SENTIDOS E SIGNIFICADOS CONCEITUAIS EM MUTA플O EM EDUCA플O AMBIENTAL



SENTIDOS E SIGNIFICADOS CONCEITUAIS EM MUTA플O EM EDUCA플O AMBIENTAL: Pesquisa a豫o na Escola Estadual de Ensino M�dio Professora Elza Maria Correa Dantas*


Valtey Martins de Souza
Renato Noronha Martins
Luiz de Oliveira Silva



Nesse texto iremos descrever uma pesquisa a豫o realizada na Escola Estadual de Ensino M�dio Professora Elza Maria Correa Dantas, em S�o Domingos do Araguaia, Par�. Nessa descri豫o nos deteremos com mais profundidade nas a寤es que visavam frear o desperd�cio de �gua e energia el�trica e na fabrica豫o de um formicida ecol�gico.
Al�m disso, faremos uma an�lise das a寤es citadas, sobretudo, no que tange a a豫o das pessoas envolvidas. Assim, estruturamos o texto numa parte introdut�ria, na descri豫o da pesquisa a豫o e nas notas conclusivas.

2. DESCRI플O DA PESQUISA A플O

Na disciplina Atividades Programadas para o Estudo da Teoria e da Pr�tica da Educa豫o Ambiental, do curso de Especializa豫o em Educa豫o Ambiental, Cidadania e Desenvolvimento Regional, do N�cleo de Educa豫o Ambiental da UFPA, Campus Sul e Sudeste do Par�, Marab�, elaboramos um trabalho que tinha como foco principal, fazer uma an�lise socioambiental da Escola Estadual de Ensino M�dio Professora Elza Maria Correa Dantas, na cidade de S�o Domingos do Araguaia, Par�. Assim, os objetivos principais dessa pesquisa giraram em torno do desvelamento das atitudes desenvolvidas nesse ambiente de trabalho, quer sejam pro socioambiental ou anti socioambiental. Para alcan�ar esses objetivos as estrat�gias de an�lises foram verificar as caracter�sticas do espa�o da escola nos planos geral e espec�fico; o contexto desse espa�o; os atores, suas fun寤es sociais e interven寤es; as din�micas, as intera寤es e interrela寤es estabelecidas inter e entre; os projetos expl�citos e impl�citos; o resultado socioambiental, tens�es e distens�es ao ambiente em suas dimens�es f�sicas, biol�gicas e social (e psico); e as expectativas para com o ambiente convivido.
Dessa maneira, estruturamos trabalho, em um primeiro momento, em uma parte te�rica, que discutia o modelo de pesquisa adotado pelo grupo e o conceito de lugar que mais se adequava a mencionada pesquisa. Na segunda parte do trabalho, elencamos as caracter�sticas da mencionada escola e falamos dos atores e seus respectivos pap�is no processo educacional. Na terceira parte, relatamos as interven寤es que realizamos no nosso ambiente de trabalho e, as interven寤es que ainda est�o em andamento, ou seja, que n�o foram conclu�das. Na �ltima parte, fizemos nossas conclus�es e apontamos poss�veis melhorias no nosso objeto de pesquisa.
Desse modo, a pesquisa mostrou que os fatores que pesavam contra o ambiente escolar eram: i) ac�mulo de lixo (madeira, pl�stico, metal e papel); ii) falta de lixeiras dentro e fora das salas; iii) falta de vegeta豫o de m�dio porte que servissem de barreira contra a entrada de �gua das chuvas nas salas de aula; iv) falta de vegeta豫o rasteira que dificultasse a retirada de sedimentos pelo escoamento superficial no solo; v) jardins insuficientes para reterem o escoamento superficial; vi) desperd�cio de energia el�trica com o uso excessivo de ventiladores e l�mpadas; vii) desperd�cio de �gua (vazamentos nas torneiras e encanamentos); viii) �gua empo�ada nas imedia寤es e dentro da escola, servindo assim, de criadouro de larvas de mosquitos.

