BULLYING: PAPEL DOS PAIS NA PREVEN플O, DETEC플O E ENFRENTAMENTO DO ENVOLVIMENTO DOS FILHOS EM SITUA합ES DE BULLYING



BULLYING: PAPEL DOS PAIS NA PREVEN플O, DETEC플O E ENFRENTAMENTO DO ENVOLVIMENTO DOS FILHOS EM SITUA합ES DE BULLYING[1]

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Queila Barbosa Montanari Tavares Silva

Centro Universit�rio Adventista de S�o Paulo- UNASP

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Resumo: O bullying � um conjunto de atitudes agressivas, intencionais e repetitivas

que causam dor, ang�stia e sofrimento. Este artigo apresenta formas de atua豫o dos pais que estejam relacionadas com preven豫o, detec豫o e enfrentamento do envolvimento dos filhos em situa寤es de bullying na escola. A PREVEN플O envolve o conhecimento do fen�meno, conhecimento e monitoramento positivo sobre a vida dos filhos, boa comunica豫o pais- filhos, boa comunica豫o pais- escola. A DETEC플O� envolve al�m dos passos da preven豫o, o conhecimento aprofundado dos sinais do bullying na crian�a. O ENFRENTAMENTO envolve uma parceria com a escola, comunica豫o adequada com os filhos, capacitar os filhos para fugirem ou lidarem com as situa寤es de bullying. Os filhos devem sentir nos pais o porto seguro. Os pais por sua vez devem estar presentes na escola de tal forma que cobrem atitudes por parte da escola para evitar a ocorr�ncia do fen�meno. Os pais devem ajudar o filho e ajudar a escola a enfrentar o desafio de vencer o bullying.

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Palavras-chave: bullying, fam�lia, preven豫o, detec豫o, enfrentamento

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Abstract: Bullying is a set of aggressive attitudes that are intentional and repetitive and cause pain, anguish and suffering. This paper presents ways of working parents who are related to preventing, detecting and defeating the involvement of children in a situations of bullying at school. PREVENTION� involves knowledge of the phenomenon, positive monitoring about their children’s lives, good parent-child communication, good parent-school communication. DETECTION involves steps in addition to prevention, in-depth knowledge of the signs of bullying in children. 잺OPING involves a partnership with the school, proper communication with their children, enabling children to escape or deal with bullying situations. Children should feel their parents as a safe harbor. Parents in turn, must be present in school so that by actions require the school to avoid the occurrence of the phenomenon. Parents should help their children and help the school meet the challenge of overcoming bullying.

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Key-words: bullying, family,쟰revention, detection,쟠oping

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Introdu豫o

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O comportamento agressivo entre estudantes � um problema universal, manifesta豫o inocentemente considerada pelos adultos como brincadeiras da idade. Estudos realizados nas duas �ltimas d�cadas demonstraram que a pr�tica da viol�ncia entre estudantes pode ter consequ�ncias negativas para todas as crian�as e adolescentes envolvidos. A ado豫o de projetos continuados em escolas tem demonstrado ser uma das medidas mais efetivas na preven豫o e na redu豫o da viol�ncia entre alunos, por�m onde fica o papel dos pais na preven豫o, na detec豫o e no enfrentamento do problema antes que ele se agrave?

Entende-se por bullying todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas, adotado por um ou mais estudantes contra outro(s), causando dor e ang�stia, e executado dentro de uma rela豫o desigual de poder. Portanto, os atos repetidos entre pares (estudantes) e o desequil�brio de poder s�o as caracter�sticas essenciais, que tornam poss�vel a intimida豫o da v�tima (OLWEUS, 1993). Pesquisadores ao redor do mundo t�m direcionado seus estudos para esse fen�meno que toma aspectos cada vez mais preocupantes, tanto pelo seu crescimento, quanto por atingir faixas et�rias, cada vez mais baixas, relativas aos primeiros anos de escolaridade (LOPES NETO, 2005).

젨젨젨젨� O comportamento violento resulta da intera豫o entre o desenvolvimento individual e os contextos sociais, como a fam�lia, a escola, a igreja, a m�dia e a 쟠omunidade. Infelizmente, o modelo do mundo exterior � reproduzido nas escolas, que se caracteriza como um grande laborat�rio para as crian�as e jovens, pois � onde convivem com seus pares, fazendo com que essas institui寤es deixem de ser ambientes seguros, modulados pela disciplina e coopera豫o, e se transformem em espa�os marcados pela viol�ncia, sofrimento e medo.

Quando abordamos a viol�ncia entre juvenis e adolescentes na escola, o papel da fam�lia surge como um espa�o ainda pouco explorado. Onde entra o papel dos pais na solu豫o do problema? O que a fam�lia tem a ver com isso, j� que, segundo a maioria da pesquisas, a grande maioria dos casos de bullying ocorre dentro das escolas? Nesse sentido, o objetivo do presente artigo envolve descrever formas de atua豫o da fam�lia para a preven豫o, detec豫o e enfrentamento� do envolvimento de seus filhos em situa寤es de bullying na escola, de acordo com a literatura de �rea e alguns pensadores.

A Noruega foi pioneira nas pesquisas sobre bullying com os trabalhos do Professor Dan Olweus, na Universidade de Bergen (1978 a 1993) e com a Campanha Nacional anti-bullying nas escolas norueguesas. Foi utilizado um question�rio, onde se verificava a freq獪ncia, tipos de agress�es, locais de maior risco, tipos de agressores e percep寤es individuais quanto ao n�mero de agressores. Nos primeiros resultados verificou-se que 1 em cada 7 estudantes estava envolvido em casos de bullying (OLWEUS,1991 apud FANTE, 2005).

