Matemática na educação infantil



Por: Elisângela Soares Ramos;

RESUMO

O presente artigo foi elaborado a partir de uma intervenção realizada com crianças na faixa-etária de 2 e 3 anos, inseridos na turma de nível Maternal I  da E.E.I.M.M, situada no bairro Santana em Porto Alegre. Tendo por objetivo investigar o interesse das crianças em participar de jogos como recurso didático, para facilitar o desenvolvimento do raciocínio lógico matemático entre a faixa-etária. Assim, foi apresentada a Oficina Ludoteca, oportunizando a exploração de jogos de classificação e seriação, trazendo no material concreto, somente, os atributos formas e cores, propiciando situações desafiadoras aos pequenos. Em conclusão, a intervenção descrita, veio fortalecer a hipótese de que o jogo na Educação Infantil desenvolve o pensar-lógico da criança, preparando-a, para construção do número como aprendizagem futura. Neste contexto lúdico e estimulador foi possível observar a interação e a compreensão dos mesmos ao explorarem os jogos e criarem estratégias para solucionar desafios encontrados. Com o entendimento de que a criança precisa ser considerada sujeito de sua aprendizagem, participante ativa desse processo de desenvolvimento.

 Palavras-chave: Educação. Educação Infantil. Matemática. Jogo.

 

 

1 INTRODUÇÃO

            Sabe-se que há necessidade de proporcionar situações significativas e interessantes para as crianças compreendendo a importância, desde a Educação Infantil, em organizar experiências que privilegiem a formação de diferentes conceitos analisando a importância dos jogos como recursos em sala de aula, saber da estruturação lógico-matemática e refletir sobre a prática do educador frente às novas propostas para o trabalho com o eixo da Matemática.

          Com o objetivo de investigar o interesse das crianças em participar de jogos como recurso didático como facilitador para o desenvolvimento do raciocínio lógico matemático com a faixa-etária, auxiliando os alunos na formação de conceitos matemáticos e na construção do conceito de número. Foi realizada uma intervenção de prática real, com crianças na faixa-etária de 2 e 3 anos, inseridos na turma de nível Maternal I  da E.E.I.M.M, situada no bairro Santanaem Porto Alegre.Naoportunidade foi apresentado às crianças uma Oficina Ludoteca, com jogos de classificação e seriação. Os jogos despertaram bastante interesse nas crianças, o Lego, de encaixe; Cada forma no seu lugar, formas geométricas; Memória das formas, cartões com formas geométricas semelhantes e o Quebra-Cabeça dividiram a turma em pequenos grupos espontaneamente, puderam explorar os recursos de acordo com suas hipóteses e após foi possível mediar os jogos de acordo com a proposta pedagógica, onde às crianças demonstraram compreensão e bastante curiosidade.     

Na seqüência o leitor poderá constatar a importância em explorar jogos na Educação Infantil, auxiliando o desenvolvimento do raciocínio lógico matemático no decorrer do processo de formação da criança e acima de tudo, favorecer a etapa mais importante nesta construção: a criatividade e autonomia de ser um indivíduo cognoscente transformando seu conhecimento.

 

2 . O PROFESSOR, A CRIANÇA E O JOGO

         A construção do conceito de número, por exemplo, começa muito antes da entrada na escola. Desde que em sua casa, nas relações cotidianas, a criança tem oportunidade de lidar com situações que envolvam ordenação, seriação, classificação, já estará se iniciando a construção deste conceito.

         De modo que, desde a educação infantil os jogos podem ser decisivos para a formação da criança em relação a si mesma e ao mundo em sua volta. O professor não ensina conceitos aos alunos, ele os ajuda a construí-los. Para que a criança construa o conceito de número, que é um conceito complexo, é preciso que o professor lhe ofereça inúmeras atividades de classificação, seriação, ordenação de quantidades. Entretanto, o professor deve ser o mediador da construção do conhecimento lógico-matemático. Dizer o que a criança deve fazer é, acima de tudo, podar o que a criança tem de mais importante para essa construção: a criatividade e autonomia de ser um indivíduo cognoscente.

         Só a partir de experiências relevantes e dosadas para a criança é que ela poderá abstrair características comuns que a levem a formar determinados conceitos.

         O ensino da Matemática deve partir sempre de problemas que fazem sentido para a criança, nos quais ele possa perceber o funcionamento de ferramentas matemáticas e o efeito que elas têm sobre a resolução destes problemas. Inicialmente devem ser vivenciadas experiências concretas para que, gradativamente, o aluno possa chegar às abstrações. Material concreto como bolas, palitos, fichas, chapinhas devem estar à disposição dos alunos para serem manipulados.

