TRIBUTA플O E DISTRIBUI플O DE RENDA NO BRASIL



TRIBUTA플O E DISTRIBUI플O DE RENDA NO BRASIL

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O modelo econ�mico brasileiro � um experimento bastante interessante e n�o � dif�cil entender a grande disparidade nas quest�es relacionadas a distribui豫o e a concentra豫o de renda no pa�s.

O sistema tribut�rio brasileiro � bem mais cruel do que as pr�ticas de cobran�a de impostos da Idade M�dia, pois os monarcas eram bem mais justos.

Naquela �poca os sistemas mais severos faziam a reten豫o de 50% dos bens produzidos sob a forma de tributos. Tal pr�tica sofreu grandes transforma寤es, chegando a algo em torno de 25%.

Atualmente muitos pa�ses aboliram totalmente a cobran�a de tributos sobre a comercializa豫o de produtos e servi�os e se tornaram verdadeiros para�sos fiscais.

Tais pa�ses tem sido utilizados como deposit�rios de grandes quantias de dinheiro, oriundos de sobras de patrim�nio e de neg�cios obscuros, sem preocupa寤es com riscos ou perdas.

O Brasil possui uma das maiores cargas tribut�rias do mundo que incidem sobre bens, produtos e servi�os em todos os segmentos de produ豫o.

Do setor prim�rio ao terci�rio, todos s�o taxados. O tabelamento de impostos � t�o extenso e complexo que surgiu a denomina豫o de “imposto em cascata” quando um bem, produto ou servi�o � sobretaxado diversas vezes para encanto e satisfa豫o dos economistas do poder publico que se regozijam com seus c�lculos mirabolantes.

A popula豫o descontente reclama, mas n�o se manifesta. O cidad�o comum e honrado mesmo insatisfeito com tanto tributo, mant�m seus impostos em dia.

A elite econ�mica e pol�tica n�o se cansa de reclamar dos tributos e vive �s voltas tentando driblar o sistema atrav�s da omiss�o de patrim�nio ou sonega豫o de impostos.

O poder p�blico vez por outra, permite concess�es, isentando alguns segmentos do setor industrial, imobili�rio, comercial ou de presta豫o de servi�os. Esta atitude em muitos locais tem gerado um fen�meno chamado “guerra fiscal”, onde impostos s�o trocados por postos de trabalho.

A tributa豫o de bens im�veis � uma das menores e pode chegar pouco mais de 1% do valor. N�o � a toa que investir em im�veis tem se tornado um neg�cio bastante pr�spero no Brasil.

A tributa豫o de presta豫o de servi�os n�o � grande coisa tamb�m e pode variar de 2 a 30% do valor. Investir neste segmento tamb�m � um bom neg�cio.

A tributa豫o de bens de consumo industrializados ou comercializados � uma das maiores do mundo e pode chegar a patamares de 75% do valor. Este � o segmento que mais sofre com a pol�tica tribut�ria, mas tamb�m � o que mais lucra com a sonega豫o de impostos.

N�o � a toa que o com�rcio de bebidas e cigarros � altamente lucrativo no Brasil e movimentam verdadeiras fortunas, pois quanto mais o poder p�blico aumenta os tributos sobre estes produtos, mais o setor cresce.

Este fen�meno ocorre talvez pela facilidade com que estas mercadorias circulam dentro do mercado ou pela facilidade tamb�m em sonegar impostos.

Ora se o Brasil se transformar num para�so fiscal com a cria豫o do “imposto �nico” que � o sonho de muitos segmentos da elite, todo o sistema econ�mico entraria em colapso pois a baixa margem de lucro e a aus�ncia total de sonega豫o dificultaria a concentra豫o de patrim�nio e for�aria uma igualdade econ�mica e social sem precedentes na hist�ria do Brasil.

A comunidade econ�mica conservadora defende a todo custo o rigor do poder p�blico na fiscaliza豫o de todas as opera寤es financeiras dentro do pa�s.

Do outro lado a comunidade econ�mica liberal defende a redu豫o sucessiva destas a寤es e at� mesmo a extin豫o dos tributos.

In�meras s�o as campanhas em prol da cobran�a do “imposto �nico” mobilizando um grande n�mero de intelectuais no meio econ�mico.

Cada um deles tem arquitetado os mais absurdos planos e teorias sobre uma economia de mercado alimentado por uma �nica fonte tribut�ria.

O sistema tribut�rio brasileiro � complexo e qualquer transforma豫o sofrida por ele poder� ter resultados inusitados.

A elite brasileira que det�m grande parte da renda, sente-se extremamente ofendida com a pol�tica tribut�ria em vig�ncia no pa�s.

Vale salientar que o sistema tribut�rio brasileiro, favorece a concentra豫o de renda quando o indiv�duo passa a sonegar impostos.

Quanto maior a incid�ncia de impostos, maiores ser�o os lucros auferidos com uma poss�vel ou contumaz sonega豫o.

A pol�tica do imposto �nico poder� levar � ru�na muitas empresas e institui寤es que tem o costume de realizar opera寤es financeiras obscuras, visando apenas obter vantagens com a sonega豫o de tributos.

O Poder P�blico ter� que repensar o seu papel de gest�o pol�tica e econ�mica para evitar a extin豫o de muitas institui寤es governamentais por conta da nova pol�tica tribut�ria.

Torna-se imprescind�vel a transforma豫o do Poder P�blico de agente arrecadador para agente desenvolvedor, substituindo o atual sistema de coleta de impostos por um modelo que permita e emiss�o de papel moeda para suprir as suas demandas or�ament�rias.

Tais demandas nasceriam dentro da sociedade, sendo submetidas a avalia豫o t�cnica e financeira por �rg�os e profissionais competentes, para ent�o serem aprovadas pelo Poder Legislativo e realizadas pelo Poder Executivo com a fiscaliza豫o do Poder Judici�rio.

Esta medida faria com que grandes projetos de interesse nacional se tornassem vi�veis e o pagamento de bens, servi�os e sal�rios adquiridos pelo Poder P�blico poderia ocorrer sem sacrificar o or�amento de cada cidad�o.

A reforma tribut�ria est� em discuss�o e grandes s�o as dificuldades para buscar alternativas capazes de amenizar de forma significativa qualquer transforma豫o radical neste segmento.

Stenio Gameleira

Educador


Autor: Jose Stenio Neves Gameleira


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