Sistema De Banco De Créditos: Fim Do Sistema Escolar?



Desde 1998, na Coréia do Sul, uma inovação proposta pela Comissão Presidencial para a Reforma da Educação, o Sistema de Banco de Créditos (SBC), elevou o status do setor de educação informal, naquele país, tornando-o capaz de competir diretamente com as universidades estabelecidas.

Através do SBC, instituições não-universitárias, como ONGs, movimentos sociais, empresas etc. são credenciadas para ministrarem disciplinas de nível superior. Para estarem no mercado, essas instituições não precisam oferecer todas as disciplinas de um curso universitário, podem oferecer somente uma disciplina, por exemplo.

Um estudante formado no ensino médio pode selecionar disciplinas de instituições credenciadas variadas. Cada disciplina cursada significa créditos no SBC. Uma vez cursados todos os créditos de um dos currículos-padrão do Instituto de Desenvolvimento Educacional Coreano (Korean Educational Development Institute KEDI), o estudante recebe o título de bacharel.

O estudante pode obter créditos também sendo aprovado em exames de certificação de uma das instituições de certificação técnica do país ou através dos exames de bacharelado promovidos pelo governo. Nos exames de bacharelado, um autodidata, que seja aprovado em quatro estágios de avaliação, obtém o grau de bacharel. Além disso, se o indivíduo é aprovado em certos temas, mas não é aprovado nos quatro estágios, os créditos dos temas nos quais foi aprovado são registrados no Sistema de Banco de Créditos.

O principal objetivo do SBC é transformar o sistema educacional coreano num sistema aberto e flexível, capaz de acomodar uma proposta de educação por toda a vida. Ele é um sistema de educação que reconhece experiências de aprendizado diversas, obtidas não apenas na escola, mas também fora dela. De acordo com o autor do relatório (APPEAL, 2002):

O SBC pretende desenvolver uma sociedade orientada para habilidades. O atual sistema educacional é um sistema baseado em escolas. Mas, em uma sociedade de educação aberta, as pessoas não devem ser confinadas pelo sistema de educação baseado em escolas. O sistema de educação baseado em escolas deve ser abolido. (p.104).

O novo sistema pretende inovar ainda de diversas formas. Inicialmente, pretende incluir outras experiências de aprendizado. Primeiro, deve incluir as experiências de educação à distância, possibilitadas pelas novas tecnologias de informação. Em segundo lugar, pretende aprovar créditos para várias experiências de aprendizado relacionadas a experiências do dia-a-dia e da vida profissional, sem que o indivíduo seja obrigado a cursar disciplinas em instituições para obter créditos no CBS. Além disso, o CBS pretende evoluir para temas não disponíveis nas universidades. As instituições poderão abrir temas baseados nas necessidades dos estudantes, em mudanças na sociedade, na atualização de conhecimentos e habilidades em ciência e tecnologia. Vale lembrar que, segundo Gadotti (2000, p.9), existem hoje perto de 11 mil funções na sociedade contra aproximadamente 60 profissões oferecidas pelas universidades.

Bibliografia:

APPEAL Resource and Training Consortium (ARTC). Innovations in non-formal education: a review of selected initiatives from the Asia-Pacific Region. Bangkok: UNESCO, 2002. (Case Study: The Credit Bank System: An Innovative Approach to Adult Lifelong Learning in Korea, p. 92).

GADOTTI, Moacir. Perspectivas atuais da educação. São Paulo em Perspectiva, 14(2), 2000, pp.3-11.

Autor: Luis Caldas


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