O programa de interven豫o proposto por Olweus teve a finalidade de desenvolver regras claras contra o bullying 쟮as escolas, alcan�ar um envolvimento ativo por parte de professores e pais, aumentar a conscientiza豫o do problema, avan�ando no sentido de eliminar alguns mitos sobre o bullying e prover apoio e prote豫o para as v�timas (LOPES NETO, 2006).

No Brasil, o interesse pelo estudo do comportamento agressivo e mais especificamente pelo bullying � mais recente. Muitas formas de viol�ncia t�m sido observadas no contexto escolar. O problema da pobreza e o tr�fico de drogas aparecem entre os fatores mais freq�entemente relacionados � viol�ncia nas escolas, contudo, os autores que analisaram o problema da viol�ncia escolar no contexto brasileiro concordam que o ambiente familiar se mostra significativo tanto na preven豫o a viol�ncia como em pol�ticas de interven豫o (ABRAMOVAY, 2002; WILLIAMS; PEREIRA;, 2008). Segundo Abramovay,(2002),os tipos mais comuns s�o depreda寤es do patrim�nio e agress�o interpessoal. O porte de armas de fogo e armas brancas tem sido relatado com muita freq獪ncia em escolas brasileiras, muitas vezes resultando em ferimentos graves e mortes nos conflitos entre estudantes. 잺omo importantes refer�ncias nos estudos de bullying no Brasil, vale mencionar Fante (2003, 2005) que realizou estudos em cidades do interior do estado de S�o Paulo-SP e Lopes Neto (2005) que durante 20 anos esteve a frente da extinta Associa豫o Brasileira de Prote豫o � Inf�ncia e � Adolesc�ncia (ABRAPIA), e desenvolveu o Programa de Redu豫o do Comportamento Agressivo entre Estudantes, com a participa豫o de mais de 5.500 alunos de 5as a 8as s�ries do Ensino Fundamental, na cidade do Rio de Janeiro-RJ.

Em� 2009, o governo da 잸ustr�lia recebeu os resultados de uma pesquisa sobre bullying,a maior feita at� agora de acordo com as pesquisas, na qual participaram �7000 alunos, de �124 escolas. Constatou-se que os alunos do oitavo ano s�o as maiores v�timas, sendo que de cada tr�s alunos, um deles � alvo de goza寤es e ataques. Os pesquisadores constataram que, seguindo a tend�ncia mundial, o cyber bullying, ou bullying virtual� vem se tornando cada vez mais comum entre alunos, principalmente das escolas n�o governamentais. Esse tipo de agress�o � considerado o mais cruel e devastador, muito embora os alunos acreditem que agredir fisicamente � bem mais grave do que espalhar mensagens eletr�nicas desagrad�veis (MACDOUGALL; CHILCOTT, 2009). �

O Instituto SM para a Educa豫o (ISME) apontou o Brasil como campe�o em bullying, de acordo com o resultado de pesquisas realizadas em novembro de 2006, incluindo o Brasil, Argentina, Chile, Espanha e M�xico (FANTE; PEDRA, 2008)

Formas de envolvimento com o Bullying

Segundo Carvalhosa, Lima e Matos (2001) as v�timas s�o alunos ou grupos de alunos vistos como alvos f�ceis aos olhos do agressor, que, por n�o disporem de coragem ou recursos para denunciar ou lidar com o agressor, sofrem sozinhas. Comumente, as v�timas n�o procuram ajuda pela vergonha que sentem por n�o conseguirem enfrentar a situa豫o e tamb�m porque se sentem inseguras e s�o pouco soci�veis, caracter�sticas agravadas pela autoestima rebaixada que possuem. A baixa autoestima em muito se deve ao fato dos adultos acharem que 쟳itua寤es de agress�o s�o casos normais da inf�ncia e adolesc�ncia. As v�timas de bullying acabam, assiduamente, por sofrer de depress�o, que, em casos mais graves, culmina em suic�dio (LOPES NETO, 2006)

잸s v�timas/agressores, tamb�m conhecidas por v�timas provocativas, s�o aquelas pessoas, que, cansadas dos constantes maus-tratos, tentam defender-se da agress�o retaliando (CARVALHOSA; LIMA; MATOS, 2001).

Os agressores, s�o aqueles que perseguem a v�tima 쟴ornando sua vida escolar uma constante tortura. O 쟠omportamento agressivo para com os pares pode ter como origem v�rias motiva寤es: Nos estudos de 쟂ante (2003), constatou-se que 80% daqueles classificados como “agressores”, atribu�ram como causa principal do seu comportamento, a necessidade de reproduzir contra outros os maus-tratos sofridos em casa ou na escola.

Fante (2005) caracterizou os agressores que tem como motiva豫o a reprodu豫o dos modelos comportamentais agressivos familiares como portadores de uma doen�a psicossocial expansiva, desencadeadora de um conjunto de sinais e sintomas, a qual denominou SMAR - S�ndrome de Maus-tratos Repetitivos.

