Percepção dos Enfermeiros Sobre a Sistematização da Assistência de Enfermagem em Gestantes de Alto Risco de um Hospital Público de Santos



Percepción de los enfermeros sobre Sistematización de los cuidados de enfermería en el las mujeres embarazadas de alto,riesgo de un hospital público en la ciudad de los Santos

Perceptions of nurses on the systematization of nursing care in pregnant women at high risk of a public hospital in the city of Santos

Cláudia Valéria de Siqueira das NevesI, Fabiana Geness PortugalII, Letícia de Lima SantosIII, Tatiana D'Lumena MelloIV

Trata-se de uma pesquisa descritiva, exploratória, com método qualitativo, delineamento não experimental, cujo objetivo foi identificar a percepção que os enfermeiros da maternidade têm sobre a SAE em GAR e se existe relação entre o instrumento de coleta de dados utilizado com a falta de realização da SAE.Foi utilizado como categoria de analise o método fenomenológico. A amostra da pesquisa constituiu-se de 5 enfermeiros que prestam assistência na maternidade.Mediante os dados coletados e analisados os resultados apontam que a percepção dos enfermeiros éque a SAE é uma ferramenta de trabalho exclusivo do enfermeiro que garante a qualidade da assistência e autonomia dentro da profissão. Os relatos feitos pela maioria das profissionais ressaltam que a falta de recursos

humanos e a sobrecarga de trabalhos burocráticos impossibilita a realização da SAE na unidade.Embora os profissionais entrevistados percebam a necessidade e a importância da SAE nas GAR, o fator tempo não suficiente a obrigatoriedade institucional,junto com possíveis desvio de funções,evidenciam a angustia nas falas quando dizem que o cliente não fica em primeiro plano.Rever conceitos e prioridades tanto institucional quanto profissional,é de fundamental importância para que haja mudanças que levem a uma assistência integral e que definitivamente priorize a SAE nas GAR.

Palavras-chave: 1. Sistematização da Assistência de enfermagem2. Gestantes de alto risco

Esta es una investigación descriptiva, exploratoria, con el método cualitativo, diseño no experimental, cuyo objetivo fue identificar la percepción de que las enfermeras tienen el doble de maternidad en el SCE EAR e si hay una relación entre el instrumento de recopilación de datos con los usuarios la falta de aplicación de la SCE. Se utilrzado como categoría de análisis fenomenológico del método. La muestra de la búsqueda es hasta a partir del 5 de enfermeras que prestan atención en el hospital. A través de los datos recogidos y analizados los resultados indican que la percepción de las enfermeras es que el SCE es una herramienta única para el trabajo del personal de enfermería que garantice la calidad de la atención la autonomía dentro de la profesión. Informes hechos por la mayoría de los profesionales señalan que la falta de recursos humanos burocráticos y la sobrecarga de trabajo imposible de llevar a cabo la SCE en la unidad. Si bien los profesionales entrevistados comprender la necesidad y la importancia de la SCE en la EAR, el factor tiempo no obligatoria en un institucionales , junto con posibles desviaciones de las funciones, ponen de relieve la angustia discursos para decir que el cliente no está en primer plano. Revisión de los conceptos y prioridades en lo que respecta a las instituciones profesionales, es de fundamental importancia para que se produzca un cambio quelevem la plena asistencia y que definitivamente dar prioridad a la SCE em,la,ERA.

Palabras clave: 1. Sistematización de los cuidados de enfermería, 2. Las mujeres embarazadas de alto,riesgo.

This is a descriptive research, exploratory, with qualitative method, non-experimental design, whose goal was to identify the perception that nurses have motherhood on the NCS in his office and whether there is relationship between the data collection instrument used to the lack the realization of NCS. It was used as a category of analysis the phenomenological method. The sample of the research consisted of 5 nurses who maternidade.Mediante assist in the data collected and analyzed the results indicate that the perception of nurses is that the NCS is a unique tool for work of nurses that ensures the quality of care and autonomy within the profession. The accounts given by most professionals point out that the lack of human resources and bureaucratic overload of work impossible to carry out the NCS in the unit . While the professionals interviewed understand the necessity and importance of NCS in the PHR, the time factor not enough to institutional obligation , along with possible misuse of office, show the anguish speeches on to say that the client is not in the first plano.Rever concepts and priorities as far as professional institutions, is of fundamental importance for which there are changes that lead to a full assistance and that definitely prioritize the NCS in the PHR.


