinham a mesma origem. � a partir de S�crates e principalmente em Plat�o que as distin寤es fundamentais ocorrem entre mente e corpo, pensamento e ser, metaf�sicas e f�sicas. Ou seja, a separa豫o entre o ser humano e a natureza (GON�ALVES, 1986).
Na Europa da Idade M�dia nasce o per�odo de segredos, de uma natureza inc�gnita, divina, indecifr�vel. H� um respeito � natureza por temer a Deus. Afinal tudo foi criado por ele. A raz�o passa a ser objeto de um projeto de domina豫o da f� (THOMAS, op.cit.).
No Renascimento durante os s�culos XV e XVI foram as perguntas sobre a religi�o que emanciparam o pensamento e atra�ram o humanismo, destituindo aos poucos os valores medievais e estabelecendo as id�ias de liberdade de pensamento e novas concep寤es sobre o ser humano e a natureza (BUTTIMER, 1990).
Como o Renascimento se rendeu ao Iluminismo a preocupa豫o da ci�ncia e da t�cnica se tornou estritamente especializada. O Iluminismo refletia a racionalidade, n�o s� como faculdades intelectuais do homo-sapiens, mas como base e estrutura para a cria豫o humana sobre uma primeira natureza. A especializa豫o transformou-se enquanto modalidade produtiva.
O Iluminismo e a constru豫o dos Estados Nacionais na Europa Moderna do s�culo XVIII criaram para a Ci�ncia a individualiza豫o e a especializa豫o das disciplinas e crit�rios formais foram definidos, separando as ci�ncias sociais das "f�sicas". Assim, uma leitura do ambiente passou a ser efetuada por dois olhares, por vezes antag�nicos, e que n�o dialogavam. Essas distin寤es epistemol�gicas se encarnariam em separa寤es institucionais. A especializa豫o funcional da vida universit�ria, e, por conseguinte da Escola, seria assegurada por estruturas, cuja arquitetura tem por base o Cartesianismo.
O paradigma cartesiano de ci�ncia representou como alicerce a concep豫o de uma natureza pragm�tica, materializada em significados utilit�rios e de apropria豫o. O Cartesianismo tamb�m influenciou definitivamente o modo de produ豫o que nasce com a Revolu豫o Industrial - o Capital.
A Revolu豫o Industrial seria fundamentada em lucro e na busca do individualismo e da sociedade de bens privados. No entanto, a Racionalidade Cartesiana realmente n�o p�de responder por todas a rela寤es humanas e n�o p�de expressar em uma linguagem �nica o procedimento de culturas humanas t�o diversas. H� resist�ncias, caros colegas, e s�o muitas...
O paradigma cartesiano de ci�ncia impulsiona as concep寤es de natureza pautadas em um modo de produ豫o que se tornou hegem�nico na revolu豫o industrial: o ser humano � o observador, o manipulador, o cientista, o industrial, quem consome; enquanto a natureza � o objeto, manipulado, aquilo que deve ser utilizado, consumida.
O progresso industrial do s�culo XX e XXI intensificou a dist�ncia entre homem e natureza e gerou o esgotamento em n�veis da biosfera nunca antes registrados em escala global. Hoje, felizmente, em muitos setores da economia h� movimentos para uma outra caracteriza豫o da produ豫o mundial: a constante busca por tecnologias limpas, biotecnologias, procura de recursos naturais renov�veis e substitui豫o de produtos poluentes por produtos biodegrad�veis.
Foi a partir da d�cada de 60 no s�culo XX, que com a amea�a de uma crise mundial de energia e mat�ria prima e a imin�ncia da degrada豫o generalizada dos ecossistemas, que houve o advento do movimento ecol�gico, com uma redescoberta da natureza. O conceito de natureza passa a firma-se como natureza virtuosa, mas sem romper com o modelo econ�mico e com o capital produtivo (CASSETI, 1995).
Os anos 60 marcam tamb�m o advento do ecologismo cr�tico � sociedade t�cnico-industrial. Esse ecologismo surgiu, n�o s� como uma cr�tica ao desenvolvimento econ�mico e social, mas principalmente a dicotomia evidente e a destrui豫o acelerada do planeta em face � industrializa豫o, consumo acelerado, materiais radioativos e a toda esp�cie de afrontamento com a natureza.