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A S�ndrome dos maus tratos repetitivos � oriunda do modelo educativo predominante, introjetado pela crian�a na primeira inf�ncia. Sendo repetidamente exposta a est�mulos agressivos, aversivos ao seu psiquismo, a crian�a os introjeta inconscientemente ao seu repert�rio comportamental transformando-se posteriormente numa din�mica ps�quica mandante de suas a寤es e rea寤es. Dessa forma, se tornar� predisposta a reproduzir a agressividade sofrida ou a reprimi-la, comprometendo, assim, seu processo de socializa豫o. 쟏 portador dessa s�ndrome possui necessidade de reproduzir contra outros os maus-tratos sofridos tanto em casa quanto na escola, como forma, talvez, de exercer autoridade e se fazer notado, ou por ser a �nica maneira que lhe foi ensinada� para lidar com as inseguran�as pessoais sentidas diante do grupo� de iguais, buscando com� isso reconhecimento, auto-afirma豫o e satisfa豫o pessoal. (FANTE, 2005 p. 62)

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Os agressores s�o indiv�duos que apresentam um quociente de emotividade baixo, sendo que este se relaciona com a habilidade de empatia. Uma prova do n�vel baixo de empatia evidenciado pelo agressor � o fato destes indiv�duos, na vida adulta, adotarem comumente comportamentos antissociais e/ou violentos, podendo at� apresentar um modo de vida delinq�ente (LOPES NETO, 2006). No ambiente dom�stico, os agressores, mant�m atitudes desafiadoras e agressivas com rela豫o aos familiares. S�o arrogantes no agir, falar e se vestir, demonstrando superioridade. Manipulam pessoas para se safar das confus�es em que se envolveram (SILVA, 2010).

Thompson e Kyle (2005) consideram que em meios altamente competitivos como o escolar (competitivo em v�rios sentidos, como, por exemplo, nas disputas por popularidade e auto-afirma豫o), alguns indiv�duos s�o sempre segregados, o que os priva de importantes intera寤es sociais fundamentais para o desenvolvimento de uma filosofia moral (no寤es acerca do certo e do errado, das normas sociais de conviv�ncia, dos limites e necessidades dos outros, etc.). Quando emerge o senso de signific�ncia e a necessidade de se expressarem, isso pode ocorrer atrav�s de meios inadequados de express�o, tal como a viol�ncia (e algumas vezes a viol�ncia extrema).

As testemunhas que,� assistem � agress�o constante dos seus colegas e se perguntam quando se converter�o nas pr�ximas v�timas n�o se sentem seguras e, por isso mesmo, decidem n�o denunciar os casos que presenciam, com medo de serem os pr�ximos alvos. Muitas vezes, a testemunha estabelece rela寤es de empatia e aproxima豫o com os agressores de modo a sentirem-se protegidas por eles, na tentativa de, assim, evitarem ser as pr�ximas v�timas (LOPES NETO, 2006).

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Poss�veis alvos do Bullying

O que se verifica � que determinadas crian�as s�o alvos mais visados e tornam-se mais vulner�veis por possu�rem algumas caracter�sticas espec�ficas. De acordo com Fante (2003), as v�timas geralmente s�o pessoas t�midas, com쟠aracter�sticas f�sicas marcantes (usam �culos, s�o obesas, muito magras, ou t�m orelha grande)쟢 n�o costumam reagir �s agress�es sofridas. Caladas, preferem guardar a m�goa de maneira silenciosa. Os agressores� encontram nos mais t�midos쟯 alvo f�cil para chacotas.쟔ilva (2010) afirma que as v�timas tornam-se alvos f�ceis e comuns dos ofensores por apresentarem dificuldades significativas de se impor ao grupo, tanto f�sica quanto verbalmente. Enfim, qualquer coisa que fuja ao padr�o imposto por um determinado grupo pode deflagrar o processo de escolha da v�tima do bullying. Normalmente, essas crian�as ou adolescentes “estampam” facilmente as suas inseguran�as na forma de extrema sensibilidade, passividade, submiss�o, falta de coordena豫o motora, baixa autoestima, ansiedade excessiva e dificuldades de se expressar. Segundo Lopes Neto (2011), a baixa autoestima � agravada por interven寤es cr�ticas de adultos sobre o seu comportamento, culpando-os pelas agress�es sofridas. Muitas vezes, a tentativa de buscar ajuda, � marcada pela insensibilidade diante de seu sofrimento.

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Algumas crian�as demonstram que os cuidados familiares podem influenciar no seu status social entre colegas. Assim � que muitos alvos de bullying s�o protegidos por seus pais ou cuidadores, limitando suas habilidades em defender-se e em enfrentar desafios. Outros tratados como eternos beb�s, s�o incentivados a adotar comportamentos infantilizados, retardando seu desenvolvimento ps�quico 쟢 emocional, e dificultando seu relacionamento com os de sua idade, mais amadurecidos. H� um grupo em que as crian�as s�o identificadas como bode expiat�rio. No pr�prio seio familiar, s�o alvos de cr�ticas sistem�ticas e responsabilizados pelos fracassos e frustra豫o de seus pais. Dessa forma, s�o agredidos com frases do tipo: “Desde que voc� nasceu, a minha vida virou um� inferno”, 쟗oc� � um traste, n�o serve pr� nada”, �“Some da minha frente, desaparece!”. Quando chegam � escola, muitas vezes buscam rela寤es que os tratem de forma semelhante. (LOPES NETO, 2011 p. 46)

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O fato de sofrer bullying n�o � culpa da v�tima, pois ningu�m pode ser responsabilizado por ser diferente. Na verdade, a diferen�a � apenas o pretexto para que o agressor satisfa�a uma necessidade que � dele mesmo: a de agredir (LOPES NETO, 2005).