Keywords: 1. Nursing care systematization of 2. Pregnant women at high risk

I Enfermeira obsteriz e docente de Enfermagem, da Universidade Paulista – UNIP. Santos/SP – Email:guilherme_316@yahoo.com.br,IIGraduanda de Enfermagem- Universidade Paulista – UNIP. Santos/SP – Email:fabigeness@hotmail.com,III Graduanda de Enfermagem- Universidade Paulista – UNIP. Santos/SP – Email:leticialimasantos@hotmail.com,IVGraduanda de Enfermagem- Universidade Paulista – UNIP. Santos/SP – Email:tatianadlumenamello@hotmail.com

Introdução

O tema proposto para esta pesquisa foi a percepção dos enfermeiros sobre a importância da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) em Gestantes de Alto Risco (GAR). GAR é aquela cuja vida ou a saúde da mãe e/ou do feto tem maiores chances de ser atingida por complicações que a média das gestações e é de suma importância uma assistência integral que priorize a SAE . A sistematização é de fundamental importância para planejar, direcionar as ações de enfermagem e organizar o registro dos dados. Além disso, conduz à priorização dos procedimentos a serem realizados e, se necessário, ao redimensionamento de recursos humanos e materiais, facilitando a avaliação da assistência prestada, porque permite verificar se os padrões mínimos estabelecidos foram alcançados.(1,2)

Durante o estágio de saúde da mulher e de gerenciamento observamos a importância da SAE nas GAR e a dificuldade na sua implementação foi onde despertamos o interesse por este tema. Com esse estudo acreditamos que contribuiremos para que os enfermeiros entendam a necessidade e a importância de se realizar a SAE de forma a contribuir para uma assistência integral e individualizada às GAR.

Temos observado em uma unidade de internação de maternidade de um hospital geral de Santos, dificuldades na implementação SAE nas GAR. Temos constatado que é muito importante uma assistência integral com a priorização da SAE, no sentido de proporcionar à mulher gestante, a puérpera e nutriz segurança, no processo da maternidade e da estabilização de seu quadro patológico.(3) Muitas vezes os enfermeiros com sobrecarga de tarefas burocráticas e por não haver um instrumento de coleta de dados facilitador, encontram dificuldades para a realização efetiva da SAE.(4) Esse problema nos faz levantar a seguinte questão: a elaboração de um instrumento de coleta de dados estruturado e direcionado incentivaria e facilitaria a realização da SAE em GAR ? A hipótese é que existe uma relação entre a falta de um instrumento de coleta de dados com a falta da realização e quanto mais facilitador for este instrumento mais efetiva será a sua realização.

A gestação é um fenômeno fisiológico e, por isso mesmo, sua evolução na maioria das vezes não ocorre anormalidade. (1)

Algumas gestantes, por terem características específicas ou por sofrerem algum agravo, apresentam maiores probabilidades de evolução desfavorável, tanto para o feto como para a mãe. Este grupo chamado de "gestantes de alto risco". (1)

Gestação de alto risco é aquela na qual a vida ou a saúde da mãe e/ou do feto tem maiores chances de ter complicações que a média das gestações. (1)

Por isso, logo no início do pré-natal, e durante toda a gestação, deve-se proceder uma "avaliação de risco" das gestantes de modo a identificá-las no contexto amplo de suas vidas e mapear os riscos a que estão expostas. (1)

Os serviços hospitalares, de forma geral, têm escassez de recursos humanos especializados de enfermagem, como é o caso das enfermeiras obstetras que representam menos de 1% dos acerca de 22 mil enfermeiros do Estado de São Paulo (DIAS & CUNHA,1999). O atendimento à gravidez de risco, por outro lado, exige equipe médica e de enfermagem especializada devido à sua complexidade, não apenas considerando-se as patologias, mas, sobretudo, as repercussões sobre a dinâmica familiar, estado emocional enfim, sobre a mulher, seu concepto e sua família, considerando-se os aspectos biopsicossocioculturais e espirituais.

A identificação da gestação de risco e suas formas é o ponto preliminar para avaliação do problema, a partir do qual pode-se preparar unidades especiais de atendimento nas quais a propedêutica e a terapêutica possam ser satisfatoriamente aplicadas. O objetivo final visa permitir a evolução da gravidez, de forma a reduzir os índices de morbimortalidade perinatal. A identificação da gravidez de risco deve ser o primeiro passo para a sua abordagem. Visa a possibilitar e planejar unidades de propedêutica e terapêutica especiais,considerando a gravidade de seu prognóstico

(CUNHA et al., 1990: 83).