2.1 CONCEITOS RELACIONADOS � PESQUISA A플O

No entanto, para levar a cabo todas essas a寤es que visavam melhorias para o ambiente escolar, necessitamos mobilizar professores, serventes, vigias, dire豫o e v�rias pessoas da comunidade escolar. Notamos que para alguns essa atividade a favor do ambiente n�o era vista como fala Leontiev (2001), pois n�o mobilizava emocionalmente e corporalmente, parecendo n�o satisfazer suas necessidades vitais.
Para que isso ocorresse, em nossa opini�o, seria necess�rio que as pessoas envolvidas se sentissem parte integrante de todo esse processo, que desenvolvessem la�os de afetividade pelo lugar. Na percep豫o de Orr (2006), o conceito de lugar � nebuloso para os educadores, porque n�s, em grande parte, consistimos numa popula豫o destitu�da de lugar, para a qual os lugares circundantes n�o s�o mais fonte de alimento, �gua, sustento, energia, materiais, amigos, recrea豫o ou inspira豫o espiritual. Segundo ele o lugar deve ajudar a fortalecer o sentimento de enraizamento, de responsabilidade e pertencimento.
Nessa mesma linha de racioc�nio, Sampaio (2005), entende que no dia-a-dia a palavra lugar � uma casa, uma rua, uma cidade ou qualquer outro local identificado por um nome. No entendimento desse autor, o ponto de partida para a compreens�o da realidade � o entendimento do lugar, pois � nele que constru�mos as refer�ncias que nos auxiliam quando comparamos as semelhan�as e diferen�as entre ele e outros lugares do planeta. Ou seja, o entendimento do lugar nos ajuda a construir a "vis�o" que temos de mundo.
Na percep豫o de Sampaio (2005):

O lugar que reconhecemos como nosso re�ne nossos amigos, familiares, formas, cores e sons bem conhecidos. Ali nos sentimos bem, sentimo-nos em casa. � onde come�amos a enxergar e a entender o mundo. Mantemos uma rela豫o de afetividade com os nossos lugares e, quando estamos distantes, sentimos saudades, pois eles fazem parte da nossa vida (p. 11).


3. EXPLICITA합ES E ESTRAT�GIAS; CREN�AS EM ENFRENTAMENTO E CONCEITOS EM MUTA플O

Nesses termos, encontramos empecilhos e colabora豫o na pesquisa a豫o, principalmente nas a寤es que visavam debelar o desperd�cio de energia el�trica e �gua. Parte do alunado passou a participar desligando torneiras e l�mpadas quando n�o se fazia necess�rio seu uso. Por�m, ouvimos coment�rios de outros, que a �gua e a energia n�o eram pagas por eles e nem pela escola, portanto, poderia ocorrer o desperd�cio. Para eles fazia sentido desperdi�ar, pois na base de suas cren�as, os recursos como a �gua e a energia el�trica poderiam ser utilizados indefinidamente sem que ocorresse nenhum problema. Na vis�o deles esses recursos s�o infind�veis.
Visto dessa forma, alguns alunos partiram para o enfrentamento, deixando luzes ligadas quando n�o era mais necess�rio e deixando torneiras dos bebedouros abertas para derramar a �gua. Assim, para minorar esses problemas tivemos que intensificar as palestras de conscientiza豫o juntamente com medidas repressoras.
Nesse contexto, notamos que ouve um enfrentamento de cren�as opostas, onde aquela que defendemos apoia o n�o desperd�cio dos recursos citados, e, a cren�a dos alunos "rebeldes", defende a ideia contr�ria a nossa.
Nesse cen�rio, acreditamos que tenha havido um aprendizado nos moldes que prega Vigotski (2000), que diz que o mesmo se d� pela cria豫o de estrat�gias (articula豫o de a寤es) na dire豫o da atividade, pela qual os sujeitos mobilizam todo o conhecimento dispon�vel (pessoal e coletivo, interno e externo). Esse aprendizado ocorreu, principalmente quando desenvolvemos uma a豫o que tinha como objetivo diminuir ou acabar com as formigas sa�vas que impediam a revegeta豫o do ambiente escolar.
Nesse caso, n�o poder�amos fazer uso de formicidas comuns, pois acabar�amos poluindo o solo e as �guas subterr�neas. No entanto, parte das pessoas envolvidas, como os vigias, por exemplo, advogavam o uso de um pesticida comumente encontrado nos com�rcios especializados, chamado Mirex. Para eles fazia sentido (entendido aqui como parte do que determinada comunidade acredita) o uso de tal pesticida.
Assim sendo, resolvemos pesquisar e acabamos por descobrir que o significado de formicida tamb�m � mut�vel. Antes significava, a "grosso modo", veneno para eliminar formigas e, uma de suas desvantagens era a contamina豫o do solo e subsolo, incluindo a �gua subterr�nea. Agora pode ser entendido como um medicamento que afeta exclusivamente as formigas, deixando o ambiente sem maiores problemas, como a contamina豫o, por exemplo.
Nessa conjuntura, atrav�s da pesquisa descobrimos que para alcan�ar sucesso nessa empreitada, precis�vamos fabricar um formicida ecol�gico que, segundo o Panorama Brasil (2002), precisa seguir os seguintes passos: para fazer o medicamento basta macerar algumas formigas juntamente com partes iguais de �lcool a 70%, glicerina e �gua. Quanto mais dilu�do o produto, mais efetivo ele se torna. Desse jeito, j� conseguimos diminuir bastante o n�mero dessas formigas e dentro de mais alguns dias, j� poderemos iniciar a aventada revegeta豫o.