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Consequ�ncias do Bullying

Todos perdem com a pr�tica do bullying. As evid�ncias demonstram que a pr�tica do bullying, aliada a toler�ncia pelos adultos seja importante indicativo de ado豫o de comportamentos antissociais e violentos imediatos e tardios, como porte de armas, consumo de tabaco, �lcool e drogas, atos criminosos, viol�ncia dom�stica etc. (LOPES NETO, 2011)

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As conseq獪ncias da conduta bullying afetam todos os envolvidos e em todos os n�veis, por�m especialmente a “v�tima”, que pode continuar a sofrer seus efeitos negativos muito al�m do per�odo escolar. Pode trazer preju�zos em suas rela寤es de trabalho, em sua futura constitui豫o familiar e cria豫o de filhos. No �mbito da sa�de f�sica e emocional, a baixa na resist�ncia imunol�gica e na autoestima, o stress, os sintomas psicossom�ticos, transtornos psicol�gicos, a depress�o e o suic�dio. Para os “agressores”, tamb�m poder� haver preju�zo por toda a vida, podendo experimentar a sensa豫o de consolida豫o de suas condutas autorit�rias, tendo como resultados o distanciamento e a falta de adapta豫o aos objetivos escolares, a supervaloriza豫o da viol�ncia como forma de obten豫o de poder, o desenvolvimento de habilidades para futuras condutas delituosas, al�m da proje豫o de condutas violentas na vida adulta. Para os “espectadores”, que � a maioria dos alunos, estes podem sentir inseguran�a, ansiedade, medo e estresse, comprometendo o seu processo socioeducacional. Dependendo do grau de sofrimento vivido pela crian�a, ela poder� sentir-se ancorada a constru寤es inconscientes de pensamentos de vingan�a e de suic�dio, ou manifestar determinados tipos de comportamentos agressivos ou violentos, prejudiciais a si mesma e � sociedade, isto se n�o houver interven豫o diagn�stica, preventiva e psicoter�pica, al�m de esfor�os conjugados젨 de comunidade escolar (FANTE, 2005 p. 79-81).

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Com o passar do tempo, as v�timas de bullying tanto podem se recuperar destes traumas sofridos durante o per�odo escolar, como podem desenvolv�-los mais e mais, at� entrarem num ponto irrevers�vel, como � o caso do desespero que levado ao extremo, pode culminar em suic�dio (LOPES NETO, 2005).

Na vida adulta, as v�timas de bullying manifestam consequ�ncias deste per�odo, como sentimentos negativos, seriedade, problemas de relacionamento e at� mesmo agressividade. A pr�tica de bullying no trabalho � tamb�m umas das consequ�ncias que a v�tima de viol�ncia escolar pode vir a apresentar (ABRAPIA, 2006).

As conseq獪ncias podem durar por toda a vida. S�o mais sujeitos a apresentar baixa autoestima e quadros depressivos antes dos 23 anos de idade, quando comparadas a grupos de n�o alvos. Mesmo quando adultos apresentam dificuldades de ordem afetiva. Como profissionais, podem n�o desenvolver todo o seu potencial, pelo sentimento de inseguran�a, medo e resist�ncia � exposi豫o p�blica ou ao conv�vio social. Existe a possibilidade de sofrerem bullying a� tamb�m. (LOPES NETO, 2011, p. 44).

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Papel dos pais na preven豫o do bullying

Um programa de preven豫o contra o bullying, envolve a efetividade das pr�ticas educativas parentais pr�-sociais, e educadores, continuamente bem informados sobre o bullying: o que �, o que provoca, quais as causas e conseq獪ncias 쟢 parceria conjunta e cont�nua entre fam�lia e escola (TEIXEIRA, 2011).

A efetividade das pr�ticas educativas parentais associadas ao desenvolvimento de comportamentos pr�-sociais (monitoria positiva e comportamento moral) e diminui豫o do uso das pr�ticas educativas parentais associadas ao desenvolvimento de comportamentos de risco (neglig�ncia, monitoria negativa abuso f�sico e psicol�gico, disciplina relaxada e puni豫o inconsistente) aparecem como fatores importantes na preven豫o desses comportamentos antissociais (GOMIDE, 2003).

Gomide (2001) cita que a pr�tica educativa do processo de modelagem de pap�is na identifica豫o e nas intera寤es humanas, no que se refere principalmente a normas e valores transmitidos atrav�s do modelo parental est� ligada aos comportamentos morais transmitidos aos filhos pelos pais, atrav�s de seus pr�prios comportamentos e di�logos referentes a temas como justi�a, generosidade, empatia entre outros. Se a inten豫o dos pais � ensinar o respeito aos limites, �� imprescind�vel que os filhos vejam os pais respeitando os limites. N�o deve haver parcialidade, nem opress�o; o que a crian�a v� e ouve, produz impress�es t�o profundas que nenhuma circunst�ncia posterior da vida poder� desfazer completamente (WHITE, 1996).