Identificadas as condições de risco, algumas delas podem ser tratadas e eliminadas, enquanto outras devem ser controladas, a fim de diminuir seu impacto sobre a gravidez. Assim, os profissionais de saúde devem permanecer alerta para observar com mais rigor os sinais precoces de alterações e prepararem-se para iniciar imediatamente o tratamento.(3)

A obtenção ampla e sistematizada de dados pode gerar uma grande quantidade de informações fundamentais para o desempenho de cada enfermeiro e da equipe como um todo. Essas informações precisam ser registradas e organizadas para estarem disponíveis, sempre que forem necessárias, aos profissionais. (2)

O processo de enfermagem tem se apresentado como instrumento de grande utilidade para facilitar o desempenho prático e a documentação em enfermagem é considerado como a estrutura mais sólida para prestação do cuidado, garantindo continuidade e a integração da equipe. (2)

Em 1961, a expressão "processo de enfermagem" foi usada pela primeira vez por IDA ORLANDO, para explicar o cuidado de enfermagem. Seus componentes eram: comportamento do paciente, reação do enfermeiro e ação. Segundo YURA e WALSH, LYDIA HALL, em 1955, durante uma conferência afirmou que a "enfermagem é um processo" definindoo uso de quatro proposições: enfermagem ao paciente, para o paciente pelo paciente e com o paciente. Em 1963, VIRGINIAB ONNEYe JC'NE ROTHBERGs, empregaram termos do processo e apresentaram as seguintes fases: dados sociais e físicos, diagnóstico de enfermagem, terapia de enfermagem e prognóstico de enfermagem. Em 1967 um grupo da Universidade Católica identificou as fases do processo de enfermagem como: levantamentoestá incluído o diagnóstico de enfermagem. (6)

Para LUCILE LEWIS,1970, o processo de enfermagem consta de três fases: intervenção e avaliação; a primeira fase também inclui o diagnóstico, que ela usa o termo identificação do problema e estabelecimento da prioridade. A Associação Americana de Enfermeiras apresenta as seguintes etapas para o processo de enfermagem: coleta de dados, diagnóstico de enfermagem, estabelecimento do objetivo, plano de cuidados, ação da enfermagem, renovação da coleta de dados e revisão do plano. O uso dos termos assessment ou assessing inclui sempre o histórico de enfermagem; pode ou não incluir o diagnóstico de enfermagem, dependendo dos autores. (6)

Há inúmeros modelos do processo de enfermagem, mas nenhum deles tem base teórica, com exceção daquele de Sister CALLISTA ROY, que se baseia na teoria da adaptação e consta das seguintes fases: levantamento do comportamento do cliente, levantamento dos fatores influentes, identificação do problema, estabelecimento do objetivo, intervenção, avaliação. (6)

A Sistematização de Assistência de Enfermagem (SAE) foi definido por Horta em 1979, como "a dinâmica das ações sistematizadas e inter-relacionadas, visando à assistência ao ser humano" pautado na Teoria das Necessidades Humanas Básicas. (6)

Segundo Horta, que é a pioneira na SAE distinguem-se seis fases ou passos para o processo de enfermagem. O primeiro passo do processo de enfermagem é o histórico de enfermagem que consiste em um roteiro sistematizado para o levantamento de dados do ser humano que tornam possível a identificação de seus problemas. Estes dados, convenientemente analisados e avaliados, levam ao segundo passo, o diagnóstico de enfermagem onde se determina a identificação das necessidades do ser humano determinando o grau de dependência do atendimento. O diagnóstico deve ser analisado e avaliado levando ao terceiro passo: Plano assistencial onde ocorre a determinação global da assistência de enfermagem que o ser humano deve receber diante do diagnóstico estabelecido. Este plano assistencial é sistematizado em termos do conceito de assistir em enfermagem, isto é, encaminhamentos, supervisão (observação e controle), orientação, ajuda e execução de cuidados (fazer). Determinado o plano assistencial passa-se ao quarto passo:Plano de cuidados, ou prescrição de enfermagem que nada mais é que a implementação do plano assistencial pelo roteiro diário que coordena a ação da equipe de enfermagem na execução dos cuidados. O plano de cuidados é avaliado sempre, fornecendo os dados necessários para o quinto passo ou fase: Evolução de enfermagem: relato diário (ou aprazado) das mudanças sucessivas que ocorrem no ser humano, enquanto estiver sob assistência profissional. Pela evolução é possível avaliar a resposta do ser humano a assistência de enfermagem implementada. (6)

Prognóstico de enfermagem é a estimativa da capacidade do ser humano em atender suas necessidades básicas alteradas após a implementação do plano assistencial e a luz dos dados fornecidos pela evolução de enfermagem. (6)

A SAE permite o envolvimento do enfermeiro nas atividades de planejamento, execução e avaliação das ações de enfermagem que são implementadas, possibilitando uma melhor visão global da assistência.(6)