O debate ambientalista sobre a rela豫o homem e natureza caminham por algumas vias de conceitua豫o. Assim, tanto DIEGUES (1998) quanto VAILLANCOURT (1995) apresentam tr�s principais vias na discuss�o ecol�gica:
1. Ecologia profunda - termo cunhado pelo fil�sofo noruegu�s Arne Naess, que escreveu: "a vida humana e n�o humana t�m valores intr�nsecos independentes do utilitarismo" (NAESS apud DIEGUES, op. cit., p.44). Esse enfoque � bioc�ntrico, mas possui grande influ�ncia espiritualista e de doutrinas orientais, apregoando que a natureza deve ser preservada pelo seu valor pr�prio, independentes do bem que podem fazer aos seres humanos.
As cr�ticas � vis�o da ecologia profunda partem, principalmente, dos ecologistas sociais e s�o no sentido de que � imposs�vel ao homem pensar como uma montanha. O homem pensa como homem. Advertem para o perigo de um fascismo ecol�gico.
2. Ecologia social ? o principal expoente � Murray Bookchin, ativista ambiental norte americano. Criou o termo ecologia social em seu trabalho Ecology and Revolutionary Thought (1964), sendo que considera a degrada豫o ambiental como principal produto do capitalismo. Difere da vis�o marxista. Critica o estado e as classes sociais existentes e prega uma democratiza豫o consciente do poder. Insiste que o homem deve mostrar um respeito pela natureza. Trata de exemplificar, atrav�s das popula寤es tradicionais, subs�dios para a rela豫o homem e natureza, incorporando aspectos tecnol�gicos como auxiliares nos processos de desenvolvimento social-ambiental.
3. Eco-socialismo/marxismo ? tem suas origens na cr�tica do marxismo cl�ssico na concep豫o do mundo natural. Enquanto para os marxistas a natureza � est�tica e transformada apenas pelo trabalho humano, a an�lise ecomarxista incorpora as for�as produtivas da natureza como essenciais tamb�m � an�lise da sociedade, n�o somente pr�-capitalista, como tamb�m a capitalista. (DIEGUES, 1998).

Retomando as bases de discuss�o para as mudan�as com rela豫o ao meio ambiente no s�culo XX � importante lembrar da realiza豫o em 1972, em Estocolmo, do primeiro encontro oficial da ONU sobre meio ambiente. Na confer�ncia, em que 113 pa�ses estavam representados, foi concebido o Plano de A豫o Mundial. Durante este evento come�ou a divulga豫o das id�ias do Desenvolvimento Sustent�vel. Este � um processo de mudan�a nos conceitos de desenvolvimento da sociedade, no qual a explora豫o de recursos, a orienta豫o dos investimentos, os rumos do desenvolvimento tecnol�gico e a mudan�a institucional s�o orientados no sentido de preservar os recursos naturais, a fim da sobreviv�ncia das gera寤es atuais e futuras.
Na confer�ncia de Estocolmo as na寤es participantes "decidiram" trabalhar para uma supress�o das ind�strias poluidoras, aux�lio aos pa�ses em desenvolvimento e conten豫o dos recursos esgot�veis. O desenvolvimento sustent�vel surge como uma pol�tica de precau豫o de impactos globais, dando continuidade ao crescimento econ�mico e discutindo a prote豫o ao meio ambiente. Ao mesmo tempo em que acontece o consumo desenfreado da natureza h� o di�logo e amostras de um novo paradigma voltado para a preserva豫o do ambiente.
A natureza est� reduzida a uma condi豫o de recurso, sendo parte devorada nos modelos econ�micos, e parte reconstitu�da a t�tulo de redefini豫o e constru豫o de uma nova racionalidade sustent�vel. Essa dualidade do modelo de desenvolvimento econ�mico pontua uma realidade onde a sustentabilidade racional n�o acontece em comum com uma racionalidade de igualdade social.
A express�o desenvolvimento sustent�vel � amb�gua e usual: amb�gua por possibilitar diferentes interpreta寤es e entendimento, e usual por estar se caracterizando como simplesmente uma ret�rica coletiva. As posi寤es te�ricas do desenvolvimento sustent�vel est�o baseadas em tr�s principais correntes: a do ecodesenvolvimento ; a da economia ecol�gica que busca um desenvolvimento econ�mico baseado em modelos desenvolvidos pelas ci�ncias da natureza; e da teoria neocl�ssica baseada no economicismo, onde se refuta a rela豫o entre crescimento e degrada豫o do meio ambiente (GODARD, op. cit.).