A monitoria positiva caracteriza-se pelo real interesse e acompanhamento dos pais para com a crian�a. Envolve a demonstra豫o de afeto pelos filhos atrav�s de contatos f�sicos e sociais, de forma que o filho se sinta amado e protegido, sem ter seus direitos cerceados ou haver falta de confian�a entre pais e filhos. Segundo Gomide (2003), pais que exercem adequadamente a monitoria positiva tendem a ter elevado repert�rio de habilidades sociais, que est�o ligadas ao desenvolvimento saud�vel de crian�as e adolescentes, j� que em um ambiente familiar onde se fa�a uso dessas habilidades, provavelmente se desenvolvem crian�as com adequado repert�rio de habilidades sociais. Fante (2005), cita que as a寤es que estimulam a conviv�ncia pac�fica, por meio da aprendizagem do respeito, toler�ncia, solidariedade s�o fundamentais para a preven豫o de comportamentos agressivos. Os pais devem atuar no cuidado e na prote豫o dos filhos, conversando, dialogando, apoiando e determinando limites (SILVA, 2010). � dever da fam�lia, proporcionar aos filhos, ambiente emocional seguro, que favore�a a liberdade, o respeito e a dignidade, visando o pleno desenvolvimento do ser. Buscar aux�lio, orienta豫o e parcerias junto �s escolas e demais segmentos sociais, visando aprender a educar para a paz, por meio de modelos educativos humanistas que desconstruam a cultura da viol�ncia e favore�am a afetividade, o di�logo, a coer�ncia, os limites, o respeito e a toler�ncia (FANTE, 2005).

O comportamento moral, que se refere a comportamentos ligados � justi�a e � moral, � coer�ncia dos pais, �s possibilidades de acertos e erros por parte da crian�a, com a adequada reflex�o sobre seus atos 쟞parece como pr�tica preditora de� compet�ncia social. Essa pr�tica, junto com a monitoria positiva, s�o as pr�ticas que levam ao desenvolvimento de comportamentos pr�-sociais (GOMIDE, 2003). Assim, o comportamento moral, ao predizer a compet�ncia social, mostra a import�ncia dessa pr�tica como forma de apoio e modelo de repert�rio para a crian�a, colaborando para que n�o se desenvolvam comportamentos de risco. A fam�lia deve prover um modelo de educa豫o que seja capaz de associar a autorrealiza豫o com atitudes socialmente produtivas e solid�rias (SILVA, 2010). � importante que a fam�lia questione quais os modelos de comportamento est�o impondo aos seus filhos.

H� muito tempo, pesquisadores do comportamento humano t�m considerado a neglig�ncia como fator de risco para o desenvolvimento da crian�a e do adolescente (BOWLBY, 1990). A neglig�ncia foi definida por Gomide (2003) como a pr�tica parental envolta por aus�ncia de supervis�o e interesse dos pais em rela豫o � vida de seu filho. Nesses casos, os pais agem como espectadores e n�o participantes da educa豫o, atrav�s da falta de aten豫o, descaso, omiss�o e at� mesmo falta de amor. A neglig�ncia � considerada um dos principais fatores a desencadear comportamentos anti-sociais nas crian�as, e est� associada ao hist�rico de vida de adolescentes com comportamento infrator (GOMIDE, 2009).

Em oposi豫o � monitoria positiva, a monitoria negativa se caracteriza pela grande quantidade de instru寤es repetitivas, que n�o s�o seguidas pelos filhos e pelo excesso de fiscaliza豫o da vida dos filhos. Essa pr�tica educativa causa ambientes familiares estressados e sem di�logo, uma vez que os filhos, ao tentarem proteger dos pais sua privacidade, podem fazer uso de comportamentos agressivos (GOMIDE, 2003). �

Segundo Gomide (2001), a puni豫o inconsistente caracteriza-se pela puni豫o dependente do humor dos pais e n�o em fun豫o do comportamento da crian�a; assim, havendo inconst�ncia nas consequ�ncias do comportamento do filho, este n�o sabe como agir e aprende mais a discriminar o humor dos pais do que a agir de forma correta. Um n�mero significativo de agressores conviveram com pais indulgentes que, apesar de manterem um relacionamento afetivo aparentemente positivo com os filhos, n�o os monitoravam, e sequer estabeleciam limites e orienta寤es significativas (CECCONELLO, DE ANTONNI, KOLLER, 2003).

Gomide (2009) caracteriza a disciplina relaxada pelo n�o cumprimento de regras estabelecidas. Os pais amea�am e quando se confrontam com comportamentos opositores dos filhos n�o conseguem exigir o cumprimento das regras estabelecidas. A fam�lia, como primeiro contexto socializador da crian�a, estabelece a base para os padr�es comportamentais infantis (GOMIDE, 2001). Crian�as expostas constantemente a pr�ticas educativas de disciplina relaxada estar�o em potencial situa豫o de risco para o desenvolvimento de comportamentos delinquentes, uma vez que os comportamentos de agressividade e de oposi豫o encontram em tais pr�ticas campos prop�cios para o seu desenvolvimento (PATTERSON, REID, DISHION, 1992).

Os pais devem acompanhar e cobrar da escola medidas de preven豫o contra o bullying. Esta deve prover regras claras contra a pr�tica de� bullying desde o primeiro dia de aula, promo豫o de� debates, fazendo com que o assunto seja bastante divulgado e assimilado pelos alunos,� promo豫o de reuni�es para esclarecer sobre o assunto,� prover� a oportunidade de que os pr�prios alunos criem regras de disciplina para suas pr�prias classes e tamb�m� permitir que os alunos busquem solu寤es capazes de modificar o comportamento e o ambiente. (SILVA, 2010) A cria豫o de um programa antibullying, se feito de forma cont�nua e em parceria com os pais, � capaz de prevenir o problema (TEIXEIRA, 2011).

