Mucopolissacaridoses



Lúcia de Fátima Sena Mendes¹,

José Robério de Sousa Almeida²

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1-Graduanda em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual do Ceará (UECE),

Faculdade de Filosofia Dom. Aureliano Matos (FAFIDM). Av. Dom Aureliano Matos, 2058,

Limoeiro do Norte – CE.

E-mail: luciafsmendes@hotmail.com

2-Professor Mestrando da Faculdade de Filosofia Dom. Aureliano Matos (FAFIDAM) – UECE

E-mail: profroberio@yahoo.com.br


INTRODUÇÃO

Erros inatos do metabolismo são classificados como doenças genéticas, pois suas causas estão diretamente ligadas às alterações de moléculas protéicas importantes para o funcionamento do organismo. Os defeitos ocorridos nas proteínas podem afetar sua estrutura ou função.

Hoje os erros inatos do metabolismo são compostos por várias enfermidades, onde a maioria é herdada de maneira autossômica recessiva, apresentando-se quase sempre na infância. Dentro dos EIM existe um grupo importante relacionado às doenças lisossômicas de depósito conhecido como doenças lisossômicas(DL).

As doenças lisossômicas são causadas por deficiências enzimáticas especificas resultando em deposito anormal de substratos normais ou de seus produtos catabólicos dentro dos lisossomos (organelas citoplasmáticas que compõem o aparelho digestivo das células). De acordo com o tipo de substrato que se acumulam, as doenças lisossômicas podem ser classificadas em diferentes grupos, os principais são, enfingolipidoses, glicoproteinoses e mucopolissacaridoses.

As mucopolissacaridoses são doenças caracterizadas pelo acúmulo intralisossômico de glicosaminoglicanos (GAGs), secundário à deficiência na atividade de uma enzima lisossômica envolvida na degradação dessas moléculas. Este acúmulo anormal compromete a função celular e orgânica, levando a um grande número de manifestações clínicas, as quais são progressivas e afetam múltiplos órgãos (Vieira, 2007). Geralmente as crianças nascem sem apresentar o quadro clínico da doença, mas passam a desenvolver as características especificas após os primeiros meses da vida.

As mucopolissacaridoses podem ser classificadas em sete tipos diferentes, de acordo com a enzima que está em falta no portador da doença. As duas primeiras mucopolissacaridoses a serem reconhecidas foram a síndrome de Hunter recessiva ligada ao X, em 1917,também conhecida como MPS tipo II. Suas principais características clínicas são baixa estatura, disostose múltipla, alteração no tamanho do fígado. Apresenta aparência normal ao nascer com um crescimento excessivo nos dois primeiros anos e a síndrome de Huler autossômica recessiva mais intensa, em 1919 esse tipo de mucopolissacaridose é o mais grave que existe apresentando alterações faciais tornando a face grosseira e morte antes dos dez anos (Thompsom, 1993).

As principais alterações apresentadas por pacientes que possuem mucopolissacaridoses são opacificação de córnea, cifose tóraco-lombar, alargamento de punhos, aumento de baço e fígado, retardo mental, regressão neurológica, baixa estatura, megaencefalia, traços faciais grosseiros, abdômen protuberante e disostose múltipla (defeito de ossificação) (Genzyme do Brasil, 2002).

As características apresentadas por cada tipo das mucopolissacaridoses são bastante parecidas, sofrendo apenas algumas variações. Dependendo do tipo de mucopolissacaridose a expectativa de vida pode variar.

A mucopolissacaridose do tipo I apresenta três variações, sendo que a mais grave permite que o indivíduo viva até os 10 (dez) anos de idade. Já as outras duas possibilitam que o portador sobreviva até a idade adulta, por volta de 25 (Vinte e cinco) anos. Os outros tipos de mucopolissacaridose apresentam mudanças quanto à expectativa de vida, mas em nenhum dos casos o portador ultrapassa a faixa etária dos 30 (Trinta anos).

