Lições do Presidente Obama



Lições do Presidente Obama
*Alfredo Passos

A eleição do 44º. Presidente dos Estados Unidos da América, Senador Barack Hussein Obama, além da lição sobre um novo processo político que se instala, também demonstra a campanha política de maior eficiência da história moderna.

Recente reportagem mostra os bastidores da campanha, que como em nossa rede de televisão líder, "vale a pena ver de novo."

A Revista Fast Company em reportagem publicada pela HSM Management, ressalta a utilização da Internet e a comunicação com a nova geração (Geração Y), como os grandes destaques e prováveis sucessos deste resultado.

Nesta matéria ressalta-se de início que a política a partir do Senador e agora Presidente Obama não será mais a mesma.

A política, afinal de contas, trata de marketing – de projetar e vender uma imagem, alimentar aspirações, estimular as pessoas a identificar-se, deixar-se convencer (ou evangelizar-se, como se diz agora) e consumir.

Keith Reinhard, presidente emérito da conselho de administração da agência DDB Worldwide, afirma que "Barack Obama tem as três coisas que se quer de uma marca: novo, diferente e atraente."
O Presidente eleito tem sua maior força entre os jovens de 18 a 29 anos, aqueles que os anunciantes cobiçam, a legião conhecida como geração Y, aquela que superará os baby-boomers até 2010.

São negros, brancos, amarelos e também há os de variados tons mulatos, mas o que compartilham são novas mídias, redes sociais on-line, rejeição por argumentos de venda que vêm de cima para baixo – une-os mais do que os separam as barreiras étnicas tradicionais.

Webcam

A revista People perguntou a um grupo de presidenciáveis, no ano passado, o que eles nunca deixariam de levar ao sair de casa, as respostas foram reveladoras, segundo a revista, e faço um grifo sobre estes novos tempos.

Mitt Romney, granola caseira em sua tigela de Dora, a Exploradora. Opção que fez rir a comunidade dos blogs.

Hillary Clinton citou seu BlackBerry – eficiente, adequado aos negócios e uma homenagem à web 1.0.

Por sua vez, Obama, respondeu através da "futura" primeira dama "Michele": uma webcam. "Nós conversamos ao final do dia, quando as garotas e eu estamos em Chicago e Barack está na estrada."

Se tem um candidato que adotou e foi adotado pela internet, este foi o Senador Obama.

Como?

Redes Sociais, ou seja, vídeos no YouTube gerando comícios cheios e ainda o mais importante: doações e votos. A arma secreta tem nome: Chris Hughes. Após seus estudos em Harvard, lançou com seus colegas de dormitório o Facebook.

Neste período de campanha eleitoral, tirou uma "licença" para organizar a web para Obama.

O site da campanha do agora Presidente Obama é muito mais dinâmico que os dos demais, desde o princípio da candidatura.

A atualização (BarackObama.com) é permanente com vídeos, fotos, ringtones, funcionalidades variadas e eventos para dar aos internautas um bom motivo para sempre retornar ao website.

Em, "mybarackobama.com" a rede "social" da campanha, é possível criar blogs sobre as plataformas políticas, enviar recomendações práticas diretamente à campanha, criar seu próprio site de levantamento de fundos, organizar um evento e até mesmo usar um disposito para obter listas de telefones e fazer campanha e pesquisas a partir de casa.

Além disso a música "Yes we can" (sim, podemos) de will.i.am, um dos integrantes do grupo de rap Black Eyed Peas, não custou nada à campanha e tornou-se um hit viral.

Há ainda o perfil no Vibe, blackplanet.com. asianave.com, migente.com, faithbase.com, gerando tráfego para o site BarackObama.com. Karen Scholl, da Resource Interactive (agência digital) diz que "há um consumidor novo e autoritário que extrai poder da web" e ainda "ele fareja uma falsa mensagem a quilômetros de distância."

A Resource Interactive cunhou o termo "Open brand" (marca aberta), um acrônimo para on-demand (sob demanda), personal (pessoal), engaging (envolvente) e networks (redes).

Esses quatro fenômenos formam um contexto sobre o qual toda empresa tem de pensar se quiser transmitir mensagens de marcas de maneiras realmente novas.

O professor John Quelch, diretor da Harvard Business School afirma que "Obama passa a idéia de que ele ama as pessoas", professor Quelch ainda faz uma comparação com a rede de cafés Starbucks, "as pessoas a amam pela experiência que proporciona, não pelas especificações do café" e ainda pensando sobre marca esclarece "só o fato de um representante da minoria subir tão alto no processo democrático já fez diferença".

Por isso a eleição de Barack Obama é uma lição para políticos, administradores, profissionais de comunicação, marketing, entre outros, e principalmente para todos aqueles que acreditam que "emoção" ainda faz parte da vida.

Basta ver as pessoas chorando (vide Reverendo Jesse Jackson, um dos pioneiros em candidaturas negras à presidência dos Estados Unidos da América) ao ver seu candidato eleito bem à frente no Grant Park em Chicago nesta madrugada de quarta-feira, 5 de novembro de 2008.

Uau que Day After!!!

Fonte: Fast Company, HSM Management, Marketing, setembro-outubro 2008.

*Alfredo Passos, apassos@espm.br, Professor da ESPM, Consultor e Especialista em Inteligência Competitiva da Knowledge Management Company. Autor de Inteligência Competitiva – Como fazer IC acontecer na sua empresa, LCTE Editora.

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Autor: Alfredo Passos


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