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Papel dos pais na detec豫o do bullying

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A detec豫o do bullying� envolve, al�m de preven豫o, o conhecimento do fen�meno bem como de todos os sintomas apresentados pela v�tima ou pelo agressor. Estudar e conhecer o bullying s�o fatores essenciais para uma interven豫o eficaz (TEIXEIRA, 2011). Perceber e monitorar as habilidades ou poss�veis dificuldades que possam ter os jovens em seu conv�vio social com os colegas passa a ser atitude obrigat�ria daqueles que assumiram a responsabilidade pela educa豫o (LOPES NETO, 2005)

Na maioria dos casos de bullying, os filhos n�o procuram os pais e estes n�o ficam sabendo o que est� acontecendo com seus filhos. White (1996), afirma que os pais precisam acompanhar os filhos de perto, por�m, segundo Fante (2005), a maioria dos pais n�o acompanha a rotina dos filhos, o que torna o bullying de dif�cil identifica豫o por parte dos familiares, porque a “v�tima” teme denunciar os seus agressores, por medo de sofrer repres�lias e por vergonha de admitir que est� apanhando ou passando por situa寤es humilhantes na escola ou, ainda, por acreditar que n�o lhe dar�o o devido cr�dito. Os pais devem observar com mais aten豫o a rotina dos filhos, acompanhar o desempenho escolar, buscar informa寤es na escola, receber os colegas dos filhos em casa e, o mais importante, conversar (SILVA, 2010), visto que a fun豫o da fam�lia � permitir que o filho exponha seu sofrimento (LOPES NETO, 2005).

Lopes Neto (2005) lista sinais e sintomas poss�veis de serem observados em alunos alvos de bullying: enurese noturna, altera豫o do sono, cefal�ia, dor epig�strica, desmaios, v�mitos, dores em extremidades, paralisias, hiperventila豫o, queixas visuais, s�ndrome do intestino irrit�vel, anorexia, bulimia, isolamento, tentativas de suic�dio, irritabilidade, agressividade, ansiedade, perda de mem�ria, histeria, depress�o, p�nico, relatos de medo, resist�ncia em ir para a escola, demonstra豫o de tristeza, inseguran�a por estar na escola, mau rendimento escolar, atos deliberados de autoagress�o.

Teixeira (2011) menciona ainda alguns outros sinais de alerta que a crian�a� pode apresentar e que devem ser levados em considera豫o para detectar poss�veis v�timas: crian�a volta da escola para casa com a roupa e o material rasgado, crian�a apresenta medo de ir para a escola, crian�a se recusa a ir para a escola, crian�a fica mais ansiosa no momento que antecede a ida a escola, crian�a fica ansiosa com a hora da sa�da, crian�a tem poucos amigos, crian�a tem dificuldade para fazer amizade, crian�a n�o � convidada para festinhas de anivers�rio, crian�a nunca fala de um melhor amigo ou n�o traz amigos para casa ou crian�a apresenta um estado de humor triste.

쟔ilva (2010) acrescenta que na escola, encontram-se isoladas do grupo, ou perto de alguns adultos que possam proteg�-las; na sala de aula apresentam postura retra�da, mos춗ram-se comumente deprimidas ou aflitas. Nos jogos ou atividades em grupo sempre s�o as �ltimas a serem escolhidas ou s�o exclu�das; aos poucos v�o se desinteressando das atividades e tarefas escolares; e em casos mais dram�ticos apresentam hematomas, arranh�es, cortes, roupas danificadas ou rasgadas. Todos esses sintomas tendem a ser mais intensos no per�odo que antecede o hor�rio de as v�timas entrarem na escola. Mudan�as frequentes e intensas de estado de humor, com explos�es repentinas de irrita豫o ou raiva. Geralmente, elas n�o t�m amigos ou, quando t�m s�o bem poucos; existe uma escassez de telefonemas, e-mails, torpedos, passeios ou viagens com o grupo escolar. Passam a gastar mais dinheiro do que o habitual na cantina ou com a compra de objetos diversos com o intuito de presentear os outros.

Segundo Silva (2010), os agressores tamb�m precisam ser identificados. Na escola, fazem brincadeiras de mau gosto, goza寤es, colocam apelidos pejorativos, difamam, amea�am, constrangem e menosprezam alguns alunos, fur춗am ou roubam dinheiro, lanches e pertences de outros estudantes. Costumam ser popula춓es na escola e est�o sempre enturmados. Divertem-se � custa do sofrimento alheio. No ambiente dom�stico, mant�m atitudes desafiadoras e agressivas em rela豫o aos fami춍iares. S�o arrogantes no agir, no falar e no vestir, demonstrando superioridade. Manipulam pessoas para se safar das confus�es em que se envolveram. Costumam voltar da escola com objetos ou dinheiro que n�o possu�am. Muitos agressores mentem, de forma convin춃ente, e negam as reclama寤es da escola, dos irm�os ou dos empregados dom�sticos.

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Papel dos pais no enfrentamento do bullying

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O enfrentamento do bullying envolve uma parceria cont�nua dos pais com a escola, comunica豫o adequada com os filhos que os capacite para fugirem ou lidarem com as situa寤es de bullying, a partir de um conhecimento aprofundado sobre o fen�meno. Pais e educadores devem andar juntos neste combate (TEIXEIRA, 2011). O melhor trunfo para enfrentar o bullying � reconhecer que ele existe e que � necess�rio buscar e fornecer informa寤es sobre essa pr�tica (o que �, como se caracteriza e como evit�la) (FANTE, 2005).