Para a implantação da SAE à gestante é importante à substituição do modelo biomédico para o levantamento de dados, pois a enfermagem possui seu próprio corpo de conhecimentos, baseado na teoria científica, tendo como foco a saúde e o bem estar do paciente. Preocupa se com os aspectos psicológico, espiritual, social e físico do indivíduo e não somente com a condição médica diagnosticada da paciente. (2)

A elaboração de um instrumento que contemple os aspectos citados proporciona um conhecimento mais profundo da gestante como ser humano, com suas necessidades básicas, compreendendo dessa forma, a gestante como um todo durantes este período. (2)

O levantamento sistemático de dados possibilita compreender a paciente em sua totalidade, organiza a prática assistencial, sendo um meio para documentá-la,facilitando assim a estruturação de intervenções de enfermagem individualizadas para diferentes respostas humanas aos problemas reais ou potenciais de saúde ou aos processos vitais. (2)

Estabelecer um instrumento de coleta de dados é tarefa importante e complexa. Dimensionar a extensão desse instrumento e determinar o tipo de dado a ser coletado permitirá a garantia da qualidade, assegurando informação útil, capaz de subsidiar a tomada de decisão e a continuidade do atendimento. Este instrumento deve ser organizado e estruturado de forma a permitir pesquisas, subsidiar o gerenciamento em enfermagem e analisar o resultando do atendimento. O importante é que seja predefinida uma estrutura que contemplem as necessidades dos pacientes. (2)

Segundo a DECISÃO COREN-SP/DIR/008/199 no Artigo 4o. A implementação do SAE nas Unidades de Saúde Pública deverá obedecer aos seguintes prazos a seguir: Até 30.07.2000 : ao paciente portador de Doença crônico-degenerativa, Doença transmissível sexual ou não, Gestantes de risco,( objeto do nosso estudo) e aos enquadrados dentro do programa de imunização, em todos os postos de saúde, dentro de um percentual de 10 a 20 % a ser determinado pelo Enfermeiro, considerando-se a incidência epidemiológica e ou cadastro epidemiológico associado aos níveis de riscos envolvidos.(7)

MATERIAL E MÉTODO

Este é um estudo descritivo, exploratório, com método qualitativo , com delineamento não experimental. Optou-se pelo método qualitativo para avaliar a percepção dos enfermeiros sobre realização da SAE nas GAR.

A pesquisa qualitativa é bem adequada ao estudo da experiência humana sobre saúde,uma preocupação fundamental da ciência da enfermagem.

O estudo foi realizado em uma instituição de saúde, tipo Hospital estadual, geral,escola, de alta complexidade de grande porte. Atualmente possui299 leitos sendo 48 leitos da maternidade onde presta assistência às gestantes puérperas saudáveis e com patologias obstétricas.Intitulado Hospital Amigo da Criança promovendo o aleitamento materno exerce também atividades como o método canguru com rns de baixo peso.Foicampo de pesquisa a unidade de maternidade onde existe aplicação oficial da SAE com impresso padronizado.

Foi constituída por 05 enfermeiros do sexo feminino, com idade entre 34 e 52 anos com media de 21 anos de graduação e 9 anosde atuação em maternidade equeatualmente prestam assistência namesmaeaceitaram participar da entrevista através da assinatura do termo livre de consentimento de livre e esclarecido.

Após aceite da Instituição,os dados foram coletados em dias e horários agendados pelos entrevistados.No período de 25 de agosto á 03 de setembro de 2008.

Foi aplicada uma entrevista gravada ,contendo 3 questões abertas. A entrevista teve 2 partes, a primeira parte com dados de identificação da amostra como: sexo, idade, tempo de trabalho na maternidade, pós-graduação. A segunda parte com dados referentes à realização da SAE, quanto ao conhecimento dos enfermeiros sobre a SAE,o que ela pode influenciar na assistência as GAR e as dificuldades na sua implementação .

O estudo teve início após a aprovação do Comitê de Ética da Instituição sediadora, bem como do Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) da Universidade Paulista.

Na elaboração e desenvolvimento desta pesquisa foram considerados os preceitos da resolução 196/96 do conselho nacional de saúde, para tanto foi esclarecido aos participantes que os objetivos da pesquisa destinar-se-iam à elaboração de trabalho científico e possível publicação, sendo garantido sigilo e o anonimato dos entrevistados e da instituição. Os enfermeiros que aceitaram participar da pesquisa assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido.

Foram considerado critério de exclusão enfermeiros com menos de 1 ano de formados e que não atuam em maternidade.