Os objetivos pr�ticos do desenvolvimento sustent�vel s�o a elimina豫o das barreiras entre as disciplinas e tradi寤es de pensamento na ci�ncia, a integra豫o de uma pol�tica ambiental a um desenvolvimento econ�mico e a intencionalidade de perspectivas globais de discuss�o.
Pode-se apontar como os principais problemas enfrentados na implementa豫o de uma pol�tica mundial de desenvolvimento sustent�vel as quest�es pertinentes � temporalidade do desenvolvimento sustent�vel; as quest�es institucionais mundiais e as dificuldades de relacionar espa�os locais e mundiais em entendimento de sustentabilidade. Trata-se, na verdade, de uma luta do capital transnacional e das propostas de desenvolvimento local.
H� um comprometimento ideol�gico em que mergulhou o discurso do desenvolvimento sustent�vel: o discurso t�cnico-funcionalista apregoado de que se consegue resolver todos os problemas ambientais gerados pela sociedade, trazendo � tona velhos v�cios cartesianos.
A busca de desenvolvimento da sociedade atual est� contrastada com a fal�cia do discurso do atual desenvolvimento e com a frustra豫o do dito terceiro mundo no pr�prio conceito de desenvolvimento. Os exemplos dos pa�ses industrializados n�o podem ser seguidos pelos pa�ses pobres. Estes devem procurar solu寤es em projetos originais. A mis�ria e a agress�o contra o ambiente s�o conjuntas a uma produ豫o espantosa de produtos que n�o s�o acessados pela maioria das pessoas. Somente um planejamento integrado (onde o ambiente � uma dimens�o do desenvolvimento assim como os recursos, energia e popula豫o) � que pode mudar ou inverter o quadro atual.
Tanto nos pa�ses industrializados, desenvolvidos, quanto nos pa�ses do terceiro mundo h� progressos materiais para uma minoria e aumento da exclus�o social para muitos. O fen�meno da globaliza豫o cresce diariamente na evolu豫o ou revolu豫o dos transportes e das comunica寤es. No momento h� o desacoplamento da economia financeira da economia real, produzindo assim mercados fict�cios de especula豫o financeira, levando recursos que poderiam ser utilizados para financiamentos de projetos produtivos locais e comunit�rios (SACHS, 1995).
Para o planejamento de pol�ticas ambientais, esperando conseguir uma sustentabilidade ambiental, � preciso em primeiro lugar, repensar o pr�prio modo de produ豫o , alterando a aquisi豫o de recursos naturais e a produ豫o tecnol�gica, em face de uma mudan�a de valores sociais calcados na mudan�a da superestrutura econ�mica. � preciso ressaltar os diferentes meios culturais onde h� desenvolvimento sustent�vel de comunidades alternativas (hoje marginalizadas) com economias alternativas para o desenvolvimento local (SACHS, 1986).
H� a necessidade de compreender as rela寤es que se estabelecem entre os processos hist�ricos, econ�micos, ecol�gicos e culturais no desenvolvimento das for�as produtivas da sociedade. Isto leva a pensar nas rela寤es como uma forma de interdepend�ncia entre todos os processos, que direcionam o potencial produtivo dos recursos, seus n�veis de produtividade, assim como as condi寤es de preserva豫o e regenera豫o dos recursos naturais (LEFF, 1994).
A transforma豫o da natureza em recursos parece inevit�vel para a ci�ncia. No entanto, essa cria豫o de uma "natureza abstrata" (SANTOS, 1998) conduz a um distanciamento do lugar a uma constru豫o do n�o lugar, e edifica豫o de s�mbolos modernos que nada significam. Para Milton Santos (1998) estamos rodeados de objetos, mas conhecemos muito pouco o que nos cerca. A natureza que pensamos conhecer � uma natureza constru�da, criada, inventada. Assim, conscientizar a sociedade dos custos ambientais representa verdadeira dificuldade, pois os meios de comunica豫o trataram de ideologizar a pr�pria natureza tratando-a como um objeto inanimado e distante do ser humano. Com certeza vamos lembrar do famoso slogan da m�dia para o ambiente natural "aqui nenhum ser humano nunca pisou", frase essa que � carregada de significados de como se entende essa natureza e o ser humano.