Os pais, ao se tornarem parceiros da escola, devem apoiar, sugerir e participar de a寤es desenvolvidas pela escola e demais segmentos sociais, bem como cobrar que essas a寤es aconte�am, visando � diminui豫o do comportamento agressivo e abusivo entre estudantes (FANTE, 2005). 쟊opes Neto (2003) cita que o programa de enfrentamento de bullying criado por Dan Olweus, por meio de interven寤es precoce que envolva parceria cont�nua entre pais, alunos e educadores, � considerado o mais bem documentado e mais efetivo na redu豫o do bullying. Esse programa envolvia a pesquisa da realidade atrav�s da aplica豫o de um question�rio (sem identifica豫o do aluno) que realizava o levantamento da realidade escolar. Os dados levantados indicariam a percep豫o espont�nea dos alunos quanto ao bullying.� As perguntas norteadoras do question�rio foram: “Recentemente, houve bullying?” “Qual o tamanho do problema?” “Em que local/momento ocorre?” “Algu�m interveio?” “Espera-se que haja interven豫o?” “Que tipo de agress�es houve?”. Ap�s a coleta e apresenta豫o dos dados partiu-se para a cria豫o do grupo de trabalho a fim elaborar a寤es e estrat�gias que foram implantadas. Segundo Lopes Neto (2003),� a divulga豫o do tema deve ser a mais ampla poss�vel, extrapolando o ambiente escolar, finalizando com a avalia豫o dos resultados. O di�logo, a cria豫o de pactos de conviv�ncia, o apoio e o estabelecimento de elos de confian�a e informa豫o s�o instrumentos eficazes. Nas escolas onde pais e estudantes tiveram participa豫o ativa nas decis�es e organiza豫o, observou-se redu豫o dos n�veis de vandalismo e de problemas disciplinares e maior satisfa豫o de alunos e professores.

Segundo Fante (2010), a parceria entre pais e escola, na pr�tica, envolve v�rias a寤es relativamente simples e de baixo custo que devem acontecer dentro da escola, apoiadas e cobradas pelos pais visando estabelecimento de normas, diretrizes e a寤es coerentes de enfrentamento do bullying. As a寤es devem priorizar a conscientiza豫o geral e a garantia de um ambiente escolar sadio e seguro, envolvendo capacita豫o da equipe escolar por meio de cursos sobre identifica豫o, interven豫o e encaminhamento de casos e de oficinas para o desenvolvimento de a寤es preventivas e promotoras da cultura de paz; elabora豫o e distribui豫o de material informativo e educativo sobre o bullying escolar e o programa de enfrentamento, com foco na conscientiza豫o; incentivo ao desenvolvimento de a寤es de enfrentamento por meio de assembl�ias de estudantes onde, identificando os problemas do grupo/classe e encontrando solu寤es, sejam criados materiais (gibis, livros, v�deos, cartazes) resultando em publica寤es que promovam a cultura de paz e o est�mulo � arte, ao esporte, ao lazer como estrat�gias para reduzir o comportamento agressivo; capacita豫o de pais para a observa豫o, identifica豫o, interven豫o e encaminhamento de situa寤es vivenciadas pelos filhos; incentivo ao desenvolvimento de parcerias com as escolas visando orienta寤es na educa豫o de filhos, a redu豫o da viol�ncia dom�stica e o incentivo ao di�logo na resolu豫o de conflitos; a promo豫o de m�todos alternativos � disciplina de castigos corporais, a suspens�o (culpabiliza豫o do aluno) e a conversa com pais (culpabiliza豫o da fam�lia), medidas claramente insuficientes para a abordagem do fen�meno. Deve-se exigir que as escolas tenham procedimentos preventivos e normas claras, objetivas, aplicadas com rigor e transpar�ncia; forma豫o de uma equipe multidisciplinar e interinstitucional visando a forma豫o continuada dos educadores; treinamentos atrav�s de t�cnicas de estimulem os alunos a adquirirem habilidade para lidar de diferentes formas com o bullying;� forma豫o de grupos de apoio, que protejam os alvos e auxiliem na solu豫o das situa寤es de bullying. A elabora豫o de regras e processos pode ser um excelente exerc�cio participativo para a clara compreens�o do fen�meno do bullying por todos os envolvidos, estimulando o engajamento dos pr�prios alunos e suas fam�lias no enfrentamento do bullying. Fante (2005, p.112), 쟳ugere uma atividade em sala de aula na qual os alunos elaboram uma reda豫o com o seguinte tema “Minha vida escolar”. Se o professor j� tem conhecimento dos envolvidos na situa豫o de bullying, a atividade pode proporcionar um efeito maior, pois o professor pode chamar v�tima e agressor em particular, refor�ando a import�ncia do v�nculo,� e estabelecer um di�logo, demonstrando interesse, aten豫o e compreens�o para com ambos, atrav�s de um olhar sens�vel que conquiste a confian�a dos envolvidos e demonstre interesse em ajud�-los a resolver tal situa豫o.

