Navegar é Preciso, E Trabalhar Não é?



Um grande dilema "tecnológico, corporativo" ronda atualmente os executivos nas empresas. Ultrapassado o problema do uso de correio eletrônico (email e webmail) para fins pessoais, as empresas tentar resolver uma segunda questão, bem mais complexa. Trata-se do livre acesso à navegação na rede mundial de computadores pelos seus funcionários.

Se por um lado, o acesso à internet facilitou bastante a vida das empresas, trazendo mais agilidade, por exemplo, em pesquisas sobre assuntos e temas estratégicos,informações de mercado, comunicação na cadeia com fornecedores e clientes, facilitou também a gestão do dia-a-dia dos seus funcionários, com pagamento de contas de água, luz, telefone, despesas pessoais em geral pelo "home-banking".

Por outro lado, a internet trouxe acesso imediato ao mundo na tela de cadacomputador, e consigo vieram também a dispersão e o entretenimento para um ambiente que deveria ser dedicado exclusivamente ao trabalho.

Pesquisa recém publicada pela companhia Websense ("[email protected]"), realizada através de entrevistas com 400 companhias do Brasil, Chile, Colômbia e México (100 entrevistas em cada país, sendo 50 com funcionários e 50 com gerentes de TI), demonstrou que o comportamento do usuário no ambiente de trabalho piorou muito. Entre outros pontos importantes essa pesquisa mostrou que os entrevistados admitiram gastar "surfando" em websites "não relacionados ao trabalho" durante o expediente, cerca de 5.9 horas semanais (71 minutos por dia). Dados da mesma pesquisa de 2005 era de 2,1 horas e em 2006 de 4,7 horas. Houve tmabém mudança também no tipo de sites não relacionados ao trabalho navegados. No ano passado, os mais populares no Brasil foram os de notícias, com 74% dos funcionários admitindo acessar este tipo de site durante o expediente. Nesta pesquisa de 2007, o índice baixou para 40%. Por sua vez, a navegação por sites financeiros, incluindo Internet banking, que no ano passado teve a indicação de 56% dos funcionários brasileiros, agora em 2007 subiu para 76%, mostrando ser estes os sites mais populares atualmente. O acesso a sites de email pessoal, como Gmail, Hotmail ou Yahoo, manteve o 3º lugar na preferência e o mesmo índice do ano passado: 32%. A visitação a blogs (chamadas páginas pessoais), que no ano passado obteve o índice de apenas 4% na visitação, mas subiu para 14% em 2007. O acesso a programas para ligações telefônicas via Internet, como o SKype por exemplo, que não entrou na pesquisa do ano passado, nesta de 2007 já obteve um índice igual ao dos blogs, de 14%. Outra curiosidade do estudo é quanto ao uso de instant messaging no local de trabalho: os brasileiros (8%) são os que mais aproveitam essa ferramenta para se comunicar com os amigos durante o expediente.

O grande dilema consiste definir qual a política adequada de uso dessa ferramenta ao ramo da empresa: liberar, restringir ou simplesmente proibir o acesso?

Uma parte dessas empresas utiliza sistemas que administram o conteúdo do que se acessa, proibindo por exemplo, sites de conteúdo adulto, de namoro, de chat, de automóveis, de relacionamento, de compras, etc. Essa "lista negra" cresce a cada dia, na velocidade da própria internet. Só no Brasil já são mais de 1,2 milhão de sites registrados. Outro grupo de empresas decidiu pela restrição da quantidade de horas em que o acesso fica liberado no dia, por exemplo, durante uma hora, logo após o almoço.

A questão maior é até que ponto outros meios de informação foram substituídos pela mídia eletrônica, e nesse caso, proibir esse acesso seria cortar o principal meio de atualização e informação do funcionário. Não dá para ignorar o fato de que a sociedade muda agora a cada segundo: hábitos e costumes, canais de compra e tendências de moda, perfil de consumo, etc...

Portanto, restringir esse conhecimento pode ter conseqüências graves na formação e atualização das equipes, e, no limite, colocar a própria capacidade de adaptação a nova "realidade de cada dia" das empresas no mercado.


Autor: Mauricio Grandeza


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