         Jogos propiciam a tomada de consciência das próprias estratégias, estimulam o pensar de forma independente, favorecem a análise dos próprios  erros e acertos. Um princípio fundamental no âmbito lógico-matemático é o de evitar o reforço da resposta certa e a correção das respostas erradas. Ao contrário é oportuno estimular a troca de idéias entre as próprias crianças. Elas devem ser desafiadas a argumentar em defesa de suas opiniões, ouvir o colega, superar conflitos e contradições, atitudes que são indispensáveis ao desenvolvimento cognitivo.

        Para a Educação Infantil, o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (MEC, 1998), trouxe aos educadores um conjunto de princípios cujo eixo educacional traduz-se como bom processo educativo na pré-escola. Neste documento um dos eixos é o da Matemática, o que justifica a importância desta área, na qual o educador vá direcionar sua ação educativa para o desenvolvimento do pensamento lógico matemático. Para que isto seja possível, o professor deve conhecer como as crianças desenvolvem o pensamento matemático e como estas comunicam ao mundo que as rodeia quando falam a seqüência de números e contam.

       Conforme Vygotsky (apud Kupfer,1993) a aprendizagem é o processo pelo qual o indivíduo adquire informações, habilidades, atitudes, valores, entre outros, a partir do seu contato com a realidade, o meio ambiente e as outras pessoas.

        Também é Vygotsky que propõe a zona de desenvolvimento proximal como uma das estratégias que o professor pode lançar mão para facilitar o processo ensino-aprendizagem. Assim, a troca de experiências entre as crianças num clima de ajuda mútua favorece a aquisição de conhecimentos.

         O papel atribuído por Freud (apud Kupfer, 1997) a uma infância rica em experiências e desenvolvimento. Assim, quanto mais longa for a infância, rica de estímulos que levem a atividade, tanto maior serão as possibilidades intelectuais devido ao aumento de plasticidade cerebral durante o qual o indivíduo joga, imita, experimenta, multiplica suas possibilidades de ação e enriquece seu crescimento individual.

 

2.1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA


        O ser humano desde que nasce está em contato com o número, a começar pela própria idade, onde uma criança pequena sem saber quanto é, mostra com os dedos os anos que tem. Nesta situação, ela não está fazendo a conservação do número, pois ainda não associa número a quantidade, este processo , segundo Kamii (1997, p.26) não ocorre antes dos cinco anos.

       O trabalho com o número na maioria das escolas infantis baseiam-se basicamente no reconhecimento dos algarismos e escritas do mesmo; muitos educadores esquecem da importância da exploração da variedade de idéias matemáticas existentes, referentes a classificação e seriação.

      Segundo Vygotsky, o lúdico influência enormemente o desenvolvimento da criança. É através do jogo que a criança aprende a agir, sua curiosidade é estimulada, adquire iniciativa e autoconfiança, proporciona o desenvolvimento da linguagem, do pensamento e da concentração [VYG 89].

        O jogo para PIAGET (1994), se dá num período paralelo ao da imitação, porém, enquanto nesta há uma predominância da acomodação, no jogo, a característica essencial é a assimilação.

 

“Se o ato de inteligência culmina num equilíbrio entre

assimilação e acomodação, enquanto a imitação prolonga

última por si mesma, poder-se-á dizer, inversamente, que

o jogo é essencialmente assimilar, ou assimilação

predominando sobre a acomodação”. (p. 115).

       O jogar deve fazer parte da infância, é um ato espontâneo de toda criança, através dele aprimora-se os aspectos cognitivos, afetivos e motores.
Piaget (1998) acredita que ele é essencial na vida da criança.
Atividades com jogos estimulam o agir-pensar com lógica e critério, contribuindo para o desenvolvimento da criatividade, memória, imaginação, concentração e organização.

De acordo com o Referencial Curricular Nacional (1998 p.235):
Pelo seu caráter coletivo, os jogos e as brincadeiras permitem que o grupo se
estruture, que as crianças estabeleçam relações ricas de troca, aprendam a
esperar sua vez, acostumem – se a lidar com regras, conscientizando-se que
podem ganhar ou perder. Contudo, os jogos na educação infantil favorecem tanto o desenvolvimento cognitivo quanto o desenvolvimento da sociabilidade que é um fator de suma importância nessa fase, pois muitas vezes a escola é um dos primeiros grupos sociais em que a criança está inserida.
Segundo Vygotsky (1998) a criança usa as interações sociais como forma privilegiada de acesso a informações. Ao aprender a regra do jogo através de outros amigos aprende, também, a regular seu comportamento pelas reações e interações. Ainda segundo esse pesquisador o jogo é uma atividade específica da infância em que a criança recria a realidade usando sistemas simbólicos, sendo uma atividade social com contexto cultural.