A análise dos dados foi organizada e agrupada após a transcrição detalhada das entrevistas em categoria de analise.Na qual o método de categoria adotado foi o fenomenológico que é um processo de aprendizado e de construção do significado da experiência humana por meio de dialogo intensivo com pessoas que estão vivendo a experiência.A meta do pesquisador é compreender o significado da experiência à medida que esta é vivida pelo participante.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A nossa amostra inicialmente era de 06 enfermeiras mas 1 destes profissionais não aceitou participar da pesquisa portanto,configura-se a amostra final da pesquisa com05 enfermeiras que trabalham na maternidade do hospital em estudo.

O perfil dos sujeitos da pesquisa foi determinado pelos aspectos abordados através dos dados de identificação que constitui a parte I da entrevista referentes a idade, sexo, tempo de formação, tempo de trabalho na maternidade, pós graduação.

Constatou – se que a amostra foi predominantementedo sexo feminino , a faixa etária das entrevistadas variou entre 34 e 52 anos sendo que a média desses foi de45 anos.

O tempo de formação profissional da amostra variou entre 13 e 28 anos sendo que a média foi de 21 anos de graduação.

O tempo de atuação na maternidade variou entre 4 e 22 anos sendo que o tempo médio de atuação girou em torno de9 anos.

Das 5 enfermeiras entrevistadas 4 fizeram pós graduação e apenas 1 relatou não ter feito foi constatado que apenas 1 delas fez pós em enfermagem obstétrica e enfermagem em neonatologia.

Das 5 enfermeiras entrevistadas 4 fizeram pós graduação e apenas 1 relatou não ter feito foi constatado que apenas 1 delas fez pós em enfermagem obstétrica e enfermagem em neonatologia.

4.2-Resultados obtidos sobre a SAE

Identificamos como categorias empíricas: a sistematização da assistência de enfermagem como instrumento exclusivo do enfermeiro, características do atendimento, o cuidado com a gestante de alto risco e barreiras na implementação e a sobrecarga da enfermeira.

A sistematização da assistência de enfermagem como instrumento exclusivo do enfermeiro

A SAE foi considerada pelas enfermeiras entrevistadas um instrumento exclusivo do enfermeiro na qual dá mais autonomia e responsabilidade profissional.

Conforme a Resolução do COFEN Nº 272/2002, Art. 1º - Ao Enfermeiro incumbe: I – Privativamente: A implantação, planejamento, organização, execução e avaliação do processo de enfermagem. Está explícito por lei, que o processo de enfermagem é responsabilidade e direito do enfermeiro a sua aplicabilidade.(8)

[...] a enfermeira tem agora a caneta na mão para fazer uma prescrição de cuidados [...] então agente tem mais autonomia na profissão. (E1)

A SAE hoje na verdade é como se fosse a ferramenta de trabalho do enfermeiro né, é o principal objetivo do enfermeiro vir trabalhar [...] (E2)

Os seres vivos são autônomos, mas sua autonomia depende do meio exterior. Assim, como eles têm necessidade de retirar energia Informação e organização de seu ambiente, sua Autonomia é inseparável dessa dependência. A relação desse princípio com a SAE se dá quando a enfermeira, ciente de que a elaboração da SAE é sua função privativa e, portanto, de sua inteira responsabilidade, percebe também a necessidade de elaborá-la e de implementá-la,partindo não só dosdados coletados com o cliente, mas também das informações da equipe de Enfermagem e da equipe de saúde, o que permite caracterizar a SAE como autônoma e dependente, simultaneamente.(4)

A SAE é uma coisa que veio para dignificar cada vez mais o trabalho da enfermeira, o trabalho da enfermeira ficava como complementar muitas vezes aos auxiliares de enfermagem e a SAE é um diferencial [...] (E5)

A Sistematização da Assistência de Enfermagem é um conjunto de elementos funcionais e estruturais, sendo assim uma poderosa ferramenta para favorecer o reconhecimento profissional e otimização do atendimento. (9)

A equipe pode não estar preparada ou não visualizar o profissional enfermeiro, enquanto responsável pelo gerenciamento da assistência de enfermagem, por estar habituada a rotinas e ao cumprimento da prescrição médica (Araújoet al., 1996).(10)

Características do atendimento

A Sistematização da Assistência de Enfermagem é uma metodologia cuidativa que se inicia a partir de um julgamento da enfermeira, sobre quais são as necessidades da clientela que está a seu cuidado profissional. É uma metodologia usada para sistematizar o cuidado e organizar as condições necessárias para sua execução. É ainda, uma das ferramentas essenciais de nossa atividade cuidativa. Um instrumento de trabalho que utilizamos para facilitar e tornar possível a realização do cuidado. Quando a aplicamos, temos melhores condições para identificar,compreender e descrever como o cliente está reagindo frente aos seus processos vitais e seus problemas de saúde, reais ou potenciais, podendo determinar quais os cuidados profissionais devem ser implementados.(4)