Para diagnosticar a doença são necessários alguns testes e exames. Segundo Micheletti (2002), primeiro é preciso haver a suspeita clínica do diagnóstico de uma MPS pelo médico e depois a realização dos seguintes exames: Triagem urinária para Erros inatos do metabolismo; dosagem de GAGs na urina; raio-x de esqueleto; polissonografia; avaliações cardíaca e oftalmológica e outras necessárias, após estes resultados. A confirmação do diagnostico é feita pela dosagem da enzima que está deficiente ou pela análise da alteração nos genes específicos da doença (mutação), o que não é disponível para todos os tipos.

Em virtude das várias manifestações clínicas descritas em todos os tipos de MPS, faz-se necessário o acompanhamento multidisciplinar (dos geneticistas ao psicólogo), para que se possa prevenir, diagnosticar precocemente as complicações e encaminhar ao tratamento, oferecendo assim uma melhor qualidade de vida ao portador da MPS e apoio a família.

Com o avanço da medicina e da genética, novas técnicas de tratamento das mucopolissacaridoses vem surgindo. Até os anos 80, somente tratamentos momentâneos e não específicos estavam à disposição dos pacientes. Hoje entre os vários tratamentos podemos citar o transplante de células hematopoiéticas e a terapia de reposição enzimática.

O transplante de células hematopoiéticas é uma alternativa terapêutica utilizada como tentativa de corrigir defeitos enzimáticos desde 1979. Depois da realização do primeiro transplante em um paciente com MPS I, este procedimento tem sido uma alternativa para as doenças lisossômicas, mas embora apresente melhoras significativas em vários órgãos e sistemas, ainda tem pouco impacto na doença óssea.

A terapia de reposição enzimática fornece a enzima deficiente em cada tipo de MPS exogenamente, através de infusões intravenosas regulares de formas recombinantes das mesmas. A maior desvantagem é que a enzima fornecida intravenosamente não pode atravessar a barreira hemato-enceafálica.

De acordo com Vieira (2007) entre as futuras opções de tratamento para as MPS, podemos citar a terapia de inibição de síntese de substrato e as várias técnicas de terapia gênica. Mas apesar de todas essas técnicas, para alguns tipos de MPS ainda não existe um tratamento seguro e eficaz.

Faz-se necessário a constante busca pelas informações a cerca das MPS, possibilitando aos pacientes uma melhor qualidade de vida e uma maior expectativa de vida.

MATERIAIS E MÉTODOS.

O presente trabalho foi realizado mediante pesquisas de artigos científicos, leituras dos mesmos e de outras fontes como livros; conversas com familiares de pacientes portadores da doença e observação dos sintomas apresentados por esses pacientes.

CONSIDERAÇÕES FINAIS.

Pode-se concluir que as doenças genéticas embora estejam mais presentes no nosso cotidiano ainda existem poucas informações sobre elas, mesmo por parte de pessoas que possuem familiares com esses tipos de doenças.

Conclui-se também que as mucopolissacaridoses são doenças provocadas por uma deficiência enzimática e que para aumentar a expectativa de vida dos portadores faz-se necessário um diagnóstico precoce da doença e um acompanhamento multidisciplinar para os pacientes.

REFERÊNCIAS

MICHELLETTI, Cecília; MARTINS, Ana Maria. Mucopolissacaridoses. Manual de orientações. São Paulo, 2002. Disponível na internet.

< HTTP://www.genzyme.com/thera/az/BR_pdf_patient.pdf>. Acesso em: 08 set 2008.

Mucopolissacaridose I, uma doença de depósito lisossômico multissistêmica complexa (monografia da doença). Apostila retirada do endereço < HTTP://www.genzyme.com/thera/az/BR_pdf_patient.pdf>. Acesso em: 08 set 2008.

THOMPSON, Margaret W.; MICLNNES, Roderick; WILLARD, Huntington F. Genética Médica. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara koogan S.A, 1993.

VIEIRA, Tatiane Alves. História natural das mucopolissacaridoses: uma investigação da trajetória dos pacientes desde o nascimento até o diagnóstico {dissertação de mestrado}. Porto Alegre (RS): Universidade Federal do Rio Grande do Sul; 2007.


Autor: José Robério de Sousa Almeida


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