Aos alunos autores dos atos de viol�ncia, devem ser dadas condi寤es para que desenvolvam comportamentos mais amig�veis e sadios, evitando o uso de a寤es puramente punitivas, como castigos, suspens�es ou exclus�o do ambiente escolar, que acabam por marginaliz�-los. Estimular a cria豫o ou implementa豫o de uma rede de apoio � crian�a e adolescente v�tima de bullying e seus familiares, composta por profissionais da �rea de sa�de, psic�logos, educadores, visando sua integral prote豫o; treinamento da equipe de coordenadores e de grupos de estudantes e de pais de estudantes com o objetivo de desenvolver, avaliar e implementar a寤es anti-bullying.

잸 comunica豫o entre pais e filhos no enfrentamento do bullying envolve 쟵ma rela豫o pr�xima e �ntima entre pais e filhos. Os pais devem conversar com os filhos sobre as pr�ticas envolvendo o bullying e suas implica寤es, que os ensine a diferenci�-lo das brincadeiras cotidianas, mostrar as poss�veis responsabiliza寤es e estimular o envolvimento dos filhos em a寤es de cidadania e de cultura da paz e nunca revidar as agress�es (FANTE, 2005).

� fundamental que os pais exer�am o papel de porto seguro para que a comunica豫o seja poss�vel. A boa comunica豫o se d� atrav�s de conversas francas sobre o dia a dia, de forma que auxilie na identifica豫o das causas de aquela crian�a estar sendo agressiva ou recebendo agress�es. Ao descobrir que o filho � v�tima de bullying, � fundamental n�o o culpar por alguma atitude mais passiva que tenha tomado, manter uma postura serena e calma evitando comportamentos que possam desencadear mais agressividade ou viol�ncia, mas encorajando� a crian�a a vencer seus medos (LOPES NETO, 2005).

Deve-se elogiar a atitude de relatar o acontecimento (FANTE, 2003).
Os pais n�o devem ignorar qualquer sinal, nem procurar fazer de conta que est� tudo bem, mas � necess�rio 쟢stimular e orientar os filhos a procurarem ajuda de todos os profissionais da equipe escolar para denunciar qualquer ocorr�ncia de bullying ao inv�s de revidarem a agress�o a si pr�prios ou a colegas, pois o enfrentamento da situa豫o pelas testemunhas demonstra aos autores que eles n�o ter�o o apoio do grupo (FANTE, 2010).

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Considera寤es finais

In�meras pesquisas foram encontradas na literatura sobre� a rela豫o fam�lia e desenvolvimento de comportamentos agressivos, por�m, poucas pesquisas foram� encontradas especificamente sobre a rela豫o entre pr�ticas parentais e o desenvolvimento do bullying.

Apesar dos dados que sugerem fortes influ�ncias do meio-ambiente familiar no desenvolvimento de comportamentos de risco, � importante evitar explica寤es deterministas e lineares. A grande influ�ncia exercida pelos pais deve ser compreendida como parte de uma complexa rede de vari�veis, boa parte delas de origem social, que explicam a ocorr�ncia do fen�meno do bullying.

O objetivo da pesquisa n�o � atribuir ou isentar indiv�duos de culpa, mas sim apresentar dados e explica寤es que contribuam para a compreens�o do bullying de formas a servir como um alerta para a necessidade de preven豫o, detec豫o e enfrentamento a partir dos fatores de risco.�

Ambientes familiares que proporcionem oportunidades de intera寤es adequadas podem interferir positivamente contra o desenvolvimento de padr�es comportamentais inadequados como o �bullying.

A presen�a de modelos atuantes e reflexivos no dia a dia dos filhos tende a� contribuir para que modelos de vingan�a e interpreta寤es distorcidas de atos her�icos violentos sejam questionados e modelos funcionais sejam constru�dos e apresentados aos filhos. Da mesma forma, pais presentes, que acompanham o dia a dia dos filhos, interagindo, monitorando-os positivamente, desenvolvendo um comportamento moral, e se dedicando afetivamente t�m condi寤es de identificar que tipo de rela寤es eles v�m estabelecendo em seu cotidiano, percebendo sinais importantes e identificando elementos de risco, e assim proceder com as interven寤es e cuidados pelos quais s�o respons�veis.

A manuten豫o do afeto positivo, em si, parece n�o ser contribui豫o suficiente dos pais para o desenvolvimento dos filhos (apesar de necess�ria). O monitoramento positivo, estabelecimento de limites, orienta寤es claras e exig�ncias a essas orienta寤es e regras, parece ser imprescind�vel.

Todas as crian�as e adolescentes t�m, individual e coletivamente, uma prerrogativa humana de mudan�a, de transforma豫o e de reconstru豫o, ainda que em situa寤es muito adversas, podendo vir a protagonizar uma vida apoiada na paz, na seguran�a poss�vel e na felicidade. Esse desafio depende de uma interven豫o interdisciplinar firme e competente, envolvendo a fam�lia, a escola e toda a sociedade. N�o h� projetos antibullying sem o envolvimento de toda a comunidade escolar, professores, funcion�rios, pais e estudantes (LOPES NETO, 2011).

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[1] Artigo redigido para Conclus�o de Curso de P�s-Gradua豫o Lato Sensu em Aconselhamento

Educacional e Familiar – Centro Universit�rio Adventista de S�o Paulo- Campus 2, na cidade de

Engenheiro Coelho, 2011, sob a orienta豫o da Profa. Dra. Karyne Rios.


Autor: Queila Barbosa Montanari Tavares Silva


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