[...] a enfermeira na avaliação do paciente vai ta prescrevendo o cuidado que os auxiliares de enfermagem vão estar fazendo [...] (E1)

[...] eu detecto intercorrências né, problemas ai então eu posso intervir fazendo o diagnóstico, fazer uma intervenção né, pra que as intercorrências sejam resolvidas [...] (E2)

Quando pensamos em sistematizar ações, imaginamos um conjunto de elementos funcionais e estruturais, entre os quais deverá existir alguma relação harmoniosa e concreta, ao utilizarmos um sistema, podemos afirmar que este será um fluxograma de atividades, pelo qual seguiremos atéqueobtenhamos resultados satisfatórios concretizando objetivos, em questão: a assistência. Certamente desenvolvendo o olhar clínico do enfermeiro, aperfeiçoando e validando as ações prestadas, em busca do reconhecimento profissional e otimização do processo. (9)

[...] a partir da SAE você consegue através de um planejamento fazer uma programação desse atendimento [...] ele não consegue desenvolver o trabalho dele sem um plano de cuidados fluente sem a sistematização do atendimento [...] (E3)

Auxilia muito em termos de cuidados de ficar sendo mais rápidos esses cuidados é bem proveitoso sim a SAE. (E4)

[...] nós temos oportunidade de levantar os problemas pertinentes aquele caso fazer um diagnostico dar uma orientação [...] (E5)

A Enfermagem alimenta o ideal de cuidar das pessoas com zelo, abnegação e de introduzir mudanças que possam fazer adiferença no atendimento, ou seja, planejar as ações, determinar egerenciarocuidado, registrar tudo que foi realizado, avaliar estas condições, permitindo assim gerar o processo de Enfermagem, desta forma todos os indivíduos envolvidos possam ter acesso ao plano de assistência.(9)

O cuidado com a gestante de alto risco

Segundo as enfermeiras entrevistadas a SAE feita com todas as suas etapas é algo tanto importante quanto prioritário no tratamento da gestante de alto risco.

A gravidez é um evento biologicamente natural, porém especial na vida da mulher e, como tal,desenvolve-se em um contexto social e cultural que influencia e determina a sua evolução e a sua ocorrência.Para a investigaçãodas reações humanas e conhecimento melhor dessa influência e complexidade das vivências do ciclo gravido-puerperal, È importante considerar fatores como a história pessoal da gestante e seu passado obstétrico, o contexto da gravidez, sua idade e vÌnculo com o parceiro. (11)

[...] na gestante de alto risco tem tudo a ver sinais vitais, controle de diurese controle de eliminações o exame físico mesmo agente vê algum edema se tem alguma queixa de dor tudo isso agente vai levantar na SAE.(E1)

[...] quando eu faço lá a consulta de enfermagem, faço o histórico, faço o exame físico, eu detecto intercorrências [...] ai então eu posso intervir fazendo o diagnóstico, fazer uma intervenção pra que as intercorrências sejam resolvidas e que não haja danos nem pra ela nem para o bebê.(E2).

[...] um bom atendimento ele deve ser calcado no conhecimento cientifico[...] como é que vc vai sistematizar uma paciente se você não sabe o que é uma amniorrexe o que é uma doença hipertensiva especifica da gestação tratar uma diabetes gestacional [...](E3)

[...] é priorizar cuidados sem a sistematização do atendimento fica muito complicado dar o atendimento. (E3)

Para que possa planejar o cuidado, determinar as intervenções com o intuito de atender as necessidades das gestantes e avaliar a assistência de enfermagem que esta sendo prestada, torna - se necessária a utilização de um método claro, organizado e científico para a prática de enfermagem, denominado processo de enfermagem. (12)

[...] quando eu levanto o histórico eu vou entender as razões muitas vezes de um batimento cardiofetal ta alterado de um histórico de diabetes de gravidez de risco [...]a SAE é importantíssima é o que faz a diferençano tratamento da gestante.(E5)

Nas gestações de risco, as preocupações com o sucesso da gestação se acumulam frente às complicações a que a mulher grávida está sujeita. Desta forma, a sistematização da assistência de enfermagem é valiosa, porque pode levar a uma visão global da condição do binômio mãe-feto, favorecendo a continuidade da assistência e direcionando-a através de embasamento científico (WALDOW, 1988). (3)

Barreiras na implementação e a sobrecarga da enfermeira

A falta de recursos humanos e de tempo foi considerada pela maioria das entrevistadas como a maior dificuldade para a realização da SAE na maternidade.