4. NOTAS CONCLUSIVAS

Nesse texto abordamos uma pesquisa a豫o que realizamos na Escola Estadual de Ensino M�dio Professora Elza Maria Correa Dantas, em S�o Domingos do Araguaia, Par�. Realizamos uma descri豫o da pesquisa e uma an�lise dos resultados alcan�ados.
Assim, para alcan�ar os resultados esperados, desenvolvemos uma atividade em que tivemos de nos mobilizarmos emocionalmente e corporalmente. Desse modo, criamos estrat�gias na dire豫o da atividade, onde os sujeitos envolvidos mobilizaram o conhecimento dispon�vel pessoal e coletivo, interno e externo, ocorrendo � aprendizagem.
Portanto, para que isso fosse poss�vel alguns significados e conceitos tiveram que ser modificados, pois na nossa compreens�o, eles s�o mut�veis no tempo e no espa�o, entre grupos sociais diferentes e at� mesmo similares.


5. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA


LENCIONI, Sandra. Regi�o e geografia. S�o Paulo: Edusp, 1999.


LEONTIEV, Alexis N. Os princ�pios Psicol�gicos da Brincadeira Pr�-escolar. In: VIGOTSKII, L. S; LURIA, A. R; LEONTIEV, Alex N. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. 7 ed. Tradu豫o Maria da Penha Villalobos. ? S�o Paulo: �cone, 2001. (Cole豫o educa豫o cr�tica).


ORR, David W. Lugar e Pedagogia. In: STONE, Michael K. e BARLOW, Zenobia. (orgs). Alfabetiza豫o Ecol�gica: A educa豫o das crian�as para um mundo sustent�vel. Pref�cio Fritjof Capra; Pref�cio � edi豫o brasileira Mirian Duailibi; Tradu豫o Carmen Fisher. S�o Paulo: Cultriz, 2006.


PANORAMA BRASIL. Veneno ecol�gico vence luta contra formigas cortadeiras. Dispon�vel em: . Acessado em: 23/03/2011.


SAMPAIO, Francisco Coelho. Redescobrindo o planeta azul: a Terra pede ajuda. 2 ed. 5� s�rie; ilustra寤es Adilson Farias, Lu�s Moura, Axel Sande.- Curitiba: Positivo, 2005. (Cole豫o geografia do s�culo XXI).


VIGOTSKI, Lev S. 7.Pensamento e palavra. In: ______. A constru豫o do pensamento e da linguagem. Tradu豫o Paulo Bezerra. ? S�o Paulo: Martins Fontes, 2000. ? (Psicologia e pedagogia).

*Adapta豫o de trabalho apresentado a Professora Hildete Pereira dos Anjos, da disciplina Teoria da Aprendizagem e Ensino, do curso de Especializa豫o em Educa豫o Ambiental, Cidadania e Desenvolvimento Regional, do N�cleo de Educa豫o Ambiental da UFPA, Campus Sul e Sudeste do Par�, Marab�, em julho de 2011





Autor: Valtey Martins De Souza


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