Como educador, � fun豫o do professor conhecer os princ�pios epistemol�gicos da problem�tica ambiental, buscando o entendimento das quest�es ambientais e de como essas se desprendem de uma estrat�gia no campo do ensino, com efeitos concretos nas pr�ticas sociais do ambientalismo.
O educador tamb�m � um sujeito ideol�gico. Suas pr�ticas de produ豫o s�o o conhecimento e est�o estreitamente vinculadas com as ideologias vigentes.
Assim, a discuss�o ambiental � uma discuss�o humana, com as lentes e o conhecimento humano. O antropocentrismo � ainda uma condi豫o primordial do contato do homem com o mundo, � a senda que conduz a verdades humanas e a maneira com que se constr�i o mundo. O ser humano � escravo dessa lente antropoc�ntrica, sem a qual n�o veria nada, n�o t�m acesso ao mundo tal qual ele � sem as lentes da humanidade. Percebe n�o aquilo que realmente �, mas aquilo que v� atrav�s das lentes (RODRIGUES, 1989).
Ent�o, entender o natural e o artificial (aquilo que � atributo do humano) est� profundamente marcado nas concep寤es da ecologia ocidental, onde a caracter�stica hol�stica, ou seja, do homem inclu�do no conceito de natureza n�o � facilmente aceita. Observa-se que o que est� posto como o ecossistema ou mesmo uma paisagem natural, trata-se na verdade de uma paisagem cultural (CAPRA, 1982).
Chegamos a uma interfer�ncia do ser humano com modifica寤es profundas sobre os ambientes naturais, essa modifica豫o s�o dif�ceis de serem assimiladas pelos ecossistemas e pela diversidade biol�gica , quase sempre extinguindo as esp�cies menos adapt�veis � din�mica humana e suas necessidades.


Educa豫o e Ambiente ? reflex�es sobre uma mudan�a

Dentre as v�rias concep寤es de meio ambiente normalmente esse � objeto de investiga豫o quando identificado os problemas em decorr�ncia das atividades humanas. Para esse texto prop�e-se o conceito do termo meio ambiente como o conjunto de meios naturais ou artificializados da ecosfera onde o homem se instalou e que ele explora, que ele administra, bem como o conjunto dos meios n�o submetidos � a豫o antr�pica e que s�o considerados necess�rios � sua sobreviv�ncia. Esses meios s�o caracterizados pela sua dimens�o espacial, por uma geometria e por seus componentes, sendo ainda submetido a processos de transforma豫o, de a豫o ou de intera豫o envolvendo os componentes e condicionando mudan�as espaciais e temporais. (JOLLIVET & PAV�, 1997)
O meio ambiente � considerado como um dom�nio de aplica豫o de conhecimentos j� submetidos � observa豫o e a caracteriza豫o da pr�tica humana, sendo redefinido, se preciso, do ponto de vista das pesquisas interdisciplinares. As pesquisas sobre meio ambiente focalizam as evolu寤es da ecosfera, sejam quais forem sua natureza e origem, que s�o suscet�veis de influenciar a sa�de do homem e o desenvolvimento das sociedades humanas.
Segundo o texto de JOLLIVET & PAV� (1997) o esfor�o desenvolvido no sentido de se considerar os problemas ambientais em perspectiva planet�ria pode gerar um conjunto de atividades de pesquisa, onde o meio ambiente:
? Decorre de uma quest�o central: aquela ligada �s intera寤es entre as evolu寤es da ecosfera por um lado e as sociedades humanas por outro, ou seja, sobretudo, de problem�ticas surgidas das atuais altera寤es no desenvolvimento das cria寤es da sociedade humana;
? Designa um objetivo bem preciso de conhecimento, trata-se de investigar as a寤es das sociedades humanas sobre a ecosfera e desta sobre as sociedades humanas e como elas evoluem conjuntamente;
? Considera a ecosfera como um todo, como um conjunto de fluxos, transporte, crescimento, transforma豫o, etc, atuando sobre os componentes f�sicos, qu�micos, biol�gicos e sociais no sentido amplo;
? � a escolha de um n�vel de integra豫o que contribui para precisar um objetivo: o n�vel escolhido corresponde �quele onde se evidencia a dimens�o problem�tica, ou seja, aquela dimens�o onde os par�metros biol�gicos, f�sicos ou qu�micos geram impactos no planeta.