Falta de recursos humanos hoje eu tenho 35 pacientes e tenho três auxiliares dando plantão fica impossível a enfermeira sair para fazer uma sistematização. (E1)

[...] a grande dificuldade da SAE [...] é o numero insuficiente de enfermeiros [...]enfermeira do setor hoje ela ta fazendo um curso em São Paulo então a enfermeira da neonatal que está fazendo a cobertura aqui a tarde e na neo também (E2)

A SAE nossa ainda não foi implantada porque só tem eu de enfermeira [...] com uma enfermeira só fica difícil fazer SAE [...]. (E4)

Olha impresso tem porque eu sou sozinha tá ? Então eu tenho que ver toda parte administrativa também, parte de pedido de material, tudo que se refere eu tenho que fazer, inclusive muitas vezes, eu acabo ajudando os auxiliares porque às vezes não tenho auxiliares suficiente.(E4)

[...] muitos enfermeiros tem a boa vontade de fazer mas ele não vai ter tempo pra cuidar da parte administrativa [...] aí quando vai ver a última coisa que sobra é o paciente ou faz a SAE, mas não faz completamente [...].(E2)

Alguns enfermeiros visualizam a SAE como um meio para aplicarem seus conhecimentos técnico - científicos, que caracteriza sua prática profissional e conduz a sua autonomia profissional.Os mesmos ainda podem encontrar algumas dificuldades na sua implementação,visto que,muitas vezes,se encontram sobrecarregados com atividades burocráticas,tendo o seu exercício profissional dificultado.Por outro lado muitos enfermeiros encontram-se engajados na sua aplicação,dispostos a transpor as dificuldades e tentando administrar o tempo e realizar suas tarefas com qualidade.(4)

Somente a falta de recursos humanos [...] a nossa dificuldade agora é a equipe eu tenho 3 enfermeiras a noite uma em cada período noturno e praticamente só eu durante o dia [...] quando eu tenho uma pessoa só essa pessoa vai ficar priorizando o cuidado em si , quer dizer, a prescrição médica, as coisas que são necessárias na unidade, as vezes precisando deixar de fazer a SAE [...](E5)

Além das dificuldades apontadas pelos enfermeiros, Araújo et al. (1996) mencionaoutras relacionadas à implementação, à operacionalização e ao acompanhamento periódico e direto das atividades, bem como a falta de pessoal, o desconhecimento da lei do exercício profissional, a falta de liderança, a falta de comprometimento e a falta de tempo, fatores que, facilmente, podem resultar em perda de estímulo por parte dos enfermeiros e, conseqüentemente, gerar desmotivação e insatisfação quanto à realização da SAE.Poucos, entretanto, são os achados científicos que associam a sobrecarga de trabalho e/ou a falta de tempo a uma das dificuldades de implementação da SAE. Pressupõe-se, a partir de literaturas críticas acerca do processo de implementação, que o fator tempo deve ser considerado uma questão de prioridade, ou seja, o fator prioridade está inserido em um contexto de avaliação crítica e em observações detalhadas de cada ação. Desse modo, a SAE está diretamente relacionada a uma questão de prioridade e/ou de valorização daquilo que julgamos importante e essencial para a profissão. É comum, no entanto, que as maiores dificuldades relacionadas à implementação do processo estejam associadas à descrença e à rejeição dos próprios enfermeiros que, limitados ao modelo técnico-burocrático, utilizam, muitas vezes, estratégias antiéticas e inflexíveis para não participarem do processo. É preciso compreender, entretanto, que a própria rejeição e inflexibilidade podem caracterizar a falta de um conhecimento específico e a desatualização profissional.(10)

Apenas uma das entrevistadas apontou como barreira na implementação da SAE, a falta de conhecimento científico.

[...] a grande barreira ainda pra SAE é o conhecimento científico eu acho que o que falta é uma base sólida de um conhecimento teórico ,conhecimento cientifico pra poder fazer a sistematização [...](E3)

[...] nós discutimos muitos impressos mas acho que esse não é o problema seo enfermeiro tem base sólida de conhecimento ele consegue fazer a SAE. (E3)

A falta de conhecimento suficiente das enfermeiras sobre o processo de enfermagem torna-se barreira para a sua adesão á execução deste método assistencial nas instituições de saúde. Quando o realizam sem o necessário conhecimento, o fazem apenas para o cumprimento de tarefa institucional, não havendo a conscientizaçãocoletiva da importância deste processo para a sua atuação como profissional da saúde com responsabilidade social. (13)

Existem certas dificuldades encontradas pelo enfermeiro na implantação do SAE, entre elas: insegurança para prescrever e assumir as conseqüências das decisões geradas provavelmente pela insuficiência de conhecimento cientifico. (09)