  •      O professor deve encorajar a criança a opinar, participar ativamente dos jogos e atividades, respeitando a espontaneidade e estimulando o pensamento, a criatividade. Kamii (2008) considera a importância de desenvolver a autonomia nas crianças pequenas para que elas possam ser mentalmente ativas para construir o número. Nesse aspecto, o papel do professor é fundamental, pois ele vai encorajar os alunos a expor o pensamento sem medo do julgamento prévio do adulto, mas agindo de acordo com suas escolhas e hipóteses.

      Na educação infantil é essencial a elaboração de uma rotina, algo que facilita o trabalho do professor e ainda proporciona segurança ao aluno. No eixo de Matemática, em especial, o Referencial Curricular Nacional (1998) sugere que o trabalho seja organizado em três maneiras: as atividades permanentes, as sequências didáticas e, por fim, os projetos. Destaca ainda, que as atividades permanentes são atividades regulares, não necessariamente diárias, como exemplo, a utilização do calendário. Para Kamii (2008) essa situação escolar é chamada de Vida Diária, onde o professor proporciona momentos de trabalho com a Matemática, porém de forma contextualizada
e significativa. Essas atividades, além de serem significativas para as crianças devem apresentar desafios constantes, aumentando o interesse na participação. O Referencial Curricular Nacional (1998 p.236) traz informação de que: “É preciso lembrar que os jogos de construção e de regras são atividades permanentes que propiciam o trabalho com a Matemática”.

Quando o processo de ensino-aprendizagem acontece em um ambiente favorável, rico e harmônico a criança se torna mais segura, confiante e sujeito de seu próprio conhecimento, carregando saberes sólidos e preparada para aprendizagens futuras.

 

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

       Através dessa pesquisa foi possível observar o interesse das crianças em participar das atividades com jogos durante Oficina Ludoteca, onde puderam explorar os jogos criando diversas estratégias como solução para os desafios encontrados de acordo com a proposta elaborada.

Desta forma, entende-se que a criança precisa ser considerada como sujeito de sua aprendizagem, participante ativa desse processo de desenvolvimento. A linguagem matemática na educação infantil deve acontecer de forma significativa e prazerosa e que o jogo é um importante recurso a ser utilizado em sala de aula como forma de promover o desenvolvimento dos alunos, pois atividades com jogos estimulam o agir-pensar com lógica e critério, contribuindo para o desenvolvimento da criatividade, memória, imaginação, concentração e organização.

Os jogos na educação infantil favorecem tanto o desenvolvimento cognitivo quanto o desenvolvimento da sociabilidade, pois muitas vezes a escola é um dos primeiros grupos sociais em que a criança está inserida. A utilização do jogo favorece um contexto lúdico que permite ao aluno desenvolver o raciocínio, a memória, atenção, expressão, criatividade, interação, entre outros aspectos importantes, além de tornar o ambiente atraente e motivador. Esse trabalho deve acontecer partindo dos acontecimentos diários da vida da criança para que tenha um contexto e seja algo significativo para ela.

No entanto, o educador deve estar em constante atualização, buscando conhecer as teorias, pesquisas para melhor entender a prática. O papel do professor no desenvolvimento da linguagem matemática deve ser essencial, como mediador, conhece as necessidades da criança, planeja atividades de acordo com seu interesse, onde estimulem a autonomia, respeite a espontaneidade e criatividade de cada um. Lembrando que na educação infantil é essencial a elaboração de uma rotina que é algo que organiza o trabalho do educador e ainda promove segurança aos alunos.

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REFERÊNCIAS:

 

KAMII, Constance. A criança e o número. Campinas, São Paulo: Papirus, 2008.

KAMII, Constance. A Criança e o Número: implicações educacionais da teoria de Piaget para a atuação junto a escolares de 4 a6 anos. 23ªed. Campinas: Papirus,1997

KUPFER, Maria Cristina Machado. Freud e a Educação: o mestre do impossível. 3ª ed., São Paulo: Scipione, 1997.

MEC, Referencial Curricular Naciona para Educação Infantill, 1998

PIAGET, J. A psicologia da criança. Ed Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998.

VYGOTSKY, L. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1993.

VIGOTSKY, L. S. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. São Paulo:Ícone, 1988.

VYGOTSKY, L. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1989.

 

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Autor: Elisângela Soares Ramos