Esse meio ambiente espa�o de rela寤es e de realiza寤es humanas comporta uma infinidade de componentes estimulados pela compreens�o humana. Quando se trata de pensar o ambiente e toda a natureza em destaque, pensa-se imediatamente nas modifica寤es que s�o causadas e em todas as transforma寤es e cria寤es da sociedade. Hoje j� n�o � poss�vel pensar em uma natureza sem a cultura humana, assim como, e principalmente, na cultura humana sem a natureza.
Nos �ltimos trinta anos uma proposta educacional � divulgada fortemente no processo educativo - a Educa豫o Ambiental (EA). Parte dessa proposta � mantida pela Escola, parte � reclamada por diversas entidades, incluindo as ONG?s, que se disp�em a tamb�m educar ambientalmente. No entanto, a educa豫o ambiental ainda � EDUCA플O, e como tal, � um processo que passa pelo pensar e n�o por um adestramento ou uma simples defini豫o de cores nas latas de lixo. Assim como Leonardo Boff assume que n�o temos "meio" ambiente, mas um ambiente inteiro, tamb�m a educa豫o j� contempla o ambiente sem a necessidade de classific�-lo como parte do debate, entendendo as atua寤es da sociedade sobre o mesmo.
Existem muitos caminhos que o educador pode seguir para orientar seu processo de educar para o ambiente. Esses caminhos, evidentemente, est�o atados a um acervo te�rico/ pedag�gico, que por sua vez, � constitu�do por vias regidas pela busca e compreens�o do saber (ler o mundo e o que j� foi constru�do e sonhar um lugar diferente).

"Sabe-se que a educa豫o � um fen�meno pr�prio dos seres humanos. Assim sendo, a compreens�o da natureza da educa豫o passa pela compreens�o da natureza humana. Ora, o que diferencia os homens dos demais fen�menos, o que o diferencia dos demais seres vivos, o que o diferencia dos outros animais? A resposta a essas quest�es tamb�m j� � conhecida. Com efeito, sabe-se que, diferentemente dos outros animais, que se adaptam � realidade natural tendo a sua exist�ncia garantida naturalmente, o homem necessita produzir continuamente sua pr�pria exist�ncia. Para tanto, em lugar de se adaptar a natureza, ele tem que adaptar a natureza a si, isto �, transform�-la. E isto � feito pelo trabalho" (SAVIANI, 1994, p.21).

Neste caminhar para o entendimento do ambiente � fundamental entender que o ser humano possui uma invari�vel determina豫o em apressar-se rumo a um chamado "progresso", causando nos �ltimos dois s�culos a destrui豫o generalizada de grande parte da biosfera. Os impactos gerados a partir da revolu豫o industrial, deram in�cio ao esgotamento dos recursos naturais. A segunda revolu豫o industrial, caracterizada principalmente pela ascens�o dos Estados Unidos da Am�rica como na豫o industrial forte, em virtude das demandas armamentistas das duas grandes guerras mundiais e das inova寤es tecnol�gicas nascidas com os esfor�os de guerra, � um marco no desenvolvimento cient�fico e tecnol�gico da humanidade. O progresso industrial intensificou a dist�ncia entre homem e ambiente e gerou o esgotamento em n�veis da biosfera nunca antes registrados em escala global.
Neste inicio de s�culo presenciamos um terceiro movimento na caracteriza豫o da produ豫o mundial: a constante busca por tecnologias limpas, biotecnologias e todos os avan�os que a ci�ncia conseguiu, e ainda almeja, passando principalmente, pela procura de recursos naturais renov�veis e substitui豫o de produtos poluentes por produtos biodegrad�veis. No entanto as solu寤es t�cnicas desenvolvidas para corrigir os excessos do homem para com o ambiente n�o s�o suficientes para a recomposi豫o ambiental. � imposs�vel acreditar na solu豫o dos problemas ambientais sem uma mudan�a de paradigmas culturais e cient�ficos. Paradigmas que, por sua vez, passam pela educa豫o, principalmente no seu processo formal.
Para que o educador sonhe com uma modifica豫o na sociedade � preciso seguir a id�ia de emancipa豫o do pensamento, ou seja, os alunos devem assumir referenciais que possam ter um entendimento do mundo real com um gosto pelo ut�pico. O educador deve proceder � investiga豫o de metodologias que demonstrem as reais necessidades dos seus educandos e do espa�o em que estes vivem, assim como, de assumir dentre essas metodologias aquelas que possam transformar a sociedade.