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Observamos com esse trabalho que para o enfermeiro prestar assistência de qualidade as gestantes de alto risco é necessário a implementação da SAE, que constitui um instrumento de fundamental importância para que o enfermeiro possa gerenciar e otimizar a assistência de enfermagem de forma organizada, segura, dinâmica e competente.(10)

As enfermeiras quando abordadas sobre a SAE mostraram-se inseguras em suas respostas. A percepção dos enfermeiros é de que a SAE é uma ferramenta de trabalho exclusivo do enfermeiro que garante a qualidade da assistência onde o enfermeiro ganha mais autonomia dentro da profissão. Os relatos feitos pela maioria das profissionais descarta a nossa hipótese de que existe uma relação entre a falta de um instrumento de coleta de dados com a falta da realização, visto que ressaltam que a falta de recursos humanos e a sobrecarga de trabalhos burocráticos impossibilita a realização da SAE na unidade onde apenas 1 das entrevistadas apresentou uma contradição relatando que a SAE não é realizada por falta de conhecimento cientifico dos profissionais.Quando abordadas sobre a importância da SAE nas GAR todas as entrevistadas acham que a SAE traz benefícios as GAR mas apenas 1 das entrevistadas destacou que é prioritário a realização da SAE nas mesmas.

Embora os profissionaisentrevistados percebam a necessidade e a importância da SAE nas GAR o fator tempo não suficiente a obrigatoriedade instituciona(burocrática, administrativa,

assistencial direta e indireta), junto com possíveis desvios de funções, evidenciam a angustia nas falas quando dizem que o cliente não fica em primeiro plano. Rever conceitos e prioridade tanto institucional quanto profissional, é de fundamental importância para que haja mudanças que levem a uma assistência integral e que definitivamente priorize a SAE nas GAR .

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

(1) Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Departamento de Gestão de Políticas Estratégicas. Área Técnica de Saúde da Mulher. Manual técnico :Gestação de Alto risco: 3ª ed., Brasília (DF); 2000

(2) Barros SMO, Marin HF, Abrão ACFV. Enfermagem obstétrica e ginecológica: guia para prática assistencial. 1ª ed. São Paulo:Roca; 2002. Modelo para prática assistencial . p. 3- 6

(3) Golvea HG. Diagnósticos de enfermagem e problemas colaborativos mais comuns na gestação de risco [dissertação] Campinas (SP): Universidade Estadual de Campinas; 2001

(4) Lopes FL, Szewczyk MS, Lunardi VL, Santos SSC. SAE como um novo fazer na atividade da enfermeira com base na complexidade de Edgar Morin. Rev Cogitare Enferm; 2007; 12(1):109-13

(5) Borges Bittar DB, Pereira LV, Lemos RCA. Sistematização da assistência de enfermagem ao paciente crítico: Proposta de um instrumento de coleta de dados. Texto Contexto Enferm; 2006; 15(4): 617-28.

(6) Horta WA. Processo de enfermagem.16 ª ed. São Paulo: E.P.U; 2005

(7) CoREn. Conselho Regional de Enfermagem. Dispõe sobre normas para a implantação da Sistematização da Assistência de Enfermagem. Decisão de 19 de outubro de 1999. CoREn: São Paulo, 4 de janeiro de 2000.

(8) Haber GLWJ. Pesquisa em enfermagem: métodos, avaliação crítica e utilização. 4º Ed, Rio de Janeiro: Guanabara Kooogan; 2001. Abordagem de pesquisa qualitativa.p125 - 127

(9) Silva IW, Colaços MD, HukJ, Nakamura E, Fukui AM. Percepção dos enfermeiros acerca da sistematização da assistência de enfermagem (SAE) [artigo] Paraná (PR): Centro Universitário Uniandrade.

(10) Backes DS, Esperança PE, Amaro AM, Campos IEFC, Cunha ADO, Schwartz. Siatematização da assistência de enfermagem : percepção dos enfermeiros de um hospital filantrópico. [artigo] Maringá (PR):Acta Scientiarum. Health Sciences; 2005

(11) Dourado VG, Pelloso SM. Gravidez de alto risco: o desejo e a programação de uma gestação. [ artigo] Maringá (PR): Acta Paulista de enfermagem; 2007

(12) Lacava RMVB, Barros SMO. Diagnósticos de enfermagem na assistência às gestantes. [artigo] São Paulo (SP): Acta Paulista de enfermagem; 2004

(13)Takahashi AA, Barros ALBL, Michel JLM, Souza MF. Dificuldades e facilidades apontadas por enfermeiras de um hospital de ensino na execução do processo de enfermagem. [artigo] Paulo (SP): Acta Paulista de enfermagem; 2008


Autor: Leticia Lima Santos


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