Para que o processo de educa豫o seja proposto e compreendido, cabe ao educador um olhar para o outro, onde se valoriza e se compreende o ambiente como resultado da atua豫o humana. Esse olhar para o outro � constru�do atrav�s da observa豫o, da leitura de mundo, dos questionamentos, das refuta寤es. Perceber o mundo de diversas formas � um modo (cient�fico) pedag�gico de entender o seu pr�prio modo de viver. Assumir esse "olhar" de compreens�o e entendimento do ato pedag�gico enquanto um ato processual, e, por conseguinte em constante constru豫o, � assumir a educa豫o enquanto atua豫o social e de entendimento do ambiente.
N�o existe uma resposta pronta para os problemas enfrentados pela educa豫o no que diz respeito � constru豫o do conhecimento sobre o ambiente. � preciso construir novas proposi寤es que passam pelos lugares e pelas pessoas que dia a dia vivenciam os problemas e buscam as solu寤es. � preciso, mais ainda, ver possibilidade de um novo mundo, construir uma educa豫o mais igualit�ria, social, de pr�ticas mais justas sobre o ambiente.
Sobre a compreens�o da E.A, deve-se observar que inicialmente essa � vista como uma atividade "voluntarista" pela sociedade, refletindo muito os fundamentos e metodologias de quem realiza - seja indiv�duo, programas ou grupos, seja ela formal ou informal.
Encaminhada desta maneira a E.A fica pulverizada em pr�ticas que s�o relevantes. Por�m, n�o apresenta no seu processo de planejamento e execu豫o um embasamento epistemol�gico, ficando restrita a pr�ticas espont�neas, com resultados difusos.
Outra quest�o fundamental sobre a E.A � seu car�ter naturalista, apresentando-se assim de forma fragmentada, onde o meio ambiente � visto somente a partir de seus componentes bi�ticos e naturais.
� preciso compreender que existem v�rias modalidades de Educa豫o Ambiental, e que ocorrem em diferentes contextos: via o ensino formal das escolas e a informal de cursos, folhetos de conscientiza豫o, jornais, etc.
Essa diversifica豫o sustenta-se em diferentes concep寤es da pr�tica pedag�gica e filos�fica. Destacam-se duas concep寤es: uma oriunda das Ci�ncias Humanas, onde os fatores s�cio-hist�ricos s�o mais relevantes que os t�cnicos e naturais, e outra que trata a quest�o ambiental na sua dimens�o natural e t�cnica, sendo que esta tend�ncia usualmente prevalece sobre a primeira.
Por tr�s dessas concep寤es de Educa豫o Ambiental est�o diferentes concep寤es de meio ambiente, que muitas vezes � confundido com a natureza e entendido simplesmente por uma vis�o natural, ou seja, a fauna, o solo, o clima, a polui豫o, entre outros ou mesmo com ecologia, que � o estudo dos ecossistemas.
Entende-se que h� possibilidades de avan�ar nestas concep寤es e incorporar elementos que nos permitam ampliar o conceito, entendendo o meio como formado pela inter-rela豫o da natureza e os objetos constru�do pelo ser humano (e a sociedade). Essa �ltima tem a capacidade de interferir em todos os elementos, alterando-os consciente e/ou inconscientemente atrav�s das dimens�es econ�micas e pol�ticas e das organiza寤es sociais.
Por isso, discutir acerca do meio ambiente na Escola:

"[...] significa tratar quest�es bastante complexas, como agricultura, ind�stria, pobreza e desenvolvimento. A educa豫o ambiental n�o pode limitar-se a ensinar os mecanismos de equil�brio da natureza. Fazer Educa豫o Ambiental � tamb�m revelar os interesses de diferentes grupos sociais em jogo nos problemas ambientais. Al�m do amor � natureza e do conhecimento dos seus mecanismos, � preciso aprender a fazer valer nossos ideais com rela豫o aos destinos da sociedade em que vivemos e do planeta que habitamos" (CEDI/CRAB, 1994, p. 10).

Destas propostas avan�amos na concep豫o de EA, n�o visto agora como fragmentada e excessivamente naturalista, mas como um processo de mudan�as de mentalidade e atitudes, ou seja, valores que incorporem as reflex�es sobre estilos de desenvolvimento o que torna o processo bem mais complexo e rico.
Se a discuss�o � ent�o por a寤es socioambientais, o professor na Escola pode trabalhar (e definitivamente tem a obriga豫o!) seus conte�dos curriculares em proposi寤es de uma educa豫o para o ambiente.
O primeiro passo � deixar de lado pr�-conceitos sobre o ambiente e sobre educa豫o ambiental, explorar os textos e conceitos mais recentes sobre natureza e as a寤es humanas e tornar o debate relacional. O segundo passo � rever as a寤es metodol�gicas quanto aos temas de debate em aula. � preciso que o professor fa�a uma revis�o dos seus conte�dos, que possa verificar que n�o deve educar somente para o conte�do, mas que toda educa豫o, e, por conseguinte os conte�dos s�o para o ambiente. No entanto s� � poss�vel essa an�lise se o professor possuir refer�ncias, conceitos, leituras, debates, trocas, e proposi寤es interdisciplinares.
Isso ainda n�o responde como fazer. � preciso um olhar cr�tico e entendimento de que h� outras proposi寤es e projetos para o planeta. S�o poss�veis outras formas de desenvolvimento com a preserva豫o da natureza.
Um di�logo interessante passa pela Agenda 21. Criada pelo debate do desenvolvimento sustent�vel e por a寤es ambientalmente corretas, a Agenda 21 gera levantamento, diagn�stico, an�lise e proposi豫o de a寤es sobre as rela寤es ambientais. Elevada na Confer�ncia Rio 92 como uma proposta que auxiliaria o planejamento de cidades, de estados e de um pa�s, a Agenda 21 passa, sobretudo, por uma conten豫o de a寤es ambientalmente degradadoras e de preven豫o. Mas, infelizmente, pouco discute de outras possibilidades de desenvolvimento, alem de, muitas vezes, ter pouca validade institucional.
A Agenda 21 � uma constru豫o cont�nua, precisa ser mediada por diversos atores sociais, e, sobretudo, precisa ser objeto de mudan�a.
A Escola, como uma institui豫o que cria, organiza, discute e transmite o conhecimento, tem a obriga豫o do debate sobre a Agenda 21. � preciso organizar nas Escolas Agendas 21 locais com a comunidade, que debatam os problemas ambientais, que levantem e verifiquem as caracter�sticas do ambiente e das transforma寤es humanas, que analisem e proponham solu寤es a curto, m�dio e longo prazo. A Agenda 21 da Escola deve passar necessariamente pela comunidade (ou comunidades) na qual ela est� localizada e na qual deve interagir. Essa caracter�stica que podemos tomar como o Lugar, reflete as experi�ncias mais recentes de um socioambientalismo, de uma busca pela resolu豫o de problemas locais. Evidentemente que o local (e os lugares) jamais est� dissociado do mundo, da ecosfera.
A import�ncia do debate sobre o um socioambientalismo � crescente e hoje definitivamente modifica conceitos e aprimora entendimentos. O debate socioambiental trata de reconstruir a ponte entre as quest�es ambientais e sociais, marcando essencialmente o olhar sobre os diferentes objetos e construindo alternativas econ�micas, sociais e, evidentemente, ambientais. Pode-se falar hoje em uma educa豫o socioambiental. � claro que as discuss�es est�o se aprimorando, mas o termo hoje j� tem corpo e vem sendo utilizado por pesquisadores da geografia, sociologia, antropologia e ecologia
A constru豫o de uma Agenda 21 da Escola � um objeto interdisciplinar e, portanto, ligado aos conte�dos de cada disciplina. O trabalho da Agenda 21 n�o pode ser s� um Projeto. Deve ser uma a豫o continuada no Projeto Pol�tico Pedag�gico da Escola. Deve estar presente no Plano de Ensino do professor. Enfim deve ser articulado metodologicamente por cada realidade, por cada comunidade, por cada Lugar.
A Escola como principal institui豫o e como principal ferramenta ideol�gica, tem a obriga豫o de se fazer presente nesse debate ambiental, n�o ficando somente sujeita a datas comemorativas de uma semana do meio ambiente ou do dia da �rvore. O ambiente deve ser discutido diariamente e as rela寤es com a natureza devem ser objeto de di�logo continuamente.


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Autor: Orlando Ednei Ferretti


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